20 de dezembro de 2011

10Km

Quando regressei às lides desportivas, achei por bem definir uma meta, algo que me motivasse nos dias em que correr é horrível e chego a casa a chorar, afogando as mágoas num pacote de gomas (esta situação pode, ou não, ter acontecido.)
Sendo assim, e porque o meu cérebro movido a açúcar é muito criativo, decidi que, no final de 2011, havia de participar numa prova de 10 quilómetros.


Enquanto que para o desportista comum esta distância pode não parecer muito, para mim assemelhava-se a uma travessia dos Himalaias... com uma mochila de 20 quilos às costas... ao pé coxinho...
Mas estávamos no início do ano e eu cheia de boa vontade.
Segue-se um resumo dos acontecimentos segundo o meu estado de espírito:

MARÇO: Ok, 9 meses para o fim do ano, há quem consiga trazer filhos ao mundo dispondo deste mesmo tempo, o desafio é completamente passível de ser realizado. Devagarinho, vamos lá, respiração: inspira, expira...

ABRIL: Pronto, não está a ser tão fácil como eu pensava, mas acho que, se continuar devagarinho, já consigo aguentar 30 minutos a correr sem parecer um peixe fora de água à procura de oxigénio.
Hmmm... doces de Páscoa. Será que os ovos de chocolate são uma boa comida de recuperação? Chocolate dá energia, certo?

MAIO: IEI! 40 minutos a correr sem parar! Rosa Mota, sai da frente!

JUNHO: Ups, parece que afinal me enganei. Continuo com dificuldades, muitas dificuldades... Dói-me a anca, será dos ténis? E esta dor esquisita na tíbia? Ai ai ai ai...

JULHO: Tanto calor e tanta gente na rua. Podem desviar-se? Estou a tentar treinar para os 10 km, sim??!

AGOSTO: Ah, tão bem que se está na praia. Se eu nadar um bocadinho, entre os meus banhos de sol, também conta como treino cardiovascular...

SETEMBRO: Agora é mesmo a sério. Faltam três meses.

OUTUBRO: O mesmo que Setembro (excepto que pior, por faltarem 2 meses).

NOVEMBRO: Falta pouco mais de um mês e eu quase que me mato para aguentar 1 hora a correr. E em terreno plano. Nem quero pensar se houver muitas subidas! Bonito, acabei de ser ultrapassada por um senhor de 80 anos, que traz pela trela um cão de 3 patas.

Pânico.

Foi mais ou menos por esta altura que eu achei que, se calhar, deveria tentar seguir um plano de treinos. Pesquisei em revistas da especialidade e suas versões online, até que me deparei com este.


(É o plano de 8 semanas que me vai fazer vingar na distância de 10 quilómetros. Pelo menos é o que eles dizem, e eu acredito.)

No entanto, a duas semanas do final dos treinos e longe, muuuuito longe do recorde mundial dos 10 000 metros (26:17.53 ou, para os leigos: rápido comó caraças!) sinto-me defraudada. Ando a correr há quase um ano, não era suposto ser tu-cá-tu-lá com as quenianas??

E é assim que...

DEZEMBRO:  Fiquemo-nos pelo modesto, mas realista, objectivo de terminar. Simplesmente chegar ao fim, sem morrer primeiro.



E, já agora, por favor, que não seja a última a cruzar a meta.

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