30 de dezembro de 2014

Ericeira Trail Run

3 dias antes

- "Então obrigada e boa sorte! Mas oh, o que é que eu estou para aqui a dizer, na prova dos 60k já não precisa de sorte, é uma pró."

Como dizer à senhora que me entregou os dorsais que não é bem assim, não é nada disso, longe disso. Sou é alguém com muitos sonhos e uma grande fé. Fé essa, aliás, que tem vindo a vacilar com a aproximação do dia da prova. Não sou “pró” e tenho sérios debates com a palavra "atleta". Mas também já não sou propriamente amadora, claro. Quem é que se mete a correr assim percursos tão longos à toa? Gosto de correr e ultimamente tenho corrido muito. Se calhar, num sentido, sou amadora... Sim, amadora dos quilómetros, AMO os quilómetros, as horas que passo a correr! É isso! Vou dizer à senhora que sou amadora das corridas longas, que adoro os quilómetros que corro sem pensar, de olhar livre perdido pelas paisagens mas também os outros, aqueles que, quando a exaustão física chega, passo a correr fechada na minha mente. E gosto como estes dois tipos de quilómetros se entrecruzam, sobrepõem e substituem várias vezes ao longo das várias horas de prova. Mas como explicar isto sem parecer uma maluquinha?... A senhora ainda está a olhar para ti, depressa, responde qualquer coisa inteligente e/ou engraçada. Ou pelo menos agradece, o silêncio está a ficar incómodo, ó amadora dos quilómetros. Raios, perdeu-se o momento.

Só sorri. Foi pelo melhor.


Dia 20, 5h45 da manhã

O que é que eu fui fazer?
ou
"If you’re gonna die, die with your boots on"


Já equipada, de pé, ao balcão da cozinha, enrolo na boca, vezes sem conta, a colherada de papas de aveia, sem conseguir engolir. Parece que tenho um nó na garganta. Desisto. Agarro numa banana, nas trouxas (mochila de hidratação com todo o material obrigatório e mala com muda de roupa para depois) e saio porta fora pronta a enfrentar a madrugada.

Porra, que frio.

Está um nevoeiro brutal e na rádio passa uma música de Iron Maiden que ajuda a compor o ambiente. Na altura não consegui identificar qual era mas, do que entendi, parte do refrão rezava o seguinte: If you’re gonna die, die with your boots on. If you’re gonna try, well stick around. Gonna cry, just move along. If you’re gonna die, you’re gonna die - o que eu achei que era fofinho e o mote ideal para um dia fantástico de prova.

66km. O que é que eu fui fazer?


7h45 da manhã. 15 minutos para a partida.

Porra, que frio.

Saímos do carro, ainda temos de passar pelo controlo zero. Ao altifalante, repetem que a hora da partida é às 8h em ponto e não vão esperar por ninguém. Alguns atletas mais nervosos ultrapassam-me na fila sem qualquer reserva ou vergonha. Eu não digo “olha, se estás com pressa acordasses mais cedo” ou “vê lá, não seja por demorares mais 30 segundos no controlo atrás de mim que vais perder o lugar no pódio”. Não digo nada. E não só porque está frio e nesse momento estou mais ocupada a mandar o bafo quente para as mãos, é porque 66km são muito tempo para correr irritada, não vale a pena, vingo-me depois ao ultrapassá-los durante o percurso. Ou não. O mais provável é não. (Mas seria um bom retorno de karma).



8h

Apesar dos apressados, consegui estar na Partida com um ou dois minutos para gastar. Dá tempo para ver que somos poucos a fazer o Ultra Trail, encontrar uma ou duas caras conhecidas, mas não dá tempo para ficar nervosa. Perfeito. E às 8h em ponto, como anunciado, é dada a partida, com algumas pessoas ainda presas no controlo zero. Vão passar por mim daqui a uns minutos, a recuperar o tempo perdido.


(8h05

O que é que eu disse? Aí vão eleeees.)


Os primeiros quilómetros

Ai que caraças, as dores nos gémeos outra vez. Acontece-me isto com frequência, os primeiros 4 ou 5 km das provas são sempre uma tortura para os músculos. Quero correr e sinto as pernas presas, mas depois a caminhar também não é muito melhor. Se calhar é falta de aquecimento, mas como é que se aquece para uma prova de 60k+?... Vou aquecendo agora, e aguento-me à bronca, um bocadinho a andar, outro a correr como se estivesse a tentar bater o recorde de corrida à velocidade mais baixa possível. Ao menos por enquanto as paisagens ainda são bonitas, tento distrair-me.



Vamos sendo passados por quem estava na partida connosco e também por quem começou já depois da hora. Olho para trás, não vejo ninguém. Não sei se somos os últimos, ou melhor, se serei a última, já que só vamos aqui por causa de mim, que sou de longe o elo mais lento desta dupla. Mas estranhamente não me incomoda, a prova é longa, só quero chegar à fase em que as dores nos gémeos finalmente passam. Cerca de 30 minutos depois, após algum penar e algumas (muitas, vá) queixas, as pernas começam finalmente a soltar-se e desato por ali afora a correr e a ultrapassar pessoas! Ahah, não. Continuo a correr devagar e só ultrapasso duas ou três, mas o meu humor melhorou bastante.


Kms 9 a 16

O deserto

Passamos pelo primeiro abastecimento, só de líquidos, aos 9,5km. Nem parei para beber, mas apercebi-me que ainda nem tinha tocado na água que trazia e já íamos com mais de uma hora de prova. Dou alguns goles e faço uma nota mental para me ir lembrando de beber com regularidade. Está frio, é fácil uma pessoa esquecer-se de hidratar, mas a água é sempre necessária. Além disso, com a constipação ainda a fazer-se notar, tenho vindo a respirar sempre pela boca e isso seca-me a garganta.

Não sei se por sermos “poucos” (só vão cortar a meta 100 pessoas), ou se por ir quase no fim do pelotão, mas esta vai ser a prova em que vamos passar mais quilómetros sem nos cruzarmos com ninguém. Por momentos até parece que estamos numa qualquer manhã de sábado por aí, a fazer um treino. Não fossem as marcações (muito bem feitas, sem qualquer motivo de queixa) e até era possível esquecermo-nos de que estávamos numa prova. Gosto assim.



Até chegarmos ao primeiro abastecimento sólido, aos 16km, o percurso vai ser uma travessia num deserto de atletas.


Kms 16 a 24

Chegando a Monte Bom temos o pequeno-almoço à espera. Abastecimento bem composto, até com sopa quentinha para quem quisesse. Por enquanto dispensei a sopa, mas aproveito para comer algumas tostas e marmelada. Como o abastecimento é à entrada de um estabelecimento, até casas-de-banho temos à disposição, o que é um luxo em provas de trail. Não que eu me acanhe muito de ir à mata, mas este não será um dos percursos mais favoráveis a essa actividade. Muita estrada, muitas localidades, poucos single-tracks pelo meio do arvoredo. Não é a minha paisagem favorita, mas compreende-se pela zona em que se corre. No entanto, é algo que me irá afectar um bocado, como vão notar já de seguida.

Os quilómetros maus



“Raios partam esta estúpida desta subida, até ao estúpido Convento de Mafra com os estúpidos dos carros a passar e montes de gente a atrapalhar nas ruas com esta estúpida música de Natal a tocar” - Este era o meu pensamento enquanto percorria a rua do largo do Convento. Eu que adoro este lugar e ainda mais o ambiente de Natal… Claramente não estava a atravessar um bom momento.

A fase dos 20’s quilómetros é sempre custosa para mim, não sei porquê, é algo que tenho de resolver psicologicamente mas, desta vez, vindo a correr já há algum tempo em estrada e em particular esta, com trânsito considerável àquela hora, estava a derrubar-me. Os meus Salomon pareciam tamancos a bater o asfalto e o peso daquele som marca o compasso deste monólogo mental menos feliz.




Vamos entrar no complexo desportivo e dar algumas voltas lá dentro. Este local já foi palco de uma prova muito querida para mim, o Raide à Tapada de Mafra, mas agora não vejo a hora de sair dali. Quero sair da civilização e refugiar-me em trilhos ermos onde ninguém possa assistir ao meu momento baixo e aguardar que passe, passa sempre. Mas eis que mais à frente avisto veados, ou gamos (era o que dizia a placa) e isso dá-me um novo alento. Quer dizer, quem pode estar em baixo perante a visão de animais fofinhos? É impossível, não é? Tem o mesmo efeito que aquelas imagens com gatinhos bebés que circulam pelo facebook.

Graças a Deus que me distraio com pouco.

E graças aos deuses do trail haver sempre motivos de distração, mesmo nos percursos aparentemente mais “monótonos”. Quando passamos pelo abastecimento líquido à saída do Complexo, o meu humor já é novamente outro.


Kms 25 a 37

Metade já está.



Acho que hoje estou a bater todos os meus recordes em trail. Fazendo já aqui um bocadinho de spoiler, o meu Garmin vai-me abandonar aos 52km de percurso, com 7h50 de prova, e essa é a maior distância que ele já registou. Em Arga abandonou-me mais ou menos com o mesmo tempo, mas muitos menos quilómetros percorridos. No Monte da Lua também. Mas o facto de ser uma prova mais corrível não a torna mais fácil para mim, pelo contrário. Não que tenha grande força nos maiores desníveis, mas sou boa a gerir os momentos de caminhada com corrida, e aqui há pouco disso. Caminhada, entenda-se. Simplesmente não há motivo, as subidas não são assim tão duras nem as descidas assim tão técnicas e o nosso orgulho impele-nos a continuar a correr. Mesmo que, a bem da verdade, o ritmo de corrida mantido não seja muito superior ao de uma caminhada mais enérgica… Mas é uma questão de honra, vocês entendem.




A ascensão ao ponto mais alto do trajecto vai ser feita por volta dos 30 km e foi uma das minhas partes favoritas da prova. A ascensão não era assim tanta (o topo não chegava aos 300 metros de altitude) e o local era bonito. Aproximava-se também a hora de almoço, com restaurante marcado para os 37km, na Aldeia Pequena, e sabia que, chegando lá, isso significava que mais de metade da prova já estava para trás. Foi uma das fases altas da minha corrida. A respiração estava estável e o ritmo em modo cruzeiro, apesar de já começar a notar o cansaço dos músculos, sobretudo a descer. No entanto, isso não me impediu de dar uns pequenos pulinhos de braços no ar para assinalar a passagem dos 33km. Metade já está.


Kms 37 a 49




A Aldeia Pequena era bastante caricata, com aquele ar de aldeia típica do interior que tanto toca o meu coração. O abastecimento estava junto a um miradouro, já com alguns atletas sentados (julgo que para não mais se levantarem) e outros a servirem-se de sopa. Desta vez não resisti. Foi a primeira vez que comi sopa numa prova e não fazia ideia de como me iria afectar ao nível da digestão, mas que se lixe, sempre seria uma desculpa um motivo para ir uns minutos a caminhar, para “não ficar mal disposta”. O voluntários eram todos muito simpáticos, nem parecia que já estavam ali há horas ao frio, à espera que os últimos se despachassem a almoçar, quando já tinham servido o pequeno-almoço aos primeiros. Um deles, na conversa comigo, para me dar força, declara encorajadoramente – "Mais de metade já está, força!" – para depois acrescentar um animador – "mas agora é que vai começar a doer." :) Gostei da honestidade.



Era verdade. Estava a doer. Sobretudo nas descidas. Não conseguia fazê-las a correr e as pessoas que tinha conseguido apanhar começavam agora todas novamente a ultrapassar-me. Nas rectas conseguia retomar a corrida, mas já com reflexos muito lentos. Sabemos que estamos cansados quando vemos pedras e pequenos ramos no caminho para os quais, em qualquer outra situação, não olharíamos duas vezes, nem causariam dificuldades de maior, mas agora olhamos para eles, sabemos que vamos ter de levantar mais os pés, pensamos sobre o acto de levantar os pés... Calma, ainda não… Ainda não… Agora! E tropeçamos na mesma.



Mas ainda há forças para fazer um sorrisinho ao fotógrafo (sempre o mesmo ao longo do percurso?! Ou vamos mesmo muito devagar ou ele conhece bons atalhos), por isso nem tudo está perdido. Podemos estar sem sensibilidade nos membros inferiores de tão doridos que vão mas, se conseguirmos fingir frescura para os fotógrafos, é isso que fica para a posteridade. Se não aprenderem mais nada neste blogue (e não aprendem), fiquem com este importante ensinamento.




Km 49 a 60

No abastecimento líquido improvisado numa carrinha à beira da estrada aproveito para reabastecer, uma vez que o meu depósito de água já ia vazio. Não sentia sede, mas fazia questão de ir sempre a dar pequenos goles. Acho que a minha estratégia de hidratação e alimentação resultou bem, pelo menos não fiquei mal disposta e, juro-vos, foi a prova em que vi mais “restos do almoço digeridos” de outros atletas à beira do percurso (e quando digo "restos do almoço digeridos" é para não dizer vomitado). Agradeço nunca ter tido desses problemas digestivos, não deve ser fácil.




Quando as nossas pernas já vão destroçadas é que o percurso começa a ganhar oscilação. Óptimo. Não que fosse muito pronunciada, mas agora tudo se nota. Até a lama que tanto gosto ganha toneladas presa aos meus ténis. Alguns cursos de água e uma ou outra poça mais profunda ajudam a limpar e a refrescar as pernas. Vou a uns alucinantes 8min/km, ou pelo menos é o que me parece, não sei, acabo por ficar sem gps aos 52km, como já vos tinha dito. Mesmo assim, ultrapasso alguns grupos de homens que vão a andar. Alguns tentam acompanhar-me durante algum tempo mas o meu, repito, alucinante ritmo é demasiado para eles. :) Fico toda vaidosa de ainda conseguir ultrapassar alguém nesta fase e apesar de também já me apetecer muito, muito, muitooooo caminhar, não posso fazê-lo à vista dos espadaúdos atletas que acabei de deixar para trás, como é óbvio. Interiormente, faço uma pequena prece para não embater num muro monumental que me obrigue a ter de pagar o karma desta minha bazófia.



Com a aproximação dos 60km e 7km a mais do que alguma vez tinha corrido, regressamos aos trilhos costeiros, na zona da bonita Foz do Lizandro. Estava já tão cansada, fiquei tão contente de tornar a ver o mar, sinal que a meta estava “próxima”, e a Foz do Lizandro agradece-me assim:



Com uma bonita escadaria antes do derradeiro abastecimento.


Kms 60 a 66

Ou, os 6km mais longos da minha vida.



E agora vocês perguntam-me: "Então, um abastecimento no km60, tão próximo da meta?!" Verdade, lembro-me de quando vi isso no manual, enviado uma semana antes da prova, ter pensado o mesmo.
Ali nem pensei. Peguei num copo de água que me estenderam, agarrei nuns aperitivos salgados e continuei. Ouvi alguém dizer: “Força, faltam só 6km”. 6km... A verdade mais mentirosa que já ouvi.





Nunca nada do que possa escrever vai conseguir transmitir o tamanho que aqueles seis mil metros tiveram para mim. Posso dizer-vos que aqueles quilómetros tiveram o tamanho de uma vida, que perdi a conta aos pensamentos que me vinham em catadupa à mente. Posso dizer-vos que afinal não, não pensei em nada, que aqueles quilómetros tiveram o tamanho do vazio. Sei que, cá fora, as minhas pernas continuavam a mexer-se, em automático, e os meus braços acompanhavam, num movimento ritmado, desesperado, ou eram as pernas que acompanhavam os braços, juntos numa resposta ao grito mudo do corpo que já desistiu de insistir  que eu parasse. E eu, lá dentro, naquele cantinho da mente que descobri aos 60km de uma prova, onde ficamos, seguros, à espera, sem dúvidas, quase como se fossemos o público da nossa própria luta, num filme que já sabemos como termina. A Meta. Demore muito ou demore pouco, estamos ali, abrigados, confortáveis até, no meio do desconforto. E naquele cantinho emocionei-me como nos minutos finais de um filme bonito.

Depois, quando dou por mim, estou a chorar. Sou apanhada de surpresa mas não há que enganar, uma lágrima, depois outra… Oiço o companheiro desta e de todas as corridas perguntar-me porque é que estou a chorar, oiço-me a responder, “não sei”. Sem disfarces, sem piadas, sem resmunguices. Não sei.

Vou ouvi-lo também dizer que já só faltam 2km, mas é impossível, impossível faltar ainda tanto, parece que já estou a correr há tanto tempo. Ou se calhar não, também podia ter começado mesmo agora, não estivesse já o sol que se põe no mar a afirmar o contrário.



Sei que muito tempo depois, ou logo a seguir, vou ouvir uma voz diferente, ampliada por um microfone num anfiteatro de areia e mar, a dizer: “Se são atletas que vêm aí agora a descer as escadas, levantem os braços”. E eu levantei bem alto, ou se calhar já não assim tão alto, mas na minha cabeça sim, levantei bem alto, e desci aquelas escadas a voar, e fiz o sprint para a meta a que aquela voz feminina da speaker nos incitava. “Agora um sprint para a meta, que o público aqui presente vai bater palmas”. Oiço poucas palmas, ou porque o público já é pouco ou porque o meu sprint afinal só foi sprint na minha cabeça. Atrás de mim, os últimos raios de sol são engolidos pelas águas.


A Meta.

Enfiam-me a medalha de finisher pelo pescoço, passam uma máquina pelo meu dorsal e dão-me logo para a mão um talão com a minha prova em números. Que despertar tão abrupto daquele meu cantinho. Agora já estou cá fora e faz frio. Seguimos para o abastecimento, um local quente, comida, o organizador que passa por lá e nos pergunta se correu tudo bem, as dores nos músculos que me dizem que se calhar é melhor não me sentar ali naqueles puffs, mesmo parecendo tão convidativos ao corpo cansado.


O dia seguinte.

Corro por momentos como aquele.

Deitada na cama, naqueles gloriosos segundos depois de despertar, em que ainda não nos tentámos mover na cama e por momentos pensamos que se calhar foi desta, estamos mais fortes, fomos poupados ao famoso empeno do dia seguinte.

Auch. Não.

Faço o rescaldo da prova, a parte logística, inevitável, o que correu bem, não correu… Desta vez não encontro queixas. Nunca me perdi, nas marcações de percurso cheguei a ver pequenos smiles que a Organização deixou para mim (desenhados nas pedras, para todos os atletas, mas é o meu rescaldo, vou dizer que estavam lá para mim, para me dar força nos meus momentos de cabeça baixa), comi o suficiente, inclusive sopa que não me deu a volta ao estômago. Muito estradão, demasiado alcatrão, é verdade, mas já sabia que era isso que ia encontrar. Não foi a prova com o percurso mais bonito em que já estive, nem o tipo de terreno em que mais gosto de correr, mas foi a prova que marcou o meu recorde de distância em 2014, por isso vai ter sempre uma posição especial. Talvez volte. Não sei.

Mas agora, graças a ela, quando me perguntarem porque corro “tanto” (sim, já me perguntaram isso), e quando fizer a rápida lista mental de todos os motivos para escolher um conforme o interlocutor, aqueles últimos seis quilómetros vão surgir destacados na memória. Corro por isso, por momentos como aquele. Quando descobrimos um novo cantinho dentro de nós, onde está guardada toda a força, onde não conseguimos entrar sempre que queremos, mas só o facto de sabermos que existe nos conforta.

Mas isso não vou dizer, só a vocês.

23 de dezembro de 2014

Boas Festas!

No dia seguinte, para além da típica bigorna em cima quando nos tentamos levantar da cama a seguir a uma prova de esforço fora do normal, tinha também dores nos joelhos. Dores novas, que nunca tinha tido. Ademais, doíam-me também os ombros e as costelas, decerto de tanto que dei aos braços na tentativa de manter o ritmo das pernas nos derradeiros quilómetros da Ericeira.
Nesse dia só dei uma ligeira caminhada e, felizmente, ontem já estava muito melhor, tanto do empeno como da constipação.

Até ao final do ano vou tirar umas férias dos treinos. Este tem sido um ano em cheio e vou dar o merecido descanso ao corpo. Deixá-lo preguiçar na letargia, se ele quiser, ou levá-lo a caminhadas e/ou passeios em duas rodas, se ele estiver para aí virado, mas evitar cair na tentação de pôr os pés em ténis de corrida. Acho que uma pequena pausa vai fazer-nos bem e vamos voltar regenerados para os desafios de 2015.

A crónica sobre os 66km da Ericeira Trail Run, minha maior prova até à data, já está em desenvolvimento. No entanto, como provavelmente não terei tempo de a terminar antes das festividades, quero já deixar os meus votos de Boas Festas aos amigos e pessoas espectaculares que lêem este blogue.

Tirada durante um nocturno de Natal.

Quando for velhinha e quiser reviver as crónicas dos meus sonhos realizados (razão pela qual comecei a escrever sobre as minhas provas, para nunca me esquecer), reler os vossos comentários de certeza que me vai fazer rir e emocionar. Almas irmãs na loucura dos quilómetros. Muito obrigada por me acompanharem nestas aventuras.

Feliz Natal!

21 de dezembro de 2014

66 Km

Dia 20 de Dezembro de 2014 corri 66 km. E "correr" é a palavra-chave, já que, ao contrário do que estou habituada, este percurso de trail podia ser corrido na íntegra.
Apesar dos seus apenas 2000 metros de ganho de elevação, para mim foi a prova mais difícil até hoje e que, por cliché que pareça, me ensinou muitas coisas. (Curiosamente, nenhuma dessas coisas foi: "Não tornarás a correr 66km").

Depois volto com o relato completo do que se passa na mente de alguém durante perto de 10 horas de prova. Por enquanto, alguns destaques em lista:
  • Quando a designação de uma corrida é de 60+, isso significa que poderá ser qualquer coisa entre os 61 e os 69 km, foram 66. A partir dos 60, todos os quilómetros ganham uma dimensão enorme.
  • Demorei menos tempo a completar estes 66km do que os 53km de Arga, por exemplo. Mas acreditem que isso não traduz em nada a enormidade da luta que foi para cortar esta meta.
  • Ao início cheguei a estar, se não em último lugar, muito perto disso. Ao contrário do que sempre pensei, não me preocupou.
  • Foi a prova em que menos tempo passei a falar. Segundo quem me acompanha, "isso é bom". Qualquer coisa sobre "apreciar o conforto do silêncio", ou algo do género. Foram muitas horas de contemplação.
  • Entre os kms 50 e 60, praticamente só abri a boca para dizer " 'tou cansada", ou proferir alguma asneira. Não estou orgulhosa disso.
  • Os músculos utilizados nas subidas não são os mesmos das descidas, e esses estão claramente sub-desenvolvidos. Vamos-nos lembrar muito disso quando, a partir de certa altura, tivermos de fazer todas as descidas a caminhar.
  • Nos momentos de maior dificuldade vamos pedir força, em silêncio, para nós. E (acreditamos que) ela chega.
  • A menina que (quase) nunca chora descobriu que é preciso chegar aos 62km de uma corrida para todas as barreiras se desfazerem. Vão-nos perguntar porque estamos a chorar e nós, apanhados de surpresa por esta atitude tão atípica nossa, respondemos com sinceridade: "Não sei". Choramos de cansaço, de emoção, de alegria... Por tudo isso ou nada disso.
  • Terminar a prova na praia, ao pôr-do-sol, vai ser o final de dia perfeito, para um dia de sentimentos à flor da pele.

Peço desculpa pela fraca qualidade da foto.

Ah, e:
  • Correr 66km não vos vai curar da constipação. (Eu sei, quem diria?...)

Ericeira Trail Run. A terceira Ultra desde que decidi perseguir esta aventura em 2014 e a melhor forma de fechar o ano. Entusiasmada para 2015.

18 de dezembro de 2014

A Lei de Murphy é fo...lixada

- Meses a resistir estoicamente ao Ar Condicionado e respectivas variações térmicas no local de trabalho, enfrentando salas com simulação de polar ártico (se forem os homens a regular a temperatura) ou trópicos (se forem as mulheres), várias vezes ao dia…

- Semanas a resistir valentemente aos treinos ao vento, chuva, frio, com gorro, sem gorro, com orelhas geladas, sem orelhas, pés molhados, trocas de roupa apressadas com a bagageira do carro aberta…

- Resistir heroicamente a todos os espirros, fungadelas e respectivos germes que faziam um cerco cada vez mais apertado entre familiares, amigos e colegas de trabalho…

… Para agora, a poucos dias de uma prova importante, acordar constipada. Constipada! Com direito a voz fanhosa e ar de quem não dorme há dois dias.

Aceitam-se sugestões de mezinhas milagrosas que acelerem o processo de cura. Chás, unguentos, aqueles tratamentos antigos sem qualquer fundamento científico mas que as nossas avós juram que sim, que funciona, e, vá-se lá saber, placebo ou não, a maioria das vezes funciona mesmo. Respirar vapores de essência de eucalipto, dormir com uma cabeça de alhos na cabeceira da cama, dar três voltas descalça ao pé-coxinho à volta do pinheiro de Natal ao mesmo tempo que canto sucessos de José Cid... Estou por tudo. (Ok, se calhar o limite está nas músicas de José Cid).

Apesar do tom de brincadeira, entendam que é um assunto sério. Ajudem esta amiga fanhosa que queria muito terminar o ano a correr, inspirando pelo nariz e expirando pela boca, como mandam as regras da actividade física, sem parecer uma locomotiva a perder o vapor. Please…



15 de dezembro de 2014

Como prosperar nas subidas

Tentar com que todos os longos de fim-de-semana tenham pelo menos 1000 metros de ganho de acumulado.



Treinar escadas.



Treinar “escalada”.



Treinar as subidas ligeiras mas intermináveis.



Inclusive, de tempos a tempos, por descargo de consciência, fazer algum reforço muscular.

No entanto, depois de meses nisto, continuarem em toda e qualquer corrida a interrogarem-se porque é que raios as subidas continuam a custar tanto e se já não era suposto estarem uma mistura entre João Garcia, Sá, Jornet, Forsberg, Frost e lince-ibérico (os linces-ibéricos são ágeis a subir e descer montes, não são?)

Até que um dia, a meio de uma subida, vão ouvir um familiar roçagar por entre as ervas… Não vão olhar para comprovar, mas sabem o que aquele som característico significa: uma (erghhhh…) cobra (ewhhargh…)

Nesse dia, não vão saber se foi de todo o treino, se das escadas, se das rochas, se da meia dúzia de agachamentos que fizeram em dois meses. Nesse dia, vão voar subida acima e, apesar de não terem como provar, bater todos os recordes de velocidade humanamente possíveis.
Se calhar já se está a dar a mutação genética. Ou se calhar foi só da adrenalina do susto. De qualquer forma, é só aparecer uma cobra em todas as subidas nas provas daqui para a frente, e o trail nacional vai conhecer uma nova campeã.

O meu coração é que não vai aguentar muito tempo.

12 de dezembro de 2014

(Ainda) as Montanhas

Ontem foi o Dia Internacional das Montanhas. Devido a motivos de trabalho não tenho conseguido actualizar o blogue com mais frequência, mas não podia deixar de fazer referência a este dia. Afinal, a montanha é um dos meus grandes amores. Um amor colectivo, que reúne várias paixões individuais. Nomeadamente estas duas*:




(Ok, se calhar chamar “montanha” à Serra de Sintra é demasiado, mas o que perde em altura e imponência ganha em encanto.)


Fez também dois anos que ganhei um companheiro de corridas que julgava para a vida. A nossa primeira corrida juntos foi a Maratona de Lisboa por Estafetas, em 2012, e, desde então, já percorremos 3,725.65 km. Estou a falar do meu Garmin 410.
Mais de 400 horas de corrida, com 62,620 metros de ganho de elevação, o que daria para subir 31 vezes a minha Serra da Estrela e 118 a minha Serra de Sintra (e muito desse acumulado foi ganho, precisamente, a subir esta última).
Desde que comecei a perder o terror de andar de bicicleta, tornou-se também meu companheiro de passeios, tendo nós já percorrido um bonito total de 636.80km sobre duas rodas.

Têm sido quilómetros felizes, mas agora, como sabem, ando à procura de um companheiro mais resistente para me acompanhar em expedições maiores. Este tem-se aguentado estoicamente até às 8 horas de acção ininterruptas, o que se tem revelado insuficiente nas provas mais longas. Não será trocado, mas terá de ser preterido nos sonhos de montanha. E esses, também como sabem, são muitos.
Por isso, feliz Dia Internacional das Montanhas (atrasado)! Por enquanto, todas as minhas paixões têm sido Nacionais (o que é bom), mas gostava de ter um affair Internacional. Vamos ver se em 2015 se proporciona...

Citando William Blake:

“Great things are done when men and mountains meet”.

E, peço desculpa aos leitores masculinos, mas coisas ainda maiores são possíveis quando esse “Homem” é uma mulher. :)


Bom fim-de-semana!


*PS: Um beijinho também muito grande à singular Serra d’Arga e à belíssima Serra da Lousã, em nome dos nossos encontros esporádicos mas intensos. Para o ano, mesmo dia (mais dia, menos dia), mesmo local.

4 de dezembro de 2014

Treinos semanais

- Já sabemos que ao fim-de-semana te perdes horas e horas por essas serras afora, então e durante a semana?

Durante a semana existe ali um espaço temporal de cerca de 30 minutos, a partir do momento em que chego a casa, para mudar de roupa, comer qualquer coisa à pressa e sair de casa para treinar. Porque se não agir dentro desse tempo o treino já não acontece. Ou porque estou cansada, ou porque tenho coisas para fazer em casa, ou porque fica muito tarde e a partir de certa hora já não me sinto confortável a correr sozinha na rua, apesar de viver numa zona relativamente segura e frequentada por adeptos da corrida.

A boa notícia é que tenho vindo a ficar bastante boa a agir dentro desse espaço de tempo e tenho conseguido manter uma rotina de cerca de três treinos semanais. Claro que a disponibilidade temporária é limitada. Com sorte consigo correr por volta de 1 hora, o que para muitos de vocês daria para fazer 12 ou 13km à vontade, para mim dá ali por volta dos 8 ou 10km. Na época de Verão, quando à mesma hora ainda era de dia, incluía uma sessão de alongamentos ao ar livre, mas agora, a acontecer, já é em casa e depois do duche.

Ou seja, não dá para fazer muitos quilómetros durante a semana, para além de, ao fim do dia, nem me apetecer ouvir falar de treinos de velocidade, séries, e outras coisas do demo semelhantes! As minhas corridas semanais são de relaxamento, a descansar a cabeça do trabalho ou então a “preparar” matéria para o dia seguinte. Como tenho dois ou três percursos já delineados vou alternando entre eles e nem preciso de me preocupar onde “vou virar a seguir”.

Por vezes, à sexta-feira, vario o local de treino, o que é bom para alterar esta rotina e melhor ainda se incluir algumas rampas, já que raramente faço “repetições” de livre vontade.

Como podem ver, não sou muito disciplinada. Gosto de correr, por isso corro, e faço questão que seja parte do meu dia-a-dia. Mas depois para seguir um plano de treinos específico… Só sou mesmo fiel aos longos de fim-de-semana.

Para ilustrar o texto, fiquem agora com algumas imagens captadas durante os últimos treinos semanais (todas muito escuras, por sinal):

As luzes à beira-rio.
O Natal e as Palmeiras
Eu compreendo, também me sinto assim em alguns treinos...
Ainda o Outono.
Iluminações.
A Vila Encantada.

Para o ano, com objectivos (ainda) maiores, gostava de ter disciplina para fazer algum trabalho mais específico, e nada como sonhos desafiantes para nos dar essa motivação. Por enquanto, espero terminar 2014 como começou: passos lentos, de quem quer apreciar cada etapa da viagem.

Por falar nisso, já é Natal cá em casa:



Este ano, o destaque é para a medalha de finisher do Ultra Trail Monte da Lua. A Ultra. A primeira. Uma das minhas corridas mais bonitas até ao momento, em que me saí muito melhor do que podia alguma vez prever, e a prova de que devagar se vai mesmo ao longe.

E vocês, que tal a vossa disciplina nos treinos semanais? Dias certos? Quando dá? Exercícios específicos ou ao sabor do vento?

2 de dezembro de 2014

Kms do mês de Novembro: o privilégio de treinos longos

Contagens do mês de Novembro

- Distância:   195.43 km 
   . em estrada: 80,28
   . em trilhos: 115.15
- Horas a correr: 27:39
- Ganho de elevação total: 4777 metros

- Quilómetros a pedalar: 27.8 (2 actividades)

Distância total: 2134.15 km (Janeiro a Novembro)

O ano quase a terminar e a marca dos 2000 km ultrapassada. Dá uma média de cerca de 200km/mês o que, se formos a ver, para quem se tinha proposto o objectivo de concluir a sua primeira Ultra, não é muito. Mas tem sido o suficiente para uma viagem agradável e sem percalços. Entretanto, com duas Ultras (oficiais) concluídas até agora, será que fico por aqui em 2014? :)

Em Novembro participei em duas provas, Trilhos de Casaínhos, uma estreia, e o Trail do Zêzere, pela segunda vez, mas aumentando ligeiramente a distância. No entremeio das provas tive os habituais treinos dominicais por trilhos, variando entre aqueles de recuperação activa e os puxadotes (às vezes a fronteira não é muito linear...). Engraçado ver que apesar de fazer muito mais treinos em estrada (treinos semanais), os quilómetros totais em trilhos são quase sempre superiores. Isto porque uma pessoa saí para correr ao Domingo de manhã e só volta passado 4 ou 5 horas. Tenho noção de que é um luxo poder perder-me na Serra e Natureza durante tanto tempo, por isso é aproveitar enquanto posso.

Uma foto de uma paisagem bonita para melhor visualização do privilégio.

Este último fim-de-semana foi a vez de um "treino puxadote". Por algumas razões tinha definido a distância de 30km, com o percurso a ser improvisado consoante a vontade. E se era puxadote que queria, foi puxadote que tive!



Com um ganho de elevação de cerca de 1100 metros (2200 acumulado), as minhas pernas começaram a mandriar por volta dos 22km. Sei que em provas também me acontece o mesmo, por isso foi um bom teste à minha determinação. Concluí com 30km, como queria, mas já não me lembrava de ter terminado um treino tão estoirada há muito tempo!

Mas vale sempre a pena porque:


E:




E agora, no seguimento do post sobre os géis Myprotein, quem vai ter oportunidade de experimentar o ENER:GEL é:





Pedro, vais ser contactado por email para combinarmos o envio. Obrigada a todos pela participação!


27 de novembro de 2014

Ode à chuva

Vais sair para correr com esta chuva??! - perguntam-nos entre o incrédulo e o "só podes estar doida".
Chuva civil não molha atleta. - respondemos presunçosamente, e fechamos a porta antes que a outra pessoa tenha tempo de dar resposta.



Não é segredo nenhum que gosto de correr à chuva, já o disse várias vezes por aqui. Gosto. A comunhão com os elementos é mais plena na chuva. Não se vê quase ninguém nas ruas que de outra forma estariam cheias. Somos só nós e a chuva que domina todos os sentidos. O ar que se inspira é fresco, regenerador. O olhar vai atentos às poças, que evitamos a início e já não queremos saber depois. O som da chuva que cai nas folhas das árvores e bate na calçada, no asfalto, na terra, apenas é interrompido pelo chapinhar das passadas. Sentimos as gotas frias que escorrem pela pele, em especial aquelas que fintam a gola no pescoço e nos arrepiam as costas e, em momentos particularmente felizes, voltamos a cabeça para cima para a água nos bater na cara e beijar os lábios.

Para além da poesia, sejamos práticos, correr à chuva é o acto que consolida o nosso estatuto de amantes da corrida. O que distingue os duros dos fracos. Aqueles que vão colocar o relógio-gps no pulso, erguer o braço e dizer: "A chuva pode obrigar-nos a fazer mais duas ou três máquinas de roupa por semana e a surripiar jornais Dicas da Semana de caixas de correio alheias para ajudar a secar os ténis, mas nunca nos vai tirar a nossa liberdadeeee". (Momento de inspiração Braveheart).
Toda a gente gosta de correr num bonito dia de sol com temperatura amena e passarinhos a cantar, mas enfrentar o desconforto, os pés molhados, a insensibilidade do nariz e orelhas geladas e a roupa ensopada, já exige um outro tipo de fibra. Se a corrida fosse um jogo, os quilómetros à chuva contavam a dobrar na pontuação final.

O expoente máximo da experiência é sair de casa quando está a chover. Sair para correr e ser apanhado de surpresa pela chuva é desagradável, mas já estamos cansados e a chuva até pode ser bem-vinda. Agora, sair para correr quando lá fora já chove e saber que em menos de um minuto as nossas roupas sequinhas vão estar todas encharcadas sem passarem primeiro pela humidade da nossa transpiração, isso, meus amigos, é um outro nível ao qual apenas os mais bravos acedem. Se correr à chuva dobra o valor dos quilómetros num hipotético jogo de corrida virtual, sair de casa e enfrentar molha certa e imediata é o equivalente a um nível bónus, daqueles acima das nuvens, em que saltamos rochas e apanhamos barras e géis energéticos para ganhar pontos e ainda uma vida extra se conseguirmos salvar o par de ténis que está enclausurado na torre antes do tempo se esgotar.

Posto isto, quem é que foi a pessoa que saiu para enfrentar orgulhosamente a chuva na terça-feira da semana passada, quem foi?
Não fui eu. Estava frio. Fraquejei...


Mas no longuinho de Domingo só os dois primeiros minutos foram passados a seco. Mais de 3 horas de corrida em comunhão plena com a natureza e particularmente íntima com a chuva. Nem a roupa interior escapou.

Sabem onde é muito bom correr com chuva? Na praia.


E no campo.


E agora umas fotos fortuitas de cogumelos, só para saberem que estão no blogue certo:



Perspectiva.

É desta forma que uma manhã passa num instante e, tirando o desconforto inicial, quase nos esquecemos que está a chover. Foram 22km num fantástico nível de bónus, estou abastecida de créditos para os próximos treinos.

E vocês, correr à chuva, yay ou nay?