26 de novembro de 2012

Corrida num domingo de chuva

Domingo de manhã. Amanhecer cinzento. Chove lá fora.
Estico o braço e carrego num botão ao acaso no telemóvel, o que faz com que ele páre de vez ou adie (depende da sorte) o alarme.
 
- Estou tão quentinha aqui, não quero sair...
- Sais sim, levanta já esse rabo da cama!
- Ontem deitei-me tarde, preciso de dormir.
- Fazes uma sesta depois à tarde.
- Não gosto de dormir à tarde.
- Se não te levantares agora arrependes-te depois.
- Mas está a chover...
- Não és tu que estás sempre a dizer que 'adoras' chuva, que correr à chuva é que é bom?
- Sim, mas...
- Siiiinging in the rain, just siiiiiiiinging in the rain, what a glo...
- CALA-TE!
- Ou te levantas ou sigo a cantoria. Siiiiingin...
- Pron-to, está beeem... Já estou a sair. Chata.
 
Eu tenho sempre argumentos muito bons, nunca perco uma discussão comigo própria.

 
Salto da cama, abro a persiana para deixar entrar a pouca luz. A vizinha do rés-do-chão aproveita a água da chuva para, com uma vassoura, limpar o terraço. Olho para o relógio, são 07h48. Parece madrugada.
 
 
Desperto com o cheirinho do café a ferver na cafeteira. As cápsulas dão muito jeito mas são para as alturas de pressa, esta manhã é para saborear. Se as torradas já são um pequeno-almoço bom num dia normal, num dia de chuva então é perfeito. Como ao som da chuva que continua a cair. Forte. Resolvo esperar mais um bocadinho.
De comando na mão avanço os canais sem lhes fazer muito caso. Nada de jeito. Desligo a televisão e pego no livro que deixei suspenso na noite anterior antes de dormir. A chuva não há meio de abrandar. Começo a considerar sair mesmo assim e assumir a loucura. Espreito mais uma vez pela janela. Já estou acordada há mais de 1 hora, começo a pensar que mais valia ter ficado a dormir...

9h45 avistam-se umas breves tréguas, se não na chuva, na intensidade; é agora ou nunca.

Ténis calçados, impermeável vestido. Peguei no boné, agora numa função adaptada de protector de chuva e frio, e saí.



Os primeiros quilómetros custam a passar. Não aqueci, sinto as pernas presas e sigo a passinhos curtos. Estão mesmo a custar-me estes primeiros quilómetros... Concentro-me na respiração, na chuva miudinha que cai, nas cores. Ligo o rádio no mp3. Parece resultar e as coisas daí para a frente já fluem melhor.

Surpreendentemente, há muita gente a correr. Nos seus impermeáveis amarelos, vermelhos, verdes fluorescentes que alegram as cores deste dia cinzento. Estão também mais sorridentes (ou será impressão minha?) e mais generosos nos seus "- Bons dias". Se calhar é para contrastar com o mau tempo exterior. Ou, então, é por ser mais tarde do que habitualmente corro e as pessoas a esta hora já estarem mais despertas.

Chego ao passeio dos pescadores. Eles estão cá sempre, faça chuva ou faça sol, de canas estendidas num jogo de paciência que nunca soube jogar.  Sempre quis tudo para agora, para ontem, mas agora começo a entender a sabedoria de quem lança o isco e espera, na certeza de que o peixe, hoje ou amanhã, morde sempre. Será esta a quietude que sempre dizem que chega com o passar dos anos? Há dias em que me sinto tão miúda ainda, com tanto para aprender e fascinada a cada coisa nova que descobre. Outros dias sinto em mim o peso dos anos que ainda não tenho, e perco-me em reminiscências de tempos e pessoas que já não voltam. Sou feita de contradições, perdida numa idade indefinida (a da alma, que a do corpo sei-a bem...).

Passa por mim uma rapariga de casaco rosa-choque, a correr de cabelo comprido e solto, de headphones. Sempre estranhei ver uma mulher a correr de cabelo solto. Não lhe faz calor, não transpira? O cabelo não se enrola num emaranhado enriçado? Não chega a casa numa juba frisada e húmida, sobretudo com esta chuva? A verdade é que ela lá seguia, numa elegância que eu, de boné e rabo de cavalo descomposto, invejei.
Foi assim que, pouco depois de 5km  percorridos, uma mancha rosa-choque que avistei ainda lá longe me retirou dos meus pensamentos profundos e despertou as considerações mais fúteis. É uma coisa fascinante a mente humana e a forma como facilmente divaga.

Paro para beber um pouco de água e continuo a correr. A ideia para hoje era fazer pelo menos 15km, mas a chuvada que agora começou a cair mais forte começa a fazer-me mudar de ideias. Sinto o "impermeável" colado à pele gelada dos braços, da pala do boné encharcado caem pingas de chuva, e as pessoas por quem passo, encolhidas, já não dão os bons dias. Os pés que tinha conseguido manter secos, pisam agora poças que alagam todo o caminho e sinto o desconforto de cada passada. O lado bom? A minha velocidade aumentou consideravelmente.

Km 11, passa um par de bicicletas por mim, cujas rodas levantam ainda mais a água, molhando-me as pernas. Não estivesse já eu toda encharcada e ficava furiosa. Do outro lado do passeio vem um senhor velhinho, a correr com os seus ténis, impermeável comprido e chapéu de um material plástico, que o protege da chuva. Arrisco dizer que terá os seus 75, 80 anos e vem com o ar contente e, ao mesmo tempo, comprometido, de uma criança que vai para casa a correr à chuva e saltar poças e sabe que vai levar um raspanete por estar toda molhada. É assim que da quasi-fúria passo ao sorriso. Como será que vou ser se tiver a sorte de chegar à idade deste senhor? Será que ainda terei saúde para correr? Estarei contente com a vida que construí? Se tiver netos, vou ser daquelas avós que leva os netos a passear, a correr pelos campos, brinca e se perde numa segunda-infância com eles? Quase de certeza que sim.

Nova carga de água traz a consciência do meu estado actual. Não estou nada cansada, mas sinto pingos gelados a escorrer pelo corpo e não é confortável. Olho para o relógio. Vou almoçar fora, ainda tenho de tomar banho e não sei o que vestir... Novamente as coisas mundanas da vida a interporem-se a um bonito estado contemplativo. Viro à direita, na rua que me levará sempre a subir até casa.

Entro no prédio e fecho a porta à chuva lá fora. Deixo pegadas molhadas de duas em duas escadas, que terminam no 2º andar.

Descalço-me para entrar em casa e atiro os ténis cheios de terra húmida para um canto da varanda. Vejo no telemóvel que corri 13,4km. Lá terá de chegar.

Ligo a água do duche. Não há dia de corrida à chuva que não seja reconciliado com um banho quente. Adoro estas corridas.


Foi assim que, mesmo antes de o escrever, nasceu este post.


Corrida num domingo de chuva:

- Manhã
- Distância: 13,4 km
- Bpm médio: 162
- Calorias: 891



27 comentários:

  1. Tu és um exemplo a seguir, sem dúvida! Um dia hei-de ter essa força de vontade! :)

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  2. Eu não tenho tanta sorte nas discussões comigo próprio. O PS mental vence quase sempre :o
    Nunca corri à chuva, mas deve ser uma excelente sensação :D
    Perdeste um montão de calorias:P
    Se continuares assim de certeza que serás essa avó que leva os netos a correr e a passear e te irão perguntar "avó como é que aguentas? até nós já estamos cansados". E tu respondes "porque eu corro como uma menina" :P
    Beijinhos*

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  3. Lindo texto!

    E assim, com estes treinos, se moldam atletas.

    Parabéns e obrigado pelo prazer destes últimos minutos a ler tão agradável e real relato de sensações.

    Beijinhos

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  4. muito bem. Isso é que é força de vontade. Eu estou bastante envergonhado. Este fim de semana foi só gazeta. 0km de corrida. :(

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  5. você escrevendo daí, e eu lendo daqui, e reconhecendo suas imagens em minhas próprias memórias... um sentimento universal de estranhamento, mas ao mesmo tempo de comunhão!

    gostei tanto de correr pelas ruas de sua cidade!
    correr, e ler sobre corridas, é mesmo uma viagem!

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  6. Jude: Não é preciso muita força de vontade porque é uma coisa que gosto (embora haja dias que não me apeteça tanto). Há coisas que me custa muito mais! :) Beijinhos

    PS: :) Se calhar é isso mesmo que vou responder. Obrigada! Beijinhos

    João: E obrigada pelos teus comentários sempre atentos. :) Beijinhos

    Tiago: O descanso está feito, agora não te deixes ficar para trás, tens competição à espera no dia 09! ;) Beijinhos

    Elis: Mesmo realidades diferentes acabam por ter aqui esse ponto de reconhecimento comum, que é a corrida. Eu também "viajo" com as suas histórias (que acabei de descobrir) e as de muitos outros! Beijos

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  7. Eu gosto sempre imenso de te ler, mas hoje... Bolas pá, esmeraste-te mesmo. O teu texto está lindo :D Gostei imenso, e fiquei presa em cada palavrinha mesmo até ao final :D Mas vamos por partes:

    O meu eu mental ganha sempre estas coisas, e acabo por ficar sempre deitada na cama ou no sofá na pastorice :P

    Beber o meu café com leite nas calmas também é para mim uma das melhores coisas do fim-de-semana, até porque eu adoro beber coisas a ferver mesmo devagarinho e à semana não consigo fazer isso :( Ou então levanto-me meia hora mais cedo, not an option :P

    Eu também penso muitas vezes que não tenho na alma a idade que tenho no corpo. Por um lado já vivi muito e já passei por muito (eu sei que não parece, mas no meu caso há uma alegria intrínseca que vive dentro de quem já passou por muito na vida e sabe dar valor a simplesmente não ter grandes problemas de maior). Por outro lado, sou mesmo uma miúda totó em imensas coisas ;)

    Beijinhos e boas corridas :D

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  8. este texto saiu-te mesmo do coração mulher :)
    eu nunca saí para correr com chuva. já apanhei valentes chuvadas, mas nunca saí de casa a chover. é uma sensação boa, correr à chuva, e ainda melhor encontrar colegas a correr também x) eheh
    também costumo ter essas discussões comigo mesma, mas são pacíficas e curtas porque eu gosto de definir bem o que quero, portanto .. não há espigas. aos dias de semana, antes de ir trabalhar nem dou tempo de pensar porque salto logo da cama x) eheh
    sem dúvida que o momento de correr é aquele em que se pensa em tudo e em nada ao mesmo tempo ;)

    beijinho boa semana

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  9. Grande post :) gostei imenso de ler

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  10. Já pensaste escrever um livro?
    A tua escrita é de alta qualidade.
    Escrever assim é tão fácil como parece?

    Beijinhos.

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  11. Gostei, belo texto... e belo treino.

    Beijos.

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  12. Joana: Obrigada. O "eu mental" és tu na mesma, por isso ganhas sempre! ;) Há alturas para se ser sério e outras para brincar. Acho que ser "totó", como dizes, não tem mal nenhum! Há que alinhar em brincadeiras, senão que piada é que tem a vida? :) Beijinhos

    Hermione: A chuva regou a minha criatividade! eheh ;) Durante a semana até salto em piloto automático da cama! Fiquei admirada com a quantidade de "malucos" que andam por aí a correr em dia de chuva ininterrupta. Beijinhos

    João: Obrigada! Beijinhos

    vgoncalves: Obrigada. Uma coisa é vir para aqui escrever, teclar um bocado e publicar sem pensar mais nisso. Como gosto muito de ler e há tantos autores que admiro, escrever um livro deixar-me-ia nervosa com a responsabilidade, sempre a querer reler as coisas e reescrever-las! :) Mas que gostava de ser capaz, isso gostava! Beijinhos

    Pedro: Obrigada. Não foi mau. ;) Beijos

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  13. ...UaU !!!!!!



    ...desta vez nem vou dizer mais nada com medo de "estragar" !! ;)
    ...apenas um obrigado pela partilha , e continuação de bons treinos...


    PS: muito giro , parabéns :D

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  14. AjB: LOL Obrigada. :) Bons treinos para ti também, ao som de boa música.. ;)

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  15. Corre e escreve menina..

    Vamos como a "idola" do triatlo :)

    Mas q podias escrever algo sobre o atleta do meio do pelotao.. lá isso podias escrever...


    :) ou melhor ja tens muito mas muito escrito ;)

    Bons treinos.. e agora apenas treinam os resistentes :)

    Espero te encontrar no grande trail Serra D Arga :) organizam uma viagem ao norte ;)

    É duro .. é dificil.. mas é maravilhoso... :)

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  16. Apesar de nada ter a ver com o titulo do post eu estou com uma duvida existencial. Andava a correr com uns ténis do meu número, de uma marca qql, baratos e velhos e como tal, quando comecei a correr mais de 10km's seguidos começaram as bolhas nos dedos e até uma unha negra. Solução:fiz testes e comprei uns apropriados para correr (nike pegasus), acima do meu numero. Na segunda fui estreá-los, já que sabado estava com gripe e domingo o tempo não permitia aventuras se não queria cair na cama. Fui até ao parque das Nações e fiz cerca de 9km's e fiquei com bolhas, não nos dedos mas no pé mesmo, do lado interior dos pés, uma de cada lado. É normal? é por ser o primeiro dia? estou a perguntar porque antes disto nunca tinha feito bolhas de espécie nenhuma. Já fiz caminhadas de 5 dias seguidos, mais do que uma vez, e nunca na vida tinha feito bolhas.
    Alguém tem ideias de como acabar com isto? Uso meias sem costuras. obg beijinhos

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  17. Estavas mesmo inspirada quando escreveste isto =)
    Um texto muito bonito, transmite-nos uma calma.

    Eu também gostava de saber como algumas pessoas conseguem correr com os cabelos soltos. Se eu já fico cheia de calor com o cabelo apanhado, então nem quero pensar se fosse correr com o cabelo solto.

    Beijinhos e boas corridas.

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  18. Nainho: Olá! Obrigada. Mas não sei se seria um livro com muito interesse comercial para as editoras... :) CLARO que vou à Serra d'Arga, a questão é: para fazer uma viagem tão grande, TENHO de correr os 21km... Vamos lá ver como estou até lá! :) Quanto tempo é que essas camionetas organizadas esperam?:p (Agora fora de brincadeiras, essa info depois está toda no site?) Continuação de boas corridas difíceis e maravilhosas, para o ano fazes os 42 ;p

    Catia: Não sei bem o que te responder, se calhar o melhor é voltares à loja onde compraste os ténis e explicares a situação, pode ser que te ajudem ou te troquem de ténis. Só me aconteceu isso num pé uma vez, e foi por causa da palmilha. Por isso agora troco sempre as palmilhas de origem por outras que costumo comprar. Pode ser que alguém leia o teu comentário e possa ajudar?...
    Mas vai à loja, é o melhor! Qualquer dia encontro-te num treino por aqui! :) Beijinhos

    Isa: É da época do ano! ;p
    Sempre que vejo uma mulher de cabelos muito compridos a correr com eles soltos penso logo: Não vai correr muitos kms assim, de certeza... :) Posso até estar muito enganada e ela até me dar um bailinho, mas que me faz confusão, faz! Beijinhos

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  19. Hello.

    Tentando ajudar a Cátia, as bolhas são uma constante na maior parte dos atletas. E nem sempre aparecem no mesmo local, mesmo com os mesmos ténis. O que eu faço nas "zonas crónicas" é pôr um pouco de vaselina ou, em casos mais extremos, Akileine Sports Nok Gel (Google it). Este soube dele através de um ultra-maratonista. E é muito bom.
    Tem atenção também com as meias. O facto de não terem costuras não quer dizer que sejam as mais indicadas para distâncias maiores.
    E o facto de aparecer na primeira utilização dos ténis também é normal. Daí dizer-se (e bem) que não se deve estrear equipamentos novos em prova.
    Espero ter ajudado um pouquinho. ;)

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  20. Pedro: Obrigada pela ajuda! :)

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  21. (porque não me apareceu este post no painel principal?!)
    Porra... isso não vale... quando saio à rua está sempre sem chuva, depois não posso escrever textos assim bonitos... é só por causa disso... cof cof... :P

    Beijinhos Grandes


    ps: mas eu já passei pela casa à noite e as luzes estavam acesas... já deve habital lá alguem :D

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  22. Moça: Também escreves textos bonitos que me fazem rir, não precisas de chuva! :)

    Beijinhos

    PS: São os fantaaaasmas! muahaha :D Precisam de luz para fazer as lides domésticas à noite... Aquelas casas são velhas e grandes, devem encher-se muito de pó. :p

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  23. Olá,
    se corre bem, escreve melhor ainda. Quem é ..quem é??
    é a nossa "murakami"

    boas corridas
    J

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  24. Jorge: :) Bem que não me importava de ter uma vida como a do Murakami, sempre a escrever, correr e viajar... Boas corridas, bjs.

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  25. Essa motivação é de louvar.

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  26. Obrigado à Corre como uma menina e ao Pedro Carvalho, vou ao google it sim ;)palmilhas nunca usei (a profissional que eu sou ;P) e as meias são smp as que vierem à mão e combinarem com a roupa ;), mas como era a estreia decidi-me por umas sem consturas. Só comecei a fazer bolhas nos pés a partir da minha primeira prova (monge), mas talvez com o aumento dos km's esteja msm a ficar com os pés à atleta, lá se vão os pés à cinderela :( o rapaz da loja que me aconselhou os ténis e me ajudou a ver s estavam ok é atleta de triatlo, parti do principio que estava a saber aconselhar-me, mas vou lá passar outra vez a ver se ele percebe. :)

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  27. Catia: Eu só digo para ires à loja, se ficar perto de ti claro, porque nunca fiquei com bolhas logo assim na primeira utilização e penso que deveriamos sentir-nos bem com os ténis logo de início. Eu também uso vaselina como diz o Pedro, mas mais para as provas.
    A palmilha é porque tenho o arco do pé pco pronunciado e algumas palmilhas de origem raspam-me, fazendo as tais bolhas. (Não penses que são palmilhas xpto, são da sportzone :p). Boas corridas e melhor sorte no próximo treino

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