31 de dezembro de 2018

O importante é participar


30ª São Silvestre dos Olivais

Apesar de ter corrido de forma muito inconsistente ao longo deste ano, achei que deveria voltar à São Silvestre dos Olivais. Afinal, esta foi a minha primeira prova, aquela que me fez iniciar este blogue, no longínquo ano de 2011 (!!!).
Como estava a dizer, apesar de não correr há meses, resolvi alinhar na partida desta prova. Tinha as desculpas todas típicas de quem anda nisto há muito tempo e quer justificar (sabe-se lá a quem) uma possível má prestação: "não corri, ando adoentada há uma semana, tenho uma pontada esquisita no joelho"… Mas sentia-me como uma estreante. Aliás, estava praticamente tão nervosa como há sete anos, quando 10 km eram ainda, para mim, uma distância desconhecida. Desta vez, apesar dos milhares de quilómetros nas pernas que me separavam da corredora inexperiente que era na altura, o objectivo era também o mesmo: acabar bem e, se possível, não ficar em último.

Engraçado como pode ser cíclico isto das corridas, num dia estamos literalmente no topo da montanha e corridas de 25 km pelos trilhos deste país são apenas um aquecimento e, no outro, apenas queremos conseguir completar 10 km pelo bairro do costume.

A São Silvestre dos Olivais não é uma prova para tentar bater recordes. Tem umas subidas e descidas bem jeitosas que obrigam a uma gestão do esforço para não se quebrar mais à frente, naquela última grande subida dos 8 km. Por outro lado, não é nada aborrecida. O que se segue àquela 56ª curva no percurso? Mais uma parede? Uma descida para soltar as pernas? Uma recta para embalar? Quem sabe!
Sei eu, que já conheço este bairro como a palma da mão. Por isso, apesar do percurso ter sofrido várias alterações nos últimos anos, sei bem que não nos devemos entusiasmar no 3º km, quando descemos de Olivais Norte, que depois seguimos por Olivais Sul acima ainda antes do 5º km, que quem alargar a passada como um desalmado aos 6,5 km, depois vai penar um bocadinho na subida pelas traseiras do Vale do Silêncio, até chegar ao Spazio Shopping. Sei também que aquele quilómetro final, primeiro a descer e depois uns bons 500 metros de recta até à Meta, nas Piscinas,  são óptimos para, quem ainda tiver fôlego, largar a correr e terminar em grande.
Não foi o meu caso. Segui sempre hipercontrolada e atenta aos mínimos sinais do corpo. Notei, ainda antes dos 4 km, que não ia conseguir abrir a passada e aquela descida final disparou o alarme do meu joelho, impedindo-me de terminar com a força que ainda tinha, mas não faz mal. Terminei bem e não fiquei em último - objectivo cumprido!
Um outro lado positivo foi ter sempre mantido o fôlego para agradecer e desejar bom ano a quem assistia, desde polícias a voluntários e transeuntes, alguns dos quais já visivelmente em "aquecimento" para a Passagem de Ano, o que até se percebe, porque a noite estava fria e estar ali de pé, parados a aplaudir, fazia gelar os ossos. :)

Ainda não sei se em 2019 regressarei à escrita de forma regular. Não ando a treinar para nada e manter um blogue de corrida sem participar em provas não é muito sustentável. Sei, contudo, que continuarei a correr.

Como uma mulher que assistia à prova, já nos metros finais, e gritava para quem passava: "Parabéns! Parabéns! O importante é participar!". Na altura rimos bastante e cortámos a meta a rir às gargalhadas com esta frase. É, sem dúvida, verdade, e a senhora tinha a melhor das intenções, mas também sabemos que estamos muito em baixo na classificação quando à chegada nos brindam com este incentivo. Ah! :)

Feitas as contas, das minhas três participações nesta prova, esta não foi a melhor, nem a pior, em termos de tempos. Ficou ali bem no meio. Mas fui igualmente feliz em todas elas e sei que sou feliz a correr no geral. Por isso, sim, o importante é participar e, enquanto houver caminho para correr, lá estaremos.

A quem ainda estiver por aí: um 2019 cheio de quilómetros felizes!

8 de fevereiro de 2018

Parabéns, Egas Branco!

Venho interromper o abandono a que o meu pobre blogue está correntemente sujeito para me juntar ao coro de vozes amigas que hoje se uniram para desejar os parabéns ao Egas Branco.
E quem é o Egas, perguntam.
Egas Branco, maratonista, pioneiro de provas de montanha/trail e da ultra maratona em Portugal (entre outros desportos), e grande lutador em outras batalhas da vida, na qual completa hoje 80 primaveras. Tudo epítetos meritórios, no entanto, o seu maior destaque irá para as amizades que forjou, e que levaram a que, hoje, tivesse esta merecida e simbólica homenagem.

Pessoalmente, estive com o Egas apenas duas vezes: a primeira, no dia em que, apesar de não ir correr, fez questão de estar presente nesse marco que foi o primeiro treino de 30 km do João Lima, na preparação da sua maratona inaugural; e, a segunda, no dia da própria Maratona do João. Porque é isso que fazem os amigos, apoiam os sonhos dos outros e ficam felizes com a sua concretização, como se fosse o seu próprio sonho também.


Parabéns, Egas Branco! Muita saúde e felicidades na ultra maratona da vida.

30 de dezembro de 2017

Boas Festas!

Não queria deixar terminar o ano sem vir dar notícias e sossegar as inúmeras pessoas que questionaram os motivos da minha ausência (pronto, ok, foram só duas ou três pessoas, mas quero acreditar que representavam a preocupação de todos vocês, seus amigos da onça... Humpf! :p).
Bom, a explicação curta é que pouco ou nada corri nestes últimos meses do ano. A explicação longa, ou seja, o motivo, será explanado posteriormente. Não me quero alongar nesta que pretende ser uma crónica de Boas Festas.

Para ser sincera, senti a falta de vir aqui escrever. Acedi ao blogue e abri o editor de texto diversas vezes mas, após alguns minutos a olhar para a página em branco e algumas tentativas falhadas de alinhavar uma crónica, tornava a encerrá-lo.  E até nem tinha falta de matéria. É verdade que 2017 não foi um grande ano (para não dizer mau) de corrida para mim, sobretudo nestes últimos meses. Mas continuei a passear na minha Sintra e a estar no lado da claque de diversas provas. Assisti ao Triatlo de Cascais, à Meia Maratona das Lampas, ao Trail da Tapada, à Maratona de Lisboa e a outras tantas provas que agora me esquece. Em algumas nem conhecia ninguém que ia correr (apesar de depois acabar por encontrar sempre alguém conhecido), ia apenas pela festa da corrida. Via-me refletida na luta e conquista de cada atleta que passava, e isso dava-me alento. Ir assistir a estas provas dava-me mais alento a mim do que aquele que as minhas palmas ou gritos de incentivo poderiam dar a quem corria.
Depois, confesso, entrei numa fase negra em que bastava passar por alguém a correr na rua para sentir um baque no coração. Também queria estar a correr... Também nessa altura aqui vim, abri o blogue, quis desabafar o meu desânimo, mas nunca cliquei em Publicar.

Mas hoje, talvez por estarmos a chegar ao fim de 2017 e a transição de um ano para o outro nos dar sempre a ilusão de recomeço; talvez por ter vindo da São Silvestre dos Olivais, que desta vez não corri mas foi a prova que, em 2011, deu origem a tudo isto, ao início do meu blogue (já lá vão 6 anos, caramba!), ao início da corrida como parte de mim; talvez por começar a ver a luzinha ao fundo do túnel... Hoje, tive mesmo de vir escrever (e Publicar).

Ainda que seja apenas para vos/nos desejar umas Boas Festas (e que grande que já vai o texto para quem não se queria alongar!)

Como de costume, por aqui:

"SAÚDE E PAZ, QUE O RESTO A GENTE CORRE ATRÁS"


Um excelente 2018!