30 de janeiro de 2012

Corredora vs Competidora

Como já tinha referido aqui, no início do mês eu e uma amiga inscrevemo-nos para uma prova de 6km. Era uma prova pequena, organizada por uma turma de uma escola secundária para angariar dinheiro para uma visita de estudos. Achei uma ideia original, mais à frente do que a habitual venda de rifas e bolos para o lanche (nota para a próxima: corrida seguida de bolos é que seria uma grande estratégia de marketing) e, como a amiga queria festejar o facto de ter atingido o peso ideal (que melhor maneira de festejar do que a correr, certo?) lá acedi a enfrentar um grupo de adolescentes (o horror) a um sábado de manhã.

Não fiquei contente ao descobrir que seria uma corrida em circuito, ou seja, 3 voltas de cerca de 2km cada. Não gosto muito de corridas em que estamos sempre a passar pelo mesmo sítio, parece que custa mais a passar e, se a primeira volta for difícil, sabemos que ainda temos de passar por aquilo mais duas vezes... Nada bom, nada nada bom.

Alongamentos.

Antes da corrida ainda tivemos direito a uns exercícios de aquecimento orientados pelos professores de Educação Física até que, 40 minutos depois da hora marcada, lá teve início a corrida.
Eram poucas as pessoas que iam correr os 6km, a maior parte estava apenas inscrita para a caminhada de 1km, o que accionou o meu medo de ficar em último.


Sabia que conseguia ao menos ganhar à lesma da minha amiga ou, caso ela não quisesse colaborar, estava preparada para proceder a uma "rasteira acidental" que a tirasse da frente (I., se estiveres a ler: brincadeirinha, eu nunca faria uma coisa dessas. Ou faria? Muahahahah!).

Mas não foi preciso.

Começámos quase a fechar o grupo porque não sabia o nível de resistência da minha amiga e queria que ela aguentasse até ao fim sem parar. Sabia que há muita gente que começa demasiado rápido e que acaba por perder o ritmo e, se conseguíssemos ir passando alguém, isso iria motivá-la. Resolvi ficar com ela até ao fim, embora pudesse ter corrido mais depressa e, inclusivamente, deixei que terminasse à minha frente.

Foi aqui que me apercebi que não sou uma "atleta". Gosto muito de correr, mas não necessariamente de competir. Claro que era uma prova em que não se ia ganhar nada, se calhar, se houvesse um prémio monetário considerável e se, por qualquer milagre, todas as grandes atletas ou estivessem lesionadas, ou doentes, ou fora do país, ou acordassem tarde ou não tivessem tido conhecimento da prova e eu, num mundo imaginário, tivesse mesmo possibilidade de ganhar, talvez considerasse a parte da competição (mais uma vez, desculpa I., mas prioridades são prioridades, dinheiro à frente da amizade ou lá como se diz). Mas, regra geral, tirando ficar em último lugar ou parar, que são as únicas coisas que não quero que me aconteçam durante uma prova, fico muito contente apenas por participar.

É claro que quero melhorar os meus tempos, é claro que quero ser capaz de correr cada vez maiores distâncias, mas isso são objectivos pessoais, é competir comigo e, neste caso, já não me corto nada em dar uma abada a mim mesma.

O que eu quero é contagiar as outras pessoas com a minha paixão pela corrida. Gosto de ver amigas que antes apenas faziam exercício comigo no levantamento de copos de cerveja numa sexta à noite, a mandarem-me mensagens para irmos correr ao final da tarde. A acordarem cedo a um sábado de manhã para fazerem exercício, em vez de ficarem na cama até ao meio-dia. A pesquisarem futuras provas na net e marcarem uma corrida de gajas.

É por isso que não sou competidora.

Pelo menos até elas começarem todas a correr mais do que eu.

Depois reconsidero.


Vão correr!


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