13 de julho de 2017

Marginal à Noite

Recuperei muito rapidamente do OMD. Provavelmente porque pouco corri na segunda metade da prova, o que fez com que praticamente não tenha ficado com dores musculares. Assim sendo, e tirando os pés que ainda estavam um pouco massacrados, três dias depois sentia-me pronta para outra.
No entanto, à semelhança dos outros anos, resolvi fazer uma pausa de corrida nas duas semanas que se seguiram. Acho que faz bem a seguir a um grande desafio. Em duas semanas não se perde assim tanta forma, sobretudo se mantivermos outras actividades físicas, e sempre serve para fazer um "refresh", descansar o corpo, definir objectivos e voltar com outra vontade. Mas este ano abri uma excepção apenas para participar na Marginal à Noite, que foi logo no sábado seguinte.

Não é muito o meu tipo de prova - muita confusão e uma distância que não chega aos 8 km - mas arranjaram-me dorsal e ia ser feita em jeito de festa, com amigos, por isso não podia recusar. Escusado será dizer que não fiz um único treino na semana que a antecedeu. Porém, estava confiante de que conseguia fazer os 8km sem muitos problemas. Ou melhor, só havia um: o calor que se fez sentir nesse dia. Pensem no fim-de-semana mais quente deste ano até agora. Já se lembram? Foi esse mesmo.

O que vale é que a Marginal à Noite, como o próprio nome indica, realiza-se à noite, tendo início às 21h30. Mas não pensem que só por isso estava menos abafado, porque não estava. Quer dizer, se tivesse sido às 10h da manhã se calhar teria sido pior, mas a caminhada de mais de 1 km que tivemos de fazer do carro até à zona da Partida deixou-me logo a transpirar.
Estava um tempo estranho, com o ar quase irrespirável, opressivo. Começaram a formar-se umas nuvens e avistaram-se uns quantos relâmpagos ao longe, o que nos deixou esperançosos com a possibilidade de uma tempestade de Verão cuja chuva nos viesse refrescar um pouco, mas isso nunca chegou a acontecer. Quanto muito, as nuvens que se aglomeraram só contribuíram para criar mais humidade, que, junto com o calor, forma aquela dupla das condições climatéricas que os corredores mais detestam.

Passar de uma prova de cerca de 70 atletas, na semana anterior, para esta, com mais de 7000 (!), foi ligeiramente assoberbante. A faltar cerca de 20 minutos para a partida, a marginal junto à praia de Santo Amaro de Oeiras estava coberta com uma manta de retalhos (=atletas) colorida. Felizmente, como tinha dorsal com chip, entrei num separador diferente, com menos confusão, embora também já estivesse bem composto, com o vermelho - cor da t-shirt deste ano - a destacar-se.


Na praia ainda se viam vários banhistas resistentes, embora fosse quase de noite. Mais à frente, uma animadora e um grupo de música faziam o ambiente de festa até que, à hora marcada, deram o tiro de partida.

O primeiro quilómetro será acompanhado de fogo de artifício. O efeito visual, em contraste com o escuro do céu, era bastante bonito, mas vou passar os primeiros minutos da prova com o coração a mil, e não necessariamente pelo meu ritmo. É que aquilo rebentava ali praticamente ao nosso lado! Mas, pelo menos, distraiu-me daqueles primeiros metros caóticos, típicos de uma prova com tanta gente.

O bom de uma corrida com tantos participantes é que basta manter um ritmo certinho e vamos sempre a ultrapassar pessoas! E isso é muito motivante. O percurso desta prova não tem nada que saber, é seguir sempre a marginal, até ao ponto de retorno por volta dos 4 km, e voltar para trás. Penso que ainda nem tinha chegado aos 3 km e já vinham os primeiros lançados para a meta, portanto, a partir daí, a distracção era ir observando a massa de atletas que passava. "Olha, ali vai o primeiro!", "É a primeira mulher!" e "Aquele ali não era o não-sei-quantas?" - são exclamações que se vão ouvindo.

E não corria um único ar... Toda eu transpirava como se já tivesse corrido o equivalente a uma maratona. Chegando a certo ponto, já só queria chegar aos 4 km, onde estaria um abastecimento de água. A boca ia sequíssima! O problema é que, quando lá chegámos, não era água... era "chá"! É que aquilo não era água tépida, era quente, mesmo. Com o calor que esteve durante todo o dia, foi impossível evitar. Só dava mesmo para molhar os lábios e cuspir. E a quantidade de pessoas que lança a garrafa de água quase cheia, e fechada, para o chão - não para a berma, mesmo para o meio da estrada - sem se preocupar com quem vem atrás? Foram uns quantos metros de corrida de obstáculos, nesta parte.

Depois, foi só aguentar a segunda parte da prova com a garganta algo seca, mas bem. Aliás, com o pelotão ligeiramente menos compacto (foi um bater de braços com outros atletas até ao fim) deu ainda para abrir um pouco a passada e fazer esta metade mais rápida do que a primeira. Para terem uma noção da quantidade de atletas, só quando já estava a 1 km da meta é que passaram os últimos atletas para lá. Ou seja, iam ainda apenas com 1 km feito! Tudo bem que estes últimos vão fazer a prova sempre em caminhada, mas, mesmo assim, é impressionante. Devem ter levado meia-hora só para conseguirem passar a linha de partida.
Já eu, levei cerca de 45 minutos para cruzar a meta.

A Marginal à Noite é uma "prova-festa" e só faz sentido ser feita nesse espírito. Primeiro, porque não tem uma distância consensual. Não são 10 km, nem sequer são 8 km bem medidos. Não recomendo a competitivos, a não ser que alguém esteja interessado em bater o seu recorde dos 7.8 km. :) Portanto, só dá mesmo para bater os tempos do ano anterior e, mesmo assim, têm de se debater para partir mesmo lá da frente, senão vão passar a prova a "costurar" entre os atletas.
É uma prova para passarem o dia na praia, com a família e amigos, beberem qualquer coisa fresquinha na esplanada e depois irem ali terminar o dia a correr ou caminhar. Vi umas quantas pessoas ainda de biquíni e calções de praia. Vi também várias crianças e uns quantos carrinhos de bebés. Vi pais e avós. Vi umas quantas figuras públicas, do desporto e afins. Vi bloguers famosas. Curiosamente, não vi ninguém meu conhecido.

Como sabem, este não é o meu tipo de prova. Mas... quem não gosta de festas? E, se essa festa for feita a correr, ainda melhor. Acho que, uma vez por ano, talvez consiga manter esta tradição. :)

19 comentários:

  1. Urgh.. não obrigado! Até o Strava meter um separador com o record dos 7800m dispenso eheh

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  2. Sim, esta corrida tem que ser encarada como uma festa. E pensando assim, torna-se bonita.
    No início era diferente pois tinha mil e tal concorrentes e a distância correcta, com chegada depois do pavilhão, algo que teve ser alterado pela crescente participação.
    Este ano não fui, no meu plano tinha um longo que cumpri de madrugada, mas à hora da corrida vim à rua e só pensei "coitados!". É que estava um calor forte e estranho (num dia que acabou por ficar marcado pelas piores circunstâncias).

    Beijinhos e boas corridas :)

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    1. Pelo que disseram, todos os anos tem vindo a aumentar o limite de participantes. Acaba por ser um evento de verão, mais do que uma corrida.
      Sim, estava um final de tarde com um tempo mesmo estranho! Infelizmente, já havia incêndios a decorrer.
      Beijinhos

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  3. Vá ... dorsal oferecido, corrida de fim de dia, marginal, mar ao lado, 7,8 km (um aquecimento), festa ... bem bom :)
    Beijinhos

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  4. O título desta posta podia ser algo "a la" Correio da Manhã: "Incrível! Bicho do mato avistado na Linha"

    É bom pisar terrenos que não os nossos de forma descontraida. Já eu, ontem, no treino fiz 10 metros de um single track nas Conchas com 2 de D+. :D

    Bjs

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    1. E com subtítulos como "Atletas exibem corpos de verão. Veja aqui as fotos!" e "Garrafas de água provocam acidentes na marginal. Saiba como." ;)
      Acho que sei qual é esse single-track de que falas!! :P
      Beijinhos

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  5. FESTA É FESTA!

    Mas a "cena" das garrafas irrita-me solenemente!

    De resto, parabéns por mais um record, agora o dos 7,8km!

    Aonde irás parar??!

    Continua!

    Beijinhos

    PS: Não tenho nada contra a prova e a "dorsal dado não se olha a prova" mas efectivamente tem que se ir no espirito.

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    1. Imagina garrafas cheias a rebolar pelo asfalto, quando mal consegues ver onde pões os pés. Ao menos deixassem-nas sem tampa, sempre era menos perigoso se fossem pisadas. Mas é um mal geral em todas as provas, aqui notou-se mais porque eram mesmo muitas pessoas e quase ninguém conseguiu beber, por estar a água quente.
      Eu sei!!! Até me admiro ao mim própria com as minhas capacidades! :D Estive quase, quase a desistir aos 7.2, mas resisti! :P
      Beijinhos
      PS: "A dorsal dado não se olha a prova"! lol (but true)

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  6. É mesmo para se ir em "modo festa" :)
    Apesar de ser na minha terra, nunca fiz esta. Fica para o ano.

    Beijinhos e boas corridas

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    1. É uma falha no teu cv!!! :P
      Beijinhos e boas corridas

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  7. É uma prova engraçada para fazer em modo festa. Mas dá para dar o litro ;)
    Este ano também lá estive e só retenho duas coisas:
    1. Já estive em spa's com menos calor e menos humidade;
    2. Já bebi chás mais frios do que aquele que serviram no abastecimento.

    Não percebo porque não fazem o retorno 100 metros mais há frente, sempre dava os 8km que anunciam!

    Beijinhos

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    1. Elá, não me digas que bateste o teu recorde dos 7,8 km!! :)
      Segundo o João Lima, a prova costumava terminar no pavilhão, o que fazia os cerca de 200 metros de diferença. No entanto, agora já podiam ter compensado a diferença de outra forma. Descansava os corações mais OCD deste mundo, como o meu. :) Mas bom, ninguém vai ali para tempos, penso eu.
      E concordo com os teus dois pontos!
      Beijinhos e boas corridas!

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  8. Epah tenho de perguntar... o que é um coração OCD?

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    1. Ahaha :) É a brincar. OCD = Obsessive Compulsive Disorder. Gosto dos meus números certinhos! 7.8?? Qué isso???? ;)

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    2. Ahaha :)
      Nahhh nada disso...
      Eu ocd nem pensar!
      Mas ainda bem que respondeste se não nao ia conseguir dormir a pensar nisto ;) eheh

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  9. Coração OCD, é muito bom!

    Banda cardíaca aos 59': Sabes quantos batimentos por minuto vais fazer?
    Coração OCD após 3 rapidíssimas contracções:...160, porquê?!
    lol
    beijinho e boas corridas!

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    1. Não o disse nesse sentido, mas também podia ser. :) Por enquanto só afecta mesmo os kms, que gosto que fiquem redondinhos. Quiçá também a altimetria. :P Por esta ordem.
      Quanto à FC, agora no Verão não uso a banda cardíaca, porque me causa assaduras horrorosas. Quando investir num novo relógio-gps tenho de ver aqueles que permitem a leitura no pulso, devem ser baratíssimos (not!).
      Beijinhos e bons treinos!

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