28 de julho de 2013

Os pássaros

Porque às vezes corremos para deixar a mente mais leve, e não para treinar o corpo, neste final de semana fui para ao pé do mar. Sem relógio, sem música e, para o fim, já sem ténis (incomodavam mais do que ajudavam, na areia).

E, a uma hora em que já todos se levantavam e preparavam para regressar a casa, foi quando finalmente eu me sentei, a aproveitar o silêncio de uma praia quase só para mim. Nada como o mar para calar os pensamentos a mil.

É então que me apercebo que, nos breves (?) momentos que ali estive sentada, fiquei cercada de gaivotas que regressavam ao areal no final do dia.


E não era uma meia dúzia, eram às dezenas, qual cenário Hitchcockiano.


Claro que fiz o que qualquer criança dentro de nós faria. Levantei-me e desatei a correr na sua direcção, o que as obrigou a levantar voo...


Se foram para longe, ou apenas deram meia volta para voltar ao sítio de onde tinham sido enxotadas sem cerimónia por quem corre, e sorri, mas não voa, não sei, que não fiquei para ver. Começava a anoitecer, e a criança dentro de mim, para além de perseguir gaivotas, tem medo do escuro e da imensidão do mar à noite.


Até à próxima.


Sacudo sem paciência a areia dos pés, calço as meias e os ténis. Sinto grãos pequeninos a picar entre os dedos, mas não faz mal, são só dois ou três minutos de corrida até ao carro. A criança ainda corre comigo: Foi mesmo fixe correr de braços abertos atrás dos pássaros, não foi?. Foi. Pisco-lhe o olho.
Chego ao parque, destranco as portas, mudo de calçado, sujo tudo de areia, mas não me importo. Últimos vestígios da criança despreocupada, que ainda fica um bocadinho a admirar as cores do ocaso. Adormece. Quando me sento e fecho a porta, já sou apenas adulta novamente.

Até à próxima.

Também não sei se o peso que levei comigo o deixei para trás quando corria, o levaram as ondas, ou voou com as gaivotas, mas voltei para casa muito mais feliz.


E, no dia seguinte, houve treino do corpo, no último longuinho (este foi mesmo "inho") antes do TNLO. Reportagem que se segue.

Boa semana!

15 comentários:

  1. E ser adulto porque não pode ser também soltarmos a criança que há dentro de nós todos?
    Fomos crianças e passámos a adultos ou acrescentamos adultos à criança que ficou latente?

    Solta a criança que há em ti e sê feliz!
    (claro que para os "sérios" da vida, o ser criança só é visto como ofensivo, mas esses nunca olham para as estrelas que povoam o céu)

    Beijinhos :)

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  2. :) Pobre de nós se deixarmos morrer essa criança.

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  3. João: A criança mantém-se sempre, com dias mais caladinha que outros, mas está lá! Mal seria. Como disseste, e bem, "acrescentamos adultos à criança que ficou latente". De vez em quando damos um high-five, para reconhecer a existência mútua. :) Beijinhos!

    Ana: Sem dúvida. Beijinhos

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  4. Também adoro correr de braços abertos ;) Já de gaivotas não gosto muito :P

    Espero que já estejas mais leve ;)

    Beijinhos ;)

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  5. Mais um post daqueles que dá gosto ler...parabéns!
    Tive uma corrida muito parecida com a tua no sábado de manhã...daquelas viradas para dentro, só nós e os nossos pensamentos...e foi tão bom. A diferença é que foi nos montes..ahh...e não havia gaivotas, mas vi uma raposa (cinzenta).
    Beijinhos de outra "criança grande" e boa TNLO..que inveja :)

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  6. Menina Rute, soltar a criança que há dentro de nós é indispensável para manter a sanidade neste mundo que quer transformar as pessoas em robôs.
    As fotos estão muito boas.

    Beijinhos.

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  7. E não é tão bom e saudável ser-se criança de vez em quando?!? Todos nós temos um bocadinho de criança dentro de nós, e é penas aqueles que não conseguem tirar proveito dela ...

    Beijinhos

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  8. Criança!!...é tão bom voltarmos ao que já fomos nem que seja por um bocadinho. De certeza que, enquanto espantavas as gaivotas não pensaste em trabalho, problemas, preocupações...
    Foi uma recompensa pós treino :)
    Beijos

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  9. Joana: Também não sou a maior apreciadora de aves (trauma hitchcockiano ;) ), mas gosto de correr na direcção delas e fazê-las voar. Já estou mais leve. :) Beijinhos

    Carlos: Nas montanhas também é bom ouvir o silêncio. :) Nunca vi uma raposa fora de cativeiro, mas já vi alguns javalis (ok, ganhaste... :P). Estou a contar que seja uma grande noite, espero que Óbidos não me desiluda! Beijinhos

    V: Sim, há dias muito autómatos e temos de dar estes pequenos gritos do Ipiranga. :) Foram de telemóvel (aquele, que nem sempre funciona...), há coisas que merecem uma máquina sempre atrás. Beijinhos!

    Piolha: É saudável e muito! Devia vir com um mínimo de DDR (dose diária recomendada) :) Beijinhos

    Lulu: Tão bonita na nova foto!:) Espantei os problemas e as preocupações com as gaivotas, coitadinhas, que levaram o peso com elas. ;) Beijinhos

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  10. Que giro! Olha que eu teria feito a mesmíssima coisa!!! lol
    Bjs

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  11. Betterme: Quando os pássaros se põem assim a jeito, estão mesmo a pedi-las! :) Bjs

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  12. É bom voltar a ser criança, embora de modo fugaz.
    Quem não deve achar muita piada são as gaivotas que devem ficar a pensar: “ Bolas! Não há sossego nesta praia?!” (também faço o mesmo sempre que as apanho no caminho!)
    Boa corrida em Óbidos!
    (também vou, mas só devo chegar à meta lá pela manhã)

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  13. P: Pelo que vi dos tempos no ano passado, também devo terminar já depois da meia-noite! No teu caso, é só mais um bocadinho. :)
    Se te reconhecer na partida vou dizer olá. Boa prova!

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  14. Estou a devorar o teu Blog!!! Parabéns e mta força.

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  15. Zémi: Obrigada pelo comentário e pela força! Boas corridas :)

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