10 de março de 2016

Por trilhos da Arrábida

No passado fim-de-semana houve treino pelos trilhos da Arrábida. É uma serra que fica aqui relativamente perto e nunca por lá tinha corrido, coisa que ficava mal no curriculum trailae, por isso tive de tratar disso. Passei a véspera a pesquisar tracks, e até arranjei alguns, mas depois não consegui fazer o upload para o gps... Enfim, não havia de ser nada. Vamos à descoberta, como gosto.

Sendo um Parque Natural muito grande, havia várias opções por onde começar o treino. Acabámos por deixar o carro perto do Parque de Campismo de Picheleiros, Azeitão, e partir daí na direcção do primeiro monte que se avistava.


Começámos por percorrer cerca de 1km em estradão paralelo ao monte mas, assim que encontrámos um trilho que desviava a subir, seguimos por lá, pois a ideia era ganhar desnível até ao topo, pelo menos, até onde desse.


Estava a chuviscar quando saímos do carro e entretanto parou, mas o caminho estava bastante enlameado e escorregadio. Ao início ainda se viam marcas de pneus de bicicleta e pegadas, mas depois começámos a entrar em trilhos cada vez mais cerrados e inclinados e deixámos de ver vestígios de civilização.


Em contrapartida, comecei a aperceber-me de pegadas de javalis! E dos grandes! Por via das dúvidas, achei que devíamos fazer mais barulho, só para não apanharmos nenhum desprevenido e termos ali um encontro imediato homem-vs-natureza. É que eu corro muito devagar e não havia por ali nenhuma árvore que desse para subir. :)

Toca de javali? Era um buraco bastante fundo.

Entretanto, continuávamos a subir e subir.

Yep, era a subir... Ihihih. :)

Como a vegetação era muito cerrada, não dava para ter noção da direcção que estávamos a seguir.



De vez em quando tínhamos uma aberta e dava para ver que o local de partida já tinha ficado bem para trás do monte.


Mas, enquanto o trilho fosse definido, íamos continuar a subir.



Devido à inclinação e ao facto de ser pedregoso, o caminho não era muito corrível. Mas já estava toda transpirada, apesar da manhã estar fresca. No meio da vegetação não corria uma aragem.


Apercebemo-nos de que deveríamos estar perto do topo quando começámos a sentir a brisa e quando o trilho se tornou tão inclinado que as pedras começavam a rolar por ali abaixo à nossa passagem. Baptizámos esse troço de: o Trilho Rolling Stones. Infelizmente, não existem fotos do mesmo, porque precisávamos das mãos para nos agarrarmos à vida ao chão e não dava para segurar o telemóvel ao mesmo tempo.



A seguir ao Trilho Rolling Stones segue-se uma parte em rocha que estava bastante escorregadia devido às chuvas. Ia tão concentrada para não escorregar por ali abaixo que nem me apercebi que era este o cenário que estava nas minhas costas...


Quando finalmente me virei, não consegui evitar suspirar "UAUUU..."

Estávamos bastante mais acima do que tinha pensado. A povoação de onde partimos já nem se via, escondida atrás daquele primeiro monte de topo rochoso, onde também tínhamos passado a caminho deste local. Vi depois que, só nestes primeiros 3,5km, ganhámos perto de 500m de elevação.
Aproveitámos e fizemos por ali a primeira pausa, que teve de ser breve porque estávamos bastante expostos ao vento e arrefecemos depressa. Espero ter oportunidade de voltar quando as temperaturas estiverem mais amenas, porque este local está virado a poente e deve assistir-se a um final de tarde fantástico a partir daqui, sentados a beber umas minis... ah, quer dizer, comer umas bananas e barrinhas e beber isotónico. ;)

Ainda tentámos seguir o trilho que continuava a subir, mas a vegetação tornou-se demasiado cerrada para podermos prosseguir, apesar de ser visível a existência de um caminho. Penso que a maior parte das pessoas que faz este percurso (que estava assinalado, apesar de se notar que é pouco percorrido) venha apenas até este "miradouro" e volte para trás.

Sendo assim, descemos por onde tínhamos subido até então, e não preciso de vos dizer como, neste tipo de terreno, descer pode ser tão ou mais moroso do que subir. No Trilho Rolling Stones tive até que aderir à técnica de sku durante uns metros. Foi uma experiência divertida, digamos assim!

Quando chegámos ao local onde tínhamos iniciado a subida, e como ainda não queríamos regressar ao carro, seguimos por outro trilho assinalado, que acabou por ir dar a um bosque encantado.



Adorei correr por aqui. O terreno era mais fofo, com menos pedra e mais musgo e folhas caídas.


As árvores eram, ao mesmo tempo, magníficas e com um toque sinistro, a lembrar contos de fadas.



No entanto, como era um caminho mais aberto, tinha luz suficiente para não se tornar sombrio, e era bastante pacífico. Apenas se ouvia água a correr, o vento nas árvores e alguns pássaros (e, felizmente, nada de javalis, apesar das pegadas continuarem presentes).



Depois de uns poucos quilómetros rolantes o trilho começa novamente a adensar e a subir. Desta vez, como já começava a ficar tarde, optámos por não seguir até ao topo, mas fiquei curiosa.

Tínhamos decidido, uma vez que não conhecíamos a zona, fazer sempre o percurso ida e volta. Na primeira parte da subida correu bem, nesta nem tanto. É que, visto de quem regressa, o trilho tem outra perspectiva e parece completamente diferente. Durante a ida tínhamos deixado pilhas de pedras em cruzamentos, para evitar confusões, mas acabámos por fazer a curva errada em algum lado, porque fomos dar a um local desconhecido e depois ainda andámos ali um bocado "fora-de-mão". Até conseguíamos ver o sítio para onde tínhamos de ir, não sabíamos era como lá chegar! Felizmente tudo se resolveu rapidamente, apenas com cerca de 1 ou 2 kms extra.
Pior foi uma amiga minha, aqui há umas semanas, que num treino longo se afastou tanto do percurso que regressar se tornou impraticável. Sem dinheiro e já sem abastecimento, tiveram de correr 3km até à cidade mais próxima e apanhar lá um táxi de regresso ao carro. 30km de treino e mais uns quantos de tarifa. Sim, aconteceu a uma amiga... Não foi a mim, acham?! ;)

De regresso ao carro, e coisa que já começa a ser tradição, caiu uma enorme carga de água. Acho que é a maneira que o Universo tem de me obrigar a fazer treino de velocidade. :)

Aumentar para ver legendas super úteis.

E, estando na Arrábida, como é que se podia terminar o treino sem ir a uma das praias mais bonitas do país?



Treino de areia + visita a local arqueológico de escavações.


Fábrica de Salga de Peixe do Creiro, sécs. I a V.

Acho que quando o tempo começar a aquecer, vão haver mais treinos por aqui. Já tenho saudades de duatlos! ;)

12 comentários:

  1. Esta posta mete NOJOOOO... tenho dito. Detesto corrida à descoberta, detesto essas inclinações, esse tipo de trilhos, esses Uauuuuhhh's, essas fotos ... hmpffff.... quando forem fazer esses treininho com minis, tb posso ir???? Posso??? Eu levo as minis!!!
    Beijinhos

    P.S. Essa da tua "amiga" ter que ir apanhar um táxi é boa ... já aconteceram muitas a um amigo meu, mas isso nunca ;)
    P.S.2 Os Rolling Stones são a minha banda favorita ... detesto o nome que vocês deram a esse primeiro Trilho ....bahhhhh ... Nojento!!!!!

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    1. Sim! E levas mesmo tu as minis, que isso fica pesado!:P
      Eu sou assim, tenho a mania de ir à aventura e depois às vezes corre "mal"... Ãh, quer dizer, tenho amigos assim!!! ;)
      Beijinhos

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  2. Nunca fui á Arrabida em modo treino, seja btt seja corrida.

    Retive, claro:

    "Pior foi uma amiga minha, (...) tiveram (...). Sim, aconteceu a uma amiga... Não foi a mim, acham?! ;)"

    Não, claro que não, mas achei curioso a coincidência da amiga também estar acompanhada, e ainda bem.

    Afinal treinos longos e no meio do mato sozinha não é muito boa ideia.

    Resumindo: belo treino e com muito desnivel como se quer.

    Bjs

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    1. Fazer aquela estrada da parte de cina da serra de bike deve ser um espectáculo. Serra de um lado e mar do outro. Duro, mas um espectáculo!
      No mato, tem de ser sempre com companhia! :)
      Bjs

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  3. Espectacular e lindo!
    (E eu que em 36 anos de ligação com a corrida nunca levei dinheiro num treino!... Mas por aqui também não há táxis nem cidades por perto, com um bocado de sorte, ou muita mesmo, um tractor!...) Beijinhos.

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    1. Eu também nunca costumava andar com dinheiro, mas desde que aconteceu isto à minha amiga ;), tento sempre lembrar-me de levar uns trocos. Às vezes facilito... E depois se entretanto ficar com fome e ainda estiver longe do carro?? :)
      Beijinhos

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  4. E pronto, já está no teu curriculum trailae. Apesar da falta de praxe do Javali!

    Beijinhos

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    1. E ainda bem!!! Eheh :)
      Muita força para amanhã!
      Beijinhos

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  5. Grande treino !!
    "500m de elevação em 3,5km" , é muito bom... Tás fortissima !

    A Arrábida é um espectáculo !! ...e se abrirem os trilhos até ao lado do mar , UAUUU...mesmo !! :D

    Parabens pela coragem e força para enfrentar sempre qualquer que seja o trilho que aparece na "curva seguinte" ! eheheh...

    Boa continuação , dá-lhe forte.

    bjs

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    1. O problema é que antes de chegares ao mar ainda há muito que subir... E com a estrada nacional lá em cima pelo meio... É preciso saber mesmo o local certo dos atalhos, e se os há.
      Quanto à "coragem"... Não é coragem, é "que remédio"... :)
      Bjs

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  6. Ora outra bela aventura que já me passaste à frente. Mas eu já vi javalis... Estava era dentro do carro.

    Excelente descrição do treino. Apetece-me ir... Realmente mete nojo :-)

    Bons treinos

    Bjn

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    1. Também já vi javalis... na Serra da Estrela! ;) Mas à distância. :)
      Não conhecia, mas são uns trilhos que vale a pena explorar.
      Bjs

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