16 de março de 2012

A minha vida a correr

Sempre me lembro de ver o meu pai correr. Era pequena e lembro-me de ver as Spiridon em cima da mesinha da sala, que eram lidas pelo meu pai e folheadas por mim, quando ainda mal sabia ler. Quando, alguns anos depois, o meu pai começou a participar nas primeiras corridas, a minha mãe também ganhou o bichinho, e lembro-me de os ir ver correr e ser sempre um Domingo de manhã diferente. Na altura, ainda havia poucas mulheres da idade da minha mãe a competir, e era frequente ela conseguir ficar entre as primeiras, mesmo não sendo nenhuma profissional. E eu ficava contente, porque chegou a haver provas em que os prémios foram uma bicicleta e um par de raquetes (história verídica!) e foi assim que ganhei os meus primeiros "troféus", através da minha mãe, mesmo sem participar!
Cresci num ambiente saudável e de desporto, mas, apesar de gostar de ver os meus pais, para mim, a corrida era uma coisa de adultos.

A corrida só entrou verdadeiramente na minha vida quando, no meu antigo bairro, abriu um Grupo Desportivo. Era uma novidade, e todos os miúdos se inscreveram e eu não queria ficar para trás. Na altura tinha 6 anos, e o meu pai achou melhor levar-me primeiro a uma prova, para eu ver como era, e depois, se gostasse, ficava.

Lembro-me da minha primeira prova como se fosse ontem. Devíamos ser cerca de umas 20 crianças e a distância não deveria ser mais de 500 metros (750 metros, no máximo). Quando ouvi o tiro de partida, em vez de começar a correr, fiquei a olhar para o meu pai, porque pensava que ele também ia! Afinal, sempre o tinha visto a ele a correr. Quando o meu pai me disse para começar a correr, as restantes meninas já levavam alguns metros de avanço. Consegui apanhar a cauda do pelotão, passei uma menina, e deixei-me ficar assim. Não me lembro nunca de ficar cansada, lembro-me de estar a achar aquilo tudo muito divertido, mas nem me passou pela cabeça ultrapassar ninguém. Para quê? Já não era a última, e isso bastava-me (não mudei muito!). Quando cheguei à meta, e vi o meu pai, lembro-me que a primeira coisa que lhe disse foi: "Não sou a última!" Ahahah! E a ele também só lhe importava que eu estivesse bem e, não tendo desistido, ainda melhor (isso também não mudou muito!).

A partir daí, já não parei. No Clube, tinhamos direito a equipamento e um par de ténis, bem como transporte, na altura proporcionado por vizinhos que se voluntariaram, para nos levar às provas. Treinávamos duas vezes por semana e tínhamos provas quase todas as semanas, ou de 15 em 15 dias, já não me recordo bem. Fui crescendo e ganhando amigos entre os companheiros das corridas, alguns do bairro, outros não.

E agora, a vossa máxima atenção para uma estreia aqui no blogue! Para ilustrar esta época da minha vida, eu vou colocar uma foto minha, inteira, sem censuras. Ó meu Deus, até estou emocionada! :)

Preparados? Aqui está:

Corre como uma menina, aqui, na sua fase literal.
(Perdoem a qualidade da foto, é antiga e de uma época em que ainda nem se sonhava com máquinas digitais)


Não tenho a certeza, mas deveria ter cerca de 8 anos na foto. Atrás de mim estava a A. uma colega do Clube. Reparem como éramos tão rápidas que a foto até ficou desfocada! Bons tempos! (E, para quem tiver curiosidade, claro que eu não a deixei passar-me! Sabem bem como as crianças são competitivas, amigas amigas, corridas à parte, não havia cá confusões.)



O bom de correr nestas idades é que tínhamos sempre TODOS direito a prémio, quanto mais não fosse, uma medalhinha. Na casa dos meus pais ainda existe um memorial desta minha época de glória, ora atentem nesta amostra:



Close-up:





Andei nas corridas durante cerca de 4 anos, até aos meus 10/11 anos de idade. Depois, o Grupo Desportivo fechou, o meu pai teve complicações no joelho direito, a minha mãe tinha acabado de ter o meu irmão mais novo, e aos poucos, o atletismo deixou de fazer parte da minha vida.

Tirando algumas provas de corta-mato organizadas pela escola preparatória onde andava, nunca mais corri. Para piorar as coisas, quando entrei para a secundária, o pavilhão da minha escola fechou para obras, o que reduziu significativamente o número de aulas de Educação Física, que apenas eram realizadas quando havia condições climatéricas para isso. No 12º ano deixámos, pura e simplesmente, de ter aulas de Educação Física (não sei o que se passou na altura).
Mas isso não me chateou nada, pelo contrário. No secundário estamos naquela idade parva difícil e, embora continuasse a gostar de levar uma vida activa (cheguei a ter aulas de dança na altura), cada vez me apetecia menos correr.

Nem vale a pena referir, mas durante a faculdade, o único exercício que fazia era dançar com uma cerveja na mão nas festas do estudante e subir as ruas do Bairro Alto. Acho que, tirando as ocasionais caminhadas que sempre gostei de fazer, não fiz nenhum exercício físico durante aqueles anos.

Depois o primeiro emprego, a falta de tempo, os stresses da vida adulta, e cada vez mais me ia tornando uma "batata-de-sofá". Apesar de não ter tendência para engordar, na altura atingi o meu peso máximo de 65kg, o que significava que, tendo em conta a minha altura, estava no limite máximo de massa gorda "normal". Mas o pior era sentir-me mole, cansada e sem energia. Inscrevi-me na natação, mas a motivação só durou um ano.


Eu sempre gostei de desportos desafiantes, se me convidassem para um fim-de-semana radical de slide, rafting e escalada, eu estava lá. Por isso, quando o meu pai, que ainda hoje luta contra as dores no joelho, se inscreveu numa S. Silvestre em 2010 e eu o fiquei a ver passar na janela, decidi que no ano seguinte seria eu a concluir aquela prova.
O desafio (a mim mesma) estava lançado. Não logo naquele instante, afinal estávamos em época natalícia e quem é que pensa em correr e fazer dietas numa altura dessas? Mas, mal arrancasse 2011, eu ia fazer o meu regresso à Rocky, mas das corridas.

Pois... (já sabem o que significa o pois). Não foi tão fácil como pensei.

Foram muitos anos parada e, a primeira vez que me equipei toda bonitinha para ir correr, ao fim de 5 minutos já estava a implorar por uma morte menos dolorosa. Foi difícil, muito difícil. Tudo me servia de desculpa para adiar mais um dia de treino. "Ai que está calor, ai que está frio, ai que as pessoas olham, tenho muito trabalho, é tarde, doi-me as pernas, ainda tenho tempo..." Tudo desculpas esfarrapadas e eu sabia.

O meu orgulho estava ferido, mas eu estava decidida a correr 10km antes do final do ano e não podia falhar a mim mesma.

Fui aumentando os minutos de corrida gradualmente. Ainda me lembro o bem que me senti quando corri 30 minutos sem parar (e pude riscar esse objectivo da lista!) e de pensar o quanto ainda me faltava para aguentar 1hora, que eu sabia ser o mínimo indispensável para conseguir concluir os 10km.

O primeiro semestre de 2011 foi mais ou menos consistente. Já corria cerca de três vezes por semana, mas sempre a medo. Não fazia ideia do que deveria fazer para ter uma evolução mais rápida, e houve uma altura, em que eu já andava a correr cerca de 45 minutos, que achava que estava estagnada, não conseguia aumentar nem a velocidade nem a distância.

Entretanto, meteram-se as férias e outros valores se levantaram.


Aqui vou euuuuuu!

Por isso, foi já só em Outubro, e em desespero de causa, que eu comecei a pesquisar planos de corrida, e acabei por encontrar um, que eu achei passível de seguir. Em Novembro, participei numa pequena prova de bairro, de 6km, para testar a minha performance, que foi má! Mas achava que conseguia fazer melhor e continuei a treinar. Não falhei um único dia do plano, embora tivesse de fazer algumas trocas e, dia 30 de Dezembro, estava a postos para o teste final.


A partir daí, não houve uma única semana em que não corresse e agora faço-o por gosto, e não porque tenho de emagrecer ou provar alguma coisa. Ainda sou uma tartaruguinha, mas uma tartaruguinha que antes era uma batata-de-sofá (sempre é uma evolução)!
O resto, vocês já sabem (ou podem saber, se tiverem paciência para cuscar os arquivos).


E é esta a minha história!*

(* Dou um abraço virtual a quem souber a origem desta frase.)




Qual é a vossa história? Quem tiver um blogue, partilhe, eu gostava muito de ler. Quem não tiver, pode sempre fazer um resumo nos comentários, ou, se estiver para aí virado, mandar um e email! Sobre corrida ou qualquer outro desporto que vos apaixone. (Eu ia adorar ler).



5 comentários:

  1. eu fiz judo !! :) cinturão castanho e adorava também aos 16 anos desisti, era demasiado rigoroso, e tive de escolher a escola, hj arrependo-me, mas já passou!!

    nas corridas eu adorava fazer corta mato, participava sempre na escola, e fiquei duas vezes em 2º lugar hehe dps, virei me po sofa e pronto agr corro pouco.

    quanto a ti: afinallllllllll filha de peixe sabe nadar mesmo, e a corrida já era um paixão antiga :P mt bem

    beijo e bom fds

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  2. Olá olá :D

    Pois, a minha história a nível desportivo é inexistente até há cerca de um ano, por isso não há muito (nada) para contar :P

    Eu pessoalmente prefiro a grande frase 'E quem se lixa é o transeunte!' - isto assumindo que a frase que puseste acima veio daquele que é SÓ o melhor sketch dos gato fedorento DE SEMPRE! :D

    Beijinhos!

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  3. JOANA!! Acabaste de ganhar um enooorme abraço virtual!! Vou já tratar disso! :) E só porque também achas que é o MELHOR sketch dos GF levas também dois beijinhos! lol

    (e sim, "quem se lixa é o transeunte" também faz parte das expressões a que recorro ;p )

    Beijinhos**

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  4. Não tenho nenhum blog, mas fica aqui a minha história que é muito simples e rápida.
    Começando, 1 aula de ballet com cerca de 6 anos (não me deram logo as sapatilhas de pontas, fiz birra, não fui mais!), depois passei para a ginástica, fiz cerca de 2 anos.
    A partir daí só MUITO esporadicamente fazia alguma coisa. Inscrições em ginásios foram mais que as vezes que coloquei lá os pés…
    Tenho em casa uma elíptica, uma plataforma vibratória e uma Wii. Para quê? Para nada!
    Eu gostava era de “Mapling”. Ainda gosto, mas desde Janeiro comecei 1º nas caminhadas e agora recentemente nas corridinhas (muito inhas comparadas com as tuas).
    Tento fazer pelo menos 4 vezes por semana e espero no Verão já conseguir correr 10Km. Se não conseguir já sabes, faço birra e não corro mais!!!
    Beijinhos

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  5. Carla: Mapling é muito apelativo, eu sei!!! :) Mas não pode ser o nosso único "desporto" ;)
    Se estás mesmo determinada a atingir os 10km, tenta procurar um plano de treino. Podes experimentar o que referi neste post, ou pesquisar um mais personalizado. Assim não te sentes tão perdida e é mais fácil mostrares evolução sem riscos. Experimenta!
    Beijinhos**

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