30 de dezembro de 2014

Ericeira Trail Run

3 dias antes

- "Então obrigada e boa sorte! Mas oh, o que é que eu estou para aqui a dizer, na prova dos 60k já não precisa de sorte, é uma pró."

Como dizer à senhora que me entregou os dorsais que não é bem assim, não é nada disso, longe disso. Sou é alguém com muitos sonhos e uma grande fé. Fé essa, aliás, que tem vindo a vacilar com a aproximação do dia da prova. Não sou “pró” e tenho sérios debates com a palavra "atleta". Mas também já não sou propriamente amadora, claro. Quem é que se mete a correr assim percursos tão longos à toa? Gosto de correr e ultimamente tenho corrido muito. Se calhar, num sentido, sou amadora... Sim, amadora dos quilómetros, AMO os quilómetros, as horas que passo a correr! É isso! Vou dizer à senhora que sou amadora das corridas longas, que adoro os quilómetros que corro sem pensar, de olhar livre perdido pelas paisagens mas também os outros, aqueles que, quando a exaustão física chega, passo a correr fechada na minha mente. E gosto como estes dois tipos de quilómetros se entrecruzam, sobrepõem e substituem várias vezes ao longo das várias horas de prova. Mas como explicar isto sem parecer uma maluquinha?... A senhora ainda está a olhar para ti, depressa, responde qualquer coisa inteligente e/ou engraçada. Ou pelo menos agradece, o silêncio está a ficar incómodo, ó amadora dos quilómetros. Raios, perdeu-se o momento.

Só sorri. Foi pelo melhor.


Dia 20, 5h45 da manhã

O que é que eu fui fazer?
ou
"If you’re gonna die, die with your boots on"


Já equipada, de pé, ao balcão da cozinha, enrolo na boca, vezes sem conta, a colherada de papas de aveia, sem conseguir engolir. Parece que tenho um nó na garganta. Desisto. Agarro numa banana, nas trouxas (mochila de hidratação com todo o material obrigatório e mala com muda de roupa para depois) e saio porta fora pronta a enfrentar a madrugada.

Porra, que frio.

Está um nevoeiro brutal e na rádio passa uma música de Iron Maiden que ajuda a compor o ambiente. Na altura não consegui identificar qual era mas, do que entendi, parte do refrão rezava o seguinte: If you’re gonna die, die with your boots on. If you’re gonna try, well stick around. Gonna cry, just move along. If you’re gonna die, you’re gonna die - o que eu achei que era fofinho e o mote ideal para um dia fantástico de prova.

66km. O que é que eu fui fazer?


7h45 da manhã. 15 minutos para a partida.

Porra, que frio.

Saímos do carro, ainda temos de passar pelo controlo zero. Ao altifalante, repetem que a hora da partida é às 8h em ponto e não vão esperar por ninguém. Alguns atletas mais nervosos ultrapassam-me na fila sem qualquer reserva ou vergonha. Eu não digo “olha, se estás com pressa acordasses mais cedo” ou “vê lá, não seja por demorares mais 30 segundos no controlo atrás de mim que vais perder o lugar no pódio”. Não digo nada. E não só porque está frio e nesse momento estou mais ocupada a mandar o bafo quente para as mãos, é porque 66km são muito tempo para correr irritada, não vale a pena, vingo-me depois ao ultrapassá-los durante o percurso. Ou não. O mais provável é não. (Mas seria um bom retorno de karma).



8h

Apesar dos apressados, consegui estar na Partida com um ou dois minutos para gastar. Dá tempo para ver que somos poucos a fazer o Ultra Trail, encontrar uma ou duas caras conhecidas, mas não dá tempo para ficar nervosa. Perfeito. E às 8h em ponto, como anunciado, é dada a partida, com algumas pessoas ainda presas no controlo zero. Vão passar por mim daqui a uns minutos, a recuperar o tempo perdido.


(8h05

O que é que eu disse? Aí vão eleeees.)


Os primeiros quilómetros

Ai que caraças, as dores nos gémeos outra vez. Acontece-me isto com frequência, os primeiros 4 ou 5 km das provas são sempre uma tortura para os músculos. Quero correr e sinto as pernas presas, mas depois a caminhar também não é muito melhor. Se calhar é falta de aquecimento, mas como é que se aquece para uma prova de 60k+?... Vou aquecendo agora, e aguento-me à bronca, um bocadinho a andar, outro a correr como se estivesse a tentar bater o recorde de corrida à velocidade mais baixa possível. Ao menos por enquanto as paisagens ainda são bonitas, tento distrair-me.



Vamos sendo passados por quem estava na partida connosco e também por quem começou já depois da hora. Olho para trás, não vejo ninguém. Não sei se somos os últimos, ou melhor, se serei a última, já que só vamos aqui por causa de mim, que sou de longe o elo mais lento desta dupla. Mas estranhamente não me incomoda, a prova é longa, só quero chegar à fase em que as dores nos gémeos finalmente passam. Cerca de 30 minutos depois, após algum penar e algumas (muitas, vá) queixas, as pernas começam finalmente a soltar-se e desato por ali afora a correr e a ultrapassar pessoas! Ahah, não. Continuo a correr devagar e só ultrapasso duas ou três, mas o meu humor melhorou bastante.


Kms 9 a 16

O deserto

Passamos pelo primeiro abastecimento, só de líquidos, aos 9,5km. Nem parei para beber, mas apercebi-me que ainda nem tinha tocado na água que trazia e já íamos com mais de uma hora de prova. Dou alguns goles e faço uma nota mental para me ir lembrando de beber com regularidade. Está frio, é fácil uma pessoa esquecer-se de hidratar, mas a água é sempre necessária. Além disso, com a constipação ainda a fazer-se notar, tenho vindo a respirar sempre pela boca e isso seca-me a garganta.

Não sei se por sermos “poucos” (só vão cortar a meta 100 pessoas), ou se por ir quase no fim do pelotão, mas esta vai ser a prova em que vamos passar mais quilómetros sem nos cruzarmos com ninguém. Por momentos até parece que estamos numa qualquer manhã de sábado por aí, a fazer um treino. Não fossem as marcações (muito bem feitas, sem qualquer motivo de queixa) e até era possível esquecermo-nos de que estávamos numa prova. Gosto assim.



Até chegarmos ao primeiro abastecimento sólido, aos 16km, o percurso vai ser uma travessia num deserto de atletas.


Kms 16 a 24

Chegando a Monte Bom temos o pequeno-almoço à espera. Abastecimento bem composto, até com sopa quentinha para quem quisesse. Por enquanto dispensei a sopa, mas aproveito para comer algumas tostas e marmelada. Como o abastecimento é à entrada de um estabelecimento, até casas-de-banho temos à disposição, o que é um luxo em provas de trail. Não que eu me acanhe muito de ir à mata, mas este não será um dos percursos mais favoráveis a essa actividade. Muita estrada, muitas localidades, poucos single-tracks pelo meio do arvoredo. Não é a minha paisagem favorita, mas compreende-se pela zona em que se corre. No entanto, é algo que me irá afectar um bocado, como vão notar já de seguida.

Os quilómetros maus



“Raios partam esta estúpida desta subida, até ao estúpido Convento de Mafra com os estúpidos dos carros a passar e montes de gente a atrapalhar nas ruas com esta estúpida música de Natal a tocar” - Este era o meu pensamento enquanto percorria a rua do largo do Convento. Eu que adoro este lugar e ainda mais o ambiente de Natal… Claramente não estava a atravessar um bom momento.

A fase dos 20’s quilómetros é sempre custosa para mim, não sei porquê, é algo que tenho de resolver psicologicamente mas, desta vez, vindo a correr já há algum tempo em estrada e em particular esta, com trânsito considerável àquela hora, estava a derrubar-me. Os meus Salomon pareciam tamancos a bater o asfalto e o peso daquele som marca o compasso deste monólogo mental menos feliz.




Vamos entrar no complexo desportivo e dar algumas voltas lá dentro. Este local já foi palco de uma prova muito querida para mim, o Raide à Tapada de Mafra, mas agora não vejo a hora de sair dali. Quero sair da civilização e refugiar-me em trilhos ermos onde ninguém possa assistir ao meu momento baixo e aguardar que passe, passa sempre. Mas eis que mais à frente avisto veados, ou gamos (era o que dizia a placa) e isso dá-me um novo alento. Quer dizer, quem pode estar em baixo perante a visão de animais fofinhos? É impossível, não é? Tem o mesmo efeito que aquelas imagens com gatinhos bebés que circulam pelo facebook.

Graças a Deus que me distraio com pouco.

E graças aos deuses do trail haver sempre motivos de distração, mesmo nos percursos aparentemente mais “monótonos”. Quando passamos pelo abastecimento líquido à saída do Complexo, o meu humor já é novamente outro.


Kms 25 a 37

Metade já está.



Acho que hoje estou a bater todos os meus recordes em trail. Fazendo já aqui um bocadinho de spoiler, o meu Garmin vai-me abandonar aos 52km de percurso, com 7h50 de prova, e essa é a maior distância que ele já registou. Em Arga abandonou-me mais ou menos com o mesmo tempo, mas muitos menos quilómetros percorridos. No Monte da Lua também. Mas o facto de ser uma prova mais corrível não a torna mais fácil para mim, pelo contrário. Não que tenha grande força nos maiores desníveis, mas sou boa a gerir os momentos de caminhada com corrida, e aqui há pouco disso. Caminhada, entenda-se. Simplesmente não há motivo, as subidas não são assim tão duras nem as descidas assim tão técnicas e o nosso orgulho impele-nos a continuar a correr. Mesmo que, a bem da verdade, o ritmo de corrida mantido não seja muito superior ao de uma caminhada mais enérgica… Mas é uma questão de honra, vocês entendem.




A ascensão ao ponto mais alto do trajecto vai ser feita por volta dos 30 km e foi uma das minhas partes favoritas da prova. A ascensão não era assim tanta (o topo não chegava aos 300 metros de altitude) e o local era bonito. Aproximava-se também a hora de almoço, com restaurante marcado para os 37km, na Aldeia Pequena, e sabia que, chegando lá, isso significava que mais de metade da prova já estava para trás. Foi uma das fases altas da minha corrida. A respiração estava estável e o ritmo em modo cruzeiro, apesar de já começar a notar o cansaço dos músculos, sobretudo a descer. No entanto, isso não me impediu de dar uns pequenos pulinhos de braços no ar para assinalar a passagem dos 33km. Metade já está.


Kms 37 a 49




A Aldeia Pequena era bastante caricata, com aquele ar de aldeia típica do interior que tanto toca o meu coração. O abastecimento estava junto a um miradouro, já com alguns atletas sentados (julgo que para não mais se levantarem) e outros a servirem-se de sopa. Desta vez não resisti. Foi a primeira vez que comi sopa numa prova e não fazia ideia de como me iria afectar ao nível da digestão, mas que se lixe, sempre seria uma desculpa um motivo para ir uns minutos a caminhar, para “não ficar mal disposta”. O voluntários eram todos muito simpáticos, nem parecia que já estavam ali há horas ao frio, à espera que os últimos se despachassem a almoçar, quando já tinham servido o pequeno-almoço aos primeiros. Um deles, na conversa comigo, para me dar força, declara encorajadoramente – "Mais de metade já está, força!" – para depois acrescentar um animador – "mas agora é que vai começar a doer." :) Gostei da honestidade.



Era verdade. Estava a doer. Sobretudo nas descidas. Não conseguia fazê-las a correr e as pessoas que tinha conseguido apanhar começavam agora todas novamente a ultrapassar-me. Nas rectas conseguia retomar a corrida, mas já com reflexos muito lentos. Sabemos que estamos cansados quando vemos pedras e pequenos ramos no caminho para os quais, em qualquer outra situação, não olharíamos duas vezes, nem causariam dificuldades de maior, mas agora olhamos para eles, sabemos que vamos ter de levantar mais os pés, pensamos sobre o acto de levantar os pés... Calma, ainda não… Ainda não… Agora! E tropeçamos na mesma.



Mas ainda há forças para fazer um sorrisinho ao fotógrafo (sempre o mesmo ao longo do percurso?! Ou vamos mesmo muito devagar ou ele conhece bons atalhos), por isso nem tudo está perdido. Podemos estar sem sensibilidade nos membros inferiores de tão doridos que vão mas, se conseguirmos fingir frescura para os fotógrafos, é isso que fica para a posteridade. Se não aprenderem mais nada neste blogue (e não aprendem), fiquem com este importante ensinamento.




Km 49 a 60

No abastecimento líquido improvisado numa carrinha à beira da estrada aproveito para reabastecer, uma vez que o meu depósito de água já ia vazio. Não sentia sede, mas fazia questão de ir sempre a dar pequenos goles. Acho que a minha estratégia de hidratação e alimentação resultou bem, pelo menos não fiquei mal disposta e, juro-vos, foi a prova em que vi mais “restos do almoço digeridos” de outros atletas à beira do percurso (e quando digo "restos do almoço digeridos" é para não dizer vomitado). Agradeço nunca ter tido desses problemas digestivos, não deve ser fácil.




Quando as nossas pernas já vão destroçadas é que o percurso começa a ganhar oscilação. Óptimo. Não que fosse muito pronunciada, mas agora tudo se nota. Até a lama que tanto gosto ganha toneladas presa aos meus ténis. Alguns cursos de água e uma ou outra poça mais profunda ajudam a limpar e a refrescar as pernas. Vou a uns alucinantes 8min/km, ou pelo menos é o que me parece, não sei, acabo por ficar sem gps aos 52km, como já vos tinha dito. Mesmo assim, ultrapasso alguns grupos de homens que vão a andar. Alguns tentam acompanhar-me durante algum tempo mas o meu, repito, alucinante ritmo é demasiado para eles. :) Fico toda vaidosa de ainda conseguir ultrapassar alguém nesta fase e apesar de também já me apetecer muito, muito, muitooooo caminhar, não posso fazê-lo à vista dos espadaúdos atletas que acabei de deixar para trás, como é óbvio. Interiormente, faço uma pequena prece para não embater num muro monumental que me obrigue a ter de pagar o karma desta minha bazófia.



Com a aproximação dos 60km e 7km a mais do que alguma vez tinha corrido, regressamos aos trilhos costeiros, na zona da bonita Foz do Lizandro. Estava já tão cansada, fiquei tão contente de tornar a ver o mar, sinal que a meta estava “próxima”, e a Foz do Lizandro agradece-me assim:



Com uma bonita escadaria antes do derradeiro abastecimento.


Kms 60 a 66

Ou, os 6km mais longos da minha vida.



E agora vocês perguntam-me: "Então, um abastecimento no km60, tão próximo da meta?!" Verdade, lembro-me de quando vi isso no manual, enviado uma semana antes da prova, ter pensado o mesmo.
Ali nem pensei. Peguei num copo de água que me estenderam, agarrei nuns aperitivos salgados e continuei. Ouvi alguém dizer: “Força, faltam só 6km”. 6km... A verdade mais mentirosa que já ouvi.





Nunca nada do que possa escrever vai conseguir transmitir o tamanho que aqueles seis mil metros tiveram para mim. Posso dizer-vos que aqueles quilómetros tiveram o tamanho de uma vida, que perdi a conta aos pensamentos que me vinham em catadupa à mente. Posso dizer-vos que afinal não, não pensei em nada, que aqueles quilómetros tiveram o tamanho do vazio. Sei que, cá fora, as minhas pernas continuavam a mexer-se, em automático, e os meus braços acompanhavam, num movimento ritmado, desesperado, ou eram as pernas que acompanhavam os braços, juntos numa resposta ao grito mudo do corpo que já desistiu de insistir  que eu parasse. E eu, lá dentro, naquele cantinho da mente que descobri aos 60km de uma prova, onde ficamos, seguros, à espera, sem dúvidas, quase como se fossemos o público da nossa própria luta, num filme que já sabemos como termina. A Meta. Demore muito ou demore pouco, estamos ali, abrigados, confortáveis até, no meio do desconforto. E naquele cantinho emocionei-me como nos minutos finais de um filme bonito.

Depois, quando dou por mim, estou a chorar. Sou apanhada de surpresa mas não há que enganar, uma lágrima, depois outra… Oiço o companheiro desta e de todas as corridas perguntar-me porque é que estou a chorar, oiço-me a responder, “não sei”. Sem disfarces, sem piadas, sem resmunguices. Não sei.

Vou ouvi-lo também dizer que já só faltam 2km, mas é impossível, impossível faltar ainda tanto, parece que já estou a correr há tanto tempo. Ou se calhar não, também podia ter começado mesmo agora, não estivesse já o sol que se põe no mar a afirmar o contrário.



Sei que muito tempo depois, ou logo a seguir, vou ouvir uma voz diferente, ampliada por um microfone num anfiteatro de areia e mar, a dizer: “Se são atletas que vêm aí agora a descer as escadas, levantem os braços”. E eu levantei bem alto, ou se calhar já não assim tão alto, mas na minha cabeça sim, levantei bem alto, e desci aquelas escadas a voar, e fiz o sprint para a meta a que aquela voz feminina da speaker nos incitava. “Agora um sprint para a meta, que o público aqui presente vai bater palmas”. Oiço poucas palmas, ou porque o público já é pouco ou porque o meu sprint afinal só foi sprint na minha cabeça. Atrás de mim, os últimos raios de sol são engolidos pelas águas.


A Meta.

Enfiam-me a medalha de finisher pelo pescoço, passam uma máquina pelo meu dorsal e dão-me logo para a mão um talão com a minha prova em números. Que despertar tão abrupto daquele meu cantinho. Agora já estou cá fora e faz frio. Seguimos para o abastecimento, um local quente, comida, o organizador que passa por lá e nos pergunta se correu tudo bem, as dores nos músculos que me dizem que se calhar é melhor não me sentar ali naqueles puffs, mesmo parecendo tão convidativos ao corpo cansado.


O dia seguinte.

Corro por momentos como aquele.

Deitada na cama, naqueles gloriosos segundos depois de despertar, em que ainda não nos tentámos mover na cama e por momentos pensamos que se calhar foi desta, estamos mais fortes, fomos poupados ao famoso empeno do dia seguinte.

Auch. Não.

Faço o rescaldo da prova, a parte logística, inevitável, o que correu bem, não correu… Desta vez não encontro queixas. Nunca me perdi, nas marcações de percurso cheguei a ver pequenos smiles que a Organização deixou para mim (desenhados nas pedras, para todos os atletas, mas é o meu rescaldo, vou dizer que estavam lá para mim, para me dar força nos meus momentos de cabeça baixa), comi o suficiente, inclusive sopa que não me deu a volta ao estômago. Muito estradão, demasiado alcatrão, é verdade, mas já sabia que era isso que ia encontrar. Não foi a prova com o percurso mais bonito em que já estive, nem o tipo de terreno em que mais gosto de correr, mas foi a prova que marcou o meu recorde de distância em 2014, por isso vai ter sempre uma posição especial. Talvez volte. Não sei.

Mas agora, graças a ela, quando me perguntarem porque corro “tanto” (sim, já me perguntaram isso), e quando fizer a rápida lista mental de todos os motivos para escolher um conforme o interlocutor, aqueles últimos seis quilómetros vão surgir destacados na memória. Corro por isso, por momentos como aquele. Quando descobrimos um novo cantinho dentro de nós, onde está guardada toda a força, onde não conseguimos entrar sempre que queremos, mas só o facto de sabermos que existe nos conforta.

Mas isso não vou dizer, só a vocês.

31 comentários:

  1. Rute mais um relato absolutamente fantástico. Parabéns, pelo relato, pela difícil prova e pelo excelente ano que tiveste na corrida.

    Excelente 2015.

    Beijinhos

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    1. Obrigada João!
      Continuação de bons treinos rumo a Paris e um grande 2015!
      Beijinhos

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  2. Brutal :) Até me fiquei a sentir mal por a prova para mim não ter sido "nada de especial"... Mas é mesmo assim, bate-nos sempre de maneira diferente.

    Epah JURO que quando vi aqueles smiles pensei logo que ias falar deles no teu post!! ahaha Ainda pensei tirar uma fotografia mas depois nunca mais me lembrei. Reparaste que estavam sempre a seguir a uma parte mais dificil? Lembro-me de um depois de atravessar um riacho e de outro no fim de uma grande subida ahah espirituosos os senhores da Horizontes!

    Muito bom, parabéns por mais um excelente texto, gostei muito.

    Vá, bom ano!

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    1. Sim, todas as provas são diferentes e sentidas de diferentes formas pelas pessoas.
      Ihihih ainda bem que viste um "smile" e lembraste-te de mim, podia ser um "graffiti" pior! lol :D Na altura também pensei em tirar foto mas... "pouca energia para tirar o tlm do bolso da mochila"... :)
      Obrigada Filipe, bom ano para ti!

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  3. Que relato incrível, e que prova do caraças! Gostei especialmente porque esse trail é da minha terra, à medida que descrevias partes do percurso eu sorria aqui como uma maluca por reconhecê-los tanto da vida do dia a dia como de treinos que tenho feito ultimamente. Tantas vezes que já fiz esse percurso da Foz do Lizandro à Ribeira d'Ilhas, sempre à beira-mar... Tenho a certeza que foi inesquecível :)

    Este inverno vou começar a incorporar trail devagarinho nos meus treinos, para fugir ao gelo que já se forma nos passeios da minha terra emprestada... Ao ler os teus relatos incríveis temo que depois não queira outra coisa!

    Um bom 2015 cheio de novas aventuras trilheiras :)

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    1. Também não devem faltar trilhos bonitos por aí. E eu que ando a sonhar com treinos pelos montes em que repente começasse a nevar... Diz que vão estar graus negativos no final da semana, fingers crossed! :)
      Ainda bem que pude "levar um bocadinho da tua terra até ti". :)
      Beijinhos e bom ano!

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  4. Bom relato e parabéns pelo recorde da distância. Bom Ano! Beijinhos

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    1. Obrigada Sílvio. Bom ano para ti também, vê lá se "dás notícias"! :)
      Beijinhos

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  5. Tenho a S. Silvestre de Lisboa no forno... Mas nos próximos tempos não prevejo provas, apenas treinos. Vamos ver...

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  6. Relato fantástico como sempre. Levas-me senpre contigo nas tuas palavras. Admiro-te imenso! O ano de 2014 parece ter sido generiso contigo. Que 2015 seja ainda melhor. Beijo grande

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    1. Obrigada, LiS.
      Um óptimo ano para ti também, com tudo de bom
      Beijinhos grandes

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  7. Conheço esse "cantinho". Um excelente ano para ti, Rute!
    Desejo-te muitos trilhos e muitos 6km ao longo de 2015.
    Beijinhos

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    1. :)
      Igualmente Anabela, um grande ano para ti, com momentos iguais ou melhores que os que viveste em 2014!
      Beijinhos

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  8. é pááá...ia mandar uma meia dúzia de bitaítes parvos, mas estou tão emocionado com os teus 6km finais que não quero estragar a coisa...menina Rute ...clap..clap..clap ...absolutamente espectacular...parabéns pela prova e obrigado por esta linda posta :)
    Beijinhos e um grande 2015 para ti e para os teus.....sniff...

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    1. Ahah, obrigada... Sniff... :)
      Beijinhos e grande 1025.

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  9. Que dizer dum relato tão sentido como este?!? As tuas lágrimas são a prova do que passaste e superaste. Tens uma grande alma de Ultra-Maratonista e faço-te uma sentida vénia por isso. És grande!!!

    Que tenhas um excelente 2015, como tão bem mereces!

    Força para mais grandes momentos!!!

    Beijinhos :)

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    1. Obrigada, João. :)
      Um excelente 2015, com kms saudáveis e felizes.
      Beijinhos

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  10. É tão bom, mas tão bom tão bom ler-te. :)

    Bom ano com muitos quilómetros de trilhos.

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    1. Também é bom ler os vossos comentários. :)
      Ultra ano, Zémi! Bjs

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  11. Parabéns.


    (como sou um gajo duro, rude e besta , não vou escrever mais nada)

    Breijinhos
    ajb

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  12. Lindo, Menina, lindo!
    Uma boa maneira de começar a acabar 2014;)
    O resto...
    Um 2015 ainda mais especial, que vás ainda mais longe.
    Bjs

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    1. Obrigada. É verdade, foi uma boa maneira de começar a terminar 2014.
      Tirei umas férias da corrida, regresso hoje. :) Vamos lá ver se as saudades dela em relação a mim também foram muitas... :)
      Bjs, bom ano!

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  13. Bonito relato Rute!
    Parabéns por mais uma ultra!

    Um grande 2015 para ti!

    Beijinhos

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    1. Obrigada, Vitor!
      Igualmente para ti! Beijinhos

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  14. Muitos parabéns!
    Que espectáculo! 66 km é uma brutalidade de km's!
    Percebe-se a tua emoção, grande relato!

    Essas dores nos gémeos também me costumam acontecer com alguma frequência e depois também passa passados cerca de 5 km. Faz massagens, de preferência no Urbano, se precisares do nº dele diz. Eu fui lá antes de ir a Arga e antes de ir ao Porto e ajuda imenso! Vais é sofrer bastante no momento mas vale a pena :)

    Um excelente 2015 para ti! Que seja ainda melhor que 2014.

    Beijinhos

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    1. Obrigada. :)
      Em relação à massagem, já tinha pedido o contacto ao João na altura que tive problemas da Íliotibial. Um dia destes passo por lá.
      Beijinhos e um grande 2015!

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  15. Parabéns! Pelo feito e pela forma de o partilhar connosco! Obrigada!

    Já muitas vezes me pediram também para explicar esta coisa de gostar de correr, porque corro, etc e tal. Há por aí e por aqui mil respostas, mas acho que a melhor, que já sabia mas nunca tinha conseguido por desta forma impecável em palavras é isto: "...Quando descobrimos um novo cantinho dentro de nós, onde está guardada toda a força" - Sim! É por isso que corro! E não nunca passei sequer dos 42195 metros...mas a razão é a mesmíssima!

    BEijinhos e bom Ano

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    1. Obrigada, Ana. Corremos por momentos como este, e tu já viveste bastantes. Eu sei, porque os li. :)
      Beijinhos e um bom ano!

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  16. Anónimo4/1/15

    Grande Prova, Grande Relato e Grande Menina...:) Parabéns... E que venham muitas como está em 2015... Fm

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    1. Obrigada Fm. :)
      Beijinhos e bom 2015 para ti!

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