11 de abril de 2014

Trilhos do Almourol

Subtítulo: A história de uma estreia em trails de grande distância, que se tivesse sido melhor estragava.


Enquanto observava paisagens como esta, através da janela da camioneta que nos transportava nesse momento até Martinchel, localidade onde iria ter início a prova da Maratona, pensava para comigo porque é que raio me haveria de ter dado para isto das corridas. Podia ter-me dedicado à pintura, sempre relaxava um bocado... Ou podia ter aprendido a fazer tricô, e aproveitar as horas vagas para fazer uns cachecóis e gorros para oferecer no Natal... Mas não. Eram 9h da manhã, a corrida começava às 10h, mas eu já estava a pé desde as 5h30, com uma viagem de mais de 100km de carro feita e com (na altura ainda não sabia, mas mais de) 42km para fazer a correr, de regresso ao Pavilhão Municipal do Entroncamento, de onde a camioneta tinha partido. E, deixem-me que vos diga, percorrer de transporte os quilómetros que depois sabem que terão de retornar a pé, é logo um teste mental a ser superado ainda antes de terem aquecido as pernas.

Olho em volta. Curiosamente, na camioneta em que sigo sou a única rapariga. Todos os outros ocupantes são homens de barba rija e, aos meus olhos, todos muito mais atletas e preparados para estas aventuras do que eu (porque estas coisas percebem-se olhando apenas para o ar da pessoa, claro...). Sinto aquele nervoso miudinho,  a insegurança do desconhecido, mas também, e acima de tudo, entusiasmo.


A linha da partida será a entrada do Parque de Campismo de Castelo do Bode. Ou, talvez seja mais correcto dizer, a saída. O controlo 0 foi feito assim que os atletas entraram no parque, onde ficavam a aguardar até à hora indicada. Enquanto aguardava, deu para ficar com a ideia de que se tratava de um local bonito e pacífico, às portas da barragem, ideal para um fim-de-semana mais calmo. Um fim-de-semana em que não tenham de voltar para o Entroncamento a literalmente correr, portanto.


Deixem-me já despachar esta parte: este trail foi muito bonito. Aliás, acho que entrou para o top 3 dos trilhos mais bonitos em que corri, e olhem que a concorrência é feroz. No entanto, como irão entender já de seguida, quem foi na ideia de tratar-se de um trail rolante, foi ao engano. Verdade que não foi dos que teve mais subidas complicadas, ou dos mais técnicos, mas parece que alteraram o percurso relativamente a edições anteriores e pelo menos os primeiros 15km não permitiram grandes embalos. Foi um sobre e desce constante em single-tracks à beira do rio, que exigia cuidados e provocou algum engarrafamento. Mas já estou a adiantar-me.

10horas: o speaker faz a contagem decrescente e os cerca de 300 atletas cruzam os portões do parque ao som do "2... 1... Vão!".


Os primeiros quilómetros


O percurso começa sempre a descer. Eu começo sempre a travar. Acho que nunca fiz nenhuma prova em que fosse seguida tão de perto pelo carro-vassoura. Tenho medo de me deixar entusiasmar e pagar com juros de empeno mais tarde. Mesmo assim, os primeiros três quilómetros, distância que levou até chegarmos junto ao caudal do rio, são feitos a uma velocidade "louca" para trilhos e, sobretudo, para trilhos em que vou correr pela primeira vez mais de 30km. Não deveria estar a fazer quilómetros na casa dos 5minutos, mesmo sendo a descer. Também não deveria estar sempre a olhar para o relógio, mas não consegui controlar (lá mais para a frente da prova esta mania passa-me).

O que vale é que, para compensar, o km4 vai demorar mais que os três primeiros todos juntos. Ai estavas preocupada por estares a começar demasiado rápido? Toma lá um travão de 26min/km!


E outro de 16min/km.


Estes engarrafamentos são habituais em provas de trail, sobretudo mais cá para a cauda do pelotão, ou a "liga dos últimos", como eu a chamo, na qual me incluo e designo com carinho. Geralmente são provocados pela passagem em algum local mais perigoso, neste caso tratava-se da primeira subida com auxílio de corda, das várias que encontraremos ao longo do percurso. Estas pausas só são chatas porque, neste caso, ainda mal tendo aquecido, fomos obrigados a parar. De resto, é sempre tempo útil para tirar fotografias e pôr a conversa em dia. Se há prova em que o tempo de introspecção em natureza é pontuado harmoniosamente por momentos de companheirismo, é uma prova de trilhos.


Ainda não disse, mas nesta minha estreia contei com a companhia do meu amigo Artur. O Artur é uma pessoa que poderia perfeitamente ter despachado esta prova na casa das 5 horas, logo, estão a ver a paciência que foi exigida da sua parte e a pressão (auto-imposta) que existia da minha. Não quero ser spoiler, mas demorei um bocadiiiinho mais do que 5horas a fazer a prova...


O carrossel

As fotos seguintes resumem bem o que foi esta primeira parte da prova. Ora estávamos a descer para o rio, ora estávamos a subir do rio.




 


Gostei especialmente destes troços de escalada assistida por corda. Ao bom espírito da tropa, nenhum homem era deixado para trás. Quem acabava de subir ficava para estender a mão ao seguinte, enquanto cá em baixo alguém ficava a estabilizar a corda.



É certo que é um método em que as pessoas acabam por perder muito tempo, mas é uma entreajuda espectacular. (Caso se estejam a questionar: não, não fiquei a segurar a corda para ninguém, mal seria da integridade física dessa pessoa! Mas dei apoio moral... :))


Basicamente, posso dizer que até cerca do km20 tudo correu bem. A paisagem era bonita, os carreiros eram caricatos, mas começava a perguntar-me até quando iria aguentar esta versão "rolante". Entretanto, ia aproveitando o momento.



Passámos por vários trilhos, todos devidamente identificados.
Por enquanto ainda dava para evitar molhar os pés...
Paisagem com toques de sudeste asiático, em Almourol.

Até que, à passagem do terceiro abastecimento....


Os quilómetros negros



Depois do abastecimento acima, caí a pique. Eu não sou daquele tipo de corredores que começam a ficar sem energia, aos poucos, que se dão conta de "epá, estou a ficar cansadito..." Não. Eu estou muito bem no topo do mundo e depois, de repente, quando me apercebo, já caí dentro de um poço negro e profundo de cansaço e lástima. Foi o que aconteceu.

Pouco depois do abastecimento tive de parar para apertar os atacadores e, quando levantei a cabeça, tive uma ligeira quebra de tensão. Fiquei a ver estrelinhas durante um bocado, e não sei se terá sido isso a despoletar o que se seguiu.

Sei que o facto de o sol estar a pique (já passava da uma da tarde) e de se seguir uma recta interminável junto aos carris, também não ajudou.


Não era que me sentisse farta, longe disso, nem que duvidasse que seria capaz de terminar a prova, mas comecei a achar que se não saísse rapidamente deste buraco, ainda com metade da prova por fazer, ia ser uma experiência muito sofrível.

Um cenário lindo que nem apreciei com a atenção devida.

Foram tentados vários métodos de socorro. Tentaram distrair-me com karaokes improvisados, com conversas sobre temas de meu interesse, críticas a filmes, referências à série Game of Thrones em geral e à personagem Jon Snow em particular... Mas mesmo assim não resultou. Quando estou a lutar contra os meus demónios internos agradeço toda a distracção possível, mas o máximo que vão ouvir da minha parte são resmungos e grunhidos indistintos.


Nesta parte só abria praticamente a boca para dizer: "SUBIDA"! SUBIDA era o meu código para "vamos parar de correr que estou cansada". Como o próprio nome indica, só deveria ser utilizado efectivamente em subidas de dificuldade média/alta, que sentisse necessidade de fazer a andar. No entanto, usei e abusei deste código, inclusive para "subidas" com d+ de 20 centímetros e não tenho vergonha de o admitir. Recordo-vos que estava no fundo do poço, tenho desculpa. :)


O abastecimento do km28 chegou na hora certa. Permitiu fazer uma pequena pausa à sombra e repetir o menu: 1 bocado de banana + 1 (ou 2 ou 3) gomos de laraja + batatas fritas de pacote. A verdade é que nunca tenho muita fome durante as provas e quase que tenho de me obrigar a ingerir qualquer coisa. Estes alimentos, nesta exacta sequência, eram o que entrava.
Neste local em particular houve vários atletas a desistir. Muitos não estavam à espera da alteração do percurso relativamente a anos anteriores e tinham gasto demasiado energia antes de tempo (nas suas palavras). Acho que o facto de eu achar que, por comparação, não me sentia assim tão mal (desistir nunca me passou pela cabeça) deu-me alguma moral, porque daí para a frente as coisas vão ser sempre a melhorar.

A ressureição

O ponto de viragem deu-se exactamente ao km30. Não me perguntem porquê mas, mesmo tendo começado esta prova determinada a concluí-la e com a ideia de que só desistiria se tivesse algum problema grave, o km30 foi o momento em que tive a certeza de que ia conseguir terminar. Foi a 12km do final que ganhei uma confiança inabalável, vinda não sei de onde, e soube que os 42km de Almourol seriam meus. É estranho, já que nunca tinha feito mais do que a distância de 30km e dali para a frente seria terreno desconhecido... Mas a mente tinha alcançado a meta e agora era só o corpo ir atrás. Dali para a frente, como que para compensar-me dos quilómetros de purgatório, vou experienciar uma resistência fantástica. Sentia-me bem e constantemente surpreendida por isso.

Tanto nas partes mais técnicas...


Como nas partes mais rolantes...


Vemos atletas que eram só formiguinhas distantes a ficarem cada vez mais perto, e a prova deixa de ser tão solitária. Estava toda contente por conseguir recuperar lugares na classificação, nem que fosse da posição 373º para o 354º, não interessava! Sentia-me inebriada por esta experiência nova de confiança imparável, e no meu campeonato pessoal já era vencedora.

Estes últimos quilómetros vão também distinguir-se pelos vários cursos de água que vamos ter de atravessar, nomeadamente em alguns túneis como este:


E outros como este:

Sim, o caminho é por ali! Adentro!

Eu sei o que o túnel acima faz lembrar... Mas a sério que não foi assim tão mau. No entanto, o senhor que disse que a água ali nos dava pelos joelhos devia ter as pernas muito altas, porque molhei as pernas bem acima dos joelhos, e fiquemo-nos por aí. :)

Eu gosto bastante destas aventuras aquáticas, apesar delas também significarem muita lama, o que atrasou a progressão nos quilómetros finais. Até ao km37 formámos um pequeno grupo de ritmo consistente com outras duas raparigas e um homem, mas houve ali uma altura em que comecei a sentir que algo não estava bem com a minha unha do pé esquerdo (update daqui a uns dias) e, além disso, as descidas já começavam a custar-me mais do que as subidas, porque sentia as plantas dos pés a queimar contra o terreno pedregoso. Então o que é que eu fiz, abrandei? Claro que não! Se estava com dores, tinha de terminar a prova mais depressa, pois está claro!

A raiva como impulsionadora final

Já não me lembro, mas acho que de repente, do nada, desabafei qualquer coisa em voz alta como: "estou farta, fartaaaaa destas descidas em pedra, raios parta mais aos pés!" (ou algo eloquente do género) e larguei a correr acelerada por ali abaixo. De certeza que as pessoas que assistiram a isto devem ter pensado que tinha ficado maluquinha - "olha, agora é que esta pensa que vai ganhar a prova..." - mas nesta fase estava mais do que decidida a terminar. Sentia-me bem a nível de respiração e pernas, mas os pés já começavam a incomodar-me.

Mais uma fotografia de uma paisagem feia, feia... :)

No último abastecimento, quando o gps já contava mais de 40km, foi-nos indicado que ainda faltariam cerca de 4 km para o final. Realmente, a indicação era de que o último abastecimento seria aos 38km, mas o meu gps já contava mais de 40km, o do Artur também e, pelos vistos, o de várias pessoas que se queixaram também.

Quando ao toque dos 42km estava ainda rodeada de árvores num single-track, sem avistar sinais de civilização, a raiva continuou a motivar-me. Os pés queixavam-se, a mochila já estava a criar um raspão na zona do pescoço, mas nem que tivesse de fazer 44 ou 45km, tinha de concluir esta Maratona! Sentia-me picada pelas passagens de lama, que testavam o meu equílibrio. Sentia-me desafiada pelas últimas subidas, como se quisessem verificar se ainda havia força disponível nas minhas coxas. Sentia-me gozada pela organização, que nos fez atravessar no último quilómetro o Parque do Bonito, realmente de fazer jus ao nome, quando já não queria saber e só via a meta à frente.

A redenção

Depois, senti-me apoiada naqueles últimos 600 metros, quando vi o Pavilhão Municipal (aaaleluia!) e sabia que, estivesse ele 2km mais à frente, não teria parado de correr na mesma. Levou 8h, poderia ter levado mais. Foram 44km, mas podiam ter sido 48km. Naquele dia, ninguém me tirava a Maratona.

Quando entrei no pavilhão, fui recebida com aplausos como se fosse a primeira. Inclusive, tive um senhor sorridente e simpático a colocar-me a medalha ao peito, qual medalhada olímpica. A organização esteve impecável ao longo de toda a prova (até com o bónus de 2km grátis que ofereceu aos atletas ihih), mas este miminho final fez a diferença em relação a muitas. Aqui, tenho a certeza de que até ao último atleta houve gente a apoiar.



E foi assim, a história dos meus primeiros 42km (+2) em trilhos. Não foi perfeito, mas foi fantástico. Tenho a noção de que fui uma sortuda por ter tido esta primeira experiência tão positiva em grandes distâncias. Isso até me deixa com sentimentos dúbios em relação à próxima (porque CLARO que vai haver próxima!)... Qual é a probabilidade de fazer uma outra provas destas e terminar cansada, óbvio, mas praticamente sem dores, de respiração normalizada, e ainda a sentir-me com energia de reserva? Muito baixas!

Por agora, vou apenas aproveitar a nuvem de endorfinas na qual me encontro a flutuar desde domingo passado. Sim, ainda dura! Agora consigo perceber o porquê do pessoal ficar viciado nisto das longas distâncias.

Obrigada pelo apoio de quem esteve lá e de quem mandou uma energia extra. Se pudesse, partilhava as endorfinas com vocês. Espero que um bocadinho desta felicidade também aí chegue.

Almourol 2015, vemo-nos por lá?


35 comentários:

  1. Bonito relato! Parabéns por mais uma "marca no revolver"

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  2. Muitos parabéns pela prova e por mais um excelente relato. Claro desta vez sou parcial porque também por lá passei e também foi a minha estreia em trails longos.
    Adorei a forma como descreveste a passagem pelo Parque do Bonito...
    Só fiquei com um dúvida, havia lama? :P
    Bjnhs e até à próxima!

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  3. Sam: Obrigada! Bjs, bons treinos.

    Rui: Aquele parque foi do bonito, foi. ;) Sim, parece que houve um bocadinho de lama! :) Bjs e fico a aguardar o teu relato.

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  4. Estás de PARABÈNS!!!! :D
    Belíssima prova :D
    E grande atleta que me saíste :D

    O relato está excelente mas isso já é hábito por estas bandas...

    Ouvi próxima?!?!?! Estou ansiosa por saber ehehhe

    Beijinhos enormes e goza bem esta onde de felicidade :D

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  5. Antes de mais parabéns por teres conseguido concluir a prova.
    Já te disse que adoro os teus relatos? Davam um livro fantástico... Beijo

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  6. Piolha: Obrigada. :) Sim, próxima! Só que agora estou com medo de estragar! lol Deixa-me ficar a pensar que vão correr todas assim tão bem durante mais uns tempos... :D
    Beijinhos

    LiS: Obrigada! Muito simpática. :) Uns davam uns livros de terror (infelizmente) e outros de contos de fadas, como foi o caso. Ihih ;) Beijinhos

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  7. Espetáculo!!!! Muitos PARABÉNS!!!

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  8. Obrigada Ricardo. :) Uma cura de lama destas fazia bem à tua recuperação... ;)

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  9. GRANDE Rute...prova espectacular...muitos parabéns. Nunca duvidei, em condições normais acabavas aquilo, mas nunca pensei que numa primeira aventura do género o fizesses tão bem...fantástico! E o teu texto....lindo como sempre. Tás uma máquina...isto foi só o inicio de muitas, longas e grandes aventuras.
    Beijinhos e boa recuperação

    P.S. 1 - agora é aproveitar a motivação (e o treino) e fazer já a inscrição na próxima
    P.S. 2 - aturar o Artur durante tantas horas é dose...é como correr um Ultra :D

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  10. Espectacular, Rute! 8 horas?! Impressionante, de facto. Quando leio 42 kms, parece que já estou mais habituada mas quando penso que uma maratona trail pode levar 8 horas... Impõe respeito.
    Muitos Parabéns! Pela coragem, pela experiência, pelo texto, pelas fotos...
    Beijinhos.

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  11. Carlos: Obrigada. :) Espero que tenha sido um início auspicioso de aventuras maiores.
    Beijinhos
    PS: Eu queria aproveitar o treino, mas acho que agora fiquei mal habituada e tenho medo... lol :D
    PS2: Tens razão. Acho que afinal demorei muito menos tempo, mas *pareceram-me* 8horas, deve ter sido disso... ;) Estou a brincar, foi uma boa ajuda.

    Sofia: Eu levei 8horas porque sou lentinha, mas acho que a média deve ter andado nas 6h30. Não é fácil, mas é uma experiência-espectáculo. É uma vida naquelas 8horas.
    Obrigada, beijinhos!

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  12. Que paisagens espetaculares :) E levou 8h? Um dia inteiro de trabalho :)
    Parece ser giro, apesar de cansativo mas aquele túnel ali deixou-me na dúvida xD
    Beijinho e bom fim-de-semana!

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  13. Espectáculo de prova! Que paisagens... Excelente texto! Muitos, mas muitos parabéns...

    Ai mas isto é assim? Ai Deuses onde é que eu me fui meter?!?!?! Acho que estou a sentir dores musculares só de ler...

    Daqui a uns dias falamos...

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  14. Lady V: 8h - um dia inteiro de diversão! :) Beijinhos e bom fds!

    Zémi: Obrigada. É melhor/pior do que parece. Vais adorar/detestar e depois não vais querer outra coisa. :)

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  15. MUITOS PARABÉNS Rute!

    Excelente relato, como sempre, e essas variações de humor são bem típicas numa prova com essa duração.

    E sim, vais sentir durante muito tempo essas endorfinas e essa recordação vai ficar colada a ti para sempre.

    Beijinhos ultra-maratonista! (foi mais que Maratona!)

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  16. Rute,

    Afinal pagas a inscrição para correres e ainda andas de camioneta? Viva o luxo!

    Não nascemos todos para fazer as mesmas coisas. Eu nem tenho jeito para o crochet, nem para as corridas!

    Podes sempre deixar crescer o "bigode" já que a barba é mais díficil... Naaahhhh, não queiras isso! só deves de estar orgulhosa de ser a única menina na camioneta.

    Os 8kms (entre os 20 e 28) foram sofridos, mas não podia ser tudo fácil não é?

    Batatas fritas de pacote no abastecimento? Nunca me tinha passado pela cabeça que metiam lá isso! Talvez o sal fosse bom para aumentar a tensão.

    A "ressurreição"?? - até parece que estás a fazer a Via Sacra!?!...ou não estivéssemos nós na Páscoa!

    Eu não passava esse segundo túnel!! Começo a panicar com espaços muito baixos e pequenos.

    Ri-me com a tua tiragem de "maluquinha" :)
    ...eu ia imaginar o mesmo que as outras pessoas!

    Oh pah! Ainda bem que a experiência foi claramente positiva (dizem que a primeira vez é sempre marcante... :))
    Para as próximas provas, já vais com a consciência de que poderá não ser tão bom, mas ao mesmo tempo já sabes que pode ser bom e tentar superar isso.

    A tua energia já chegou aqui!!Espero que se aguente até 4ª quando me estiverem a gritar "Força, força, faz força!!" :) Vou-me lembrar da tua nessa altura!

    As melhoras para a unha do pé!

    Beijinhos grandes e bom fds!

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  17. João: Obrigada! Sim, vive-se muito numa prova desta duração, o bom e o mau. Mas o pós-meta tem sido espectacular, e até tive a sorte de não ficar com um empeno muito grande! :) Muito contente! :) Beijinhos

    Lulu: A camioneta só estava paga de ida, a volta teve de ser a pé! ;) Tu, que conheces os meus traços faciais, achas que um bigode me favorecia? :P
    Sim, usa-se muito as batatas fritas e outros aperitivos salgados, exactamente por causa de repor os níveis de sódio. Foi a única razão porque as comi, porque essas coisas nunca me sabem bem quando corro.
    Eu assustei-me com este túnel porque, como não vês o fundo, aquilo parecia-me que ia ficar com água até ao pescoço! Mas foi só um *bocadinho* acima dos joelhos. :)
    Fico contente por ter tido uma boa primeira vez, que vou lembrar para sempre! :D
    Já está marcado para 4ª?!! Vou-me lembrar de ti e mandar boas energias, agora é a minha vez! ;)
    Beijinhos grandes

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  18. Que bela corrida...parabéns :)

    http://entretralhasepanelas.blogspot.pt
    http://www.facebook.com/entretralhasepanelas

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  19. Custou assim tanto? Pfff.
    Estou a falar do relato;)
    Parabéns!
    Por teres feito a Tua Maratona, por a teres feito da maneira que fizeste e, embora sem saber a data certa, pelo teu Aniversário ;)
    Parece que esta prova foi uma boa prenda:)
    Olha...muito bom, estou a falar do relato, do que descreveste, do trail.
    Eu li o relato deste Trail há uns anos e não me apercebi do rolante mas...como ja escrevi eu não percebo nada disto;)
    Tenho mesmo pena que tenham acertado exactamente com o aniversário do meu pequeno, assim foi de todo impossivel.
    2015:)
    Desculpa ter ajudado a pôr pressão no relato mas, Menina, isto de ter leitores assíduos dá nisto :)
    Tem dado para perceber que o caminho para esta Maratona foi feliz, que foste muito feliz nesta prova.
    Seja aquilo que for ou como for que o estas a fazer...olha,...continua;) !
    Interessante como quase dizes que se fosse melhor estragava, mesmo com as tuas horas negras.
    É nestas alturas que a companhia, o companheirismo ajuda, mesmo que os ouvidos sofram:)
    O limite não eram 7 horas e meia?
    Já agora, a Menina tem a lata de dizer que correu uma maratona e até nem ficou toda partida, andar novo e coiso??
    Vá gozar com os...olha...o treino compensou ;)
    Bjs

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  20. ETP: Obrigada. :) Beijinhos

    jnr: Custou um bocadinho... ;) Mas mais o relato, claro! :P
    Eu acho que a memória mais forte que fica de uma prova são mesmo os kms finais e como neste caso foram os que correram melhor, eu considero que foi uma prova fantástica. Se não tivesse havido uma parte de luta também não tinha graça... ihihi :)
    Eu pensava que o limite eram 7h30, mas a última pessoa a concluir a prova levou quase 10h e foi incluida na classificação, por isso devia ser apenas uma estimativa. E ainda bem, porque toda a gente mereceu ser reconhecida pelo esforço.
    Não tenho comparação de anos anteriores, mas atletas que já tinham participado disseram que este ano o percurso tinha alterado na primeira fase, em que era mais estradão e desta vez foi só quase singles.
    Adorei! Agora vou ficar nas nuvens da moral, até a próxima me trazer de volta à realidade... :D Entretanto vou treinando...
    E tu, queres o track para te preparares para o ano? :)
    Obrigada! Bjs

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  21. Bom dia:)
    Sim, quero:)!
    Embora haja dificuldades logísticas, o track não é circular, há zonas com cordas, não devem estar aí sempre, e pior, a ponte de barcaças ( montada penso que pelo Exército da Escola Prática de Tancos) é mesmo temporária...
    Mas...isso com o rio mais baixo já deve dar para passar com água pelos tornozelos ;)
    Mantém - te nas nuvens, " confia no treino", arranja boa companhia com bom gosto musical mas que saiba cantar, e...que a força esteja contigo! Ahaha.
    Ainda sem dores?? Hmpffff, pff;)
    Bjs

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  22. Parabéns "Menina", por mais um objectivo superado.
    Foi mais uma prova em que nos cruzámos (e me passaste à frente mas isso agora não vem ao caso...) e onde, como disseste, existe um grande espirito de entre-ajuda e companheirismo entre todos; e isso noto-se bastante nesta prova, dado o número de obstáculos que tivémos de superar.
    Começo é a ficar preocupado com a tendência para o papel de "emplastro" nas fotografias de Blogs famosos de corridas, depois do Run Baby Run,agora o teu...
    Beijos e boas corridas!

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  23. jnr: Quando quiseres deixa o email que eu mando. Podes sempre fazer apenas da zona do castelo em diante. Aí só tens de te preocupar com as passagens pelos túneis. :)
    Dores só tive na 3ª e 4ª-feira, e poucas. É o que eu digo, fui uma sortuda! ;)
    "May the force be with you", too. :D
    Bjs

    João Dias: Obrigada! Parabéns para ti também. Espero que não nos tenhamos cruzado nos meus kms negros, que nessa fase nem via ninguém. :) Para a próxima diz qualquer coisa, quando fores tu a passar-me à frente! :)
    Nesta prova em particular tirei bastantes fotos, achei a zona lindíssima.
    Bjs, boas corridas!

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  24. Parabéns!
    Gostei muito de ler o relato. Percebe-se que foste feliz nesses 44 km :)
    Apesar de só ter feito a versão curta também achei esta prova das mais bonitas que já fiz, muito verde, muita água. E muita lama...mas isso não foi tão lindo... :)

    Força para as próximas!

    Beijinhos

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  25. Isa: Acho que a água é o que me convence sempre. Trilhos secos não é para mim! :) E o verde é um resultado bom de tanto que choveu este ano. E a lama... mas pronto!
    Sim, fui muito feliz! :)
    Obrigada e beijinhos!

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  26. Anónimo14/4/14

    Parabens Rute !

    Grande prova que fizeste !
    Magnifica estreia !!

    Tinha muito mais para "comentar" :P , mas tu já disseste tudo, e espectacularmente bem dizido ! ;)

    ...e foi só a primeira de muitas , tás lançada , e não á desafio que não vás conseguir !

    Tás e és Fortíssima ! :P


    Obrigado por tudo.
    bjs
    Artur

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  27. Olá Rute,
    Excelente, gostei particularmente da parte depois dos 30Kms, a sensação é incrível, acho que disseste tudo.
    Parabéns.
    Tenho andado a adiar a minha participação numa prova de trail, mas de cada vez que leio os teus relatos fico com mais vontade de me aventurar, pode ser que para o ano ser proporcione.
    boa recuperação,

    Manuel Nunes

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  28. A: Obrigada... Pela companhia, distracção e reboque. E paciência. Bjs

    Manuel: Ainda falta até ao final do ano, pode ser que se proporcione antes! :) Obrigada, tive muita sorte de ter uma recarga de energia aos 30km.
    Bjs

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  29. Ai vemos, vemos!!!
    Para o ano conto ir aos 42 km.
    Grande artigo sobre uma prova lindíssima.
    A tua prestação foi muito boa.

    Beijinhos

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  30. Parabéns pela conquista!
    Uma grande aventura para lembrar a vida toda :)
    Não me imagino a percorrer trilhos durante 8 horas... Imagino que seja muito duro e que além da excelente preparação fisica é importante ter uma força mental e uma força emocional muito grande! Mas claro que deverá ser uma grande experiência! Talvez um dia me meta numa aventura dessas :)
    Boas aventuras!

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  31. Vitor: Obrigada! Beijinhos

    Joel: É verdade, uma estreia destas não se esquece. :) Acredita que nem dás pelas 8h passarem. Bons treinos!

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  32. PARABÉNS ULTRA MARATONISTA!
    Grande prova e relato espectacular!
    (Assim nem tenho necessidade de fazer as provas..."corro" as mesmas sentado no sofá a ler estes relatos hi, hi, hi hi,).

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  33. Jorge: Obrigada! Vindo de si é um grande elogio. :)
    Beijinhos

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  34. Ai, só agora tive tempo de ler este post com a atenção que merece (a MDS tirou-me todo o tempo do mundo).
    Há prova em que morremos e ressuscitamos mais do que uma vez. É esse poder de ressurgir do fundo do poço que faz de algumas pessoas corredores diferentes, se é que me faço entender...
    E tu és diferente, Rute, sem dúvida!
    Muitos parabéns!

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  35. RBR: Obrigada. :) Muita força para esse teu desafio! Quando chegares lá acima, beijinho à montanha por mim. ;)
    Beijinhos

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