8 de agosto de 2015

Ultra Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos


- "Calma, isto é uma subida, vamos caminhar. Ainda falta muita prova."

Na noite de 1 para 2 de Agosto, os deuses do trail estiveram comigo quase até ao fim. Como que para equilibrar a balança, o UTNLO não poderia ter corrido de forma mais diferente do CUT. Num, o drenar completo de energia, no outro, sempre ligada à corrente! Aproveitando o percurso maioritariamente rolante, queria correr e correr, estava fascinada com o raro momento de simbiose mente/corpo na corrida. Além disso, de noite todas as subidas são pardas, parece que custam muito menos. Tiveram de me refrear os ânimos várias vezes, com medo de que viesse a pagar a factura mais tarde.

Tens razão, ainda falta muita prova. Não quero estragar o carma e embater num muro monumental. Caminhemos.


Ultra Trail Nocturno da Lagoa de Óbidos


Em relação ao quanto eu gosto da ambiência desta prova, não há muito mais a acrescentar, podem ler o que escrevi sobre as edições de 2013 e 2014. E mantenho também o que já tinha achado anteriormente: esta prova, durante o dia, seria uma tortura, com os seus estradões intermináveis e dunas, a aliar à humidade que já de noite é difícil de suportar. Mas também nos proporciona um dos locais de partida mais bonitos, numa das melhores alturas para visitar a Vila.



Hidratação pré-prova. (E o segredo da inesperada energia??)

O medieval e o moderno.
Este ano a partida das provas era feita em simultâneo. Manter a partida simbólica de mais de 500 atletas no Jogo da Bola foi como tentar meter o Rossio na Rua da Betesga.


Quando chegámos, já nem dava para entrar lá em cima, por isso iniciámos a descida pelas ruas da Vila numas escadas um pouco mais abaixo. Depois da passagem no pórtico, já fora das muralhas, os atletas das diferentes provas seguem em direcções opostas, com os dos 25km a seguir em frente e os da Ultra a virarem à esquerda, juntamente com os dos 10km. Os primeiros quilómetros acabaram por ser um pouco congestionados, entre quem começa com maior velocidade para completar a distância mais curta e quem tem a noite toda. Mas recordo-me que irei passar esta primeira fase em despique com um atleta muito especial, um pastor-alemão, munido do seu próprio frontal, que acaba por se tornar uma mascote colectiva. Apesar da concorrência desleal, ele tem quatro patas, eu só duas (haviam de vê-lo a atacar as subidas), vai haver um ponto em que vamos deixá-lo para trás, para nunca mais o ver (mas apenas porque foi obrigado a esperar pelo dono, justiça seja feita).

Tirando as partes mais icónicas, como as arribas e a lagoa, é difícil lembrar-me de detalhes do percurso. Será muito disto:


E disto:

:-)

Sei que por volta dos 3km surge a primeira "grande" subida, que provoca algum engarrafamento, com viaturas encostadas à esquerda e outras a tentar ultrapassar pela berma direita, num claro desrespeito ao código da estrada do trail.



Lembro-me também do pó. Muito pó no ar, levantado pelas passadas dos atletas da frente e que o foco do frontal perfura como um sabre de luz. Sente-se a entrar na respiração, a arranhar a garganta e os pulmões. Ainda por cima respiro pela boca, claro, que a humidade é muita e o passo é de corrida. Não é bonito cuspir? Não faz mal, está escuro, ninguém vê.
A seguir ao pó, o incêndio. O ar abafado, o cheiro a cinza... Houve ali uma altura em que o vento mudou e nos trouxe o cheiro de algum fogo nas redondezas. Os tons típicos que encobrem o céu de uma lua fantástica não dão margem para dúvidas. No entanto, não é perto o suficiente para assustar.

Este ano achei os quadradinhos reflectores ligeiramenteee maiores. Mesmo assim, havia locais em que ficavamos com algumas dúvidas. Bastava o reflector estar enrolado a alguma cana, ou ramo, deitado abaixo por um atleta anterior, e já tínhamos de fazer ali algum trabalho de busca. Mais do que uma vez avistámos outros pirilampos mais à frente, às voltas, sem saberem para onde seguir. O meu frontal não era mau de todo, mas ainda bem que ia acompanhada por uns máximos!

Entretanto íamos bem e com folga para passar no corte do km39. Não tenho dúvidas de que, tal com disse, se fosse de dia já teria parado várias vezes para caminhar, mas o escuro da noite estava a afastar-me a dificuldade dos olhos e, por conseguinte, da mente. No abastecimento líquido, aos 10km, tinha tomado o primeiro gel e no abastecimento dos 24km comi fruta e bolachas.

Antes da Foz do Arelho ainda vamos apanhar uma zona de dunas. Ali ao lado ouve-se o mar. Vem-me à memória a famosa canção dos GNR e começo a cantá-la na minha cabeça.
- "Não te distraias, vai com atenção!"
Afinal parece que ia a cantar em voz alta e entendi a indirecta para me calar. :-)
A Lua Azul da noite anterior, ainda quase cheia, ilumina as arribas que percorremos. Depois do CUT fiquei vacinada, por isso não me vão parecer assim tão más, embora a descida tenha de ser feita com muito cuidado. A folga horária que tínhamos começa a ficar mais apertada.

Com cerca de 37km o vento traz-nos o som de música muito alta. Irá acompanhar-nos até atraversarmos o passadiço e descermos as escadas até ao abastecimento do corte, junto à praia, com cerca de 6h20 de prova. Conseguimos.
Tiro uma banana e uns bolinhos e, enquanto como, olho para o outro lado da baía, onde está montado um palco cheio de luzes e centenas de pessoas dançam incentivadas pelo DJ. Então é assim que as pessoas normais fazem noitadas? Já nem me lembrava. São quase 4h da manhã.
- "Bora?"
- "Bora."
Retornamos a corrida.
Prefiro esta minha noitada.


Mais uma foto de uma paisagem fantástica. ;-)
Irão seguir-se os intermináveis quilómetros que circundam a lagoa. Às vezes, se fechar os olhos, parece que ainda lá estou. Dois frontais, o luar reflectido na água, os pés que batem o estradão a ritmo certinho e os quilómetros que não passam. Estamos numa roda de hamster que não vai dar a lado nenhum, dei por mim a pensar. Aquela tenda, aquele pescador que dorme agarrado à corda, esta tenda, este pescador que dorme agarrado à corda... E as luzes do lado oposto da lagoa que parecem sempre as mesmas.
Quebro o silêncio para dizer: "bebe água", no momento em que eu própria me lembrei de a beber. Se não estivesse com a roupa toda molhada da transpiração, devido à humidade, era fácil esquecer-me de hidratar, a luz da lua não queima como a do sol... "Bebe água", vou repetir várias vezes durante a prova, sem saber ainda como uma coisa tão simples irá ser tão importante.

O abastecimento do km49 é um sacana! Anuncia-se cheio de luz, com holofote gigante, e parece que é já ali, mas ainda são uns 2km de curvas e contracurvas até lá chegar. Lembro-me dele de anos anteriores, este trajecto já é conjunto com a prova dos 25km e tenho a impressão que todos os anos exclamo a mesma coisa: "Porra, rai's parta o abastecimento, que nunca mais lá chego!" No entanto, lembro-me que em anos anteriores cedi a caminhar, desta vez não. Doíam-me já as pernas, mas o ânimo estava alto. Depois, chegámos finalmente ao último PAC, e tudo mudou.

O A. sentou-se e não quis comer nada. Levei-lhe água e, só a visão do copo, deixou-o agoniado. Ainda não íamos com 8 horas de prova, o que nos deixava mais de 2 horas para fazer os restantes 8 km (pensavamos nós, acabou por ser um pouco mais), tempo suficiente, caso não houvesse grandes dificuldades no percurso. Por isso sentei-me também, e aproveitei para mudar as pilhas do meu frontal. Mas o tempo ia passando e o enjôo continuava. O pouco que tinha bebido e comido durante a noite estava a deixar as suas marcas. Chegavam e partiam novos atletas e ele sem sinais de melhorias. Entretanto, começava a nascer o dia e decidimos ir a caminhar e ver como nos sentíamos. Cruzámos o tapete de leitura dos chips com 8h02 de prova.

Houve uma altura em que parecia que tudo ía correr bem. As sinalizações, à luz do dia, eram extremamente difíceis de seguir, mas estava quase. Intercalávamos corrida com caminhada, a um ritmo mais lento do que até então, mas suficiente para terminármos nas calmas. Penso que na altura o A. já só se esforçava para correr por causa de mim, mas eu ainda não tinha percebido. Foi então que, já de dia, avistam-se as muralhas ainda ao longe, quando pensavamos faltar já só  2km até à meta. Foram os 2km mais duros. A caminhada ficou reduzida a um arrastar que custava ver. Eu digo "vamo-nos sentar", ele diz "segue tu, eu não aguento mais", eu respondo "ainda temos 1hora para fazer estes 2km, é tempo suficiente, calma"... Já disse que foram os 2km mais duros? Não da prova em si, apesar de haver ali ainda uma zona de subidas auxiliadas a cordas que se dispensava nesta fase, mas da luta, das dúvidas, da impotência.
- "Deixa-me aqui, vai tu terminar a prova."
- "Achas que te vou deixar aqui sozinho nesse estado?? Não digas disparates!"
- "Segue tu, não aguento mais"
- "Vamos sentar-nos"
- "Segue"
- "Não"
- "Segue"
- "Não"
Foi uma luta de argumentos e teimosia, entre orgulho e preocupação. Para mim, não me passava pela cabeça deixar alguém, que se estava a sentir mal, sozinho. Não queria saber se faltava 1km ou 100. Cheguei a considerar ligar para a organização a dizer que desistíamos, ficavamos por ali. "É só uma prova, não vale a pena estares nesse sacrifício, e eu terei muitas outras para me sentir bem e terminar".
Com tudo isto chegámos às muralhas. E eu percebi, pelo olhar, que ele já não ia cortar aquela meta. Aquela subida pelas traseiras do castelo, até à Porta da Traição, era a gota de água para um organismo em rebelia. Faltavam pouco mais de 500 metros, seria morrer na praia, mas isso já não era importante. Por qualquer razão, apenas era importante que eu concluísse. Para ele, não para mim. E foi isso que fiz, não sem alguma discussão e a promessa de que não ía cair para o lado quando eu virásse costas. Faltavam menos de 10 minutos para o tempo limite das 10 horas, e fui com raiva.

Vou ser a última atleta a cruzar a meta dentro deste tempo limite, que percebi depois que foi alargado. Quando cheguei, a minha preocupação foi dar o número de dorsal do A., para avisar a Organização de que ele tinha desistido, mas parecia que ninguém sabia o que fazer com essa informação... Não é suposto apontarem os DNF, por uma questão de controlo? Se alguém cruzou o último PAC com 8 horas de prova, e depois não cortar a meta, não convém assegurarem-se de que desistiu e que não ficou para aí caído numa ravina? A mulher que estava a apontar as chegadas, quando cheguei ao pé dela para dar o aviso, perguntou-me um "que foi?", tão enfadado, que em qualquer outra ocasião me teria chegado a mostarda ao nariz, mas tendo em conta a situação nem quis saber. Informei o que achei que devia informar e virei costas, para ir ver se estava tudo bem com o A., que entretanto já vinha a subir pela entrada principal da Vila. Por outro lado, os bombeiros que lá estavam e ouviram a conversa foram muito prestáveis e mostraram-se logo disponíveis a acompanhar-me, se fosse necessário. Não foi.

Óbidos, 7h30 da manhã.

Passado umas horas já se brincava com o facto de termos levado 1 hora para fazer 2 km, e que deveríamos chamar o jurí do Guinness porque, de certeza, desistir a cerca de 500 metros da meta deverá ser algum recorde nacional, quiçá mundial! Mas... Não me esqueço do quanto custaram aqueles quilómetros finais. E aquela chegada deixou-me com sentimentos dúbios em relação a voltar ao TNLO.

Valeu pela minha primeira experiência de passar uma noite inteira a correr (foi, literalmente, do pôr ao nascer do sol) e pela partilha. Aprendemos sempre muito, sobre nós, sobre os outros, em situações extremas, mas o que se aprende melhor é que com companhia tudo é mais fácil. Vivi os dois lados da balança no espaço de 15 dias e agradeço ao companheiro de corrida o esforço que fez para me acompanhar nos dois.

Até à próxima, que, em princípio, será só em finais de Setembro. Boas férias! :-)


22 comentários:

  1. Mais uma aventura diferente de todas as outras que já viveste, o que prova que por muitas aventuras que façamos, haverá sempre "novidades", boas e menos boas. Parabéns pela grande prova, e pelo forma como encaras isto tudo ... entre fazer uma das melhores provas de sempre e ajudar um amigo em dificuldades escolheste a segunda (nunca teria dúvidas que optarias sempre assim).
    Beijinhos e boas "férias"

    P.S. Essa hidratação inicial faz toda a diferença ... se estivesses com mais atenção a um blogue da concorrência já sabias disto!!! :P

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    1. Nem poderia ser de outra maneira... :-)
      Beijinhos, boas férias para ti também!
      PS: Treinos têm sido escassos, mas tendo em conta o nível de hidratação destas férias, vou voltar com energia para 3 ou 4 ultras! ;-)

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  2. Uma excelente prova com um preocupante final. Desistir a 500 metros do final duma prova que se aproxima dos 60 km é difícil de aceitar...

    Parabéns por mais uma Ultra (quantas já são?) e boas férias!

    Beijinhos

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    1. Sim, eu não me imagino a fazê-lo, mas estas coisas mexem tanto com o organismo e, sobretudo, emoções, que é impossível prever!
      10 acima dos 42km, mas só 8 "oficiais" ;-)
      Beijinhos

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  3. Boas férias Rute, diverte-te!!

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    1. Boas férias, LiS, igualmente!
      Beijinhos

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  4. Parabéns!
    Que pena não terem terminado os dois juntos mas há dias em que não estamos mesmo num dos nossos dias :(

    Também vimos esse cão :), só que só o vimos num abastecimento e infelizmente acho que esse atleta estava a desistir pois não mais o vimos.
    Eu já pensei em levar o Spike para uma destas provas, com ele a puxar-me tenho a certeza que conseguia passar todos os barramentos a tempo :)

    Bom descanso!

    Beijocas

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    1. É, há dias assim, faz parte!
      Na prova cheguei a perguntar-me se o cão teria treino para tantos kms!! :-) É que, parecendo que não, aquilo também é estafante para eles, mesmo sendo um pastor alemão! Tens de treinar o Spike, depois ninguém vos agarra! ;-)
      Beijinhos

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  5. Boas férias ;)

    Por vezes um reset é mesmo oque é preciso.

    bjs

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  6. Em relação à tua prova individual, quase que podia ter sido eu a escrever este texto! Também estava claramente num dia sim. Como disse no meu post, já tinha saudades de correr sem estar dentro de um forno! A diferença é tão grande que desisti da ideia de ir ao Rocha da Pena assar mais um bocado eheh. Quanto à vossa prova colectiva, foi engraçado ver como as coisas mudaram em 15 dias, só prova que vocês são bons juntos. Agora boas férias. Mas vê lá, não podem ser assim TÃO boas, já não falta muito para o fim de Setembro ehehe

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    1. Não era um forno mas, pela humidade, quase que poderia ser uma sauna! ;-) Felizmente não estava uma noite demasiado abafada.
      Já não vais ao Algarve? Olha que ouvi dizer que dão descida de temperatura... ;-)
      Pois, as férias... Cuidados com a nutrição? O que é isso?? ...
      Bjs

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  7. Uma experiência diferente sem dúvida! Boas férias! Bj

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    1. É para isso que cá andamos. ;-) E para as férias também! :-)Bjs

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  8. Parabéns Rute!
    Mais uma ultra feita e com um bom registo.
    Quando acabamos uma não queremos fazer outra, mas depois...desejamos voltar novamente a estes desafios.
    Boas férias!

    Beijinhos

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    1. Obrigada, Vítor!
      É só dar tempo ao corpo de se esquecer... ;-)
      Beijinhos, boas férias para vocês!

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  9. Olá :D
    Não sei se te lembras de quando recebeste um comentário de alguém a ler o teu blog do início, mas fui eu que o enviei. ;)
    ... Já foi há séculos, mas era só para dizer que acabei.
    (não acabei-acabei, só acabo quando tu acabares de escrever. E espero que isso nunca aconteça, pelo bem do meu passatempo de ler os teus posts enquanto digiro parcialmente a minha banana pré-corrida D:)
    E foi super divertido ;)
    Não sei se tens tido picos nas visualizações de páginas ultimamente, mas é possível que seja a culpada se corresponderem aos dias em que descarrego publicações tuas para ler offline. Desculpa se fiz o teu gráfico de visualizações parecer o gráfico de altimetria de um trail com desnível acumulado considerável :P
    A conclusão mais importante que retirei daqui foi que ter uma lesão no joelho implica correr imensas ultras num futuro próximo, e obtive-a segundo um raciocínio nada falacioso. Fico à espera.
    (Pelo sim pelo não talvez seja melhor continuar a levantar o lombo da cama de manhã para ir correr... :P )
    Parabéns por todo o teu caminho, foi muito giro de ler (tens imenso jeito para correr E escrever!) sobre a tua evolução até ao nível onde estás. Espero um dia chegar lá (aí). Se esse dia chegar, nem imagino as distâncias que tu já hás de fazer! Dizes que badwater não é para ti, mas cá para mim já esqueceste o Almonda e só desafios extremos chegam para suprir a tua fome de provas - estou só à espera do anúncio oficial... ;)

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    1. Olá! Lembro sim. :-)
      Xinapá, obrigada pela paciência em teres lido todo o arquivo!! Espectáculo! :-) De vez em quando vejo que andam a ler artigos antigos, mas ler desde o início é obra! Eu até tenho medo de ir reler algumas coisas que escrevi! Lol ;-)
      E é verdade (apesar de não aconselhável), foi depois da lesão na ITB que comecei a evoluir na distância. Não sei se foi causa-efeito... Mas às vezes só quando se "perde" é que se dá valor, e passei a não dar os kms por garantidos. Às vezes odeio-os, ofendo-os, mas no fim fico agradecida. ;-)
      Se levantas o lombo da cama de manhã para ir correr, já fazes mais que eu! :-)
      Badwater não é, decididamente, a minha onda. Algum desafio extremo seria mais facilmente a pender para as temperaturas mais frias. E montanha, sempre montanha... ‹3
      É só escolheres a tua "montanha" e também lá chegas. ;-)
      E agora fico sem saber o que dizer, porque já sabes mais de mim que eu de ti! :-) Obrigada pelo comentário e volta sempre para uma visita!

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  10. Tanto que havia para escrever ! ihihihii

    Simplesmente , mais uma vez a minha admiração , estima e orgulho !

    E o meu obrigado...
    Sei que não foi "bonito", que não foi agradável nem divertido , aquela parte final...

    Obrigado por esse carácter , personalidade , honestidade, paciência , preocupação, gentileza e amizade da tua pessoa.
    Nunca duvidei da tua decisão , da tua escolha... , mesmo com a "discussão" e argumentação saloia que tivemos , e principalmente teres cortado a meta ! Para mim foi muito importante.

    Parabens pela prova , brutalissima!!
    ...tavas ligada á corrente ! Bem dita Estrella ! (ainda bem que eram a 2 euros cada uma) !! eheheh...

    bjs

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    1. Sim, mas não gastes teclado... :-P
      Não foi bonito, nem agradável, nem divertido... Foi uma ultra. Os kms não são feitos todos a sorrir, por mais que se tente vender essa imagem. Às vezes até é uma sorte se não se chorar. :-) Mas vale a pena (porquê, não sei! Mas sinto), por isso venham mais kms.
      E
      Estrellas!!! Será que há Estrellas em Arga??! É ali tão perto da Galiza... :-)
      Obrigada...
      Bjs

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  11. Lindo, lindo, lindo. É um prazer ler e reler-te. Qua Grande prova e que grandes ensinamentos. E que prova de companheirismo e cumplicidade. Só tenho uma coisa mais para dizer-te: vou já comprar pilhas.
    Um beijinho muito grande e boas férias

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    1. Obrigada, Zémi. Por leres, também.
      Pilhas... E um bom frontal? ;-)
      Beijinhos, boas férias para ti também

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