22 de janeiro de 2015

Trail Run Socorro e Archeira

Sete minutos de prova e já estou a caminhar. Não estamos em terreno muito técnico, nem sequer numa subida de inclinação elevada, são as dores nos gémeos novamente. Desta vez até me juntei ao aquecimento de grupo feito antes da partida, por isso já nem sei qual será a causa. Às vezes tenho estas dores, outras vezes não. Quero correr e não consigo, até andar de forma mais vigorosa é doloroso. Todos me passam, atletas dos 29km, atletas dos 18km... Mais um bocadinho, e se facilitar, até os da caminhada. Páro e tento alongar, rodo os pés, estico as pernas, nada resulta. Sei que levará uns bons 30 minutos até passar, ou 4 ou 5 km, em linguagem de distância. Mas o facto de saber que vai passar não me ajuda. Sozinha, entregue aos meus filmes, entro numa espiral descendente de pensamentos negativos. “Se for para ser sempre assim, não vale a pena vir a provas”. “Nem correr consigo, para que é que me sujeito a isto?”. “É uma tortura”. “Para quê?”. E aquele “para quê?” fica a ressoar-me na mente. Hoje não é o meu dia.



Aos três quilómetros de prova fico parada no primeiro engarrafamento, segue-se a primeira grande subida da prova. Ao menos assim já não sou a única a caminhar e pode ser que com o esforço os músculos aqueçam mais depressa. 


Pela primeira vez, fiquei contente de apanhar uma parede tão cedo no percurso. A Serra do Socorro veio em meu auxílio.




A descida que se seguiu, por zona com pedras de origem vulcânica, tinha de ser feita com muito cuidado. Os meus ténis agarram bem e sinto alguma segurança, mais aqui do que na lama até. Finalmente entro num ritmo, lento, mas um ritmo. Vou ali algum tempo junto a um grupo animado dos 18km. Já levamos todos uma segunda sola de lama e patinamos bastante. Forma-se uma corrente de ajuda e consigo chegar ao primeiro abastecimento líquido, aos 6km, sem cair. Eles param e eu sigo, levo ainda bastante água comigo e estou a fazer uma média de 5km/hora… “Mas vim para uma caminhada? Preciso de melhorar isto!” – penso eu. Aiii, eu e a minha fé ingénua… Já devia saber melhor!



Não melhorou. Continuo a ter de caminhar bastantes vezes. Afinal, quando no Regulamento eles classificaram o trail como MD (Muito Duro), não estavam a brincar! Quem diria!!!... Passaram-me logo as manias de quem já fez provas supostamente piores.
Quando finalmente cheguei ao segundo abastecimento, aos 12km, a média mantinha-se. Ainda por cima já não havia bananas nem laranjas, que é o que habitualmente como. Só já sobravam maçãs e uns frutos secos salgados. Achei fraquinho, até porque eu própria estava fraquinha, por isso comi do que havia e ainda tomei um gel, que já carregava comigo na mochila há umas duas ou três provas. Houve quem tivesse tido direito a uma mini, mas achei melhor não fazer misturas. :)



Sempre que subimos às zonas mais altas, entramos numa bruma digna de mito sebastianista. Mais uma vez, passo pelas ventoinhas de que gosto tanto, mas mal as vejo, só as oiço. Também me questiono se irá ser possível correr mais do que 5 minutos seguidos que sejam nesta prova. Com tanta lama nos trilhos tenho medo de arriscar nas descidas, mas será numa subida que irei acabar por cair primeiro. 


Numa subida daquelas que, de tão inclinada e escorregadia, temos de ir com tracção às quatro rodas, há um local em específico onde, com a lama já tão espezinhada por centenas de pés, não encontro um apoio a tempo e começo a patinar. Estão a ver os desenhos animados, quando os bonecos perdem o chão e ficam ali uns segundos a mexer as pernas no ar, antes de cair? Fui eu, mas de mãos no chão, a patinar desesperadamente naquela parede de lama. Acabo por limpar um bocadinho o terreno para os atletas que se seguem, com a parte da frente da minha t-shirt e corsários.




Confesso que a tentação de encurtar o trajecto para 18km começava a ser muita. Era claro que não estava nos meus dias e o meu humor estava ao nível da minha média. Fraquinho, muito fraquinho. Mas, sabem como é, uma pessoa fica sempre na esperança das coisas melhorarem e na expectativa do que vem depois. Eu, pelo menos, fico sempre. E por isso é que tomei a decisão de ali, junto àquele chapéu-de-sol laranja perdido no nevoeiro, zona de separação dos percursos, seguir pela direita.



Por momentos, depois de umas boas centenas de metros em estradão em que consegui correr sem parar, apesar de me sentir bastante cansada para apenas 15km de prova, achei que fosse possível fazer uma segunda parte de prova mais rápida (afinal, tinha levado 3 horas para fazer 15km!), até que me deparo com isto:


Isto é sempre motivo de atenção extra em qualquer prova, mas nesta já me tinha apercebido que seria preciso uma concentração ainda maior. Já tinha dito que não estava nos meus dias?



À primeira vista, fiquei contente com esta parte. Correr ao longo, ou melhor, por dentro, do caudal de um ribeiro é sempre uma aventura de que gosto muito. O problema é que aquele caudal parecia não ter fim. Vinha uma curva, depois outra, e a água continuava a serpentear por ali afora sem final à vista. Não contabilizei, mas devem ter sido pelo menos uns 600 metros nisto.



Pelas fotos não parece, até porque não arrisquei tirar mais fotografias, mas aquilo estava violento, provavelmente devido às chuvas dos dias anteriores. Não dava para ver onde se punha os pés e uma das vezes não ganhei para o susto ao enfiar a perna num buraco até meio da coxa. Para piorar, a água estava gelada e comecei a perder a sensibilidade nos pés. A sola dos meus ténis até era muito boa neste tipo de rochas, e não escorregava, mas notei que a minha mobilidade já não estava a cem porcento. Confesso que foi a primeira vez numa prova que fiquei assustada, aquilo já não era só brincadeira e aventura, aquilo podia tornar-se perigoso e para além de não ver mais nenhum atleta nem para trás nem para a frente, não estava ninguém da Organização a controlar. O km16 levou-me 22 minutos a fazer, muito por culpa desta parte e da subida que se seguiu, escorregadia de tanta água deixada pelos atletas anteriores.

A recuperação foi feita a muito custo, estava cansada e gelada. Por cada passo à frente parecia que dava dois atrás. Parei para vestir o impermeável e sacudir as pedras que tinham entrado para os ténis apenas para saber que, pouco depois, ia ter de mergulhar os pés novamente! Devia ter suspeitado, quando, depois de um quilómetro sempre a subir, começamos a descer na mesma direcção e oiço outra vez o barulho do ribeiro. Logo agora que tinha recuperado a sensibilidade nas pernas… Mas bom, tem de ser, e lá fui, mas não sem antes tem dado a queda número dois, um enorme bate-cu num escorrega de lama. Nesta parte começaram a soar os alarmes de «Perigo: Mulher em Fúria» na minha cabeça, mas consegui controlar-me. Acho que o choque térmico ajudou. Foram mais 400 metros lentos e feitos a muito cuidado, mas desta vez na companhia de outros dois atletas.

Arte moderna junto ao abastecimento.

Felizmente que o abastecimento dos 20km não tardou e desta vez até tinham bananas. Bebi água e, por via das dúvidas, tomei outro gel. Faltavam menos de 10km para o final mas para mim parecia-me ainda uma eternidade. Fiz um telefonema em jeito de pedido de socorro e força, para ver se ganhava algum ânimo e evitava o ponto de ebulição que sentia iminente. O telefonema ajudou bastante e durante algum tempo até fui em modo cruzeiro, a repetir dezenas de vezes o mantra “Força, tu consegues”, para mim mesma. Até que, pára tudo, alerta vermelho! Cadê as fitas sinalizadoras?? 
...
Olho para trás e parece-me distinguir uma, lá bem ao fundo. Não devia estar a mais de 300 metros, mas era a subir. Tinha estado a descer, enganada, e agora tinha de subir aquilo tudo novamente… Grrrr…. Até fervi!
“Calma, respira fundo”...
Nem queria acreditar na estupidez da minha distracção, que não vi o trilho que saía do estradão e virava à esquerda, e bem assinalado e tudo, por sinal.
“Inspira, expira”...
Aposto que devia sair fumo pela minha cabeça, quando cerrei os punhos e me fiz novamente ao percurso. Tudo bem que o engano não foi grande, mas naquela altura sentia-me como se tivesse de subir as escadinhas do Cristo Rei, ao pé-coxinho, com 15kg às costas.




Acho que foi a partir daqui que passei definitivamente para o lado negro. Já rosnava às subidas, cuja grande maioria tinha de fazer com as mãos no chão, e às descidas que, com tanta lama, para além daquela que já trazia agarrada aos pés, não me deixavam correr. Como se atreviam?!

Última foto tirada durante a prova, ao km 22 (?)
O serpentear pelos trilhos junto à A8 foi um purgatório. Penso que foi uma forma que a Organização arranjou de acrescentar quilómetros ao percurso, mas para mim, naquela fase, foi horrível. Sobe e desce, sobe e desce… E a meta já a avistar-se do lado oposto da autoestrada e eu ali, naquele sobe e desce constante, num carrossel sem fim, qual Sísifo da mitologia grega, que tem de arrastar um enorme pedregulho monte acima, só para, ao chegar ao topo, a pedra vir por ali abaixo e ter de começar tudo novamente. Exagerada eu? Nãaa… :)

E depois caio pela terceira vez e perco toda a compostura. Acho que até dou murros no chão, enquanto me deixo estar sentada (já que caí, aproveito para descansar, como é óbvio). Sinto-me a protagonista num filme trágico-cómico. Onde é que estão as câmaras?
Finalmente lá me levanto, até porque comecei a ver outros atletas a chegarem lá ao fundo, e tento limpar as mãos o melhor que posso às ervas disponíveis.

Continuo metade a andar, metade a arrastar-me. Alguns carros que passam na autoestrada apitam. - “O que é que foi, uma miúda já não pode correr à beira da autoestrada, completamente enlameada, desgastada, e à beira das lágrimas de fúria??!” - Tento compor a minha dignidade e ajeitar-me um bocadinho. Ao levar as mãos ao buff, volto com sangue nas costas da mão. Mas que raio?! Vejo-me ao espelho no telemóvel, estou a sangrar do sobrolho. Alguma silva que me arranhou quando caí. Tento limpar e fica uma salganhada de lama e sangue. Isto não está fácil. Tiro o buff e, com água cuspida da mangueira da mochila, começo a limpar. Afinal era um arranhãozito de nada, mas como era na pálpebra sangrou que se fartou. Deixo ali o buff a estancar a ferida um bocadinho. Pelos vistos, os carros estavam a apitar porque eu era uma miúda a correr à beira da autoestrada, completamente enlameada, desgastada, à beira das lágrimas de fúria e a sangrar do sobrolho… Só a mim.

Mais à frente vou enganar-me outra vez. É só uns cem metros, mas quando regresso à zona das fitas aquilo parece-me tudo tão igual que começo a pensar que se calhar me perdi e estou a fazer o percurso no sentido inverso. Não vejo ninguém. Aquilo era só voltas e semi-voltas e, agora que pensava nisso, não era suposto ter passado por um abastecimento líquido aos 24km? Já ia com 26… Tive ali um momento de pânico e estive a segundos de desistir e me sentar à beira do percurso e ligar para a Organização ou ficar à espera que passasse alguém, mas avisto uma seta laranja a par da fita e aponta na direcção que estou a seguir. Menos mal. "Só faltam 3km, tu aguentas…" Só faltam 3 km… TANTO.

Finalmente atravesso o túnel que me leva para o lado certo da A8, o lado onde me espera a Meta. Nunca me senti tão esgotada numa prova e foi, de longe, aquela com o ritmo mais lento na história de todas as minhas provas. Serra d’Arga incluída. Se houvesse dúvidas, aqui está a prova de como o aspecto mental da resistência conta bastante. Hoje tinha desistido às primeiras dores nos gémeos.

Um rapaz passa e diz-me: “Força, está quase!”. Eu pergunto se falta muito e ele responde: “200 metros, se tanto”. Espero que não me esteja a enganar! Desato numa correria para tentar ficar à frente do senhor com quem estava a partilhar esta última fase do percurso. Ele não se deixa ficar e acelera também. Tenho a certeza de que esta nossa competição deveria assemelhar-se àquela corrida do caracol que às vezes dão nas notícias. Uma emoção. Cruzamos a meta juntos, mas ele finta-me e chega à mesa onde registam os tempos primeiro do que eu. Já não se fazem cavalheiros. :)

E aqui está, a minha pior prestação numa prova desde há muito tempo. Não tanto pelas horas que levei, mas pela derrota mental. O meu cérebro é o Hitchcock dos dramas e, embora agora, na altura em que escrevo, ache uma comédia, durante o decorrer do filme não foi fácil.

Zona no interior do Dolce Resort. Vista green.

Não quero que a minha má experiência condicione a minha opinião da Organização, razão pela qual esperei alguns dias antes de fazer a crónica. O percurso era, de facto, bonito, com passagem em área protegida da Serra do Socorro e Archeira e, embora tenha achado aquelas voltas já no final, junto à A8, um bocadinho aleatórias, tenho a certeza que noutras condições iria adorar fazer aquele trajecto no ribeiro. Mas acho que houve falta de apoio ao longo do percurso e os abastecimentos, pelo preço da prova, poderiam ser um pouco melhores. E estava anunciado um abastecimento líquido para os 24km que não existiu (ou quando eu passei já lá não estava). Também não controlaram, ou pelo menos não dei conta, o material obrigatório. (Isto de maior interesse para quem se classifica, claro).
Mas o percurso estava muito bem assinalado, gostei da zona da Meta, do secretariado e balneários, do cuidado do briefing e aquecimento inicial e da queijadinha no fim. (Já vinha esfomeada!)
Por isso, se alguns aspectos forem revistos, está aqui uma prova que vale a pena, durinha, à altura de um grande desafio e convenientemente perto de casa.

Agora, o que tenho a fazer é aprender com o que se passou e tentar melhorar. E esperar que para a próxima já seja protagonista de um filme mais feliz.

20 comentários:

  1. Hehehe...desculpa, mas gostei muito de ler o "teu sofrimento". Acho sinceramente que esta experiência te vai ser muito útil nas tuas aventuras futuras, e é a prova provada que tu és das duras de roer...e com um bocadinho (muito) de mau feitio :):):)
    Ai querias as provas sempre no "bem bom"??? Pois, queriaaass :P
    Beijinhos

    P.S. Dia 8/2 vou a Santa Luzia fazer os 45km quase sem treino...se o tempo for o que se espera (chuva, frio e vento) posso fazer copy paste do teu texto, alterando só alguns pormenores??? ...lol

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    1. Pfff, vocês só gostam é de ler sobre as "desgraças" dos outros!!!
      :P
      Mau--feitio, eu??? E eu a achar que tinha disfarçado tão bem... :D
      Enfim, a próxima já há-de ser melhor. :)
      Beijinhos
      Dou-te autorização para fazeres copy paste, não te esqueças é de substituir o "mulher" e "miúda" por "homem" e "puto". :P Se bem que estou mesmo a ver que vai ser daquelas crónicas mete-noijo onde "ah, não treinei nada e tal, e cheguei ali e parecia que voava, não sei que aconteceu".... Tsshhhh... ;)

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  2. Ufa! Que aventura e tanto! Mas, é nas provas que pior nos correm que ganhamos mais experiência e força para as melhores.
    Costumo repetir muito esta história mas é verdade. Meia-Maratona de Setúbal 2012 - Estava a 6 meses e tal de me estrear em Maratona. Esta meia correu-me de tal maneira mal que dois amigos disseram-me, muito paternalmente, "esquece a Maratona". E não te ofendas com esse "incentivo" pois a forma como me correu mal era merecedora disso. Cerrei os dentes e disse "faço a Maratona, corto a meta e faço-vos um manguito!". Claro que não fiz manguito nenhum, longe disso, mas hoje reconheço a importância que aquela miserável meia que fiz teve no facto de ter cortado a meta na Maratona. Essa prova ensinou-me imenso e deu-me um enorme boost mental (de raiva).
    Vais ver como te vai correr bem o teu próximo desafio.
    Então a ti que és de fibra! :)

    Beijinhos e parabéns por teres resistido a tudo e cortado a meta :)

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    1. "faço a Maratona, corto a meta e faço-vos um manguito!" Ihihi é esse mesmo o espírito! :)) Entendo bem.
      É importante ter abre-olhos destes de vez em quando, embora ninguém goste de passar por eles, claro. É uma oportunidade de evoluir.
      Obrigada! Beijinhos

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  3. Absolutamente magistral! Que atleta e que determinação. São essas provas que nos tornam (te tornam que o meu esqueleto já não se mete nisso!..) mais forte. PARABÉNS!
    (vou dar destaque a este texto no UK)
    Beijinhos!

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    1. Muito obrigada pelo destaque, Jorge, é uma honra.
      Mas correu-me melhor o texto que a prova. ihihih :)
      Beijinhos

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  4. "Já não se fazem cavalheiros. :)", tens razão, isto desde 75 foi sempre a descer :(, no minimo perguntava se precisas de ajuda e levava-te às cavalitas (ao colo presume alguma intimidade :) ) até ao controlo!

    "E depois caio pela terceira vez e perco toda a compostura. Acho que até dou murros no chão"- épico, estou a pensar na minha possivel figurinha...hmmm, acho que adjectivava a familia de toda a organização até à 12 geração!

    "aprender com o que se passou e tentar melhora" por vezes pura e simplesmente as "coisas" correm assim, mas olha que aguentar e nem sequer fazer o corte para o trail curto não é para todos ou todas!

    Resumindo, trail dificil, pelas condições atmosféricas, principalmente, e que te condicionaram.
    Nestes dias a companhia por vezes ajuda, quando tal não é possivel vem a fibra de cada um de nós "ao de cima" e, Menina, visto daqui, isso aí é só FIBRA!"

    PS: "Tenho a certeza de que esta nossa competição deveria assemelhar-se àquela corrida do caracol que às vezes dão nas notícias" - Aconselho o visionamento do filme de animação "Turbo" :), pelo menos a parte da corrida...de caracóis :)

    PS2: trata lá do sobrolho, porque em relação à alma apenas tens razões para sorrir (eu sei, agora...)

    Bjs

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    1. Por acaso o cavalheiro em causa era da velha guarda, anterior a 70. :)
      Uma senhora não "adjectiva a organização"! A não ser que esteja sozinha, mas, nesse caso, também não irá admiti-lo no blogue. :P
      Foi um horror, mas pronto, nem sempre se pode ter boas experiências. A próxima já há-de correr melhor (hopefully!)
      Bjs
      PS: Já vi! :) Não era caracóis desse nível. ;)
      PS2: O arranhão já mal se nota, mas pela quantidade de sangue quase que diria que tinha raspado alguma aorta da pálpebra. :D

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  5. Na minha opinião essas dores nos gémeos são kms a mais nas pernas nas últimas semanas... O treino invisível também é importante. Chegaste ao fim e isso é conta, mais uma para o currículo! Bom descanso...

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    1. Não sei, tenho corrido o mesmo... :/ É estranho às vezes ter e outras não. Tenho de ir fazer umas massagens.
      Obrigada!
      Beijinhos

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  6. Anónimo23/1/15

    Era para ser para o post anterior, mas adequa-se bem a este! Parabéns pela bela aventura e experiência ganha. A gente brinca mas concordo que as organizações andam a esticar a corda da segurança e qualquer dia lamenta-se algo desnecessariamente... Bom aqui vai...

    "Brincamos com os nossos limites.
    Sabemos isso, sabemos sempre isso! Aliás, é esse o desafio! Aí é que está o gozo…
    O eu-aventureiro está sempre em alta. Ele é mais km, km mais difíceis, condições mais desafiantes, a eterna atracção pelo desconhecido.
    - Sou capaz? Claro que sou capaz! Olha aquele caminho! Incrível!! Vamos!!
    O eu-conservador vai sendo convencido! Mas vai avisando. Avisa sempre!
    - Olha que não é boa ideia!... Atenção ao desgaste!... Isto não está famoso…Falta imenso! Abranda! Não podes mais….. E porque é que te metes nisto!?...
    É deste diálogo de surdos que se faz o trail, particularmente as provas de trail, assim como muitas coisas da vida.

    Às vezes, o eu-conservador surge traiçoeiro, e manhoso, dominando os acontecimentos. Distracção ligeira, cansaço, qualquer momento de dúvida e aí está ele. E quando se instala não é fácil demovê-lo. E às vezes, muitas vezes, até tem razão!..
    E… parece-me… foi isso que aconteceu!
    Aprende-se sempre, e se foi isso que aconteceu, há que paciente e respeitosamente ir convencendo o eu-conservador a encolher-se no seu canto. Mas nunca a ir-se embora!
    O eu-aventureiro, sem a ponderação sensata do eu-conservador, levanta vôo, e muito alto, e pode ser uma chatice se der em queda.
    É do dialogo e disputa entre o eu-conservador e o eu-aventureiro que se desenha a nossa existência, e tudo aquilo que vamos fazendo.
    E assim brincamos com os nossos limites."
    Bons trilhos aventureira! ah! e as dores nos gémeos, como aparecem e desaparecem, devem ser sobrecarga, com já foi dito. Gelo (aos 10' cada vez), massagens (auto massagem tb.) descanso e diversificação de actividades.
    Pedro

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    1. Obrigada pela pertinente contribuição, Pedro.
      Essa questão dos limites é sempre difícil de definir. O que é demais? O que é desafio e o que é inconsciência? Acho que no fundo todos temos aquele discernimento que vem do instinto básico de sobrevivência, mas há que ir receptivo a segui-lo. E depois, claro, os limites do conforto de cada um. Esses ,ainda que contrariadamente, podem ser ultrapassados, os outros não. Ou não convém.
      Está bem que somos adultos responsáveis, mas as organizações não se podem descartar de toda a responsabilidade. Penso que ali naquela zona justificava alguma vigilância. Pelo menos, tal como disse, foi a primeira vez que senti que caso tivesse algum azar ali sozinha, o desfecho podia ser mau. Mas sei que estas provas envolvem sempre um médio/elevado grau de risco.
      Se vou continuar a arriscar? Sim. Mas sempre dentro daquilo que considero razoável (o que é razoável?... :) ) Gosto de cá andar. ;)
      Este é um tema fascinante, e de interessante debate neste tipo de desportos na natureza.
      Por acaso (resquícios de medo de lesão passada) ponho gelo com frequência nos joelhos. Já os gémeos, são frequentemente esquecidos. Mas está agendada massagem próxima.
      Obrigada, bjs.

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  7. Cum caraças, que batalha! Bem, não podem correr todas bem! Dizes bem e reforço, o aspecto mental é tão ou mais importante que o fisico! Sei que nesta altura, quase uma semana depois, já tens consciencia que até saiste mais forte disso tudo, mas...cum caraças!! Essa parte do riacho até a mim me assustou! Até meio da coxa?? :O

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    1. É verdade. As águas eram turvas e enfiei um pé num buraco entre as rochas. E depois para o tirar?? Com medo que ficasse lá o ténis?!!! :D Enfim... Ainda eu estou habituada a saltar pelas rochas das ribeiras desde criança, olha se não estivesse. ;)
      Beijinhos

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  8. Há dias assim Rute, nem sempre estamos no nosso melhor.
    A próxima será melhor!

    Beijinhos

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    1. Sim, é verdade, mas não gosto desses dias. :D Será melhor de certeza! :)
      Beijinhos

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  9. Que raio de prova que tiveste, mas apesar de todas as adversidades conseguiste chegar ao fim e isso é que importa.

    Quanto à má experiência, de certeza que vais retirar dela algo positivo para ficares ainda mais forte nos próximos desafios.

    Beijinhos

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    1. Sim, alguma coisa boa há-de vir. Pelo menos, a próxima prova já nem vai precisar de muito, basta correr melhor que esta! :)
      Beijinhos

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  10. Boa. Gostei da história. Sorri em alguns dos episódios relatados, porque gosto de rir das desgraças dos outros. As m/desculpas. parabéns pelo relato.

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    1. Entendo perfeitamente, está desculpado. :)
      Obrigada!

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