1 de agosto de 2016

Das últimas semanas (o pós OMD)

Como já não "falamos" há umas semanas, resolvi fazer um resumo do que tem sido a vida corredoira nos últimos tempos, como geri o pós-prova e os treinos feitos entretanto. Mas, antes disso, e porque ainda tenho créditos de gabarolice por gastar (ihihih...):

- Bom dia! Espero não a ter acordado, mas estou a ligar para pedir que esteja presente na cerimónia do pódio, já que foi a 3ª classificada feminina.

E foi este o telefonema que recebi no dia seguinte, enquanto ainda estava a preguiçar na cama, a recuperar da tareia dos 106km. Foi uma notícia inesperada já que, apesar de saber que eram poucas mulheres nesta distância, a competição era muito forte e sabia também, à partida, que eu era a única que estava a participar "apenas" para terminar.  Por isso, conseguir um pódio na minha estreia nos três dígitos e logo numa prova tão especial para mim? Estão a ver porque disse que dificilmente iria conseguir superar este dia e que era melhor reformar-me desta distância logo ali?!

1º pensamento: Uau, que estreia perfeita!
2º pensamento: OMD, como é que eu vou conseguir subir os degraus do pódio???

Pois é, completar a prova foi muito bonito, mas isso também resultou num belo empeno no dia seguinte (embora, para minha surpresa, não tenha sido dos piores que já tive). Já tinha tido uma experiência hilariante, e ligeiramente humilhante, nessa manhã, ao descer e subir as míseras três escadas até ao buffet do pequeno-almoço do Hotel. Agora teria de repeti-lo com PESSOAS A VER.

Até então, só tinha ficado no pódio uma vez, mas não tive oportunidade de receber o prémio pois, quando soube que tinha ficado classificada, já me tinha ido embora. Desta vez, estava tão nervosa com essa perspectiva... É parvo, eu sei, mas fiquei ansiosa com a ideia de subir ao pódio e queria fazer boa figura (por aqui logo se vê que é uma ocasião rara, se acontecesse mais vezes já estava habituada e deixava-me de mariquices). Felizmente, foi perfeito!



A adrenalina dos nervos é uma coisa maravilhosa e acho que consegui disfarçar bem. Subi aquelas escadas como se estivesse a desfilar. Firme e segura, como se fizesse aquilo todos os dias. "Empenada? Quem, eu? Pfff... Eu papo ultramaratonas todos os fins-de-semana antes do almoço." :)
Já descer custou um bocadinho mais, mas entretanto já tinha um cajado para me apoiar.



Uma pastorinha feita à mão e um cajado. O melhor prémio de pódio de sempre! Com muito valor sentimental para mim, para além da classificação. São representativos da região e aquele cajado até tem um significado qualquer que o Presidente da Câmara de Seia estava a contar quando mo entregou, mas que eu estava demasiado nervosa para fixar.

Melhor. Dia. De. Sempre.

Seguido de um dos melhores almoços de sempre que, desta vez, até pude apreciar bem, já que não estava mal-disposta como tinha ficado no ano anterior, a seguir à prova.



E regresso a casa, adiado até às últimas, enquanto se prolongava o passeio pela Serra da Estrela, percorrendo devagar as suas estradas, a tentar descobrir os trilhos por onde tinha andado a correr...




e algumas paragens para refrescar.



Os dias imediatamente a seguir foram complicados. Não por causa das dores musculares, que desapareceram ao fim de dois dias, mas porque demorou até conseguir estabilizar o sono. Parecia que sofria de jet lag, estava sempre cansada e bastava sentar-me no sofá durante cinco minutos para adormecer. Pois é, fazer directas já não é a mesma coisa que há uns anos!

Depois, entrei naquilo que designo por "depressão pós-prova". À semelhança do ano anterior, já tinha decidido parar durante duas semanas. Nada de corrida, apenas caminhadas e bicicleta. Dava tempo ao corpo para recuperar e, como não tinha mais nenhuma prova no calendário, não me preocupava muito com a perda de forma. Mas rapidamente essas duas semanas passaram a três... Que foram seguidas de breves e preguiçosas incursões na corrida durante as semanas seguintes. A preparação para o OMD tinha sido muito exigente, com vários treinos a serem feitos porque tinha de ser, o que, confesso, na altura me estava a tirar um pouco o prazer da corrida. Depois, chegou o dia da prova para a qual me tinha preparado durante tantos meses e que vivi intensamente. Foram muitas emoções que resultaram numa experiência fantástica, mas das quais me precisava de afastar um bocado.

Concretizado este sonho, andei um bocadinho à deriva. Mantive-me a "correr por correr", o que não é necessariamente mau e até estava a precisar, mas reduzi bastante o número de treinos e quilómetros. (Depois farei uma crónica sobre os quilómetros mensais dos últimos meses mas, posso já adiantar, foram muito poucos.) E, como não corria, também não tinha o que escrever por aqui. Tinha finalmente completado uma prova de três dígitos, o que poderia almejar a seguir? Sabia que precisava de outro sonho que me motivasse a longo prazo, mas não queria escolher uma prova só porque sim, por ser mais longa, ou por ser mais dura. Um novo desafio apenas fará sentido se for escolhido com o coração, como foi o OMD, que não era uma prova de 100km, era A prova. O próximo desafio não terá necessariamente de ser uma prova de três dígitos ou com maior desnível, mas terá de ser algo que me deixe a sonhar de antecipação, só assim vale a pena.

Entretanto, enquanto isso não acontece, existe todo um calendário de provas a descobrir ou repetir, e foi para isso que me virei recentemente. Em Julho, e como quase não tinha corrido nas semanas anteriores, fui participar no Trail Nocturno do Palácio, em Mafra, por serem "apenas" 12km e um regresso suave às competições. Foi uma prova que até nem correu mal, tendo em conta a baixa forma física, com direito a um bonito pôr-do-sol visto da Tapada e a terminar nos claustros do Convento.

Esta e mais fotos na crónica da prova, que se seguirá.

Depois, no dia seguinte, abri as portas do meu quintal para servir de guia ao ilustre visitante perneta do reino tripeiro.



Para quem tinha tido uma prova na noite anterior depois de passar semanas na ronha, este treino correu tãooo bem. Não fui nada a âncora que atrasava toda a gente, que tinha de optar entre falar ou respirar e pela qual todos tinham de esperar nas subidas... :)

A Serra de Sintra fez justiça à sua magia e microclima, brindando-nos quase com as quatro estações em simultâneo no espaço de duas horas. Das bonitas paisagens prometidas da Peninha, em vez disto:


tivemos isto:



O que vale é que os travesseiros da Periquita continuam deliciosos. :)

Entretanto regressei uns dias de férias à Serra da Estrela e fiz uns treinos por lá. Durante esses dias, só referi que tinha corrido os 100km umas três ou quatro vezes, mas sempre por iniciativa de alguém que perguntava primeiro. Não gosto de incomodar ninguém com essas conversas, só vocês. :) Acho que não usei os direitos de gabarolice tanto quanto pude, e agora está a passar o prazo. Por outro lado, descobri que o meu Pai é o maior fã deste meu feito e não se coibiu de contar a toda a gente que a filha tinha corrido 100km. Inclusive, e não me perguntem porquê, ao nadador-salvador da praia fluvial de Loriga, que não conhecíamos de lado nenhum, mas que assim fiquei a saber que também tinha participado no OMD, na versão 20km.

E é isto, capítulo OMD 2016 encerrado, venham as próximas aventuras!

12 comentários:

  1. Os teus créditos de gabarolice não têm validade temporal, são fruto dum orgulho muito próprio de quem se desafiou e fez o que está ao alcance de poucos :)

    E fazes muito bem em escolher o próximo grande objectivo com o coração. Há quem se sinta na obrigação de ir aumentando sempre a distância e dureza. Ora essa tese vai contra o que procuramos, o prazer de corrida, pois passa a ser uma espécie de obrigação. E obrigação só tens uma, contigo própria e de te proporcionares o que mais prazer te der.

    Beijinhos e força! :)

    ps - E o teu pai é que tem razão! Então o nadador-salvador tinha ali uma atleta que tinha feito 100 km e não era informado?!? :)

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    1. Eheheh... Acho que bastava ter-me visto nadar para se aperceber de que estava ali uma atleta (não!). :)
      Fiquei preguiçosa durante umas semanas, mas agora é altura de voltar ao trabalho, na pré-época de futuros desafios.
      Obrigada! :)
      Beijinhos

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  2. Menina, tás a passar por uma fase perfeitamente normal. A mim não me costuma acontecer muitas vezes pq normalmente já tenho outra "prova" logo de seguida ... só a titulo de exemplo, depois dos Montes Claros vem a Maratona do Porto - a fase da malandrice dura duas semanitas ou pouco mais.
    Aproveito para agradecer mais uma vez a vossa amabilidade, de nos terem aberto a porta do vosso "quintal" ... bem catita, mesmo com as silvas e urtigas agressivas (havias de ver as da Lousã, fonix) e dos tocos que passam umas rasteiras que é um luxo ;) ... como diz o A. "temos que voltar no verão" :):):) ... agora estou à espera de se dignarem visitar-nos cá em cima em Portugal, para vos mostrar o nosso quintal.
    Beijinhos

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    1. Por acaso temos falado numa ida aí ao estrangeiro, só ainda está por decidir a data e um pretexto. Nem que seja só as sandes da D. Alice! ;)
      De nada, foi um prazer, têm de voltar para conhecer o resto!
      Beijinhos

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  3. Mas é óbvio porque é que contou ao Mike Buchanan da Loriga, L.O.R.I.G.A...Serra da Estrela, OMD...enfim...opah, acho muito fofo o orgulho paternal, pronto!

    (Como não me conhecem posso usar palavras como fofo)

    Mas...e fotos do pódio????

    Bjs

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    1. Eheheh... Não era Mitch? :)
      Sim, estava no cenário da prova, acho que isso era motivo suficiente para ele partilhar a informação, surgia sempre em conversa. :)
      Eu também acho fofo. ;)
      Olha lá, queres melhor foto do pódio que esta, com o pessoal todo presente e purpurinas no ar?? :) De resto, só existe um vídeo algures... :P
      Beijinhos

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    2. Existe um vídeo que me foi prometido ... e continuo a aguardar que me seja enviado, conforme prometido :)

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    3. Hââ?...eu era mais C.J... e Caroline, mas acho que era isso, esse o amaricano famoso em Berlim.

      O da L.O.R.I.G.A. é o primo!

      Certo, bela foto do pódio ;)

      Já definiste o próximo objectivo?

      Podia(m)s ir à Family Race em Novembro na Naçon ;) para desenjoar, digo.

      Bjs

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  4. Fundamental depois de um grande superação é o descanso físico e emocional o recarregar baterias! É mesmo assim só se deve correr o que o corpo e a mente pedem nessas alturas.
    E um novo desafio vai surgir um dia destes quanto se fizer um clique na tua cabeça e sentires que tens uma nova paixão e tens de treinar para ela.
    Posso parecer um velho do Restelo mas continuo a dizer que umas das maiores asneiras é a sobrecarga de ultra maratonas que muita gente faz e que se paga caro mais tarde ou mais cedo! Mas tu sabes "respirar" e deixar o corpo e a mente recuperaram. É a formula ideal para uma longa e feliz carreira na corrida! Beijinhos!

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    1. Espero que sim, que tenha mesmo uma longa e feliz "carreira" pela frente. :)
      O engraçado é que, nas semanas que estive parada, é que me doía tudo! Ou era o joelho, ou era o pé, ou era uma pontada não sei aonde... :D
      Obrigada!
      Beijinhos

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  5. "Já descer custou um bocadinho mais, mas entretanto já tinha um cajado para me apoiar." - Lindo! Feliz por ti mais uma ve

    Ás vezes é preciso parar para que a vida nos preencha de novos sonhos.

    Bom agora deixemo-nos de mariquices e vamos ao que interessa: Pois, aos outros só tem uma perna fazes de guia, enquanto que a certas e determinadas pessoas, têm que a explorar sozinha ;)hás de cá vir... :)

    Beijinhos e boas provas

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    1. Prometo que reservo Santa Eufémia! Lol :)
      Obrigada!
      Beijinhos

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