3 de janeiro de 2012

S. Silvestre dos Olivais

Ora cá estou eu novamente, um post fresquinho a estrear 2012!

Como foram as vossas festas, muitos estragos? Conseguiram manter a motivação para umas corridinhas?
Hoje dei corda aos sapatos pela primeira vez em 2012. Foram 4,5km, devagarinho (nada de novo), para recuperar dos excessos.

Mas nem tudo foram calorias durante a época festiva. Como sabem, estreei-me na distância de 10km ainda antes de terminar o ano 2011 e, graça das graças, sobrevivi para contar, e agora aqui estou eu para fazer o resumo do evento.

A prova escolhida foi a de S. Silvestre dos Olivais.


Escolhi esta prova por ter sido o bairro onde cresci e, portanto, já conhecer o percurso, apesar de este ano ter sido ligeiramente diferente. O que mais me assustava, e precisamente por conhecer bem o bairro, era saber que esta prova tem subidas puxadinhas, nomeadamente nos últimos 2 km.

Por ser a primeira vez que iria correr 10km (em prova), e por temer não ter treinado suficientemente as minhas subidas, uma vez que a zona onde corro é quase toda ela plana, estava bastante nervosa. Quando, às 18horas, fui com o meu pai levantar os dorsais e vi todos os preparativos a decorrerem, comentei com ele que já estava a ficar com nervoso miudinho. Sentia um aperto no estômago e, para cúmulo, na caminhada de regresso a casa comecei a sentir uma pontada estranha na parte de trás do joelho direito! Já em casa, fiz alguns alongamentos e esfreguei a zona da pontada com um spray para dores musculares e a dor acabou por desaparecer. Agora penso que seria o meu subconsciente a testar-me, a ver se estava mesmo decidida a enfrentar o desafio... Obrigada subconsciente, ganhei eu desta vez!

Como a casa dos meus pais não fica muito longe da Junta de Freguesia dos Olivais, zona onde foi a partida e meta da prova, fui a andar até lá. E, deixem que vos diga, fazia um frio de rachar! Via pessoas a aquecer por todo o lado, correndo de um lado para o outro (correr antes da prova, ó meu Deus, um dia quero ser uma atleta a sério), outras a fazer tempo dentro dos respectivos carros e outras que aguardavam já na linha de partida, mas ainda todas encasacadas.

Minutos antes do tiro de partida.

Fui para a zona de partida, mais cá para trás para não atrapalhar os prós, mas também não tanto para trás que ficasse taco-a-taco com a ambulância que encerra o cortejo, não queria sentir a pressão dos faróis a apontar para o meu rabo lento durante a corrida...

Olhem quem eu avistei no meio dos atletas:


A foto está escura e eles estão vestidos de preto...
Árbitros da 1ª liga.
Só reconheci um ou dois, mas foram personagens que não passaram despercebidos (e agora que reparo nisso, acho que fui apanhada por um quando tentava tirar discretamente a foto... ups!).

Sem cartão vermelho à vista, ouviu-se o tiro de partida e lá fomos nós. Durante os primeiros quilómetros, e apesar do km1 ser todo a descer, ia um bocadinho a medo. Não queria partir com demasiada velocidade e depois estoirar a meio da prova.
Um mês antes desta corrida tinha participado numa prova de 6km, como forma de teste para a S. Silvestre, e digamos que não correu muito bem. Estupidamente, entusiasmei-me demasiado ao início, o que fez com que a 3km da prova, onde se iniciavam cerca de 500 metros de subida, rebentásse e tivesse de caminhar. Não gosto de parar e fiquei desiludida comigo mesma. Nessa altura já fazia treinos com distâncias superiores a 6km e fiquei chateada com a minha idiotice. NUNCA COMEÇAR DEMASIADO RÁPIDO.
Desta vez queria evitar isso e, se calhar, até comecei mais lentamente do que aquilo para que tinha capacidades, mas antes assim.

Depois do 1º km é sempre a subir até à zona do Spacio Shopping, desviando pela Rua Cidade de Benguela. Aqui, comecei a ver as primeiras pessoas a começar a andar e fiquei contente por ter poupado as pernas na descida e agora poder manter o ritmo, mesmo nas subidas mais íngremes.

Não cheguei a ver a placa que anuncia o km2, mas avistei o km3 já na descida para a rotunda da Av. de Berlim, onde tinha uma mini-claque à minha espera (obrigara R. e R.!).

Continuava a sentir-me muito bem e ia no meio de corredores muito divertidos, o que fazia o tempo passar mais depressa. Estava no meio de pessoas que, como eu, sabiam que não iam ganhar nada, e corriam apenas pelo prazer e pelo desafio, o que proporcionava momentos engraçados. Acho até que nós, os que iamos mais para trás, tivemos mais apoio de quem assistia nas janelas e nos passeios e nos via correr a rir!

Pouco depois do km 4, quase a chegar à Gare do Oriente, estavam a distribuir garrafas de água e foi apenas aí que abrandei um pouco mais o ritmo, uma vez que não domino o desporto radical de beber água e correr sem me engasgar (Ainda. Mas vou praticar).

É a caminho do km 5 que o percurso se altera em relação ao ano passado. Em vez de virarmos à direita no Hotel Tivoli Oriente, em direcção à rotunda da CUF, viramos à esquerda e passamos em frente do C.C. Vasco da Gama, continuando a Av. D. João II até passarmos por baixo do viaduto para, alguns metros à frente, mudarmos de faixa e fazer o percurso inverso, novamente até à Gare do Oriente e subindo a Av. de Berlim.


Quando regressámos à rotunda da Av. de Berlim chegámos também ao km 8. Eu continuava a manter o meu ritmo e, inclusive, a conseguir passar algumas pessoas! Estava abismada por me sentir tão bem e, apesar de começarmos novamente a subir, não estava cansada.

Quando avistei o km 9 nem queria acreditar, sentia-me capaz de continuar a correr e correr e, por isso, pela primeira vez na corrida, arrisquei a acelerei o passo. Nesta altura, ao passar pelo mercado da Encarnação, começa a tocar o tema do Indiana Jones (sim, eu tenho a música do Indiana Jones no mp3, uma história nada vergonhosa e bastante engraçada que um dia partilho com vocês) e então parecia uma cena à filme. Sentia-me quase a voar (embora tenho a certeza que não parecesse) e foi um sprint até à meta.



Mais ou menos assim, mas sem a rocha gigante atrás de mim.
E um pouco mais graciosamente também. Espero...
 
Sabia que não ia ganhar nada e já tinha passado mais de uma hora desde o tiro de partida, mas, no meu filme, eu era uma atleta veloz e destemida... e ligeiramente lixada com "f" por ter de me desviar de outros atletas que já tinham terminado a corrida e se dirigiam para os seus carros, andando, animadamente a conversar NO MEIO DA ESTRADA onde outras pessoas ainda estavam a correr... Somos lentos mas também temos direito à corrida. Má onda pessoal, muito má onda.

Cortei a meta feliz e sorridente para a foto, mas acabei por ser tapada por outro atleta sorridente e, aparentemente, muito desejoso de uma boa imagem de recordação da prova (obrigadinha, sim?!! Ao menos espero que tenhas comprado a foto!!)

Terminei pouco depois de 01:09. Sei que para a maioria dos atletas este não é um bom tempo. Nem tão pouco motivo de orgulho, mas eu fiquei muito contente. Senti-me bem durante toda a prova, quem olhasse para mim, ver-me-ia sempre com um sorriso parvo (o que é raro quando corro). Não andei uma única vez e, quando terminei, ainda tive pernas para correr até casa (já disse que estava um frio de rachar?).
Sei que poderia ter corrido um pouco mais rápido, mas preferi jogar pelo seguro. No entanto, não me arrependo. Foi a minha primeira prova de 10km, corri cerca de 7 minutos ao quilómetro e sei que vou conseguir baixar este valor. Para o ano espero conseguir, pelo menos, os 6 minutos ao quilómetro (a loucura!). Fiquei viciada.

S. Silvestre dos Olivais 2012, me aguarde!


T'shirt e medalhão da prova.


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