28 de abril de 2015

Trilhos e Tralhos

Apesar das várias provas de trail em que já participei e dos inúmeros treinos que faço pelas serras e matas, acho que nunca caí em trilhos. Quando digo, "nunca caí" estou a referir-me a uma queda a sério, espampanante, como gente grande, porque à quantidade de bate-cus e torcer de pés já perdi a conta... Felizmente sem gravidade.
Todas as minhas quedas espampanantes aconteceram sempre nas estradas e caminhos o mais inofensivos possível, que é geralmente quando uma pessoa baixa a guarda.
Desde que comecei a correr lembro-me de ter dado três grandes quedas, sempre em treino. O que perfaz uma média de 0.75 por ano. Não está mal.

Uma dessas quedas aconteceu em Monsanto, quando estava quase parada, depois de ter feito uma pausa para beber água. Acho que até vos falei dela aqui, mas agora estou preguiçosa para ir pesquisar os arquivos.
A outra aconteceu numa das pontes em madeira do Parque das Nações, num dia de chuva. Não é preciso muito para imaginarem como a madeira fica escorregadia quando está molhada... Ora, ia eu toda lançada a fazer uma curva, quando derrapo e aterro direitinha com os costados no chão, parecia uma carpa acabada de ser pescada a bater no fundo do bote (a sério, foi esta a imagem mental que me veio à cabeça na altura). Como estava de chuva havia pouca gente na rua graçasadeus e a minha queda aparatosa apenas foi presenciada por uma outra rapariga que vinha a correr na direcção contrária e que fingiu que não viu, ou para poupar a minha dignidade (obrigada!) ou para não estragar o pace (insensível!).
A última queda foi exactamente este Domingo e as feridas no orgulho ainda estão recentes.

Estando impossibilitada de fazer o habitual longo em trilhos, decidi que também já era boa altura de treinar a mente e tornar a fazer um longuinho em estrada. Para evitar confusões e multidões, escolhi a hora do jogo Benfica-Porto que se disputava nessa tarde. E a verdade é que não havia assim tanta gente nas ruas e eu pude, depois dos primeiros quilómetros que para não variar me custaram bastante, entrar no ritmo, cantarolando as músicas que estava a ouvir nos auriculares. Ia eu toda feliz, o sol, os passarinhos e a música, quando tropeço numa zona sem pedras ou qualquer outra irregularidade aparente e mando um voo à super-homem a rasar o chão que foi assistido por um total de cinco pessoas, que eu tive oportunidade de contar enquanto ia em queda. Tento sentar-me rapidamente mas na boa, simulo um aceno descontraído a três pessoas que ficaram paradas a olhar para mim sem saber se haviam de me ir ajudar ou não, faço pausa no Garmin (já tinha a dignidade em frangalhos não havia necessidade também de dar cabo do pace) e levanto-me a avaliar os estragos, mas sempre com grande naturalidade (espero eu). Na altura senti logo que tinha raspado o braço e que havia de ficar com um hematoma na coxa, mas retomei a corrida como se nada fosse. Pelo menos até sair do campo de visão das testemunhas deste meu momento.

Depois disto, esta informação até acaba por ser um acessório, mas acabei por fazer um treino de 20km a um ritmo bonzinho para mim. A queda serviu, inclusive, para acelerar a velocidade nos quilómetros finais, já que queria ir dali para fora, não fosse dar de caras novamente com as tais pessoas.

Agora é a vossa vez de me contarem as vossas quedas mais aparatosas e/ou cómicas. Nada de quedas estilosas, em que ficam com uns ligeiros arranhões e lama a mostrar dureza na meta. Quedas embaraçosas mesmo! Temos de ser uns para os outros. :)

E antes que façam pouco do meu infortúnio, deixo-vos com uma história:
No início do ano, uma pessoa minha conhecida foi fazer uma travessia de bicicleta. Uma das etapas percorria o Porto. Quando estava a atravessar a Avenida dos Aliados, em plena hora de ponta, atrapalhou-se com uns peões que estavam a circular e caiu, cito: "de forma ridícula"... Mesmo em frente a uma camioneta de excursão cheia de adolescentes que estava parada no sinal vermelho. Quando ela me contou isto eu fartei-me de rir desavergonhadamente na cara dela, de mãos na barriga e quase a ir às lágrimas. Poucos meses depois acontece-me isto.

O tal do Carma é lixado... :)

25 comentários:

  1. Não me esqueço do meu tralho na Corrida do Monge! Até agora o tralho mais a sério. Também vieram ter comigo dois jovens que me perguntaram: "quer ajuda?" Ao que eu respondi com ar de pobre e mal agradecida: "não, mandei-me para o chão e vou ficar aqui o dia todo!! Claro que quero ajuda, pá!"

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    1. Ahahah :) Podias querer descansar... ;)
      Beijinhos

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  2. Tens um humor muito particular a relatar as "desgraças" :)

    Quanto ao teu desafio de relatarmos as nossas quedas, até tenho vergonha de dizer isto mas foi apenas uma em 10 anos! E desde que participo em provas (Março de 2006), nenhuma!
    A minha foi em Janeiro de 2006. Estava muito frio (no dia a seguir foi quando nevou em Lisboa, recordas-te?) e muita chuva. Ia eu no Passeio Marítimo e quis inverter a marcha. Disparate dos disparates, dei a volta em cima das placas de metal que marcam cada 100 metros. Molhada como estava e com o frio, estava muito escorregadia e a perna fugiu por completo e fui de cara ao chão. Felizmente, coisa muito rara em mim, nesse dia decidi ir sem óculos, pois caso contrário tinha sido grave pois bati com a zona da vista esquerda (fiquei com o chamado olho à Belenenses).

    E pronto, estamos falados de quedas. Mas já torci fortemente um pé em aquecimento para uma prova (paragem de 3 semanas) e... parti um pé... (6 dolorosos meses afastado de corridas)

    Beijinhos e cuidado com o Carma :)

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    1. :)
      Só uma vez em 10 anos??? VERGONHAAA!! :) Mas também, se for para te magoares a sério não vale a pena.
      6 meses parado... Auch! :S
      Beijinhos

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  3. Elecas... isso é que foi um voo à Super homem....
    Felizmente sei o que é fazer voos desses mas nunca tive um bate chão.
    Eu explico.
    Em plena primeira Meia Maratona, a Marta vai já a arrastar-se por volta dos 17Km... Passamos por uma zona em que tem uns picos na estrada, eu toda contente decido passar por cima em jeito de brincadeira, e claro tropeço num deles..... parecia que estava a encarnar a personagem do jackie chan.... foi um belo voo.... mas felizmente consegui aterrar direita :)

    Essa queda deve ter doido... mas acho que o orgulho doeu mais não?! :)
    Isso era o que certamente me iria custar mais, o facto de ter espectadores!! hahahaahh

    :D

    Beijinhos grandes

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    1. Bem, esta é uma história de queda muito fraquiiiiiinha, é só o que tenho para dizer! :) Nem chegaste a tocar no chão, pfff... :P
      Sim, dói sempre muito mais o orgulho. ;)
      Beijinhos

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  4. Olha, cá eu cada vez que corro em trilhos, é garantido! Caio sempre!

    A ultima foi porque estava a correr em Monsanto e vi um coelho ao lado do percurso, esqueci-me foi de olhar para o percurso! :)

    Beijinhos

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    1. Coelhos em Monsanto nunca vi, mas esquilos já vi umas quantas!
      Basta uma distracção, não se pode facilitar... ;)
      Beijinhos

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  5. Felizmente nunca tinha nenhuma queda grave e em 4 anos de corridas, só me lembro de cair 2 vezes.

    A primeira foi na Serra d'Arga, na ultima descida o pé escorrega e fico sentado no chão. A outra foi num treino, com um pé levantei um aro de arame, e o outro pé ficou enfiado lá dentro, quando dei por mim estava deitado no chão, foi tão rápido que nem me lembro de ir a cair.

    Mas a queda mais estúpida foi de bicicleta, nas primeiras vezes que andei com pedais de encaixe. No fim de um treino paro e esqueci-me que tinha de desencaixar o pé, resultado cai direitinho para o lado tipo desenho animado.

    Beijinhos

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    1. Pedais de encaixe são um dos meus maiores medos!! lol
      Também deve ter sido uma queda engraçada, porque não teve gravidade. :)
      Beijinhos

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  6. Boas!

    Fizeste-me puxar pela memória e não encontrei nada épico a assinalar. Parece impossível não é? Mas houve uma vez que enquanto treinava para os 1500 mts obstáculos, não saltei bem a barreira e fiquei sentado dentro de água. Nada de especial...

    Agora de bicicleta de BTT... Ui, aí já são algumas! A pior queda foi mesmo aquela em que parti a mão e fiz uma luxação no ombro. Essa sim, pode ser considerado épica e valeu-me um mês de baixa médica!

    Boas quedas! :)

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    1. Essa de não teres saltado bem a barreira e caíres sentado dentro de água também tem potencial cómico a ser explorado! :)
      De bicicleta acabam por não ter tanta piada porque são mais frequentes e, infelizmente, muitas das vezes com consequências mais sérias sem graça nenhuma.
      Bons treinos!

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    2. eh eh eh, acho que o potencial cómico depende do número de pessoas que assistirem à queda!

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  7. Oi! Quedas já dei algumas, e também, em situações sem jeito nenhum. Quase sempre relacionadas com falta de atenção e zonas fáceis! Uma de que me recordo pela singularidade foi durante um treino na serra da Figueira da Foz, onde caí para uma zona baixa, cheia de silvas e, cada vez que me mexia, afundava-me mais! Mas é como se diz, "as quedas fazem o cavaleiro". Curiosamente, em situações difíceis tipo "Abutres", o grau de alerta é mais elevado e não há grandes quedas...

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    1. Ahaha essa queda das silvas também deve ter sido engraçada (de ver, não de cair). ;)
      Mas sim, é isso mesmo, quando se baixa a guarda é quando geralmente acontecem as coisas.
      Bjs

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  8. Olá , chamaste ??

    ...tenho uma fresquinha e aconteceu á pouco mais de 2horas :)

    Treino nocturno para "afinar" o frontal , a mochila e dar o ultimo treino antes da aventura que se aproxima...

    UM segundo a olhar pra cima a ajustar o frontal , raiz normalíssima no trilho onde já passei "milhares" de vezes , e catrafodasse , que nem respirei.

    Quando dei por mim tava de joelhos, ombro direito e cabeça na relva , a milímetros de pedras e paus !
    Faz parte , e desta fez não fez mossa!

    De resto já tenho uma serie delas, ...umas, já a contar com elas , outras mais de "surpresa" , felizmente nunca nada de grave.
    E sim , é quando se "baixa-a-guarda" , que elas mais acontecem.

    Em provas em que sabia que ía cair e que era "perigoso" não caí , em provas e treinos mais "descontraídos" , pimba !!
    Não á meio de aprender ;)

    ...é verdade, ao tempo que não ouvia a expressão do Paulo , mas é isso mesmo "as quedas fazem o cavaleiro" :D

    continuação de bons treinos e provas
    bjs
    ajb

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    1. Não podias ficar atrás nas quedas, né? Quiseste logo ter material fresquinho para contar! :)
      O importante é que ninguém se magoe, senão depois perde a piada.
      Beijinhos e bom PG.

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  9. Hello!
    So they say: Karma is a b*;
    Se eu tivesse a tua "carreira", já tinha ido parar ao hospital. Eu, que levo uma vida calma, estou sempre a "tropeçar no ar"; Destaco 3 quedas mais marcantes:
    .Aos 12 anos cai de bicicleta e parti os 2 dentes da frente;
    .Em frente do director da escola. Tinha uns 16 anos e tropecei num vaso. Que vergonha!!;
    .Em 2013 cai na ponte 25 de Abril e ainda hoje tenho a marca no joelho;
    Fiquemo-nos por aqui :)

    A tua média até que não vai mal!

    Beijinhos

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    1. Ihih Por acaso ia usar essa frase no final, mas mantive-me no tuga! :)
      Eu sou como tu, também demora muito a sair a marca das feridas. Tenho uma no braço de uma queda que já lá está aos anos...
      Essa de partir os dentes da frente é que auch!!! O resto é feridas na dignidade. ;)
      Beijinhos para vocês!

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  10. hahahah não me vou rir muito porque até agora não caí... nao vá acontecer uma lixada depois de me rir contigo...

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    1. Pois, é melhor não agoirares... ;)

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  11. Anabela30/4/15

    Duas quedas sem grande gravidade.
    Uma delas num trail. Aterrei de joelhos. A Serra achou que a sua beleza era digna de se lhe prestar uma vénia. Seja. Felizmente atrás só estavam as ovelhas.
    Num treino. Ponte de metal escorregadia por causa da chuva. Mesmo no finalzinho, escorreguei e dei uma "bate cu". Felizmente deu tempo para minimizar os estragos e suportei o impacto da queda com as mãos. Membros inferiores intactos.
    Mas isto nas corridas é do género: corridas sem quedas é como um jardim sem flores.:)
    Boas corridas!

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    1. Ihihih está visto que em dias de chuva são necessários cuidados redobrados. :)
      Sim, vamos acreditar que essas "flores" fazem parte e embelezam a coisa! :P Desde que suaves. ;)
      Boas corridas!

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  12. Corrida das Fogueiras há uns anos valentes:
    Corria tão encostado a berma que sai da estrada e enfiei-me chão abaixo um meio metro dentro de um silvado!
    Tirando uns aranhões nas pernas e ter feito parar todos os atletas, que corriam ao pé de mim pararem não me aconteceu mais nada! Conforme me enfiei pelo chão adentro saí logo de lá nem sei como!
    Se tivesse sido noutra zona do percurso tinha ido por uma falésia abaixo e, provavelmente, não estaria aqui a contar!
    Numa mais corri junto à berma na noite, magica, de Peniche, agora é sempre no meio da estrada!!
    Beijinhos.

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    1. Possa, essa também é assustadora! E eu que vejo tão mal à noite, havia de ser bonito! :) Só indo pelo meio da estrada, a seguir a faixa branca.
      Beijinhos

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