24 de maio de 2017

Até ao topo

Uma vez a cada trezentos dias, gosto de fazer subidas. Com isto, não quero dizer que só treine subidas uma vez a cada trezentos dias. Eu treinar treino várias vezes, só que não gosto. Pelo menos durante. Mas depois, há uma ou duas milagrosas vezes por ano em que todos os astros se conjugam, e gosto bastante. Claro que nesses dias as subidas não me custam tanto. Não sei se se deve às exactas horas de sono, ao pequeno-almoço no ponto, à hidratação perfeita ao mililitro, ao corpo bem regenerado, a uma semana mais descansada no trabalho, ao bater de asas de uma borboleta no Japão, mas é um facto que, nesses dias, ir ali a subir não me custa tanto como habitual. Consigo fazer sempre a correr as rampas que normalmente teria de fazer parte a andar, a respiração não é tão ofegante e não vou ali todos os segundos a implorar por um acto de misericórdia divino.



Se já não andasse nisto há algum tempo, e fosse mais ingénua, ficaria toda entusiasmada a achar que finalmente o treino estava a dar resultado e que as subidas se iam tornar mais fáceis! Nope. Não se iludam. As subidas nunca ficam mais fáceis. Assim como o correr no geral. Nós é que vamos ficando mais fortes, dizem.

Neste dia em questão, suspeito que as condições meteorológicas ajudaram bastante.


Tinha chovido até minutos antes de darmos início ao treino, cá de baixo de São Pedro, mas de momento estava apenas nublado. À medida que começamos a subir, no entanto, a névoa vai-se tornando cada vez mais densa, ao ponto de começarmos a ficar molhados da cacimba. Também não é fácil correr com grande percentagem de humidade, mas ali por Sintra é quase um dado adquirido e, além disso, teria sido muito pior fazer aquela subida com o sol sempre a bater, pelo menos para mim.


Se bem se lembram, a subida ao miradouro de Santa Eufémia foi algo que fiz várias vezes o ano passado, enquanto treinava para a Serra da Estrela. Há já algum tempo que lá não voltava, pelo menos a correr, por isso fiquei contente por conseguir fazê-la toda sem parar. Devagarinho, mas sem parar. A paisagem ajudou.


Chegando ao topo dos seus quase 470 metros de altitude, e aproveitando que estava num dia bom, foi dar meia-volta e tornar a subir, desta vez, em direcção ao ponto mais alto que se pode atingir em Sintra.


Atravessando os estradões envoltos em neblina,


e os bosques ainda mais mágicos,


até à Cruz Alta.

A Cruz Alta ergue-se no topo dos 527 metros da serra e permite uma bela panorâmica de 360º sobre a mesma...

... mas não neste dia, obviamente!

No entanto, o objectivo de ganhar acumulado estava cumprido, por isso agora era só aproveitar o resto da manhã fantástica e, de preferência, acrescentar-lhe mais uns quilómetros.


Apesar de ser linda em qualquer altura, a serra de Sintra envolta em brumas é, sem dúvida, a minha versão preferida. Ao correr por aquela floresta imperturbada, com apenas os nossos passos e respiração - e o ocasional cantar de um pássaro - a cortar o silêncio, quase que me sinto no meio de um cenário de fantasia, onde a qualquer momento nos podemos deparar com uma situação ou personagens surreais.


Bom, e sendo Sintra, a verdade é que já me deparei com várias coisas estranhas, mas não neste dia. Este foi mesmo um dia de treino perfeito, física e mentalmente.


Fiz as subidinhas todas a sentir-me sempre forte e sem me queixar. Raridade! E completamente assoberbada pela minha sorte em poder ter treinos destes, num sítio tão especial.


Quer dizer, eu estou sempre agradecida dessa minha "sorte", mas há dias em que é como se nos apaixonássemos de novo pela primeira vez. Nada mau nesta relação eu -vs- Serra de Sintra que já leva uns 5 anos.


Já eu -vs- subidas... é uma relação de altos e baixos. ;)

Está a fazer exactamente um ano desde os últimos treinos "a sério" nesta área, por motivos de força maior. Quase 2000 metros maior, se bem se lembram. A seguir a isso, sejamos honestos, desleixei-me completamente. Estava farta de treinar e queria correr à minha vontade, sem pensar em quilómetros e desníveis. O que não tem mal nenhum, até querermos voltar a ter objectivos.
Agora, tenho novamente motivos de força (2000 metros) maior. Apesar de, desta vez, querer regressar à Serra da Estrela por saudades e não por desafio, a montanha não se compadece de meios-esforços.

Mas esse é um tema para outra crónica, esta foi mesmo só para vos deixar aqui fotos mete-nojo bonitas. :)

15 de maio de 2017

Longão em Sintra

A primeira semana de Maio foi a maior, em termos de quilometragem, acho que desde o ano passado, quando andava a treinar para o Oh Meu Deus. Começou com os 30 km pelos Trilhos dos Pernetas e terminou com um treino longo pelos trilhos de Sintra, que acabou por ser de cerca de 40 km.

Há alguém, infelizmente não eu, que irá tornar a tentar os 100 km do OMD e precisava de encaixar mais um treino longo em Maio. E eu, que no início do ano estava cheia de esperanças de me internacionalizar numa prova de três dígitos lá para Setembro, na altura, toda confiançuda, inscrevi-me para os 70 km do OMD para serem feitos como "treino"... Ora, a ideia da internacionalização acabou por cair por terra e depois, com isto da anemia, a ideia dos três dígitos, em princípio, também. No entanto, vou voltar à Serra da Estrela. Fazer uma prova na Serra da Estrela é como uma prenda a mim mesma que pretendo oferecer-me todos os anos. Só eu sei o bem que me faz à alma correr por ali... Por isso, ainda não sei bem quantos quilómetros por lá irei fazer, mas vou.

No sábado do treino, o objectivo era recriar o percurso do Monte da Lua, tendo em conta que haveriam partes que atravessam propriedades privadas e não poderiam ser feitas e também um ou ou troço que poderia estar fechado. Além disso, devido à chuva do dia anterior, também iríamos evitar as arribas na parte final. Mesmo assim, estávamos confiantes de que teríamos percurso para uns 40 km.


Começámos o treino na Praia Grande e seguimos na direcção de Colares. Ainda nem 3 km levávamos quando nos deparámos com o primeiro obstáculo.


Depois da ponte, as quintas que a prova atravessava tinham agora uma cerca. À conta disso, tivemos de improvisar um bocado pelo alcatrão, na direcção dos B.V. de Colares, e dali seguir uma parte do percurso do Trail Serra e Mar, até desviarmos para a vila de Sintra e seguir novamente os trilhos do Monte da Lua. Desenrascanço... O que vale é que já são muitos quilómetros percorridos nesta serra!

No entanto, isso não nos impediu de nos enganarmos num cruzamento pouco depois, claro. A este erro, devemos o maior ganho de elevação seguido de todo o treino, portanto acabou por ser por uma boa causa, embora na altura não o tenha apreciado devidamente. :)
O cruzamento irá levar-nos até aos Capuchos, e daí foi a descer (fiquei contente nesta parte) até Monserrate, de onde pretendíamos fazer a ligação à Regaleira.

Parque de Monserrate.

Em Monserrate, fizemos a primeira pausa para abastecimento e tirar umas fotos com os lobos que por lá habitam.


Auuuuuu!

Se me lembro bem, acho que também há por lá um urso, mas não o encontrámos. Depois, passámos pela Quintinha de Monserrate,


antes de fazer os cerca de 2 km de estrada que nos levariam até ao Palácio da Regaleira.


Desta vez, infelizmente, não poderíamos entrar e percorrer os seus túneis, subindo depois o Poço Iniciático (só por esta parte já vale a pena fazerem a prova). Por isso, seguimos a corrida de obstáculos que foi fintar todos os turistas que percorriam as ruas da vila, até fugirmos pelo Parque das Merendas, na direcção do Castelo.

Subimos por aquele que eu intitulo o "Trilho das Fotos Fantasmagóricas",



e continuámos a difícil subida até aos Mouros, onde passámos vários turistas, alguns visivelmente com cara de "devia ter apanhado o bus, f#ck os €5!". :)


Depois, chegando ao estacionamento da Pena - e porque não subir mais um bocadinho? Nesta fase já estou por tudo - fomos até Santa Eufémia.


De Santa Eufémia fizemos a ligação ao estradão do Chalet da Condessa, seguindo depois alguns quilómetros relativamente planos, antes de baixarmos na direcção da Barragem da Mula, através do Torgas. Já é difícil descer por ali a correr, imagino os loucos do downhill.*

Início do trilho Torgas.

(* A partilha dos trilhos de Sintra por parte dos corredores e ciclistas é sempre motivo de alguma polémica, sobretudo trilhos comummente usados para a prática do downhill. Com a utilização responsável acho que todos podemos usufruir dos mesmos, sem riscos. Eu, por exemplo, que a seguir às cobras o meu maior medo é ter um encontro de primeiro grau com uma bicicleta desgovernada, evito certos trilhos em "horas de ponta" - também as há, na serra! - e vou sempre com imensa atenção. Neste dia, por acaso, não vimos nenhum ciclista em todo o treino.)

Nesta fase já levávamos mais de 20 km, portanto estava na altura de pensar no retorno. Embora já não estivéssemos a seguir fielmente o track do Monte da Lua, não podia ficar de parte a famosa subida ao Monge. Embora não tenhamos começado desde cá de baixo do Trilho das Pontes, fomos apanhar a escadaria a seguir ao monumento aos bombeiros junto à estrada


e dali subimos até ao pinoco no alto do monge.


Agora, e já que referi cobras há dois parágrafos, imaginem o que encontrei algures durante a subida... Um esquilo! Ahah, não, foi mesmo uma COBRA! O meu mais temido encontro de primeiro grau nos trilhos.
Para ser exacta, era um fura-mato, que é outra designação para uma espécie de cobra pequena e acobreada. Segundo os Parques de Sintra é muito raro ser avistada por ali... Ãhhh, vejam só a minha sorte!!! Ainda por cima, como foi apanhada de surpresa, fez-se de morta e nem se desviou quando lhe atirei um pequeno galho (sem qualquer intenção de acertar ou magoar, apenas para a afastar). "Olha-mésta! Estou em minha casa, portanto fico aqui refastelada ao sol a fazer de morta se me apetecer e tu que te desvies, se quiseres" - pensou, obviamente, a cobra.
Tive de fazer um desvio de 50 km (eheh ;)) só para não passar POR CIMA dela (ME-DO).


E, depois de tanto subirmos (até então já íamos com mais de 1200m D+), iniciamos a descida de regresso à Praia Grande, na direcção da Praia da Adraga. Foi por esta altura que fiquei sem bateria no gps, portanto os meus dados do treino ficaram incompletos


Chegando à Adraga, um último esforço na subida da duna até ao pinhal (está bem que são só uns 200 metros, mas subir uma parede de areia naquela fase... ufa!), e terminámos o treino com perto de 40 km.

Mas tudo acaba bem quando uma corrida termina na praia, e a maré até colaborou com a formação de uma pequena baía para a crioterapia.

E descer os mais de 300 degraus de acesso ao areal? Também foi bonito. :)

Bons treinos!

11 de maio de 2017

Trilhos dos Pernetas - a vassourar os 30km

Nas dezenas de provas de trilhos em que participei até agora, já fiquei no último terço do pelotão, já fiquei quase em último e até, imagine-se, já fiquei a meio do pelotão! No entanto, e apesar de ter havido uma prova ou duas em que foi por pouco, nunca fiquei em último. Bom, há sempre uma primeira vez para tudo.

Portanto, eu, mais dois companheiros, fomos os últimos dos últimos a cortar a meta dos Trilhos dos Pernetas, com cerca de 5h10 de prova.

Na Partida, já a deixar fugir o pelotão.

No entanto, a bem da verdade, era suposto que assim fosse, uma vez que fomos os vassouras dos 30 km.

Voltando um pouco atrás na história, há já bastante tempo que queria ter a experiência de ser vassoura. Sabendo eu o que custa por vezes concluir uma prova, numa glória só nossa - já que vezes há em que não está quase ninguém na meta para nos receber ou, pior, já estão a retirar o pórtico (!) mesmo ainda dentro do tempo limite - achava que teria o perfil e, sobretudo, a paciência para acompanhar alguém no seu desafio. Mas claro que nestas coisas de superação e sofrimento cada um tem o seu feitio, há quem goste de conversa para distrair, há quem prefira ir calado e até quem prefira que o deixem em paz. No fundo, teria que haver uma certa sensibilidade para perceber as idiossincrasias de cada um, e tinha curiosidade nisso.
Ora, não estando por dentro de nenhuma Organização, era complicado propor-me para vassoura assim sem mais nem menos. Por isso, quando soube que iria haver a primeira edição oficial dos Trilhos dos Pernetas, e conhecendo o Perneta-Mor, atirei com um: "eu vou, mas só se puder ser a vassoura!", e pegou. :) Iria na mesma, mas assim ainda melhor!

Agora, voltando à história, eram 9h do dia 01 de Maio, a partida dos 30km tinha acabado de ser dada, e eu, o Nuno e o Artur, os três vassouras, começávamos com toda a calma, dando espaço para que os atletas se afastassem.


Numa coisa estávamos de acordo: ninguém quer ir ali com o vassoura atrelado logo desde os primeiros quilómetros. Portanto, a ideia era dar espaço em relação aos últimos atletas, de forma a não criar pressão logo de início. Além disso, haveria uma passagem no primeiro quilómetro passível de criar algum engarrafamento, logo, teríamos tempo de os alcançar mais tarde.


Assim, os primeiros quilómetros foram feitos na conversa, sem pressas, com atenção ao percurso e à paisagem, esta última completamente nova para mim e o Artur.


Os cartazes também eram motivo de distracção e risota.

1km já está, faltam 29! :)
FUJAMMM!!!

Para referência, esta é a loira:

FUJAMMM!!!

Algum tempo depois, começam a surgir os primeiros atletas dos 18 km, cuja primeira parte do percurso seria partilhada com o nosso, e ainda houve um registo fotográfico dos mesmos.


Por acaso, falha grave, não tirámos foto à famosa Ponte dos Pernetas que inspirou o prémio de finisher, mas era na zona da foto abaixo.

Paisagem hor-rí-vel. ;)

Em suma, nestes primeiros quilómetros íamos tão na descontra que quando chegámos ao primeiro abastecimento os últimos atletas já tinham ido embora. :) Não havia problema, só tínhamos de recuperar o ritmo, mas olhem-me para esta mesa...

Olhem bem! O que está errado?

O abastecimento estava praticamente intacto! Fruta, bolinhos, aletria... Até uma garrafa de vinho do Porto que nem sequer chegou a ser aberta!!! Está bem que só íamos com uns 8 km de prova, mas fiquei muito desiludida com este pessoal do Norte, muito desiludida...

Mas bom, daqui para a frente, e para não arriscarmos chegar à Meta sem ter apanhado nenhum atleta, assumimos a postura profissional - de vassouras, claro está - e fomos no encalço dos últimos.

Mas pára-se sempre para uma foto ou duas, quando se justifica.

É mais ou menos a metade da prova que alguns atletas começam a quebrar o ritmo e, pouco tempo depois, alcançámos o último.


Infelizmente, este atleta não ia apenas numa quebra de ritmo, ia a queixar-se de uma dor no joelho e já não conseguia correr. É nestas alturas que começam as dúvidas: o que fazer? Dar força para continuar? Aconselhar a desistir para não agravar uma possível lesão? Acompanhá-lo até ao fim, mesmo que sempre a caminhar, enquanto estivesse dentro do tempo limite? E se demorasse mais que isso? Por enquanto, o atleta sentia-se capaz de seguir, pelo menos até ao próximo abastecimento, por isso revezámo-nos a acompanhá-lo, enquanto um ou outro ia controlando o percurso e avistando as atletas que seguiam pouco mais à frente.




Mas, antes do próximo abastecimento, seguia-se um dos maiores desafios da prova: a subida ao marco geodésico.

É tudo uma questão de perspectiva! :)

E maiores também...

As fotos de subidas falham sempre em revelar a verdadeira dificuldade, mas acho que deste ângulo, visto de cima, dá para ter uma ideia.


No topo do marco geodésico, mais ou menos pelos 18 km, estava o segundo abastecimento, de onde as penúltimas atletas foram logo embora mal nos viram chegar. Isto de ser vassoura é muito ingrato! :)


O atleta que vínhamos a acompanhar decidiu ficar por ali, por isso, depois de comermos qualquer coisa, seguimos até avistar as duas atletas que iam agora em último. Pelo caminho, passámos por alguns locais que já conhecia de nome e pelas fotos, como o Marco dos 4 Concelhos,

Sta. Mª da Feira, Arouca, Castelo de Paiva e Gondomar.

e a subida ao Camouco que era, se não me engano, o ponto mais alto do percurso.


A descida que se seguiu foi uma das partes que achei mais complicadas. Era longa, inclinada e cheia de pedra. Os meus dois colegas vassouras iam um pouco mais atrás e eu ia a seguir as últimas atletas sem querer ainda aproximar-me muito. A descida pareceu-me interminável e, por azar, apoiei mal um pé e fui de escorrega! Quando me levantei tinha o tornozelo um pouco dorido e pensei: "olha, que irónico, vamos ter uma vassoura perneta nos Trilhos dos Pernetas!", mas consegui continuar a correr e a dor eventualmente desapareceu.


Se calhar, ajudou o facto de, mais à frente, termos cruzado uma linha de água, onde aproveitámos para nos refrescar e brincar um bocado na água (eu), para dar tempo que as atletas avançassem. Aproximava-se o último abastecimento e, a cada fotógrafo e polícia que passávamos, íamos deixando a palavra de que éramos os últimos.

Chegámos ao abastecimento mesmo atrás das últimas duas atletas, mas ainda por lá estava uma boa meia dúzia de pessoas, a comer e beber. Assim que nos viram chegar, adivinhem, apressaram-se todos a ir embora! Começava a achar que tinham algo pessoal contra nós... :) Ninguém queria a nossa companhia!

Rapidamente tornámos a alcançar as últimas raparigas, mas queríamos deixar algum espaço para irem à vontade, uma vez que ainda estávamos bem dentro do tempo limite. No entanto, depois de quase terem seguido pelo caminho errado três vezes (por distracção, já que estava bem assinalado), achámos melhor juntarmo-nos a elas. Faltavam menos de 5 km para o final.


E seguiu-se um momento no qual me revi em bastantes provas. O cansaço, o intervalar a caminhada com a corrida, bastante ofegantes. O desabafo de quem está farto mas que, mesmo assim, se nota que está ali com garra para terminar. "ODEIO-VOS!", chegou a dizer uma das senhoras, na brincadeira, depois de avistar mais uma subida. Parecia... eu! :)
Depois, para mostrar quem é o verdadeiro sexo forte, a três quilómetros do fim começam a apanhar outros atletas, e estas mulheres, que vinham em último quase desde o início, ainda vão ficar à frente de uns 6 ou 7 homens. WOMEN POWER!

Até ao final, fomos intervalando a companhia de alguns atletas, conforme iam passando ou ficando para trás. Neste momento, a maior parte já só quer saber se "ainda falta muito", e eu fui tentando dar sempre uma forcinha. "Está quase!", "Falta 1 km.", "O pior já ficou para trás." e "Com jeitinho ainda fazemos abaixo das 5h!"... Espero que não me tenham odiado. Muito.

Chegando à Capela de N. Sra. da Piedade, onde fora a Partida, ainda era necessário descer as escadas para tornar a subir os últimos 200 metros em direcção à Meta, e deixámos o último atleta ter o seu momento, encerrando nós a prova, com cerca de 5h10. Uns bons 50 minutos a menos das 6 horas definidas. Pernetas? Não há pernetas aqui!

Felizmente, não houve incidentes complicados, e apenas uma desistência pacífica e por vontade própria, por isso acho que todos terminaram com boas memórias. Quanto a mim, gostei bastante da experiência e descobri que não me importo nada de ir ali a acompanhar outros ritmos. Gosto de lá andar sem ser eu a sofrer, para variar. :)