4 de julho de 2017

OMD - Ultra Trail Serra da Estrela 70K

[Pensava que ia ser uma crónica curta mas afinal há sempre muito a dizer sobre a Serra da Estrela. Os mais impacientes (TLDR) podem saltar directamente para as notas finais, em formato de lista. Os restantes, sentem-se confortavelmente.]


"There is a pleasure in the pathless woods,
There is a rapture on the lonely shore,
There is society, where none intrudes,
By the deep Sea, and music in its roar:
I love not Man the less, but Nature more."


"The is a pleasure in the pathless woods"... Começo a crónica repetindo este verso do Byron, de um poema que tão bem descreve a minha relação com esta prova. Correr pela Serra da Estrela é de uma liberdade que não se prende a trilhos. Eles estão lá, bem como os estradões, mas depois existe toda uma área onde não é permitido- e ainda bem - abrir novos caminhos, e temos de adivinhar o melhor trajecto por entre a vegetação, tendo como guia a próxima fita laranja presa a um arbusto, dezenas de metros à frente. Exige concentração e um estudo rápido do terreno, de forma a fazer a melhor escolha. Nem sempre a distância mais curta é a mais rápida. Gosto disso. É como um jogo que nos desafia numa altura em que vamos cansados, já que estes "não-trilhos" são especialmente frequentes no perímetro que circunda a Torre.
Depois, e uma das razões para continuar a optar por esta prova em específico, apesar de agora já haver outras que percorrem mais ou menos os mesmos locais na Estrela, é a paz que me permite usufruir na montanha. Não é uma prova sobrelotada ou sobrepublicitada e as distâncias maiores não têm assim tantos atletas, o que provavelmente não é bom para a Organização, mas é óptimo para mim, que prefiro provas com menos confusão. É um pouco egoísta da minha parte, talvez, mas... "I love not Man the less, but Nature more."

Este ano não tinha o mínimo espírito competitivo. Nem contra os outros nem, sobretudo, contra mim. Não tinha qualquer objectivo de tentar melhorar tempos nem, como vim a descobrir, era assim tão importante para mim concluir a distância. Só queria regressar à Serra da Estrela. E chegar à Torre. Pronto. Era esse talvez o único desejo, atingir o marco que é entrar naquela Torre da GNR, para o abastecimento, no topo mais alto de Portugal Continental. Quem já o fez sabe a que me refiro. A prova pode até acabar ali, mas aquilo já ninguém nos tira.

Mas bom, deixemo-nos de conversa. Já sabemos que a cabeça não esteve virada para a competição, mas o corpo, ai, o corpo... pior ainda! Esta foi, das três, a prova em que pior passei (o que não deixa de ser irónico, já que ia sem pressão nenhuma). Portanto, esta crónica vai ser um misto entre o habitual lirismo que a montanha me inspira e a feia realidade das dores e digestão humanas.
Assim sendo, e para facilitar, o texto será dividido em três etapas significativas, cada uma terminando num PAC - Postos de Abastecimento e Controlo - nesta prova também conhecidos por: "Locais Onde Podia Ter DNF Mas Não O Fiz Até Que Sim.

Meta OMD na manhã da partida dos K70.

Seia - Torre 

Na noite anterior não dormi quase nada. É a ansiedade habitual que nos mantém despertos e atentos a qualquer som: outros hóspedes do hotel que foram assistir à partida dos K100, à meia-noite, e depois regressaram e ficaram na conversa; o estalar da mobília e outros ruídos estranhos que, às 03h da manhã, obviamente só podem ser fantasmas de anteriores hóspedes que sofreram um crime sangrento e agora assombram o quarto 408 (culpo os podcasts policiais por isto!) e, finalmente, pelas 5h30 da manhã, o muito mais pacífico chilrear dos pássaros que acordam lá fora.
Enquanto dormir mal, ou pouco, não é problema grave - aliás, é muito frequente em vésperas de provas - já não conseguir comer... é grave. Quando tentei comer o pequeno-almoço e o máximo que consegui foi ficar ali a mastigá-lo inúmeras vezes e depois, muito forçosamente, engolir uma colherada ou duas, veio-me logo à memória a edição do OMD de 2015 e o enjoo que tive de combater durante a totalidade da prova. Hoje também estaria calor, ainda mais do que nesse ano, e a manhã estava a começar da mesma forma: a ideia de ingerir algum alimento agoniava-me. Não era um bom prenúncio.

Dirigi-me cedo para a zona Partida, que seria às 8h, na ideia de ainda ir tentar beber um café primeiro, para dar alguma energia, mas nenhum dos dois cafés junto à Meta teve olho para o negócio nessa manhã e estavam ambos encerrados.
No local, onde já se encontravam vários atletas, fala-se, sobretudo, do tempo. E não é conversa de ocasião para encher o vazio, é mesmo preocupação. Há quem já tenha falado com atletas dos 100 km para saber como está a temperatura "lá para cima" e chegam também notícias de algumas desistências das 100 milhas. Questiono a necessidade de carregar com o impermeável, tendo em conta as previsões, mas a sua obrigatoriedade manteve-se, o que até entendo, já que o clima numa montanha pode ser instável. Adianto já: o impermeável nunca saiu da mochila durante a prova. O que saiu da mochila muitas vezes: o protector solar.

Começo a prova um pouco apreensiva por não ter praticamente nenhuma comida no estômago. Carrego comigo o que levei em termos de alimentação nos 100K do ano anterior: barrinhas, frutos secos, gomas e até uns géis, que não gosto mas sei que é mais fácil de forçar a tomar, em caso de falha de energia. Se resultou no ano anterior, espero que resulte neste (embora, se leram o resumo, já saibam que algo não vai funcionar nesta lógica). Porém, nesta altura, embora o suspeite, ainda não faço ideia do mal que vou passar, por isso sigo em doce ignorância.

A primeira parte do percurso é praticamente a mesma dos anos anteriores. Os primeiros seis quilómetros sempre a subir, sobretudo em estradão, para depois descer ligeiramente até ao Sabugueiro, onde se encontra o primeiro abastecimento.
Noto que o número de atletas nesta distância tem vindo a aumentar, embora ainda seja relativamente sossegado. Farei esta primeira parte sempre rodeada de gente, o que é uma estreia. Formou-se ali um pequeno pelotão de cauda entre mim, o rapaz e a rapariga de Lisboa que iam correr 70 km pela primeira vez; o par de amigos que iam alternando entre corrida e caminhada, distanciando-se sempre, até um ficar à espera do outro; três outros atletas solitários e o casal de estrangeiros que tinha uma passada incrível... mas a caminhar! A este casal, ao longo da prova, irei vê-los várias vezes, raras a correr, mas apanhavam toda a gente na sua caminhada firme e forte. Era vê-los a passar por quem ia a correr lentamente por ali acima. Ainda tentei acompanhá-los durante algum tempo, mas tinha de dar duas ou três passadas enquanto eles davam uma, por isso não era sustentável. Não sei ao certo de que país eram, mas deviam ter um bom treino de hiking, já que terminaram a prova sempre nas "calmas" e ainda com bastante tempo de sobra para o tempo limite.

Quando chego ao abastecimento não-oficial, mas já tradicional, na Póvoa Velha (aproximadamente aos 5 km de prova), aproveito para ver se consigo comer alguma coisa e tiro uma banana do generoso abastecimento oferecido pelo alojamento Casas do Pastor. Não me pagam pela publicidade, nem nunca sequer lá fiquei alojada, mas todos os anos colocam uma mesa à porta com vários alimentos, bebidas e café à disposição dos atletas e por isso merece referência. Geralmente até é um dos locais onde temos mais "claque", já que se reúnem sempre ali umas quantas pessoas da aldeia.
Este ano apenas lá está um simpático casal e, como já indicado, peguei uma banana e segui. Pois que, essa banana, irá ser a minha companhia durante laaaargos quilómetros, até que finalmente começa a ficar preta e tenho mesmo de a deitar fora. Não que não estivesse boa, mas o meu estômago não queria ter nada a ver com comida. Mastigava, mastigava, e era um custo engolir. Uma simples banana! O que me irá safar, até chegar ao Sabugueiro, serão as gomas que trazia comigo. Meto uma na boca e deixo-a ir derretendo.

Não sei porquê, mas as memórias que tinha era de que, após aqueles primeiros quilómetros, e depois de sair do estradão, seria sempre a descer até ao Sabugueiro, mas aparentemente o meu cérebro oblitera algumas subidas, como esta, que ainda tivemos de fazer antes de chegar à Vila.

O rio Alva corre rasteiro, em baixo.

No PAC, ter a mesa cheia de sandes, queijos, marmeladas, fruta... era tão apelativo como estar cheia de pedras e areia, aos olhos do meu estômago. Até beber água já não consistia em nenhum prazer, era uma obrigação. Sei que alguns de vocês também já passaram por estes sintomas em provas e sabem que isso significa que estou fo...lixada. Mais uma vez, lembro-me do que passei em 2015 mas, mesmo assim, consegui terminar, por isso tento negociar com o meu organismo.
- Olha lá, sistema digestivo, que te apetece? Ainda temos quase 60 km para fazer, atina-te! Aqueles pedaços de tomate com sal, que achas?
- Mehhh, pode ser...
Este "mehhh, pode ser" não foi muito animador, mas aproveitei a folga. Comi dois ou três pedaços de tomate com sal. Peço-vos, agora, que retenham esta informação que será de vital importância lá mais para a frente: no Sabugueiro, por volta das 10h da manhã, comi dois ou três pedaços de tomate com sal. Avancemos.

Como não conseguia comer mais, estive muito pouco tempo no abastecimento e por isso, pela primeira vez, sigo sozinha. A seguir ao Sabugueiro entramos numa zona de trilhos, de inclinação mais elevada, que faço a passo forte. Apesar da indisposição, até me sinto bem a nível físico. Ia a um terço do trilho quando começo a ouvir o habitual "toc toc" dos bastões, atrás de mim. Mais uma vez, optei por não levar bastões, sinto que em alguma subidas poderia dar uma ajuda mas, por enquanto, não lhes sinto grande falta. Penso que será algum dos atletas que ficou no abastecimento e agora me está a alcançar mas, já sabemos, NUNCA se olha para trás para não dar parte fraca, por isso continuei ao meu ritmo, como se nada fosse. E o som dos bastões vai-se acercando. Toc toc... TOC TOC... Que raios, pensava que até ia forte, mas este atleta está a apanhar-me como se estivesse parada! TOC TOC... TOC TOC. Quando se torna inevitável e me chego para o lado para deixar passar é que me apercebo de que, ao contrário do que pensava, não era nenhum atleta, mas sim um pastor, de cajado, que ia a subir por entre as rochas e mato rasteiro como se nada fosse. "Bom dia", diz-me, e eu fico a vê-lo continuar. É certo que os pastores são rijos e aquele deve ser o seu percurso habitual e, tudo bem, não vinha desde Seia, como eu, mas... bolas, ser ultrapassada por um pastor nos trilhos foi uma estreia.

Além disso, sei que a quebra energética não tardará, e começo a senti-la quando entramos nos últimos quilómetros antes do Vale do Rossim.

"In hell I'll be in good company", foi a banda sonora que acompanhou
estes quilómetros.

O calor começou a apertar e correr em estradão descampado, com o sol sempre a refletir no piso, começou a mexer-me com a parte psicológica. As próprias gomas, das quais me vou socorrendo, ficam coladas ao céu da boca, de tão seca que vai a respiração. Ainda não é insuportável, mas tenho de ter cuidado para não me deixar entrar num poço de desespero. Sei que provas ao sol forte são a minha maior fraqueza, mas tento racionalizar. Estou protegida e continuo a hidratar-me, mantenho dois ou três atletas em vista e tento não deixar que a distância se alargue entre nós. Ninguém parece com muita vontade de largar a correr, apesar de estarmos numa parte rolante. Corro apenas o suficiente para não prolongar demasiado esta parte.
Sei que o PAC é "já ali", como duas mulheres que ali aguardavam por algum atleta, à sombra de uma das poucas árvores, fizeram questão de me relembrar. O apoio na montanha é feito assim, de forma muito espaçada e nos locais mais inesperados mas, por isso, também tem mais valor. Soube bem ter alguém que nos dá umas palavras de incentivo, assim, no meio do nada, quando não vemos ninguém, a não ser outros atletas, durante horas. 

Lagoa do Rossim.

O Vale do Rossim era um abastecimento apenas de líquidos. Bebo um copo de isotónico e reencho a minha mochila com água mais fresca. Daqui para a frente, vai tornar-se evidente que beber água já não me dá qualquer alívio ou prazer, mas bebo na mesma, da única forma que consigo - pequenos goles, de tantos em tantos minutos. Como não como há algum tempo, meto um gel "de penálti", para nem lhe sentir o sabor, mas veio a revelar-se uma má ideia, pois ainda irei ali algum tempo à beira do vómito. Nesta fase, já desisti de tentar comer os frutos secos. Gosto bastante e o ano passado fartei-me de comê-los mas, desta vez, fico ali horas a mastigá-los até formarem um bolo alimentar que tento empurrar com água. Horrível. Fico frustrada. Técnicas de alimentação e hidratação testadas e anteriormente aprovadas que agora me falham. Chego à conclusão que só pode ser do calor. Talvez o meu organismo lute tanto para arrefecer que a digestão é afectada. O que me valeu foram as gomas - minhas ricas gomas do Lidl! - quais barrinhas xpto, quais géis de marca... ficaram todos na mochila. As gomas teriam de me aguentar até à Torre, onde já estava quase decidida a desistir. Já tinha voltado à Serra, chegaria à Torre, que é a parte mais significativa para mim, e ficaria por aí. Não valia a pena continuar se não conseguia comer.

Entretanto, aqui e ali, apareciam nos trilhos uns quantos turistas e caminheiros. Ia-me aproximando deles ao longe, pensava que eram outros atletas, mas depois começava a reparar na roupa e nas mochilas demasiadamente grandes. Estávamos a aproximar-nos da Nave da Mestra, famosa pelo seu abrigo de pastores, com janelas e portadas de ferro que sabe-se lá como é que foram até lá transportadas, já que estamos, literalmente, no meio do nada, longe de qualquer estrada ou estradão onde possam circular veículos.

Antes de lá chegar, as marcações da prova fazem-nos atravessar uma fenda num enorme monte rochoso, atravessando-o de um lado ao outro.

Entrada.

Saída.

É no outro lado que se encontra o abrigo de pastores, que atrai curiosos ao local. Mas, para os atletas em prova, a verdadeira atracção terá sido o garrafão de 10 litros de água fresquinha que aguardava à sombra da rocha (costuma aqui haver um controlo de passagem, mas este ano não estava lá ninguém quando passei). No entanto, quando a bebi, não senti o alívio que esperava. Quer dizer, gostei de a beber e entornar um bocadinho por mim abaixo, para refrescar, mas não me soube bem. Quase 30 km de prova, num dia quente, e cada golo de água é bebido em sacrifício.
As minhas pernas, por seu lado, ainda estão bem. Vejo dois atletas mais à frente e faço do meu objectivo alcançá-los. Tomo a minha última goma com uma reverência tal que parecia uma hóstia. Lá no cimo, embora ainda distante, já se avista a Torre. "Vou apanhar estes dois atletas e será a minha migalha de glória antes de colapsar à entrada do PAC da Torre." Baixo a cabeça e respiro fundo. Ponho-me a caminho. A goma cola-se imediatamente ao céu da boca.

Na zona dos charcos.

- Dói-me o pé, está a ficar inchado. Vou ficar por aqui. Já ligaram à Organização para me vir buscar.


Bom, se este não é um déjà vu!!! Mais uma vez, estou quase a chegar à Torre e, mais uma vez, recebo uma chamada do Artur, que estava a fazer os 100 km, a dizer que vai ficar pela Torre.

- Pronto, está decidido, fico pela Torre também.

À má-disposição tinham-se recentemente juntado as "pedrinhas-fantasma" nos sapatos. As pedrinhas-fantasma é quando começamos a sentir picadas nas plantas dos pés e achamos que entraram algumas pedras para os ténis mas, 90% das vezes, são bolhas a formar-se. Nem me descalcei. Sabia que era mau sinal estar a sentir assim os pés quando ainda agora estava a chegar a meio da prova e, sobretudo, quando ainda estava a subir. As descidas só tendem a piorar a abrasão nos pés.
Assim sendo, decidi naquele momento que ia mesmo desistir quando chegasse lá acima. Ia enjoada, com os pés a queimar e agora, também, preocupada. Não havia condições. Sem problemas, sem arrependimentos. Estava decidido!

- Diz à Protecção Civil para esperar por mim.

E foi quando alcancei os dois atletas que vinha a perseguir. Naquela altura ainda não sabia, mas um deles irá acompanhar-me durante a minha restante prova. Mas, por enquanto, ia mesmo decidida a desistir, e foi isso que comentei com o meu recente companheiro de corrida. O outro atleta tinha parado para descansar e agora seguíamos só dois. Faltavam não mais de 3 ou 4 km para a Torre, mas aquela fase é muito chata porque a vemos lá ao fundo mas ainda temos de contornar uma encosta inteira e subir um muro de rochas, parece que nunca mais lá chegamos. Mas eu ia determinada e com uma passada mais ligeira porque, para mim, a prova estava a terminar. Por momentos até me esqueci do enjoo e dores nos pés e era verem-me a correr naqueles metros finais antes da estrada que liga à Torre, a saltar de rocha em rocha, sempre de olho na próxima fita. O senhor aguentou-se sempre junto a mim e seguia-me como se estivesse também a terminar, embora estivesse decidido a seguir até à Meta, já que era a primeira vez naquela prova. O mais incrível é que tinha estado nos 40 e tal quilómetros do Estrela Grande Trail, três semanas antes, e agora estava ali de volta para fazer os 70. Há pessoas com memória mesmo curta para o sofrimento! Eu, pelo menos, deixo passar um ano entre empreitadas destas.

Os meus pés chegam finalmente ao asfalto e, quando já estou a 300 metros do PAC, vejo uma carrinha da Protecção Civil a descer no sentido contrário. O Artur ia lá dentro.


Torre - Loriga

Entro na torre da GNR, informo o meu número de dorsal, sem emoção, e sento-me na primeira cadeira que vejo disponível. Não sei o que sentir. Estou desanimada, desesperada. A minha cabeça já tinha tomado a decisão de desistir. Tinha-me visto naquela carrinha, de regresso a Seia, a falar do que correu bem e mal, para depois chegar ao hotel, repousar, recuperar e, quem sabe, ainda terminar o dia a dar umas braçadas na piscina. O Artur já não iria concluir os seus 100 km e eu também já não via necessidade de terminar os 70. Já os tinha feito, não havia nada a provar. Mas agora... Agora, se ficasse por aqui, teria, de certeza, de esperar bem mais de uma hora para me virem buscar. Olho em volta pela primeira vez e verifico o rebuliço silencioso, típico do abastecimento da Torre. É o mais caótico em termos de pessoal mas é, também, aquele em que as pessoas estão mais caladas. Comem, cuidam dos pés, ou estão apenas sentados, de olhar fixo, a pensar na vida.

Começo também a pensar nas minhas opções e, subitamente, fico irritada. Irritada porque começo a considerar continuar até Loriga, quando já vinha decidida a ficar. Porque é que a Protecção Civil partiu sem mim?? Porque é que o Artur não os obrigou a esperar??! Sei que são perguntas fruto do cansaço, sem lógica (como se os senhores da Protecção Civil não tivessem mais do que fazer e montes de outros atletas para irem buscar), mas não consigo evitar. Até o facto de ver os outros atletas a comer, e repetir, pratos de sopa, me descontrola. Como é que conseguem comer assim?? Como é que não estão enjoados??! Nada do que está em cima da mesa me apela. Pego num pedaço de bolo que lá estava e engulo-o quase sem mastigar, só para que me entrasse alguma coisa no estômago. Parece-me um cubo de cimento a descer esófago abaixo. "Pronto, passem-me lá o raio da sopa!!" - foi isto que pensei, embora o tenha dito em voz alta de forma mais educada, graças a Deus. Ninguém ali tinha culpa nenhuma do meu colapso nervoso. Olhei para o relógio, ainda não eram duas da tarde. "Vou engolir o raio da sopa e descer o raio da Garganta de Loriga, a levar com raio do bafo de calor da tarde, até ao raio do próximo abastecimento E PRONTO."

Lagoa do Covão das Quelhas.

Bom, rapidamente me vou arrepender de sair assim de forma tão precipitada e, sobretudo, arrepender-me de ter engolido a sopa assim tão rápido. Aqueles primeiros quilómetros a descer, a seguir à Torre, são uma amostra do que aí vem. Como pensei que ia desistir, nem cheguei a descalçar os ténis para ver o estado dos meus pés e pôr algum creme. Também não espalhei creme para evitar assaduras e já vou a sentir uma impressão nas costas, na zona do top, onde transpiro muito, por causa da mochila. Também não pus protector solar e tenho de o fazer agora, em andamento. No entanto, e ao contrário do ano passado, lembrei-me de tornar a encher o depósito da água, valha-nos isso.

Não consigo correr porque sinto a sopa e a água a chocalharem dentro do meu estômago. A sério, se saltasse, até se ouvia o barulho, e temo que um impacto mais forte numa rocha me faça regurgitar o almoço. Também, mesmo que quisesse, não podia acelerar muito, porque a planta dos pés, sobretudo à frente, vai muito massacrada. A zona de pedra mais miúda, até chegar à Barragem do Covão do Meio, vai ser especialmente dolorosa.



Lembro-me de ir a descer aquela parte tão irritada, tão furiosa com tudo. Psicologicamente esgotada, com dores, impelida apenas por uma teimosia que nem eu sabia bem de onde vinha ou porquê. Porque é que tinha continuado se achava que não valia a pena? Que razão era aquela que me levava até ali?

Passam por mim quatro atletas, dois dos 100 km e dois dos 70 km, que me encorajam a seguir com eles. "Vá, anda, aproveita a companhia até Loriga", mas eu não fui capaz. Primeiro, porque não me sentia com forças para aguentar o ritmo deles e, segundo, porque precisava de estar sozinha. Seguia-se a interminável Garganta de Loriga.

Garganta de Loriga - parte 1.

O "problema" da Garganta de Loriga não é ser uma parte técnica - que é - nem ser de declive acentuado, o que leva as pessoas a pensar que é uma descida rápida - que não é. O problema da Garganta de Loriga é que está disposta de uma forma que parece interminável. Depois de descermos o primeiro aglomerado de rochas vamos dar a um pequeno vale que nos permite correr um pouco, mas que esconde o segundo aglomerado de rochas que ainda se segue.

Garganta de Loriga - parte 2.

Até chegarmos ao segundo vale, onde pensamos que está quase a terminar a descida, mas não está. Depois de chegarmos ao final da segunda parte plana que se pode ver acima, segue-se a parte pior de todas. Finalmente conseguimos avistar a vila de Loriga ao longe. Muito longe. Demasiado longe. Ainda por cima, o trilho encaminha-nos cada vez mais para a direita, o que nos parece afastar da direcção que queremos. É só uma ilusão de óptica, mas torna-se insuportável se já viermos com as emoções abaladas.

A irritação já se foi e, neste momento, só quero passar pela Garganta sem que ela dê por mim. Silenciosamente, sem lutas. 
Já desisti de tentar comer o que quer que seja, e a água é usada para evitar que os lábios fiquem muito secos, e pouco mais consigo beber. Vou em piloto automático e evito as emoções para não me desgastar. Cada passada queima mais que a outra. Às vezes meto um pé em falso e o impacto que faço para travar abrasa-me ainda mais os pés. Sinto que a segunda unha do pé esquerdo pode cair no próximo tropeção. Tropeço. Inspiro tanto e tão subitamente que até sinto o ar quente a arder-me nos pulmões. Não grito nenhuma asneira, isso seria um desgaste muito grande. Continuo apenas, conformada. É só até chegar a Loriga, repito.

Sinto que vem alguém atrás de mim desde há vários quilómetros, praticamente desde o início da Garganta mas, mais uma vez, resisto a olhar para trás. Não acelero, mas a pessoa também nunca me alcançou. Parece mesmo ir a manter uma distância "respeitosa". É só quando oiço essa pessoa a escorregar que não resisto em olhar para trás. Era o companheiro de corrida com quem tinha feito os últimos quilómetros antes da torre e que por lá tinha ficado à espera do colega de equipa. Agora vinha sozinho.
- Olha quem é ele!
- O meu colega desistiu na Torre. Tive de vir sozinho. - E acrescenta - Nem acredito que aqui estive há três semanas e que voltei outra vez. Já me tinha esquecido de como esta descida nunca mais acaba!

Estas suas duas últimas frases foram pontuadas com algum vernáculo que acho escusado reproduzir, vocês imaginam! Parece que, subitamente, tinha recuperado a memória e questionado a decisão de se inscrever para outra tão cedo. Compreendo perfeitamente.

Pude constatar que ia tão fo...lixado como eu, por isso nem foram necessárias mais palavras. Seguimos na mesma juntos, mas em silêncio, apenas intercalado com uma inspiração mais exasperada ou interjeições de desesperação.
Mais uma vez, os deuses da Garganta de Loriga não me deixaram sozinha!

Verdade seja dita, este ano as condições da Garganta estavam melhores do que no ano anterior. O percurso estava mais seco, logo, menos escorregadio, e conseguia-se avançar mais depressa. O problema era que, como fica ali encafuada num vale no meio da montanha, quase não circulava ar nenhum. Eram as horas mais quentes da tarde e foi mesmo muito duro mas, pela primeira vez não me revoltei, e acho que isso fez a diferença.

Claro que, quando chegamos ao estradão que liga à vila de Loriga, nem pensar que conseguia correr. Aliás, só descer aquilo a andar já me magoava bastante os pés. Interrompo o silêncio para dizer ao meu companheiro de corrida que desta vez é que é, vou desistir, fico mesmo por Loriga. E ele, desta vez, junta-se a mim nessa decisão, os pés dele ardem-lhe tanto quanto os meus (embora ache que ainda mantém todas as unhas) e também não se sente capaz de seguir. 

No início do estradão estava um rapaz sentado, à espera que o viessem buscar. Penso em como espero que a carrinha ainda passe pelo abastecimento, a tempo de nos levar também. Mais uma vez, não havia condições para prosseguir. Sem problemas, sem arrependimentos. Estava decidido!

Loriga - Valezim

Chegamos ao PAC de Loriga - que neste ano mudou de local e é num parque logo à entrada da vila - e reparo logo num pequeno oásis: uma fonte que forma uma pequena piscina, onde se podem mergulhar as pernas.


Está bom, não mexe mais, fico já por aqui!

Façam zoom por vossa conta e risco.

Estive que tempos com as pernas ali mergulhadas. Sem pressas. Nem sequer me aproximei da mesa com comida. Cheguei aqui, com cerca de 45 km de prova - já uma ultra, portanto - logo ninguém pode dizer que não me esforcei. Foi um bom treino e já estou em paz com a decisão de ficar por aqui. Inclusive, chego a ligar ao Artur a informar disso mesmo. Começo a fazer as contas e, com sorte, ainda consigo ir a tempo de dar as tais braçadas na piscina. Entretanto, estou aqui tão bem, tão fresquinha, à sombra pela primeira vez em sabe-se lá quantas horas. Daqui ninguém me tira. Ou tira?...

À minha volta todos se queixam das maleitas nos pés. Passam-se cremes gordos e vaselinas como se fosse contrabando. No entanto, ninguém parece interessado em ficar, só eu. Até o meu companheiro de corrida já começa a ceder à pressão de grupo e a pensar que se calhar, "só por mais 20 km", faz o esforço. Traidor! Junta-se ao coro de vozes que insiste: "Vá lá, Rute, não vais nada desistir". De repente, toda a gente que ali está parece saber que a Rute quer desistir e ninguém quer deixar que isso aconteça. E a dúvida começa novamente a instalar-se. Raios!

Distância até ao próximo abastecimento.
Cada cor corresponde a uma prova diferente. A dos 70K era a amarela.

Afinal de contas, aparentemente, estou bem. Quer dizer, só estou agoniada e sem conseguir comer nem beber convenientemente, com a planta dos pés numa bolha só, mas o que é isso, né? :)
De resto, impecável, nem grandes dores musculares tenho. Emprestam-me um creme gordo para tentar acalmar as dores dos pés e tomo uma decisão: vou beber um bocado de cola (quem me conhece sabe que não gosto nada), só para ver se consigo arrotar e ficar um pouco mais aliviada. Resultou. No seguimento, ainda consegui engolir, embora sem qualquer prazer, um bocado de bolo (aka cubo de cimento a descer pelo esófago), e achei que podia seguir mais um bocadinho.
Basicamente, deixei que fosse uma eructação a decidir o meu destino. Portanto, logo daí se vê como as coisas só podiam acabar mal.

Nos quilómetros seguintes, à saída de Loriga, parecia que tinha, finalmente, recuperado da indisposição. Como é a subir os pés não queimam tanto e vou acompanhada por dois atletas dos 100 km e pelo já companheiro de vários quilómetros. Sinto-me bem e até os consigo acompanhar sem dificuldade, apesar de ser a única que não levava bastões. Foram os últimos sinais de melhoria antes da hecatombe que se aproximava.

Notei logo, quando se inicia a grande descida antes de Valezim, que tinha sido MUITO má ideia ter continuado. Aquela é uma parte que, para quem geriu bem a prova, dá um grande gozo descer. É estradão corrível, sem desnível exagerado, e dá para recuperar bem o ritmo. Não foi o que aconteceu. As bolhas dos pés não só me impediam de correr como, para meu horror, agora me tornavam um suplício caminhar nas descidas. Sinto que, mais quilómetro menos quilómetro, vai custar-me uma segunda unha. Além disso, começava novamente a sentir-me agoniada. Não quis dizer nada ao colega que me acompanhava, mas começava a pensar seriamente ficar em Valezim, onde sabia haver um Posto de Controlo nos bombeiros, antes do abastecimento em Lapa dos Dinheiros. Ele, ao menos, ainda ia com disposição para falar, eu já nem isso.
Quando entramos em Valezim, dizemos (bom, ele diz, eu mal abri a boca) "boa tarde!" a uma senhora que está sentada à porta de sua casa e nos olha com ar desconfiado, ligeiramente assustada, como se fossemos uns ETs. Ela responde, mas continua a seguir-nos com o olhar fixo, até cruzarmos a esquina. Se calhar, eu já devia ir verde e ela estava era a prever o que iria acontecer a seguir, na fonte a poucas dezenas de metros de sua casa.

Eu já sabia da existência dessa fonte, algumas centenas de metros antes da sede dos bombeiros, e todos os anos lá parei para me refrescar. Este ano resolvi fazer o mesmo. Mas, este ano, mal as primeiras gotas daquela água cristalina me chegaram ao estômago, vi logo que estava fo... - que se lixe, aqui não pode haver censura - ...dida. Só tenho tempo de me sentar e oiço o colega perguntar-me "estás bem??".

[Nota: eu avisei na crónica anterior que iria ser bastante gráfica, prossigam com cautela.]

"Não", respondi, antes de protagonizar uma cena digna do Exorcista  - juro, acho que até revirei o pescoço e tudo - e projectar um esguicho de vómito sem qualquer controlo. Boa notícia: não era verde (na verdade, era praticamente só água). Má notícia: a seguir àquele seguiram-se vários outros.

"Oh não, aí vem mais um", pensava, sem conseguir fazer qualquer coisa para o evitar. Era uma compulsão e o estômago não ia ficar contente até se ver livre de todo o seu conteúdo. Enquanto isso, o senhor que me acompanhava assiste, impávido. "A sério, será que é possível esta situação ser mais humilhante?!!!!" Resposta: Era possível.
A descer a rua vem um homem de idade, de bengala, sereno, provavelmente a dirigir-se para casa para jantar, e depara-se com o meu espectáculo.
- Não sabem beber e depois é assim! - comenta o meu companheiro de corrida com o senhor de bengala, numa tentativa de fazer comédia com a situação.
"Oh Deus, por favor, abre um buraco no chão agora..." peço eu, na minha cabeça, já que a boca estava ocupada a expulsar mais uns quantos litros de líquidos.
Finalmente, ao fim de quatro ou cinco golfadas, as últimas já secas, parece que finalmente já não havia mais nada que pudesse sair. Mesmo assim, não quis arriscar levantar-me logo e demoro-me, de cabeça baixa, a observar o redor da fonte, onde parece que aconteceu um tsunami. Quando achei que já era seguro, tento compor-me um bocadinho, olho de soslaio para confirmar se não atingi a minha t-shirt e tento reunir uma réstia de dignidade quando oiço:
- O que é aquilo? Tomate???
Pois que, como o meu atento companheiro de corrida verificou, no meio de todos os líquidos regurgitados, saíram também peles de tomate.

E agora peço-vos que recordem a única vez que comi tomate em toda a prova: ainda era de manhã, no Sabugueiro. De toda a comida que ingeri durante o resto do dia - que não foi muita, é certo - a única que não foi convenientemente digerida foram as peles do tomate. Dos dois ou três pedacinhos de tomate que comi! De manhã! Nem as verduras da sopa, nem a banana, nem os bolos, nem umas quantas cerejas que tinha surripiado durante a tarde numa árvore à beira da estrada... Aparentemente, as peles do tomate são de difícil digestão. Que este meu infortúnio sirva como aviso.

Quase que poderia ser esta a moral da história a encerrar a minha crónica, mas faltam umas poucas centenas de metros por percorrer, tenham um pouco mais de paciência.

Depois deste episódio, a parte positiva é que, tirando o ego, recuperei bastante. Aliás, sentia-me bastante aliviada. Nem me lembrei das dores dos pés, na minha ânsia de chegar ao posto dos bombeiros. Não queria pensar nem ouvir mais ninguém, como medo de mudar de ideias.

Felizmente, e porque já não era a primeira pessoa a fazê-lo ali, os bombeiros nem questionaram a minha decisão de desistir e ligaram logo para me virem buscar. Estava a 2 km de Lapa dos Dinheiros, pouco mais de 10km de Seia... e com tempo suficiente para chegar à Meta até de rastos. Mas a minha prova acabava ali. Deixara de fazer sentido.
A única coisa que me custou um bocadinho foi ter de abandonar o colega que me acompanhava há tanto tempo, com quem tinha partilhado tanto, literalmente (!!!), e com quem tinha combinado ir até ao fim. Mas para ele era importante continuar, para mim não. Por isso, Rob, se me estiver a ler, obrigada e desculpa!

Quando a minha vez de ser levada pela Protecção Civil chegou, já estava bastante conformada e animada. Como os dois senhores tinham acabado de entrar ao serviço, em substituição de turno, eu fui a primeira atleta a ser transportada por eles! No entanto, tinham a informação de estar a ser uma prova com bastantes desistências. Inclusive, com alguns atletas a terem de ir ao Hospital, severamente desidratados. Não fiquei admirada, pois ao longo da prova, em cada abastecimento que passávamos, ouvíamos rumores das "baixas". De resto, ainda fomos ali em amena cavaqueira até chegar a Seia, pois descobri que os senhores conheciam a terra da minha mãe, que também fica na Serra da Estrela. 


Como se costuma dizer: umas vezes ganha-se, outras vezes aprende-se. Gostava de conseguir transmitir-vos tudo o que (re)aprendi, mas a crónica já vai bastante grande. Ficam algumas notas:

- O pior nas provas de longa distância não são as dores musculares, cãibras ou cansaço. Com isso já vamos a contar e conseguimos lidar. O que nos fo-lixa, são mesmo os problemas digestivos. Se não conseguimos ingerir energia, não vamos ter energia.

- A minha indisposição pode ter uma relação directa com o calor. Tenho tensão baixa e talvez isso não ajude, não sei. Ou aprendo a solucionar este problema ou só faço provas de Junho a Agosto se forem no Norte da Europa. E à noite, para prevenir.

- O que nos impede de concluir uma prova raramente é o corpo, mas sim a mente. Ao contrário do que alguns dos colegas que quiseram dissuadir-me de desistir me disseram, eu nunca me arrependi. Nem nesse dia, nem no dia seguinte, nem até hoje. A prova deste ano tinha/tem um valor muito grande para mim, mas não era um objectivo, não necessitava de uma Meta. Se fosse importante acabar, acreditem, te-lo-ia feito.

- Temos de escolher as nossas lutas. Nem todas valem a pena.

- A força, nos trilhos, não a vamos buscar às palmas, que quase não há, mas sim a momentos. À presença de pessoas nos locais mais inóspitos, a senhoras nas aldeias à janela, ou sentadas à sombra dos alpendres, que nos olham silenciosas e, até, um pouco desconfiadas, como se fossemos ETs, a um pastor que nos passa numa subida... São aqueles breves segundos em que a vida dos que ficam e dos que passam se cruza. Já para não falar daqueles que compartem as nossas dores e glórias, seja do outro lado do telefone ou ao nosso lado, como atletas. Até uma bicho-do-mato como eu, que corre na montanha como refúgio, admite como é importante esta partilha.

- Não abusem dos tomates (isto escrito assim não soa muito bem, mas quem leu a crónica toda percebe).

- Se se sentirem à beira do vómito, procurem sempre um local recôndito e sem testemunhas.


O que fica por aprender:

- O que é esta coisa que nos faz voltar sempre? Que nos adoça a memória e nos faz crer que vivemos um dia espectacular, quando existe todo um texto a querer provar-nos o contrário? Não sei, mas até para o ano, OMD.


41 comentários:

  1. Fica difícil comentar um artigo escrito desta forma. Não só pela excelência da tua habitual forma literária mas também pelo tão sentido que é.

    Mais uma vez se provou o quão resiliente és e não foi necessário cortares a meta para o provares.

    Muitos parabéns pelo esforço e pelo texto!

    Beijinhos e força para todos os teus próximos objectivos, sejam quais forem.

    ps - Haveria algo que dava pano para mangas mas não se identifica neste comentário a este teu texto, a frase "nunca se olha para trás para não dar parte fraca". Por causa dessa "crença", que não concordo minimamente, já tive uma história numa prova. Mas fica para depois.

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    1. Obrigada, João. Esta prova foi das difíceis! :) O que só mostra que podemos voltar inúmeras vezes ao mesmo sítio e viver uma história diferente.
      Eu não gosto de olhar para trás. Geralmente só o faço nas provas em que vou em maior dificuldade. A não ser que esteja a descer num trilho técnico e, nesse caso, tenho de ir olhando por cima do ombro de vez em quando, não vá haver algum atleta lançado que me atropele! ;) Um dia destes contas-me a tua história.
      Beijinhos

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  2. Mas uma bela crónica! :)
    Retirar a pele aos tomates - check!

    beijinhos

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    1. Obrigada! :)
      Nunca tinha tido nenhum problema com os tomates com sal, que até me sabem bem em prova. Fiquei foi a saber que, pelos vistos, a pele é indigesta! Mas vou continuar a comer nas provas mais curtas. :)
      Beijinhos

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  3. Vim só aqui comentar o primeiro capítulo: como te compreendo quando dizes que gostas de percorrer "não caminhos"! VOu continuar, até já.

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  4. Olá, Rute!

    Não me conheces mas, ao contrário, eu parece que te conheço desde sempre! Ainda há uns dias lia um dos teus primeiros posts em que fazias uma corrida de 6km nos Olivais e foi... brutal! Agora já fazes ultras, OMG!!!

    És um mulherão! Até naquelas experiências em que não ganhas mas aprendes (como esta) consegues transmitir-nos a essência do que sentes.

    As tuas capacidades literárias e atléticas são uma inspiração!!

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    1. Olá Fabiana!
      Muito obrigada pelo teu simpático comentário, até fico sem saber o que dizer. :)
      Das minhas capacidades atléticas não sei, mas fico contente de gostares de ler aqui o meu cantinho!
      Quanto à evolução das distâncias, só custa começar... ;)
      Beijinhos e "vai aparecendo" :)

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  5. Muito, muito bom! Ok, desculpa: oh, coitadinha, vomita... não, esquece, que excelente post! Que fique aqui dito: melhor descrição de vomito alguma vez registada na internet. Parabéns! Agora a sério, foi uma prova do caraças e concordo a 100% com a tua primeira nota. Nunca vomitei numa prova, mas a julgar pelas poucas vezes que o fiz estando doente e à minha habitual pieguice acho que já nem um passo dava! Acabaste em paz e sem mais nadinha para dar. Ufa, valente!

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    1. Ahah obrigada...
      Sabes que primeiro pensei "epá, devia ter ficado por Loriga e evitava esta situação!" mas depois pensei que, pelo menos, assim sempre tinha ganho matéria para crónica! Lol Há que ver o lado positivo. ;)
      Sabes que depois de vomitar foi um enorme alívio. Eu é que não consigo forçar, senão te-lo-ia feito mais cedo.
      Boa sorte para a tua empreitada e, já sabes, evita o tomate!:P

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  6. A ligeireza com que relatas a prova deste ano é sinal de uma mente bem "calejada", que facilmente obriga o corpo a não desistir (e com um empurrãozito do pessoal enquanto recuperam com os cotos de molho :P). Parabéns!

    Boa recuperação para o Artur. Para o ano, é que é!

    Bjs

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    1. Ainda dava para ir mais um bocadinho, mas há que saber quando parar. Esse oásis de Loriga foi um dos pontos altos da prova!!! Se eu não fui até à piscina... veio a "piscina" até mim. ;)
      Obrigada!
      Beijinhos

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  7. Olha ... só para dizer que saltei imediatamente das primeiras linhas para os comentários ... muitos parabéns pela excelente crónica que ainda não li mas que vou ler logo que tenha um tempinho livre de qualidade, para dar a atenção que o texto com certeza merece.
    Só isso ...
    Beijinhos

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  8. Fantástico relato, parabéns!
    Fico assustado e ao mesmo tempo curioso...
    Acho que o curioso está a ganhar ;) (vamos ver em 2018)
    "note do self": cuidado com os tomates ;)
    Obrigado!

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    1. Ahah, sim. :)
      Acho que é uma boa prova para se fazer pelo menos uma vez (pelo menos os 40k, que já sobem à Torre).
      Bjs, boas corridas!

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  9. Olá Rute,

    Comecei a ler a tua crónica, em primeiro lugar porque também sou um "bicho do mato", mas principalmente porque estou a planear a próxima época (sim já, a localização assim o obriga, em alternativa é uma bela localização - Madeira) e o OMD está a concorrer com a Freita levando o primeiro uma boa vantagem.

    Gostei imenso do teu texto, e comprovou o que já tinha observado em várias fotos disponíveis, que o calor será o maior adversário.

    Parabéns pela prova feita e pela lucidez de não fazeres mais prova.

    Tudo de bom. Beijinhos.

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    1. Olá Nélson,
      Antes de mais, obrigada pela visita e pelo comentário!
      A Freita nunca fiz mas, pelo que me conta quem já fez, é uma zona muito bonita e uma prova muito técnica, com várias travessias de água. Não é o caso do OMD.
      Não sou a pessoa mais isenta, mas acho que a Serra da Estrela pode até não ser a serra mais bonita, mas é, sem dúvida, muito especial na sua imponência. Além disso, chegar à Torre pelos próprios pés é uma experiência que marca.
      Qualquer que seja a decisão: boa prova! :)
      Tudo de bom. Beijinhos

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  10. Uma nota importante sobre hidratação. A Hidratação começa bem antes da prova.Começa nos dias anteriores, principalmente se estiverem dias muito quentes. Também se as viagens forem longas e fechados em carros com ar condicionado ligado.
    Bebam mais água...todos os dias.

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    1. Toda a razão, Horizontes Aventura!
      Obrigada pela visita. :)

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  11. Confesso que não sei bem o que comentar (e assim podia evitar comentar dahhh, mas nãoooo, vou mesmo continuar).

    Por um lado percebe-se muito bem do, mais uma vez, belo texto que foi uma luta, fisica, psicológica, diria até escatológica.

    Por outro lado, é evidente que estás em paz com a decisão da desistência, do DNF, e que no fundo só o é porque alguma coisa tinha que ficar escrito no papelinho da organização com a classificação.

    E quando assim é, a pergunta que fiz (p***, faltavam 10 q u i l ó m t r o sssssss, apenas isso para o fim, quero lá saber das bolhas!, como não acabou???) não tem cabimento, o que lá tinhas ido fazer, a tua viagem à Serra estava feita.

    E era apensa isso que contava.

    E assim, é apenas isso que conta.

    Em resumo, quando for grande (nessa coisa de correr uns km) quero ser um bocadinho como tu.

    Mais havia a escrever mas...é a tua crónica.

    Beijinhos

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    1. Obrigada por teres comentado na mesma. :)
      Bom, luta escatológica, POR ENQUANTO, ainda não. Isso é mais para outros blogues... ;) Mas sim, mais tarde ou mais cedo pode acontecer e acho que ainda seria pior!!!
      Sim, estou em paz com a decisão. Acho que, no fundo, já esperava que esta prova fosse diferente, só não sabia é que seria por estas razões! Provavelmente, e uma vez que eu própria reconhecia que estava sem espírito competitivo, poderia ter ido passar o fem-de-semana à serra e fazer um treino, em vez da prova, e viria de lá contente na mesma. Mas, confesso, por um lado é mais cómodo e seguro fazer uma prova (marcações, abastecimentos) e, por outro, acho que iria sentir falta do OMD, por tudo o que envolve e o significado que ganhou na minha vida de corredora.
      Beijinhos

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    2. Que fique claro que a parte do escatológico foi forçar a nota, era apenas a referência (incorrecta eu sei) à maneira como a sopa, o tomate (e tudo o resto) "saltou" de ti para quase à porta daquela senhora, simpática de certeza e que ficou a adorar-te.

      Para o ano que vem muda de boné, óculos de sol e afins quando passares por lá, só porque sim.

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    3. Ahah da porta dela não dava para ver a fonte! Mas deve ter ouvido... :D
      Beijinhos

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  12. O meu problema é que depois da minha prova tinha pensado só voltar à Estrela em 2019, quando tivesse melhor preparação e essas coisas mas depois venho aqui e pronto, já tenho vontade de me inscrever outra vez!

    Tenho é esse grande problema com o calor... Dá para encomendar um tempo mais fresco para o ano? :D

    Beijinhos,
    Oriana

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    1. Tens um ano para te preparares! Dá tempo! :)
      Quanto ao calor, é mesmo uma lotaria... Se bem que: 2015-calor, 2016-fresco, 2017-calor, 2018... fresco? ;)
      Beijinhos

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  13. Bem ... finalmente arranjei um tempinho para ler este texto com a atenção que merece. Só digo isto .... é por textos destes que este é dos meus cantinhos preferidos ... parabéns pela resiliência, parabéns por saberes tomar decisões difíceis com tranquilidade (tb estou assim, digamos que ajuizado :) ... mas eu é da idade ;)) e obrigado por mais uma partilha fantástica (revi-me em muitas das situações ... senti as dores nos pés, senti o "Gru-maldisposto" em ti .. apenas não sei o que é isso da má-disposição assim tão prolongada ... até à data, felizmente, nunca fiz essa experiência)
    Beijinhos

    P.S. Aqui na zona diz-se que alguém "é da pele dos tomates" quando é lixado, duro, não verga ... olhando para o que aconteceu começo a ver de onde vem a frase :)

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    1. Ahah, não conhecia esse ditado "da pele dos tomates". Não sei se será beeeem esta a razão da sua origem mas, de qualquer forma, é verdade! :)
      Obrigada por continuares a ser visita assídua aqui do cantinho. :)
      Beijinhos

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  14. Helder L.7/7/17

    Olá meneina,

    Só para te dizer que estás a escrever cada vez melhor 😊

    E fica uma ideia (ou não): para a próxima tiras uma foto do teu "magnífico" menu "poça no chão, com cenas, coisas e pele de tomate" com #oquecomihojeenquantopasseavanaserradaestrela lol

    Bj

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    1. Olá Hélder!
      Na altura nem pensei em documentar visualmente a coisa... e ainda bem! :) Não precisam de ver isso, só imaginar. :P
      Vê lá se para o ano já estás bom, a Estrela te aguarda!
      Beijinhos

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  15. So para dizer que comecei a ler esta crónica no século passado e só hoje terminei... quando até um trailer teve só podia sair um texto majestoso! Parabéns pela prova. Garantidamente foi uma excelente experiência para outras. O acabar nem sempre é o mais importante. Acho que a partir de hoje vai tudo andar a tirar a pele dos tomates. Quando vires alguém a fazê-lo já sabes é leitor aqui do cantinho ;)
    Quer me parecer que acabaste de ditar uma moda...
    Beijinhos e continuacao de boas provas (sem tomates)

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    1. Aahah, espero que te tenhas sentado confortavelmente e comido umas pipocas. :)
      Não sei se a pele dos tomates será indigesta para todos, mas é melhor não arriscar! ;)
      Obrigada!
      Beijinhos e boas provas

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  16. Agora que li o teu relato, dou-me conta que fizemos a corrida até Loriga muito próximos. Estava de facto muito calor e o ar estava muito seco.

    O que resulta comigo é sal e coca-cola. Sal quando já estou nas últimas, a coca-cola, ou parecido, sempre que houver nos abastecimentos, normaliza o estômago (pelo menos quero acreditar que sim). Isto tem resultado comigo, mas na realidade nunca me vi com estas afrontas de ingerir alimentos logo desde os primeiros quilómetros.
    As bolhas é rebentar com elas e deixar um buraco suficiente para não encherem outra vez. Passa a dor e fica só um desconforto doloroso...

    Boas corridas.

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    1. Olá Ricardo!
      Provavelmente terás passado por mim na Garganta de Loriga. Também eras um dos que estava com os pés na "piscina"? :)
      Noto que a coca-cola que aliviou um pouco mas, lá está, não bebi muita porque não gosto mesmo. Aliás, só bebo mesmo em provas!
      Quanto aos pés, foi mesmo uma estreia. É raro ter problemas de bolhas, muito raro mesmo. Se calhar facilitei um pouco com a escolha das meias e os ténis também já não estavam no melhor estado. Bom, para a próxima já irei com um espírito diferente. :)
      Correu-te bem a prova? Foi uma estreia?
      Boas corridas!

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    2. Olá. Não foi uma estreia para mim, foi estreia no OMD. Mas foi uma prova no meio do deserto de provas que ultimamente ando a fazer. São coisas da vida. Ainda estou a escrever o relato da prova para publicar no meu blogue (aguentatesempre.blogspot.pt).
      Já tive problemas com os pés e não estou certo se o problema tem mais a ver com as sapatilhas, com as meias ou com os próprios pés.
      Estava a tirar os pés na piscina precisamente na altura que tu chegas ao abastecimento de Loriga. Recordo que passei por ti na Garganta de Loriga e incentivei-te a seguires no nosso passinho. Só para te situares melhor: era o barbudo do "o par de amigos que iam alternando entre corrida e caminhada, distanciando-se sempre, até um ficar à espera do outro".
      Boas corridas.

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    3. Olá. Lembro-me de ti, sim! Estavas a refrescar-te na ribeirinha da Garganta e depois disseste para "aproveitar a boleia" e seguir-vos. :) Obrigada pela força, mas naquela altura não dava mesmo...
      Acho que já sigo o teu blogue, mas agora vou estar atenta à crónica. É sempre bom ler outras perspectivas das provas em que participamos.
      Boas corridas e até uma próxima montanha por aí! :)

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  17. Rute, confesso que não li tudo mas assim que tiver tempo disponível venho aqui ler tudinho!
    Quero apenas dar-te os parabéns pela coragem e resiliência!
    Não é fácil tomar uma decisão dessas mas por vezes é o melhor que temos a fazer. E aprendemos muito com este tipo de provas que correm menos bem.

    Beijinhos e parabéns!

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    1. Obrigada! Sim, foi uma decisão consciente e sem arrependimentos. Para a próxima já corre melhor. :)
      Beijinhos

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  18. Olá! Venho aqui poucas vezes, já não o fazia há uns meses, mas é sempre um prazer ler as tuas crónicas, esta então está fantástica!
    Já no Instagram tinha percebido numa troca de comentários contigo acerca da minha participação nos UTRP no Algarve em agosto de 2016, que o calor é algo que te limita muito, o que me deixa ainda mais surpreendido com o apelo que tens por essa prova, na Serra da Estrela em junho... Lá está, é a paixão a colocar-se bem acima da razão.
    Muitos parabéns pelo texto e pelo desempenho, só agora fiquei a perceber a forma tão simples e direta como comentaste no meu Instagram o meu DNF em Berlim este agosto.
    Bons treinos!

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    1. Olá alec (desta vez por aqui!) :)
      O meu fascínio, mais do que por esta prova, é por este local. Não há muitas provas na Serra da Estrela e, infelizmente, sendo montanha, também não há muitos meses do ano em que se possa realizar. Abril seria o ideal, mas ainda arriscado com a possibilidade de haver neve. Sendo assim, sujeito-me. :) É uma questão de sorte com o tempo. O ano passado, se bem te lembrares das fotos, ainda havia neve na Torre. Em Junho! Preferi mil vezes. :)
      Mas é mesmo assim... Umas ganha-se, outras aprende-se.
      Obrigada pelas tuas palavras e continuação de bons treinos. Estás imparável! Qual o próximo desafio?
      Beijinhos

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    2. Tens o EGT que sempre é uns dias mais cedo, ainda não fizeste essa pois não? E o Estrela Açor que foi neste fim de semana, se bem que este ano deve ter sido pior do que correr em junho...
      Próximo desafio? Olha, passará por tentar até ao fim do ano conseguir correr as 100 milhas, como não há provas onde o possa fazer (haver há, mas são trail) vou tentar em modo solitário, num percurso que já está alinhavado.
      Bons treinos, boas provas e boas crónicas, que nós gostamos de ler! Beijinhos

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