9 de julho de 2013

Trail do Almonda

(Aviso: post extremamente longo, mesmo para os meus parâmetros).

Hoje vai ser um bom dia.

É este o pensamento ao acordar.
Mesmo que a primeira coisa que vemos, mal abrimos os olhos, seja o relógio a piscar 5h20 da manhã. Mesmo que não corra nenhum ar através da janela que deixámos aberta durante a noite.
Tento não pensar muito nisso. Hoje vou correr 30km pela primeira vez, ainda por cima em trilhos, hoje vai ser um bom dia.

Obrigo-me a tomar o pequeno-almoço que não me apetece. Talvez por ter acordado mais cedo do que o habitual, o meu organismo não parece entender que preciso de me alimentar e que não vou voltar para a cama. Engulo as torradas empurradas a café com muito custo, e guardo a banana para o caminho.

O carro já acusa uma temperatura exterior de 20 e alguns graus, que foram aumentando ao longo dos cerca de 100km que me separavam de Vale da Serra, a localidade na zona de Torres Novas onde se iria realizar a prova. Tenho o privilégio de assistir ao nascer-do-sol e, por momentos, ao vê-lo assim, a uma luz tão poética e ainda inofensivo, quase que me esqueço porque é que estava preocupada com a sua força abrasadora. Tão bonito, não podes ser assim tão mau, pois não? - interrogo. Horas mais tarde, irei lembrar-me deste momento de fé ingénua.

Não conhecia este local e, ao chegar, fico contente da corrida me permitir ser turista de trilhos escondidos por terras que dificilmente conheceria de outra forma. Ainda a conduzir, admiro-me da considerável serra que se destaca acima da localidade (que se chama, como disse acima, Vale da Serra, portanto não sei o que estava à espera, nem porque fiquei assustada admirada).

Um voluntário prestável e simpático encaminha-me para a zona do estacionamento, onde ainda estavam apenas mais meia-dúzia de carros. Gosto de ir com tempo, para evitar stresses de última hora, daí também o despertador ter tocado a horas tão insanas.

Não tive de esperar quase nada para levantar o dorsal e a t-shirt, por isso fiquei com tempo suficiente para voltar para o carro e começar a ficar nervosa preparar-me para os meus primeiros 30km (já com 28º às 8h20, segundo a conversa que saía pela rádio e que podia já confirmar na pele).
Reforcei a dose de protector solar, comi a banana, verifiquei se tinha tudo na mochila (spoiler: vários géis e barrinhas, cuja maioria nem cheguei a tocar), pus o boné (spoiler 2: nunca menosprezar a importância de um simples boné) e encaminhei-me para a zona da partida, onde dentro de poucos minutos seria feito o controlo zero.


A partida era feita junto ao adro de uma Igreja, onde muita gente se concentrou a aproveitar a sua sombra. Foi também aí que encontrei o Vitor, que também se iria estrear nesse dia nas três dezenas.

O sol já incomodava, mas ainda era suportável. Adivinhava-se um dia quente e uma tarefa difícil, mas nada para o qual já não fossemos mentalizados. (Spoiler 3: há coisas para as quais nem a nossa imaginação mais rebelde nos prepara).

Não olhei para as horas, mas penso que a partida não terá atrasado e foi dada por volta das 9h. Aliás, a minha "estratégia" incluía não olhar para o relógio, para não ver a velocidade nem os quilómetros já percorridos e concentrar-me em concluir as etapas uma a uma, ou seja, só teria de chegar até ao abastecimento seguinte e reiniciar a partir daí. Haveria 5 abastecimentos ao longo de todo o trail, o que significava 6 etapas de cerca de 5km cada. Era mais fácil para mim pensar nestes termos, ou pelo menos foi, até cerca de metade da prova. Mas já lá vamos.

Verdade seja dita, se não gostam mesmo nada de correr em alcatrão, esta é a prova. Ao fim da primeira curva do percurso entrámos logo em trilhos, ainda estradões, de terra (e pedra) e vamos apanhar muito pouca estrada ao longo dos 30km, creio que nem chegará a 3% do total, mas não quero estar a induzir-vos em erro, uma vez que a minha memória ficou muito toldada pelo sofrimento solar.
Mas, como estava a dizer, ao fim de poucos metros, estamos no campo.


Os primeiros quilómetros foram feitos a uma boa velocidade (para trail), ainda com muita gente por perto, todos em fila, e à sombra de uma zona arborizada, que tanta falta fará mais lá para o avançar do dia.
Penso que para resolver o problema de congestionamento do percurso de anos anteriores, por volta do km2, alteraram um pouco o trajecto, o que acrescentou alguma distância à prova, coisa que só descobrirei já na fase final, quando estava mais do que pronta para que a prova terminasse e não havia jeitos.

Apesar de ainda ser uma zona de trilho fácil, já se notava que havia uma abundância de pedras às quais tínhamos de ir atentos, para não colocar nenhum pé em falso. Atrás de mim oiço a queda de alguém, que resulta naquilo que parecia ser apenas um joelho esfolado mas que, mais adiante, impedirá a pessoa de concluir a prova. Toda a atenção era pouca.

Nisto já estávamos a correr há 5km (a estratégia de "não olhar para o relógio" começa logo a ter falhas desde o início) e comecei a ansiar pelo primeiro abastecimento. Não que já estivesse em esforço, o calor ainda era suportável e a minha água mantinha-se fresca, mas quando vamos na ideia de um oásis aos 5km e ele ainda tarda quase 2km a chegar, isso afecta um bocado.

Distraio-me momentaneamente porque me apercebo que a grande Analice vai poucos metros à minha frente. Logo o que pensei: estou lixada. Ela é uma senhora experiente, sabe o que faz, e se está a resguardar-se tão cedo na prova se calhar não seria má ideia fazer o mesmo. Até aqui ainda não tinha andado nenhuma vez, nem mesmo nas (ainda pouco) inclinadas subidas, o que é raro neste tipo de provas, e achei melhor não abusar. Segui com calma até avistar, a poucos metros e à sombra (iupi), as duas mesas coloridas pelas fatias de melancia e pedaços de banana que constituíam o primeiro abastecimento.

Abastecimento 1 (aprox.7km) - Primeira etapa completa.

Aproveitei para tirar o boné e despejar um copo de água fresquinha por cima de mim. Acho que era a atitude geral: um copo para beber, outro para refrescar. Vai ser este pequeno momento fresco que me vai dar alento nas etapas daqui para a frente, saber que quando chegar ao abastecimento vou ter uns segundos de alívio neste prazer tão simples (e, fora destas condições, tão menosprezado) que é sentir a água fria a escorrer no corpo suado e quente.

É aqui no primeiro abastecimento que avisto o meu "companheiro-adversário" de Mafra. Ele também me reconhece, diz que também é a primeira vez que fará 30km e fica uma empatia solidária por saber que há mais gente "inexperiente" e que vem ao desconhecido neste dia de deserto do Almonda. Confesso que, na altura, sem saber ainda a luta que seria, para todos, apenas chegar ao fim da prova, me questionei infantilmente se seria capaz de ficar novamente à frente daquele senhor. Ai ai... as competições parvas que  uma tartaruga de montanha se dá ao luxo de ter na sua mente. Mas foi o que pensei, e estou vergonhosamente a admiti-lo, dêem-me um desconto.

Saio lançada (como quem diz), rumo à segunda etapa, pouco depois da Analice. Claro que ela embala e não a tornarei a ver o resto da prova. O "adversário" ficou para trás a comer uma fatia de melancia. O Vitor segue pouco à minha frente. Acho que decidiu esperar por mim, apesar de lhe ter dito para seguir. Aqui ainda pensava que não queria a "pressão" de uma companhia, por não querer prejudicar ninguém, mas mais para a frente vou agradecer. O que se costuma dizer: "sozinho vais mais rápido mas acompanhado vais mais longe", revelou-se bem verdade.



Nos próximos quilómetros até ao segundo abastecimento (km12) já se começa a sentir os efeitos do calor, apesar de ainda termos direito à misericórdia de algumas sombras. Começa é a juntar-se o incómodo de alguns mosquitos, que zumbem aos ouvidos e se colam à pele. A água que trago comigo já vem quente, só serve praticamente para molhar os lábios, e começo a andar nas subidas, recuperando ligeiramente nas descidas.

Ao engano de irmos a confiar nos atletas da frente, saímos da rota durante um bocado. Tudo bem que foram apenas cerca de 50m, 100m, até alguém que ia atrás nos alertar, mas serviu de aviso para ir com mais atenção às fitas sinalizadoras (o percurso esteve sempre bem assinalado, foi mesmo desatenção. Além disso, era a descer.:)) Daqui para a frente, mais meia dúzia de passos que seja, começam a pesar.

Passamos pela separação dos dois percursos, Mini Trail 12km para a esquerda (a descer) e Trail 30km para a direita (a subir). Curiosamente, nem tive hesitação nenhuma. Sentia-me cansada q.b., mas bem.

Abastecimento 2 (aprox. 12km) - segunda etapa concluída.


Ahhhh, que fresquinho bom! - outro(s) copo(s) de água para cima.
Vários atletas tentavam aproveitar a pouca sombra em volta do toldo ou junto às duas árvores próximas. O "adversário" chegou entretanto e partiu antes de mim, mas eu estou a levar o meu tempo. Tomo o meu primeiro gel (no abastecimento anterior apenas tinha bebido isotónico) e como um pedaço de fruta. Substituo a água que trago no saco da mochila. Daqui para a frente será sempre a subir até aos 15km, já passa das 11h, o sol já torra, há que tomar precauções.

A serra a trepar.

Passar de 200m para cerca de 600m de altitude nestes três quilómetros de subida não vai ser fácil. Graças a Deus que os arbustos que nos rodeiam no single-track dão um pouco de sombra, mas, por outro lado, também impedem a circulação do ar.


Dá-se ali um pequeno efeito estufa, que me começa a fazer quebrar, o que faz com que sejamos ultrapassados por algumas pessoas, mas ainda tenho ânimo para responder à conversa do Vitor (embora com frases curtas e monossílabos) e tirar fotografias. Enquanto tiver vontade de apreciar a paisagem e tirar fotografias é porque está tudo bem.

Passam dois atletas por nós a descer, abandonando a corrida, não sabemos se por lesão ou qualquer outro motivo. Já no segundo abastecimento tinham por lá ficado pessoas. Nunca tinha assistido a tantas desistências numa prova, e isso começou a afectar-me. Tentei abafar as dúvidas por uns momentos, um pé a seguir ao outro... um pé a seguir ao outro... Não penses muito, concentra-te na mecânica da coisa. E, finalmente, cheguei ao topo.

Depois de uma escalada lenta, a recompensa das alturas.


Olhar para trás e pensar que viemos lá do fundinho... a primeira encosta conquistada! O garmin anuncia a passagem dos 15km, metade já estava feito, recuperei um bocadinho a moral.
Claro que neste momento nem queria pensar que ainda havia outra encosta pior para subir, então aproveitei o melhor que pude este pequeno momento de glória, refrescado por uma ligeira brisa.


Do marco para a frente, seria sempre a descer até ao km17. Embora fosse um estradão com alguma pedra, deu, com alguns cuidados, para acelerar o passo e ver o ritmo nos 6:30-7min/km, a loucura! Nas subidas mais valia nem olhar, tinha de ser nestes pequenos momentos. Pequenos últimos momentos de felicidade.


Abastecimento 3 (aprox 17km) - terceira etapa conquistada.

E daqui para a frente vai ser o descalabro.


Atentem bem na foto acima, porque foi a última que tirei. Não vou tornar a ter vontade, energia ou paciência para sacar do telemóvel, e só isso revela bem o meu estado de espírito daqui para a frente.

No abastecimento não havia grande sombra e, tendo em conta as horas e o calor que já se fazia sentir, acho que isso não ajudou. Comi fruta e bebi isotónico. Tornei a mudar a água que já estava quente e, desta vez, qual copo qual quê, foi mesmo de garrafão despejar água para cima. Mas não sei bem o que desencadeou a quebra, empeno, inferno de Dante que se seguiu.

Reparei que algo não estava bem quando retomei a marcha e senti uma letargia que não conseguia combater. Não corria ar nenhum, o ar que entrava nos pulmões era quente e não aliviava. Mesmo nas poucas sombras o calor era insuportável. Fui-me abaixo, abrandei para ritmo de passeio, fiquei preocupada. Na minha cabeça formou-se pela primeira vez a frase que não tive coragem de proferir em voz alta: acho que não vou conseguir.

Comecei a ficar para trás e não devia estar com boa cara, porque o Vitor estava constantemente a perguntar-me se estava bem, com medo que me desse algum fanico para ali, e eu, em pleno "Vale do Deserto Abominável" (pertence a um dos círculos do Inferno de Dante, podem confirmar) que atravessava, só agitava as mãos como quem diz, agora não fales comigo.

Apesar da insistência para descansarmos um bocado, resisti a parar, não adiantava de nada. O sol estava impiedoso, não havia sombras, e iniciava-se uma longa e pedregosa subida até ao km23. Se parasse, era mais tempo que estava ao sol e eu só queria chegar ao próximo abastecimento. Segui a passos muito lentos e forcei-me a comer uma barrinha, pensando que podia ser falta de "combustível" (perdi mais de 2000 calorias nesta prova). Mastigar era um sacrifício, engolir ainda pior. Andei ali que tempos para comer a barrinha toda. Pensei que este tipo de esforço nos desse fome, mas não. Não tive fome uma única vez em toda a prova, e só comi por medo de perder forças, porque ao calor a única coisa que sabia bem era a água e, quanto muito, um gomo de laranja.

Kms 17-23: morte lenta.


Passam pessoas por nós a subir com ajuda dos bastões de caminhada. E eu que tinha os meus em casa, que utilidade! Pensei que não seriam necessários e não queria andar com mais peso atrás, mas arrependi-me bastante. Como quem não tem cão caça com gato, agarrei num ramo de árvore que estava caído lá pelo chão e que acabou por ser o meu fiel apoio naquela subida interminável e tortuosa. Quando chegamos a determinado ponto de exaustão não há cá vergonhas. Estava farta e não queria nem saber se parecia uma pastora sem rebanho, de cajado na mão, em pleno trail do Almonda. Aquela foi a bengala, metafórica e literal, a que me agarrei para ultrapassar uma subida de quase 6km.

Mesmo assim, para mim esta foi a pior parte de toda a prova. Se até aqui íamos com um ritmo razoável, pelo menos para terminar abaixo das 5h de corrida, a partir daqui os quilómetros arrastaram-se e tornou-se impensável fazer qualquer tipo de cálculo. Às tentativas de conversa que o Vitor continuava a fazer para confirmar se eu ainda estava viva, já só agitava uma mão (a outra estava apoiada). Não fales comigo agora. Tinha de guardar a energia para continuar a pôr um pé à frente do outro

No meio disto tudo, foi bom ver a solidariedade entre os atletas. Sempre que viam alguém parado perguntavam se estava tudo bem, se precisava de ajuda, e houve até um senhor que ao ver a minha tentativa infrutífera de me refrescar com a minha água (novamente) quente, despejou um bocadinho da sua água fresca pelo meu pescoço, e soube tão bem! Depois, não sei se para me animar, disse-me que já tinha participado no difícil trail da Serra da Freita e que este de Almonda, num dia como aquele, também lhe estava a ser muito difícil.  E é verdade que acabámos por ir sempre ali num jogo de ora agora passo eu, ora agora passas tu, até ao final. Mas muito obrigado pela força.

Finalmente, avistam-se as ventoinhas e, com elas, o cimo da serra. Conseguir ver o fim da subida, e o ponto do próximo abastecimento, deu-me um novo ânimo e tornei a falar e até a fazer piadas. Neste ponto, a graça era questionável, mas o que interessa é que o meu colega pôde finalmente descansar e apagar o número da organização que já estava, secretamente, prestes a marcar, quando se desse o meu aparentemente inevitável colapso.
Juntamente com outros companheiros de luta, brincámos com a miragem de uma piscina à nossa espera junto ao abastecimento. Largo o cajado. Volto a ter vontade de rir.

Chegámos ao cimo da Serra. Estou viva!

Abastecimento 4 (aprox. 23km) - quarta etapa sofridamente escalada.

A visão, no entanto, era um bocadinho desoladora. Muita gente sentada no chão junto à carrinha, a tentar proteger-se do sol na sua escassa sombra, outros deitados junto a arbustos rasteiros. Não havia toldo que desse sombra suficiente, e foi nesta altura que dei graças por levar boné, o que sempre afastava o sol da cara e dos olhos. Percebi que havia uns quantos atletas que iriam ficar por ali.
Já passava da uma da tarde, o calor era insuportável. Despejo vários copos de água por cima de mim, água essa que vai secar dentro de poucos minutos. Tomo outro gel, e bebo mais água.
Agora ia ser sempre a descer mas, ao contrário do que pensava, não iria ser mais fácil.

Entramos outra vez em single-tracks pedregosos, que dificultam a descida (nem sei como alguém consegue correr naqueles trilhos, mas suponho que os mais experientes o façam). Temos novamente vegetação de ambos os lados, mas, com o sol a pique, já não há sombra. O pó solta-se da terra a cada passada e cola-se à pele. Mosquitos querem aproveitar a boleia. As plantas dos pés começam a queimar do calor e do esforço da descida. A cada curva suspiro por uma recta, mas a descida parece interminável. E quente, insuportavelmente quente.

Metros à frente está um homem sentado a meio do trilho, de pernas esticadas. Penso que talvez tenha caído e se tenha magoado, mas não, estava apenas a descansar. Aqui estamos nós, a menos de 5km da meta, mas cada vez vamos passar por mais gente sentada, que não aguenta dar mais um passo. Ver as pessoas assim dá-me vontade de fazer o mesmo, mas tenho medo de depois já não conseguir retomar. Além disso, ESTÁ CALOR. Está um raio de calor que nem à sombra é mitigado, por isso nem vale a pena. Só já quero terminar. Quero terminar isto e quero o meu duche fresquinho. O meu duche à chegada, de água gelada, já é só nisso que penso.

Quase a chegar ao km27 temos direito a um estradão e tento correr a ver se as pernas ainda se lembram como é. Não dura muito. Custa bastante convencer o corpo a correr nestas condições, em que o instinto de preservação nos impele a fazer exactamente o contrário daquilo que é preciso para concluir a prova: continuar a correr. Todo o nosso organismo em alerta: procura uma sombra, procura uma sombra e descansa, mas nós temos de contrariar isso. Muito difícil.

E assim chegamos à quinta e última etapa.

Abastecimento 5 (aprox. 27km) - A meta tão perto e tão longe...

O único abastecimento em que, para além da fruta, vi também umas barrinhas. Se tenho algum reparo a fazer em relação aos abastecimentos sólidos é apenas este: acho que deveriam ter uma opção salgada, para contrabalançar a perda de sal pela transpiração, sobretudo nestas condições de calor mais extremo. Claro que nesta altura, a quem é que apetece comer? Foi mais água para cima e segue que se faz tarde.

Estava farta, tão farta. Já passava das duas da tarde, já não conseguia desfrutar do percurso, nem da sua beleza, só queria chegar à meta e parar. Sentar-me. Sair do sol.

Oiço o telemóvel tocar, provavelmente a minha mãe preocupada por ainda não ter tido notícias minhas, mas eu nem atendo. Só tenho energia para continuar em frente. De vez em quando refilo. Estou farta. Só me apetece dizer asneiras. Nunca os últimos quilómetros de uma prova me custaram tanto, parecia que andava e andava e não havia meio de os metros diminuirem. Já nem conseguia correr, mesmo em zonas, noutras condições, consideradas fáceis. Continuo a ver pessoas sentadas à beira do percurso, vejo a dificuldade, que também é a minha, espelhada nos seus rostos e só posso sentir admiração. Força, estamos quase lá, mesmo que eu própria ache que 3km ainda é longe comócaraças.

2km- nuncamaisraiosparta!

1km - ondeestáabenditametaporamordedeus.

500 metros - um senhor voluntário diz-nos que a meta está já ali a 500 metros e eu não sei se me apetece dar-lhe um beijinho ou espetar-lhe um soco. São SÓ mais 500 metros, mas também são AINDA mais 500 metros... O meu gps já assinala mais de 30km e eu não vejo a torre da Igreja.

300 metros - lá está ela, já não era sem tempo!

200 metros - vejo o meu "adversário". Vai em passo arrastado e derrotado a chegar à meta. Sei que se acelerasse o conseguiria passar, mas para quê? Isso não interessa. Ele sou eu. Ele é todos os que, como ele, sabendo que não iriam ganhar nada, persistiram nestas condições desumanas só pela realização de cruzar a meta. Mesmo quem não concluiu mas tentou. Não é um adversário, é um companheiro.

100 metros - corro só mesmo para dizer que terminei a correr e para ficar bem na foto, que nem houve.

Meta - Finalmente, porra!

NUNCA MAIS!


Concluir o Trail do Almonda não me deu aquela sensação de vitória que estava à espera. Concluir o Trail do Almonda foi uma sensação de alívio, de "até que enfim", numa luta renhida que, por diversas vezes, temi perder.
Como num combate de boxe disputado até ao último round, cruzar a meta foi o que me deu os pontos da vitória. Posso até ter sido vencedora, mas o Almonda deu-me cabo do canastro.

No abastecimento da meta pergunto pelo meu prémio de "finisher" (o duche fresquinho). As senhoras dizem-me que há duches de água fria, atrás do pavilhão ao ar livre, ou então tenho a opção de tomar duche num balneário, a cerca de 500 metros dali. Fazer mais 500 metros a pé naquela torreira?? Deixe estar.
Vai mesmo ali, vestida, troco só os ténis pelos chinelos (não se preocupem, estava lá mais gente a fazer o mesmo). Um banho de água fresca, depois da travessia do deserto = melhor duche de sempre.

Gostava de dizer que irei voltar ao Almonda, já que foi um adversário duro de roer, mas sinceramente não sei. O sol foi um golpe desleal, que não sei se quero enfrentar outra vez.

Foi esta a minha maior luta até ao momento: 30km, mais de 1000m de acumulado positivo, com 42º e poucas sombras. Se se mantiveram por aí durante todo este extenso relato, também fizeram parte dela, obrigada!


30 comentários:

  1. Curiosamente também tive algumas situações semelhantes durante o meu treino de 31km no sábado: ausência de fome e dois últimos km a serem contabilizados quase ao metro. No entanto a minha parte psicológica estava muito forte, terminar nem que fosse a rastejar. Além disso levei vários boiões de água fresca para além da mochila de hidratação. Outro aspecto importante é o facto de ser alentejano, habituado a temperaturas altas. Grande prova! O que interessava era terminar! Vários conselhos, hidratar antes da prova, nos dois dias anteriores, o boné tem de ir sempre encharcado em água desde o inicio, dividir mentalmente em dois ou três percursos. Desta vez estiquei-me no comentário... :p

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  2. Parabéns pela perseverança

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  3. Amiga Rute... não sei o que te dizer após este relato que nos prende, cativa, emociona e assusta.

    Compreendes se não acrescentar mais nada que não seja um grande abraço e um grande beijo para ti, grande Rute!

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  4. Sílvio: Sim, esqueci-me de falar nos "preparativos", mas hidratei-me bem nos dias anteriores à prova e no próprio dia também. Acho que isso me ajudou a não ter problemas graves. Questiono-me se essa questão do não ter fome será normal nestes casos ou só em dias de muito calor...
    A parte mental é mesmo importante para nos levar a persistir. Parabéns para ti também! Obrigada.

    Sam: Obrigada. Custou, demorou, mas foi! :)

    João: Não é objectivo do relato assustar ninguém! :) Nem tirar-lhes da ideia ir ao Almonda. Creio que em condições climatéricas mais leves, será um desafio igualmente duro mas muito mais acessível. Este ano foi azar! (E provavelmente haverá pessoas que o fizeram sem problemas, o passar das horas é que ia piorando o cenário!)
    Muito obrigada pelas palavras e carinho. Beijinhos

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  5. Como sempre, pelas tuas palavras os relatos ganham outra vida. Gostei muito de ler. Apenas fiquei preocupado porque não referiste aquele pessoal que estava nos comes e bebes debaixo da tenda. Será que te esqueceste ou foi uma miragem, já não digo nada :)
    Obrigado pela companhia.

    Beijinhos.

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  6. V: Não foi miragem, apenas não merecem referência porque nem ofereceram um copo de água! :P (ou então quem ia à frente bebeu-lhes a água toda! ihih)
    Beijinhos e eu é que agradeço a paciência na minha fase lunar... :)

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  7. Rute,
    São 7 da manhã e já fiquei cansada e com suores, só de ler o teu relato :)
    Nas primeiras partes até pensei " afinal foram para lá para beber e comer! grande festim :)", mas afinal de contas...era do tipo publicidade enganosa.
    Foi uma luta dura e que não pensas em repetir, mas pelo que contas, as condições atmosféricas pesaram muito na imagem e sensação com que ficaste da prova. Provavelmente não terias achado tão penoso se estivessem 20ºc.
    Pelo menos não te deu nenhum fanico! Sempre era a tua mãe ao telemóvel ralada contigo? A minha às vezes liga-me a dizer "não deste noticias o dia todo...era só para saber!? - "mãe são 2 da tarde! (não é propriamente o dia todo", mas outras vezes está dias sem me ligar.

    Para o ano, devem sugerir á organização que reforcem as sombras nos abastecimentos. Criticas construtivas são para ajudar a melhorar.

    Subida de 6Km??? Isso é para loucos :)

    Com este calor - mesmo dentro de casa - a minha tensão anda nas ultimas. Tonturas atrás de tonturas. Se fosse correr (1km vá) desmaiava mesmo :

    Mais uma vez - excelente relato.
    Que venha o próximo.

    Já estás totalmente recuperada? pelo menos fisicamente?

    Beijinhos grandes

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  8. http://www.youtube.com/watch?v=6FOUqQt3Kg0

    E é só.

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  9. Absolutamente emocionante o teu relato da prova.... embora nunca tenha chegado a esse nível de esforço, consigo "sentir" a tua prova, o teu desespero, o calor, a sede....durante a leitura tive que ir beber água várias vezes, e até despejei dois copos de água pela cabeça abaixo :) - a Inês acabou de ligar para o hospital psiquiátrico e estão ali uns senhores de bata branca simpáticos que me querem levar a dar um passeio :)....agora a sério...o teu (vosso) feito é heroico (não sei se conseguiria). Ainda ontem estava com um amigo, a falar sobre trails (para o próximo ano vamos dedicar-nos mais a esta vertente da corrida) e no meio da conversa surgiram os relatos sobre provas destas últimas semanas (Freita e Almonda por exemplo)....chegamos à conclusão que a finalidade do trail é "curtir" as paisagens, natureza, convívio, conhecer novas terras..tb é sofrimento e superação mas tentando sempre ter prazer nisso....acho que fazer este tipo de prova nessas condições é desumano e de prazer tem pouco. Em todo o caso, depois de lá estarmos é dar o máximo que foi o que fizeste e chegaste ao fim....és uma guerreira!!!
    Muitos parabéns pela prova e por mais um texto arrebatador.
    Beijinhos e espero que já estejas totalmente recuperada

    P.S. Qual é a próxima aventura?

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  10. Mantive-me a ler este relato, emocionada, até ao fim!
    Um dia como este, uma prova como esta deve fazer-te reflectir e tirar alguns ensinamentos.

    Neste dia fiz um trail de apenas 19km em Monsanto e à noite (ainda assim o termómetro marcava 36ºC). Houve quem me dissesse: "se a prova fosse de dia, com a minha concordância, não a farias."
    Mas o atleta tem sempre a última palavra, certo? E às vezes somos um pouco cabeças duras! E porque treinámos, e porque queremos conhecer os nossos limites, e porque queremos saber até onde vamos, e porque e porque e porque... Somos assim, não é?


    Muitos PARABÉNS!

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  11. Obrigado pela partilha. Acho que para o ano, com menos calor (muito menos), aventuras-te no Almonda outra vez... é cá um feeling que eu tenho ;)

    Bjs e boa recuperação!

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  12. Anónimo10/7/13

    Olá, colossais parabéns pelo objectivo cumprido! Proposto, tentado, conseguido…! No limite, muito para lá do imaginado, mas cumprido… É enorme a sensação de realização, mesmo que com a noção de “nunca mais assim…”. Navegar pelos terrenos dos nossos limites e conseguir alargar um pouco as fronteiras conhecidas é grandioso, mas é um tesouro apenas para nós, bizarro para a maioria dos outros…
    E a escrita… sublime como sempre!!!
    Venho de uma situação nova, sábado, como Monsatómano Anónimo, havia um desafio… enorme, talvez por isso irrecusável…
    Situação nova para mim, ao fim de alguns anos de quasi-corredor.
    Decidi desistir. Que não dá mais…! Que era asneira continuar pois a gestão da situação no momento já era algo complicada e, faltava ainda quase metade!
    Fica frustração, pena, se calhar tinha dado…, mas depois vem o conforto de saber que fizemos o que tinha que ser feito, afinal não ia mesmo dar para mais… Acabou aquela luta, interrompida por mim, mas ficou a certeza do respeito por nós próprios! Sim nós que somos a razão primeira de tudo isto e disto em que nos metemos porque queremos! Acaba-se reforçado, conhecedor de um novo limite, ciente dos erros cometidos e que ajudaram a desencadear o desfecho, concluímos depois, mas com vontade redobrada de voltar, por se gostar, apenas por se gostar. E, sendo possível.. o desafio será o mesmo!  Sim! Há um limite a ultrapassar e, principalmente, aquele caminho não ficará por trilhar!…
    Bons treinos! (sim começa sempre por aí!...)
    Pedro

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  13. Que relato fantástico. Só posso voltar a dar os parabens pela conquista, correr 30Km nessas condições é impressionante.

    PS1: Era mesmo o meu amigo que viste num abastecimento, ele foi um dos que ficou por lá.

    PS2: Não vou ao Trail da Lagoa de Óbidos, não me sinto muito confortável por correr à noite em Trail. Em principio a ultima prova da época vai ser este sábado na Lagoa de St André, depois estou a apontar para a Meia das Lampas em Setembro.

    Beijinhos e boa recuperação

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  14. Lulu: Na segunda-feira estava toda partida! lol Hoje já estou bem. Só achei estranho não ter muita fome no dia, nem no dia seguinte... pensei que fosse ficar faminta!
    Sim, era a minha mãe, mas ela nem sonhava que ia fazer aqueles kms todos ao sol, dava-lhe uma coisa!:)
    Com menos calor seria mais fácil, sem dúvida. E farei a sugestão de mais toldos nos abastecimentos, quando classificar a prova (no local devido).
    Obrigada, beijinhos grandes

    jnr: Ah! :) Obrigada.

    Carlos: Por isso me custou mais, porque tirou grande parte do prazer de correr em trilhos, que é aproveitar o ambiente e as paisagens. Já nem queria saber disso, queria era terminar!
    Hoje já estou pronta para outra (menos quente!:P).
    Obrigada, beijinhos.
    PS: Agora a próxima só em Agosto, Óbidos, NOCTURNO (ufa)!! :)

    RBR: Eu compreendo, daí nem ter dito nada à família sobre a "verdadeira" distância do trail. Iam ficar preocupados. Pronto, está feito, mas se puder, evito tornar a correr em circunstâncias assim. Sou amadora, gosto de correr, o que também envolve sofrer q.b., mas há alguns limites. :)
    Beijinhos!

    Bluesboy: Obrigada! Pois, isso já não depende de mim... :) Acima de 30º MÁX está completamente fora de questão (e mesmo assim...) ;) Beijinhos

    Pedro: Se calhar, se fosse sozinha, também teria ficado pelo caminho. É como dizes, chegamos a um ponto em que achamos mesmo que não vai dar, que não conseguimos e que ainda faltam muitos kms. Depois, se tivermos incentivo, conseguimos sair desse fosso psicológico e saber que vamos concluir, mas com muito esforço.
    A Eco-Marathon também terá sido um grande desafio. Talvez para o ano opte por essa.
    Todos os que correram este fds, em provas ou treinos, são loucos! Que gostam do que fazem... ;) Obrigada!

    João: Obrigada! Sim, pareceu-me que fosse ele, mas já não me lembrava do nome e também já está tudo tão cansado que nem há ânimo!
    Essa prova na Lagoa deve ser bem interessante, e sempre podes terminar com um mergulho - bónus! :)
    Obrigada e boa prova.
    Beijinhos

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  15. Mais uma vez a minha admiração pela tenacidade em concluir a prova nas condições "dantescas" do tempo.
    Por outro lado e, sendo um pouco egoísta, todas essas condicionantes deram origem a um post do melhor que tem sido ecrito por aí! Diria mesmo que valeu a pena o sacrifício... (sorry):)

    PS- Agora já podes entender o devido valor da empreitada do Carlos Sá na próxima semana! A maioria de nós ainda não...

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  16. Tal como disse no blogue do Vitor, digo-te a ti: estou impressionada!
    Tudo estava contra vocês, mas vocês resistiram até ao fim.
    Nem quero imaginar o que será correr 30 km por montes e vales em pisos muito irregulares e com mais de 40ºC. Por isto acho realmente impressionante o teu feito.

    Estás mesmo de parabéns por teres terminado essa prova que pelos relatos percebe-se que não foi dura, foi durissima!

    Beijinho grande e bom descanso.

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  17. P: Na maioria das vezes, as provas que correm pior dão um post melhor! Deve ser a lei da compensação. :) Gostava de ter conhecido o Almonda de outra forma, mas sempre foi um desafio superado.
    Badwater deve ser uma coisa brutalíssima! Mesmo só para atletas de topo e grande resistência. Admiro muito quem o faz, mas acho que é um sacrifício tremendo.
    Obrigada, boas corridas!

    Isa: Foi só mesmo pela vontade de terminar, acredita... Talvez começando 2h mais cedo não teria sido tão mau. Talvez até se fizerem um Almonda nocturno... é isso mesmo! :) Assim talvez reconsidere. ;)
    Obrigada, beijinhos grandes

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  18. Não são tomates. São COJONES! :)

    PS: Bem lá no fundo sabes bem que vais voltar, não sabes? lol

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  19. UaU !!
    Emocionante relato , obrigado pela partilha e por "descreveres" esta tua "aventura" de uma maneira simplesmente deliciosa ! :D

    "Superação" "Teimosia" "Loucura" , chamem-lhe o que quiserem , Tá feito e não acredito no "Nunca Mais" !!

    ...Acredito sim , sempre , no: "Hoje vai ser um bom dia." :D


    MUITOS PARABÉNS , não sei mais que dizer...



    Brutal , Corre como uma Menina , (acho que desta é que vais ter que mudar o titulo do Blog) , isto não foi para "meninas" !! :)

    (tambem não quero cá que seja para Mulheres de barba rija) , mas andou lá perto !! :D


    PS:
    Qual "tremedeira" , qual quê... , era "garra" mesmo !! ;)


    bjs
    Ajb

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  20. Ricardo: LOL :) Nem me digas isso. Acho que o meu cérebro não se vai esquecer do sofrimento que foi e, se se esquecer, eu volto aqui para ler o texto todo outra vez (porque é que achas que o fiz tão pormenorizado?) ;)

    A: Pelo menos numa coisa tens razão, não foi mesmo para "meninas"... :) Agora, independentemente de ser um bom dia, acho que só volto lá se for à noite! :p
    Vamos ver como correm os próximos!;)
    Obrigada, bjs.

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  21. parabéns ! Este foi um grande desafio psicologico!
    Tb não tenciono lá voltar ... acho .. ainda estou traumatizada hehe.. foram 6 horas nisto.. e os ultimos 4 km mto dificeis nunca caminhei tanto na vida! Pelo caminho encontrei uma menina de azul com um cajado á sombra de uma arvore Perguntei se estava tudo bem ... acho que nem tinha forças pra falar o rapaz é que respondeu a descansar um pouco ã sombra :)
    Até óbidos!! Bons treinos

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  22. Lá vem a repetitiva do costume dizer que escreves bem comócaraças :P A sério, em alturas dest post ri, fiquei com lágrimas nos olhos e até me arrepiei. De certa forma acho que sofri contigo (mas acredito que nem sequer seja comparável!) ;)

    Espero que já estejas recuperada e que agora não te metas noutra tão cedo (não andas a ouvir as recomendações da DGS mulher? Com ondas de calor o pessoal tem é de ficar em casinha!) ;)

    Beijinhos ;)

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  23. Filipa: Menina de cajado há grande probabilidade de ser eu (embora tenha parado poucas vezes porque TINHA de continuar a andar para terminar aquilo!!), mas não estava de azul! :) Por isso, ou já eram efeitos do sol ou havia por lá mais pastoras. :P Pois, 6h naquilo foi dose! Não teve graça ;), não sei se volto!
    Beijinhos e parabéns!

    Joana: Obrigada! É claro que ouvi as recomedações da DGS e vi o jornal sensacionalista da TVI! :P Mas mesmo assim fui. Sabia que, caso tivesse sintomas fora do comum, teria bom-senso para parar. Louca, mas com algum juízo... ;) Ao menos agora já sei que correr com temperaturas de 40º é coisa que não me atrai.. (sim, precisava de fazê-lo para saber) :D
    Beijinhos grandes

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  24. Rute grande relato, revi-me em muitas das coisas que descreveste, só não me lembrei de arranjar um cajado hehe

    Estive com o mesmo sentimento de alívio de ter terminado a prova e de que não voltaria a repetir durante alguns dias, mas agora com o tempo a passar e analisando os erros que cometi acho que se tiver saúde e disponibilidade volto lá para o ano para me vingar e tentar um desempenho melhor.

    Foi a primeira prova onde constatei que realmente o equipamento importa e não ter levado chapéu ou lenço na cabeça, aliado ao facto de me ter lembrado de fazer o teste ridículo de não utilizar meias na prova revelaram-se erros fatais, um calçado com sola mais rija para este tipo de terreno também me parece apropriado.

    Para o ano há mais... espero! hehe

    Bjs
    Rui

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  25. Rui: Realmente um chapéu fazia toda a diferença ali, pensei algumas vezes como seria ainda pior ter de ir a suportar sempre o sol directamente na cara e na vista. E essa das meias foi mesmo um erro de rookie!! ;)
    Sabes que o cérebro é uma coisa... com o tempo começa a seleccionar e relativizar as memórias... um perigo!:) Mas tenho mesmo de me lembrar que, com temperaturas de 40º, NÃO! E é uma decisão irrevogável (um irrevogável dos antigos, não é destes agora mais modernos... acho... ;) )
    Bjs

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  26. Extraordinário!
    Temos uma grande (já és) corredora de trail's longos na forja.
    Acredita que te tinha sido muito mais fácil correr uma maratona que fazer essa prova.
    O teu esforço foi muito superior a uma maratona feita em condições atmosféricas ideais e com pouca altimetria!
    Não te esqueças que tu superas-te uma prova em que atletas com uma longa experiência não lograram atingir a meta.
    Um amigo meu "acabou" essa prova no hospital e é alguém extremamente experimente e como todo um passado de grande atleta.
    O teu feito é ENORME!
    Vou dar destaque a este texto no UK.
    Beijinho.

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  27. Adoro ler os teus relatos, fazes-me sentir as tuas dores e sofrimentos, e também as sensações de vitória. És uma grande vencedora, sem dúvida. Beijo

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  28. Jorge: Obrigada. Foi mesmo o meu desafio mais difícil até hoje! O facto de ir com receio do desconhecido ajudou-me a precaver-me mais, e isso, juntamente com a ajuda da companhia, foi o que me levou a chegar ao fim.
    Mas o sol não estava para brincadeiras e também é preciso ter experiência para saber quando é melhor parar, o que muita gente fez, e pelo melhor.
    Agradeço as palavras, sobretudo vindas de quem já participou em tantas provas, e espero poder continuar a evoluir! Beijinhos

    Sweet: Muito obrigada. Somos todos os que continuamos na "luta". :) Beijinhos

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  29. Mauuuuu então inscrevi-me eu no trail de Mafra depois de ler o teu relato do ano passado, depois inscrevi-me no de Almonda porque era perto de casa, e agora deparo-me com isto?? Estou a ver que tenho que repensar.. já tinha imaginado que poderia estar um calor insuportavel, mas, tal como tu, também não sou lá grande adepto do sofrer por sofrer, e se é para correr 30km pelo menos que no fim tenhamos algum prazer. Bem, vamos ver se o faço.

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  30. Filipe: Mafra é um paraíso, fizeste bem! Quanto ao Almonda, também era muito azar este ano estar outra vez aquele calor... Basta estarem menos 5 ou 6 graus e acredito que já se faça muito melhor. É uma zona bonita, mas seca. Pode ser que este ano o sol dê umas tréguas!
    Beijinhos

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