31 de dezembro de 2015

Ericeira Trail Run

"A espantosa realidade das cousas 
É a minha descoberta de todos os dias. 

Cada cousa é o que é, 

E é difícil explicar a alguém quanto isso me alegra, 

E quanto isso me basta*.
(...)" 




Vento é a condição climatérica em que menos gosto de correr. Gela-nos a cara, fere-nos a vista, transforma-nos o cabelo num ninho de nós e, inexplicavelmente, quase nunca está a nosso favor. Mas amanhece na Ericeira e está vento e eu vou correr. 54km, para ser exacta.


Não ouvi o briefing. O burburinho das conversas das dezenas de atletas que se abrigam do vento naquela sala no Parque de Santa Marta torna impossível ouvir o que seja cá mais para trás, mas vejo as típicas fitas laranjas serem agitadas e, como nunca tive problemas com as sinalizações nas provas desta Organização, confio que corra tudo bem.
Não houve controlo zero e, alguns minutos depois das oito (atraso, esse sim, atípico desta Organização, que costuma ser rigorosa ao minuto), partimos mais de cem atletas pelas ruas da vila, num ritmo controlado que só permitirá alargar o pelotão na chegada à Praia do Sul, quando os atletas da frente podem finalmente dar asas às suas passadas.

A saída da vila será feita maioritariamente a subir, abandonando provisoriamente a zona costeira e percorrendo as ruelas de zonas habitacionais. Os primeiros quilómetros, cerca de cinco, são de estrada, mas não podia ser de outra forma. Para chegar aos trilhos (que este ano serão em maior número) há que percorrer asfalto e estradões, sabia disso pela zona que é, não há milagres, nem esperava uma prova de montanha na Ericeira.
O asfalto é longe da estrada principal, ao menos isso, e passando a Rua da Amoreira rapidamente viramos por um carreiro encoberto à direita, que nos ligará, mais à frente, às arribas que precedem a Praia de São Julião. Mas, antes disso, ainda temos direito a vista de balcão sobre a bonita Foz do Lizandro, rio que desagua na praia que recebeu o seu nome.


Esta foi a primeira foto que tirei durante a prova, já devíamos ir com cerca de 6km. Entretanto, ia na conversa com um amigo das corridas, que tinha apanhado uns quilómetros antes. Quando fazemos muitas provas, qualquer uma, mas sobretudo trail, que costuma ter menos multidões e, especialmente ultras, porque se corre mais devagar, acabamos por rever algumas das pessoas que correm mais ou menos ao nosso ritmo, e é assim que nascem os Amigos das Corridas. Pessoas que só vemos nas provas, mas que nos fazem companhia durante todo o percurso ou parte dele e com quem conversamos como se tivéssemos acabado de nos encontrar no café do bairro, mas com menos conversa de bola e mais conversa de corrida. E os quilómetros vão passando mais depressa, por entre provas do calendário e acessórios desportivos.


Passando a Praia de São Julião, à qual não chegámos a descer completamente, tornámos a subir um pequeno monte que nos conduziu por entre quintas antes de entrarmos nos carreiros que ladeiam o rio.


Aqui apanhámos uns quantos atletas que iam a caminhar. Como, nestas coisas, nunca ninguém quer dar parte fraca, começaram a correr mal os passámos, o que fez com que eu acabasse por ir na dianteira de um single-track, coisa que adoro (NOT). :) Com a pressão, acabei por correr mais do que devia, o que fez com que passado um bocado já fosse sozinha. Poderia sentir-me "muita fote" por ter deixado para trás um grupo de cavalheiros espadaúdos, não fosse o facto de pouco depois se ter seguido uma subida que me tirou logo a gabarolice toda. E isto numa prova que não passou dos 1600 D+... Não deve ter sido muito mais de 300 ou 400 metros a subir, misto trilhos às curvas e estradão, mas senti-me bastante fraquinha. Tomei logo ali a decisão de apostar no reforço muscular, decisão que abandonei cinco minutos depois de cortar a meta, como é óbvio. (Mas, a sério, senti-me muito fraquinha nas subidas desta prova, que até não foram muitas).

Aos 13km surge o segundo abastecimento, primeiro sólido, ao fundo de um viaduto.


Estava numa zona descoberta e bastante ventosa. Os pratos de plástico com as batatas-fritas e frutos secos, já quase vazios depois das dezenas de mãos esfomeadas que os assaltaram, ameaçavam levantar voo. Demorei apenas o tempo de encher dois copos de água, já que tinha aproveitado o bocado de asfalto anterior que permitia um ritmo certo, para ir comendo uma das barrinhas que trazia.

Depois de uma inclinada descida em estradão com pedra que se seguiu ao abastecimento, de volta aos agradáveis trilhos junto ao rio.

Os Caminhos (de Santiago e de Fátima) também passam por aqui.

Esta prova, apesar de ter percurso diferente, passou por vários locais do ano passado, por vezes numa direcção oposta, o que me permitiu uns déjà vus engraçados em certos momentos. 




Foi, também, uma prova igualmente rolante (basta ver que os primeiros classificados demoraram por volta de 4h30 a concluí-la), mas isso não a tornou menos desafiante. Aliás, no dia seguinte irei acordar empenada como já não acontecia há algum tempo. Devo ter feito cerca de 80% do percurso a correr, o que em trilhos é muito bom (ou mau, depende da perspectiva) e para uma pessoa bem preparada é uma prova, arrisco, 100% "corrível".



Não é, portanto, o tipo de prova a que me adapte melhor, mas consegui ir gerindo o ritmo e manter a corrida sempre que possível. Pelo menos, até passarmos o terceiro abastecimento, na Senhora do Ó, aos 35km. 


Depois deste abastecimento seguiu-se uma subida, pontuada por uma escadaria até um miradouro. E miradouro significa alguma altitude.


Mais uma vez, a subida não era nada de outro mundo, mas 35km e, ainda por cima, praticamente sempre a correr, deixaram a sua mossa. Além disso, estava fraquinha nas subidas, lembram-se? :) Devia ir com um ar de esforço tão grande que um atleta até me perguntou se estava bem! Podiam ser só uns 200 ou 300 metros, mas para mim era como estar a escalar os Himalaias. Como é que eu já subi a Serra do Açor, Estrela e outras que tais, é que eu não faço ideia... Enfim, dias! (= não treines não!)

Vista do miradouro.

Por volta da distância da Maratona vai juntar-se um grupo de seis ou sete pessoas que se irão manter juntas quase até ao final. Eu era a única senhora (só passei uma durante toda a prova, éramos poucas), mas não queria fazer má figura, tinha de mostrar a garra feminina! (Eheh...) Acabou por se formar ali uma grande química, com uns a puxar numas alturas e outros noutras, e acho que isso ajudou bastante ao bom ritmo que se manteve. Ninguém queria ficar para trás!

Entretanto, por entre piadas e despiques, o último abastecimento tardava em chegar...
Estava anunciado para os 46km, mas acho que se esticou mais um ou dois quilómetros. Não é muito, mas nesta fase já tudo puxa ao drama. Para piorar, enganámo-nos em cerca de 200 metros, num atalho à direita que foi o único local de toda a prova que achei que poderia estar melhor assinalado, numa sinalização, de resto, irrepreensível.

Saímos dos estradões em terra para entrar em asfalto, povoação atrás de povoação, comigo a mastigar os últimos pedaços de uma barrinha que trazia comigo, já cheia de fome, até que, finalmente, ao fim de uma enorme recta, ele lá estava, o abastecimento da Achada.


Aqui acabei por afastar-me do grupo que se tinha formado, já que os restantes membros se demoraram mais nas comezainas (falharam as bifanas e minis :)), e fiz um último telefonema, dos vários que fiz durante o dia nos momentos de aperto (vulgo, subidas), para arrecadar as restantes energias para o final.

E, ao fundo, já se avista o mar.


Na chegada a Ribeira d'Ilhas ainda temos a surpresa de uma bela descida a pique, que teria sido um autêntico escorrega caso o dia tivesse sido de chuva mas, sendo assim, foi só um derradeiro teste de sofrimento a umas pernas que já não dobravam, o que me valeu uma bela interpretação de robô raquítico a descer que, felizmente, só foi presenciada por um outro atleta.


Pus tanto travão naquela descida que devo ter sacrificado mais uma ou duas unhas dos pés para os deuses dos trilhos, mas a pior parte estava feita. Agora era aproveitar o paredão, com vista para o mar, até chegar à Ericeira.


Depois de entrarmos na vila ainda vamos descer à icónica Praia dos Pescadores, onde percorremos uns 150 metros de areal antes de enfrentar as súbida nos últimos metros da prova.



"(...)
Outras vezes oiço passar o vento, 
E acho que só para ouvir passar o vento vale a pena ter nascido.*"


Vento é a condição climatérica em que menos gosto de correr. Gela-nos a cara, fere-nos a vista, transforma-nos o cabelo num ninho de nós e, inexplicavelmente, quase nunca está a nosso favor. Mas entardece na Ericeira e está vento e eu acabei de correr 54km.



Não foi uma chegada apoteótica, aliás, a esta hora já lá estava muito pouca gente. Apesar de ter feito um tempo melhor que o previsto (acabei antes das quatro da tarde e fui lanchar, quando pensava que terminaria à hora de jantar), está meia dúzia de pessoas junto ao abastecimento final. A medalha é igual à do ano passado e, tal como o ano passado, recebemos logo um papel com o nosso tempo e classificação provisória. O ano passado terminei ao anoitecer, este ano o mar revolto é visível do local da Meta. 


O Ericeira Trail Run não é uma prova de Montanha, mas é a dose certa de Mar que espero manter sempre no meu calendário.


* Excertos do poema A Espantosa Realidade das Cousas, in Poemas Inconjuntos, de Alberto Caeiro.

22 de dezembro de 2015

E no dia 19 (de 31) corri 54km

Este ano voltei à Ericeira. Este ano eram menos quilómetros, num percurso diferente mas igualmente rolante. Este ano já não me deixei enganar por achar que rolante é igual a mais fácil. Este ano não chorei. Este ano demorei menos de 8 horas e cheguei antes do pôr-do-sol. Este ano fui sozinha e acompanhada. Este ano gostei de voltar.


Relato em seguida.

PS: Os 31 dias de corrida em Dezembro continuam. Reduzi os quilómetros na semana antes da Ultra, sobretudo quinta e sexta e, no domingo, o dia depois, apetecia-me tanto sair para correr como arrancar uma perna à dentada... Foram 3 km muito custosos, em que parecia que estava a aprender a correr com troncos no lugar dos membros inferiores. Tive de andar um bom bocado até aquecer, mas depois penso que até ajudou na recuperação. Ontem já fiz 5km, lentinhos, mas praticamente sem dores.

18 de dezembro de 2015

Natal de quem corre

Dezembro, apesar do frio (embora este ano ainda nem tanto), é um bom mês para corridas ao ar livre, já que podemos contar com a distracção e beleza proporcionadas pelos motivos natalícios. Eu confesso que gosto muito dos treinos nocturnos de cara gelada, respiração em vapor, cheiro de castanhas assadas no ar e ruas enfeitadas com luzes de Natal.

Palácio Nacional de Sintra.
Ninjas em becos escuros. :D
Palácio Valenças e parte da Volta do Duche.
Fonte Mourisca.

Mas à luz do dia esta época também tem o seu encanto, a minha criança interior que o diga, já que ficou muito feliz quando, ao terminar um longuinho de fim-de-semana, se atalhou pelo Parque da Liberdade em Sintra e se percorreu o Reino do Natal.



Àquela hora ainda não havia muita gente e dava para ir a correr sem atropelos, embora tenha havido (muitas) pausas para fotos! 



É um bom local, cheio de magia, para levarem as vossas crianças, as interiores e as verdadeiras, a passear, até ao Natal.


E, por falar em Natal, já antes fiz aqui uma lista (OMD como é que já passaram três anos??!), em constante actualização, do que um corredor gostaria de receber de presente. Mas, para além de bens materiais, há muita coisa que se pode oferecer a quem corre e que não custa nada, só tempo. O que, se formos a ver, é das coisas mais importantes que se pode dedicar a alguém.
Assim sendo, aqui ficam algumas ideias de pequenos mimos para os atletas da vossa vida, nesta época e no resto do ano:

- Apoio nas provas
Sejamos sinceros, uma corrida, para quem fica a assistir, pode ser uma seca. Conduzir até um local relativamente longe, só para estar a fazer companhia uns minutos ao início, quando quem corre está mais preocupado em alinhar o dorsal e verificar pela enésima vez se tem tudo, depois da partida ir para outro local do percurso para, com sorte, ver o seu atleta de fugida durante uns segundos, e, horas depois, recebê-lo cansado e suado na Meta, pode não ser o ideal de Domingo da maioria das pessoas (vá-se lá compreender...;)). Mas todos sabemos como sabe bem ver aquela(s) pessoa(s),  a recarga de energia que pode dar durante a prova e a alegria no final. Por isso, um dia que tenham disponibilidade, façam-no. E melhor ainda se levarem daqueles cartazes engraçados para distrair o pessoal em sofrimento. :)



- Criar uma apresentação digital com as fotos de uma das provas mais importantes (ou várias)
Eu gosto muito de tirar fotografias durante as provas, gosto também (dependendo da fase da corrida :)) que me tirem fotos a mim, e de ficar com recordações. Mas, exceptuando as que vou colocando por aqui nas crónicas, a maior parte das fotos depois fica esquecida numa pasta do pc a "organizar em breve" (leia-se, nunca mais). Hoje em dia há tantos programas com que se pode fazer uma apresentação engraçada, ou até mesmo o velhinho e fiel powerpoint, juntando imagens, palavras e uma música especial, não é preciso ser nada de muito elaborado e dá uma bonita recordação.

- Organizar uma playlist
No seguimento da anterior, fica a sugestão da criação de uma lista de reprodução de músicas. Eu tenho dezenas de músicas nas minhas playlists mas, apesar de serem muitas e as ter no modo aleatório, às vezes parece que já estou enjoada de serem sempre as mesmas e passo metade do treino a carregar no fast forward. Basta ter uma ideia dos gostos musicais de quem corre e é fácil criar uma nova lista, com algumas sugestões. Simples e, mesmo que não agradem todas, sempre ajuda no efeito surpresa dos treinos seguintes.

- Fazer uma massagem
Quem é o atleta (ou qualquer pessoa) que não gosta de receber uma massagem? Sobretudo quando andam empenados de alguma prova. Mas uma massagem a sério, nada daquelas massagens mal amanhadas a despachar no sofá "ai, põe aqui as tuas pernas que eu massajo" e, dois minutos depois, "pronto, já 'tá!"... É criar um voucher a dizer: "Vale massagem de 30 minutos", que depois pode ser descontado em dia e local à escolha.

- Fazer companhia ou dar boleia para "aquele" treino, "naquele" local
Há quem queira muito fazer um treino nocturno, ou ir dar uma corrida de reconhecimento a Sintra. Eu, por exemplo, ando há muito tempo para fazer um treino na serra ao nascer do sol, mas custa muito arranjar motivação se for sozinha. Façam o sacrifício, ãh... quer dizer, façam o gosto, de acompanhar ou organizar um passeio em família diferente. :)

- Fazer umas barrinhas energéticas caseiras ou um bolo
Quem corre está sempre com fome. Facto. :) Há imensas receitas de barrinhas energéticas por essa net fora. Eu própria já cheguei a fazer umas e é muito mais simples do que parece, com a vantagem de poderem escolher os ingredientes e medir os níveis de açúcar. "Ai, mas eu é mais bolos"... Também pode ser! Nada melhor que uma fatia de bolo caseiro no final, ou durante, os treinos longos. O estômago do vosso atleta agradece o mimo.

Caros amigos corredores, podem, como quem não quer a coisa, mostrar esta lista aos vossos companheiros aí em casa. Não têm de agradecer. E se se lembrarem de mais pequenas coisas que vos deixariam muito contentes, podem partilhar.


Entretanto, aqui por casa, também já é Natal. Adivinhem qual é a "estrela" da árvore este ano...

:)

Ultra Trail Serra da Estrela, uma prenda-experiência de 2015, inesquecível (embora esta, a bem dizer, tenha tido custos de inscrição. :)). De certeza que daqui a trinta anos já não me vou lembrar, por exemplo, da marca do telemóvel que tenho hoje mas, aquele momento, ao quilómetro sessenta e tal, em que no cimo da encosta da Cabeça da Avó assisti ao pôr-do-sol sobre Seia... É eterno e sem preço.

Bom fim-de-semana!

14 de dezembro de 2015

Regresso a Monsanto

Este fim-de-semana, depois do hiato de alguns meses, voltei a correr em Monsanto.


Quando vou sozinha não me aventuro muito e limito-me aos dois percursos que já conheço, ambos circulares. Um maior, com cerca de 20km, e outro que é basicamente o mesmo, mas em que atalho uma parte e acaba por ficar com cerca de 15km. Desta vez, optei pelo mais curto.


Estava uma bela manhã de sol e passei por imensa gente, sobretudo ciclistas. Para evitar encontros imediatos com alguma bicicleta desgovernada, evitei os trilhos e segui pelos estradões sempre que possível. Não é o que prefiro, mas assim acabei por fazer o treino num ritmo certinho e contínuo, apesar do desnível. Muito diferente dos picos de cadência e frequência cardíaca que enfrento na Serra de Sintra, mas muito agradável por oposição.


No entanto, houve um ou outro single-track que não pude/quis evitar. Gosto especialmente deste da foto abaixo, sempre às ondinhas.


Já me tinha esquecido como gosto de correr pelo parque florestal de Monsanto. Apesar de estar em plena metrópole, oblitera o rebuliço da cidade. Há zonas em que só se ouvem mesmo os pássaros e o vento a passar pelas árvores. Ninguém diria que há pouco mais de 80 anos, antes da reflorestação, a paisagem era bastante mais árida e consistia essencialmente em searas e pastos.


Ontem completei também o 13º dia de corrida consecutivo. Na prática até são 15, já que treinei também nos dias 29 e 30 de Novembro. Isto, claro, antes de saber que ia acordar dia 1 de Dezembro  e decidir que o que era engraçado era correr os 31 dias deste mês...

Até ao momento, não está a ser tão difícil quanto pensava. Claro que há dias em que não me apetece especialmente correr, mas acaba por tornar-se uma rotina. Sei que é uma coisa que "tenho" de fazer, não vale deixar para o dia seguinte e depois fazer dois treinos para compensar, já que não é esse o objectivo. Também ajuda o facto de não me ter obrigado a nenhum número mínimo de quilómetros, se for preciso faço só um. Aliás, foi assim que me convenci a sair em alguns dias mais complicados: "não te apetece, mas vai. Fazes só 1km e voltas para casa, pronto". E, depois de estar na rua, acabava por fazer um bocadinho mais. Porque às vezes o mais difícil é mesmo sair de casa.

Ontem foi o dia que mais me custou até agora. Apesar de ser domingo, e se calhar por causa disso, fui adiando o treino até às últimas e, quando dei por mim, já estava de noite e não parava de chover... Ainda fiquei um bocadinho na ronha, a ver se a chuva abrandava, a pensar nas doidices em que me meto e a tentar arranjar maneira de dar a volta a este desafio dos 31 dias/31 actividades, mas lá acabei por sair, com a ideia de dar apenas uma volta ao bairro. Acabei por fazer 5km e ainda passei por duas ou três pessoas a correr também (não sei se também estariam a completar algum desafio no mês de Dezembro ou gostavam apenas de correr ao frio e à chuva ;)).

No Instagram tenho actualizado diariamente estes treinos, mas vou dando também notícias por aqui, no final de cada semana. 13 corridas já estão, faltam 18. :)

Boa semana!

4 de dezembro de 2015

Kms de Novembro e 31 dias de corrida em Dezembro

Contagens do mês de Novembro

- Distância: 200,2 km  (16 actividades)
   . em estrada: 120,6
   . em trilhos: 79,6
- Horas a correr: 25:43:38
- Ganho de elevação total: 3774 metros

(Total ano: 2064,3 km)

Kms a pedalar: 0

Kms a caminhar: 35,5 (registados no Caminho)

Mês em que comecei novamente a entrar nos eixos mas, sim, ainda tive de fazer um treino "extra" de última hora, só para chegar às duas centenas. :)



Já ouviram falar em "running streak"? Não sei se existe uma tradução directa do termo, mas é, basicamente, correr todos os dias, mesmo todos, sem falhar, durante um determinado período de tempo. Pois que, num momento de aborrecimento e/ou insanidade, decidi que Dezembro iria fazê-lo. Correr os 31 dias do mês.
A verdade é que já nem eu suporto ter de vir aqui escrever sobre o facto de andar "desmotivada". Tenho andado a correr como e quando me apetece, o que não tem mal nenhum, mas não quando temos por objectivo os três dígitos, em montanha ainda por cima. Os 100k+ são exactamente de hoje a 6 meses, e tenho de deixar-me de ronha.

Correr todos os dias não terá nenhuma utilidade em particular a nível físico, não é por isso que ficarei mais em forma, mas é uma maneira de me ajudar a ter mais disciplina. Será uma preparação mental para aqueles dias, que serão vários, em que não apetece mesmo nada, nada, sair para fazer aquele treino. E fazer esses treinos, quando menos apetece, é que nos torna mais fortes. Porque de certeza que haverão muitos momentos, ao longo dos mais de 100km, em que não me apetecerá nada estar ali. Vou estar cansada, irritada, com dores, com o corpo a implorar descanso... E vou ter de continuar.
Assim sendo, irei continuar com a minha rotina dos treinos longos aos fins-de-semana e os três treinos semanais, sendo que nos restantes dias correrei o que puder/me apetecer. Se tiver que ser apenas 2km à volta do bairro, que seja, já que o objectivo é levar-me a sair de casa, faça frio, chuva ou vento.

Posto isto, e como o objectivo é vencer a preguiça e não desgastar estupidamente o corpo ou lesionar-me, se algum dia estiver com um cansaço mais estranho ou dor suspeita, troco a corrida por uma caminhada, pedaladas, ou qualquer outra actividade ao ar livre. Terei é de realizar 31 actividades, uma por cada um dos 31 dias de Dezembro.



Até ao momento:

Dezembro 1 - 10km
Dezembro 2 - 6,5km (mas com um bom desnível!)
Dezembro 3 - 3km (seria o meu dia de descanso.)

Ao terceiro dia tive logo o primeiro teste. A correr há quatro dias consecutivos, longo de domingo incluído, e no final de um dia menos bom, apetecia-me tanto correr como mergulhar num lago glacial (se calhar mais depressa dava o mergulho), mas saí e corri. Um bocado contrariada e apenas 3 km, mas corri. Depois, no final, até fiquei com a cabeça mais limpa e satisfeita comigo mesma por ter ido.



Bom fim-de-semana!


PS: Fotos tiradas em diferentes treinos, só para mostrar que aqui para estes lados as cores  do Outono também estão lindas. ;)


1 de dezembro de 2015

O último longo do mês

Este fim-de-semana a ideia era começar o treino na Barragem da Mula mas, quando lá chegámos, o local estava atolado de carros! Havia um evento Wild Challenge com partida na Quinta do Pisão e era impossível estacionar. Por isso, e a bem de um início de manhã mais calmo, fomos para a outra encosta da serra de Sintra.


Partida em local diferente, mas manteve-se o plano inicial, que era começar sempre a subir até à Pedra Amarela.


Não sei se devido ao frio da manhã e falta de aquecimento mas, durante a subida, comecei a sentir os gémeos presos (não sei se se recordam que era uma coisa que me acontecia com frequência no início de algumas provas). Já não sentia isso há algum tempo mas, dessa forma, torna-se muito difícil progredir e os primeiros dois/três quilómetros tiveram de ser entrecortados com algumas pausas.


Na Pedra Amarela estava montado o posto 6 do Challenge, com uma parede para ultrapassar antes da subida. Felizmente, a prova ainda não tinha começado, por isso ainda deu para desfrutar da paz do local, apenas na presença de dois voluntários que lá estavam. Agora quase que sei como é que os primeiros atletas se sentem ao chegar aos abastecimentos! :)

Em seguida, seguiu-se em direcção a outro dos picos da Serra, a Peninha.


O sol já ia alto e subimos as escadas até ao topo, onde fizemos uma pequena pausa antes de voltar ao caminho. Estávamos com 9km.


Foi por aqui que aconteceu um dos momentos desmoralizantes do treino. Estão a ver aquelas subidas em que vão ali com os músculos a queimar, a maldizer a vossa vida por dentro, porque por fora vão com uma respiração de gaita de foles asmática e nem conseguem articular um "matem-me já", mas aguentam porque não querem dar parte fraca, sem olhar para cima, mais-um-bocadinho-está-quase, só para chegarem ao fim da curva e verem que a subida continua e ainda mais inclinada? Um "NÃOOOOOOOOOOOO...", silencioso, saiu-me das profundezas da alma, mas mesmo assim não parei porque, raios, vou mostrar a esta subida quem manda! E então vão ali, em esforço, quase a ter uma experiência transcendente de superação humana, um passinho após o outro, sem parar... Só para serem ultrapassados pelo companheiro de treino que ia, notem bem, a CAMINHAR! Sem qualquer tipo de respeito pelo meu estoicismo e resiliência. Fui ultrapassada... Por alguém que ia a caminhar... E nem era assim tão rápido. Uma falta de consideração, não acham? :)

Como podem compreender, isto quase que era motivo para dar logo ali o treino por terminado, mas continuei, só para verem o meu nível de empenho.

Rumo à Anta de Adrenunes.

Mato cerrado, a caminho da Anta.
Muita vegetação, arbustos secos e silvas, acabámos por nos perder um bocadinho e ir dar a uma casa abandonada que nem fazia ideia que existia por ali, naquele sítio sem acessos. E já lá estive umas quantas vezes. Enfim, é mais um daqueles segredos de Sintra, por isso é que cada treino acaba por parecer sempre diferente, mesmo quando andamos pelos mesmos locais.

Depois seguimos pelos estradões da parte de baixo da Peninha, em direcção à Barragem da Mula, aproveitando para atalhar por uns trilhos, o que agora, desde a tempestade, é sempre uma aventura, por não sabemos se já estarão limpos ou bloqueados a meio por alguma(s) árvore(s) caída(s).


Uma das coisas que reparei durante este treino é que, para além da vegetação estar muito seca, as fontes da serra não tinham água ou corria muito pouco... Acho que já faz falta um bocadinho de chuva por ali, e os meus ténis praticamente ainda não se encheram de lama este Outono! :)


Após percorrer uns single-tracks que não conhecia (ou já não me lembrava), e sem chegar a descer até à Barragem porque já íamos com mais de 20km, virámos de regresso à Malveira.


Onde concluímos o treino com 26km e perto de 900 metros de ganho de acumulado.



Não foi um dos treinos mais fáceis para mim, mas estou a gostar muito de voltar aos treinos na casa das duas dezenas.

Boa semana!

25 de novembro de 2015

Kms de Outubro e treinos em Novembro

Depois das caminhadas, voltemos às corridas. E, com tudo isto, esqueci-me que ainda não tinha actualizado os quilómetros de Outubro, portanto, comecemos por aí.

Contagens do mês de Outubro

- Distância: 114,8km  (13 actividades)
   . em estrada: 93,55
   . em trilhos: 21,25
- Horas a correr: 13:01:05
- Ganho de elevação total: 1820 metros

(Total ano: 1864,1 km)

Kms a pedalar: 0

Kms a caminhar: 93,6 (registados no Caminho)

Mês muito fraco em quilómetros a correr, em quantidade e, infelizmente, também em qualidade. Acabei por fazer pausa de semana e meia nas corridas, altura em que, pelo meio, me fiz ao Caminho de Santiago. Apesar de ser "só" caminhar, acho que também acabou por ser um bom treino. Viver com a casa às costas e caminhar do nascer ao pôr do sol é, simultaneamente, desgastante e catártico. As oscilações de humor são algo com que me debato muito nas provas longas e aqui tive oportunidade de lidar com isso, mas com mais tempo para pensar. :)

Com esta inconstância na corrida é normal alguma perda de forma e não vou omitir que tem sido difícil o regresso à rotina de treinos. Mas neste mês já levo mais quilómetros que em todo o mês de Outubro, por isso espero chegar a Dezembro com base suficiente para fazer o Trail da Ericeira, ao qual gostaria muito de regressar, mas estou reticente. Primeiro quero ver como me correm os próximos treinos longos e tentar, dessa forma, evitar outro desfile de arrastamento como foi o GTSA para mim.

Assim sendo: os treinos.

O primeiro longo do mês foi de regresso à Serra de Sintra, onde já não punha os pés há algumas semanas e estava a ressacar. :) E São Pedro brindou-nos com um bonito dia de Verão.

Uma das melhores vistas da serra...
... na Pedra Amarela.

Um treino previsto para 18-20km que acabou por ser prolongar até aos 25km porque os trilhos da serra de Sintra são uns brincalhões que estão sempre a mudar de sítio e depois uma pessoa perde-se. :)


Ainda eram visíveis os estragos do último temporal, com alguns dos caminhos quase intransitáveis.

No trilho de cima, com alguma ginástica, ainda foi possível passar (senão em vez de 25km teriam sido 30!), mas os ciclistas que vinham mais à frente, na direcção oposta, já não devem ter tido a mesma sorte.

Apesar dos quilómetros extra, acabou por ser um óptimo treino, em que me senti sempre bem e foram poucas as vezes em que tive de parar para caminhar (o que é raro).

Já no treino longuinho seguinte, num dia e local igualmente bonitos,

Já alguma vez correram num campo de golfe? :)

já não me senti tão forte e algumas das subidas, embora não tão desafiantes como as da serra, acabaram por me derrotar.

Mas uma pessoa continua na luta, e o longuinho seguinte foi de novo em Sintra, mas com início na Vila, em direcção ao Castelo dos Mouros.

Poder fazer um treino pelas muralhas de um castelo... Sim, sou uma sortuda!

Desta vez, com alguma chuva e temperatura mais outonal.


Treino de escadas!

Primeira parte sempre a subir, com regresso sempre a descer, pelo novo percurso pedonal que percorre a Vila Sassetti.


Muito pitoresco e encantado, como não poderia deixar de ser nestas redondezas.

E, depois dos treinos de Verão e Outono, nesta última semana parece que entrámos nos treinos de Inverno, sempre de manga comprida e corta-vento, tendo já feito uma corrida de final de tarde com o termómetro abaixo dos 10º. Por mim tudo bem, já que, como bem sabem, prefiro correr com frio em vez de calor, sempre.

Bons treinos!