17 de setembro de 2017

Abastecimentos naturais

Agora que o Verão está a terminar, já consigo olhar para os treinos estivais com outra benevolência. A bem da verdade, se há coisa em que o Verão é mais generoso do que as outras estações do ano para a corrida, é na oferta de abastecimento natural. Por exemplo, quem nunca parou a meio de um treino para descansar apanhar as belas das amoras?


Pois é, cidade ou campo, é rara a zona em que não haja umas silvas onde se pode colher uns quantos destes frutos. Num parque perto de minha casa até existe uma amoreira mas, por acaso, prefiro as amoras silvestres. E, sabendo o preço a que se vendem nos supermercados (upa upa!), até as enfardo com outro gosto. São especialmente saborosas nos treinos longos, quando não se leva comida na mochila.

Outra árvore que me deu bastante jeito entre Junho e Julho foi o abrunheiro. Na zona onde vivo há imensos e lembro-me, quando ainda andava na escola, de sairmos das aulas e fazermos competições para ver quem apanhava mais abrunhos. Eram barrigadas daquilo, às vezes ainda estavam meio verdes e tudo, o que resultava, como podem calcular, em enormes dores de barriga! No entanto, se fosse preciso no dia seguinte estávamos lá batidos a comer abrunhos novamente. Enfim, jovens... :)
Agora já não sou tão jovem mas continuo a gostar de os comer. Este Verão, colhi quase sempre dois ou três nos treinos de final de tarde.

Outro do meu top de fruta-abastecimento-natural é o figo.


Também tenho a sorte de passar por uma ou outra figueira nos locais por onde habitualmente treino. A figueira, para mim, é "a" árvore do Verão.
Já aqui falei uma vez da associação de certos cheiros à memória (não consigo encontrar o link, mas apercebi-me que já são quase 6 anos de arquivo!). Ou seja, de haver certos aromas que nos transportam para determinada fase da nossa vida ou, até mesmo, para uma situação específica. A mim, o cheiro de figueiras faz-me sempre recuar até às férias de Verão no quintal dos meus avós, em criança, onde havia uma figueira onde passávamos as tardes à sombra. Eu e os meus primos subíamos o tronco e comíamos os figos mesmo ali, com as mãos peganhentas do pingo do mel e do leite, abocanhávamos a polpa e marchavam bocados de pele e tudo e, invariavelmente, nunca chegávamos ao final das férias sem ficar com os lábios rebentados por comer alguns que ainda não estavam suficientemente maduros. Ainda hoje só consigo comer figos assim, directamente apanhados da árvore.

Este não é um fruto, e duvido MUITO que seja comestível, mas são cogumelos
com uma cor e consistência que me fizeram lembrar gomas durante um treino
(sim, estava com fome!!!). Tinham uma cor ainda mais radioactiva ao vivo.

E agora, mais para o final de Agosto, já se começaram também a avistar medronhos.


Portanto, durante o Verão tive tudo isto à disposição nos meus habituais campos de treino, de forma livre e sem necessidade de andar à chinchada (ainda se usa a palavra "chinchada" ou estou a ficar velha?) Tradução de "chinchada": assalto a árvores de fruto com dono.

Este Verão tive também, e porque falei em cheiros, a experiência de correr por um local com-ple-ta-men-te queimado...


É o percurso que habitualmente faço quando estou de férias na terrinha (Serra da Estrela). Nessa manhã tinha chuviscado, o que adensou o cheiro a queimado da zona que tinha ardido há pouco mais de duas semanas. Foram 25 km, repito, 25 km disto:


Desolador. Foi um treino e um murro no estômago ao mesmo tempo.

Bom, muito teria a dizer sobre este tema dos incêndios, mas já todos sabemos como foi este ano e este não é o local para o fazer. No entanto, só para me manter no tema da crónica, este Verão vi, pela primeira vez, maçãs assadas numa árvore. Sim, uma macieira queimada, ainda com as maçãs penduradas. Tinham exactamente o mesmo aspecto e consistência das maçãs quando vão ao forno. Era tão caricato que devia ter fotografado, mas não consegui.

E vocês, esses treinos de Verão, que tal foram? Comeram muito (frutos)? Andaram à chinchada? (Eu prometo que não conto a ninguém...;) )

16 comentários:

  1. Ora bela posta sim senhor ... e não, este ano não andei à "chinchada" (nem sabia o que isto era) pq não andei a correr quase nada, então longos e fora do alcatrão nem vê-los.
    Força nisso ... beijinhos

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    1. Então como chamam "ir à chinchada" aí para o teus lados?
      Os meus "longos" também andam curtos. É mais comer do que correr. :)
      Beijinhos

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    2. Nem sei .. aqui não fazemos isso :P

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  2. Essa duma árvore com maçãs assadas, seria giro se não fosse por uma triste realidade.
    25 km de queimado... :(

    Beijinhos e boas corridas

    ps - Sou "bué da mais velho" que tu mas não conhecia a palavra chinchada :)

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    1. Foi maçãs e pêras... Pareciam mesmo acabadas de sair do forno. Ardeu a encosta toda que liga a vila à Serra da Estrela. :(
      Talvez "chinchada" seja regionalismo das Beiras. :) Por acaso nunca usei muitas vezes o termo com pessoas de Lisboa, por isso não sei se o reconheceriam e se se usa por aqui também.
      Beijinhos

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  3. Olá Menina!
    Por aqui usamos o termo "rabisco", para essas colheitas que nos ficam à mão-de-semear. Chinchada, não conhecia!
    Figos, uvas, amoras e marmelos, são abastecimentos que por aqui abundam, contudo o meu sistema digestivo transfigura-se, enquanto corro, e prefiro não arriscar. Mas em caso de muita necessidade...lá teria de ser!

    Boas corridas!

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    1. Olá!
      Desconhecia o termo "rabisco" com esse significado. É engraçado aprender os diferentes regionalismos. :)
      Vá, come uma amora ou duas enquanto corres, para o estômago se ir habituando! ;)
      Beijinhos

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  4. Medronhos, sou fã dos medronhos! Tenho comido muito ultimamente. Já tinha saudades dos teus posts, vai lá fazer provas, vá.

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    1. Por aqui a maioria ainda não está suficientemente madura.
      Isto anda muito fraquinho em corridas para estes lados... :(
      Beijinhos

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  5. Na minha zona é mais amoras, uvas, maças e agora já há umas romãs disponíveis... Não sei se há alguma expressão, normalmente digo que vamos merendar...

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    1. Romãs, adoro! Mas são uma chatice para descascar, portanto não servem como abastecimento. :)
      Beijinhos

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  6. Que belas chinchadas na terrinha quando vinhamos do Rio. Era pêssegos e figos. Adoro as frutas e adoro a palavra chinchada, lol. Deve ser coisa das beiras ;)
    Aqui por onde corro às vezes passo num sítio onde tem uma Figueira que se avista por trás de um muro mas tem um cheiro tão intenso que me transporto para a terrinha automaticamente. É tão bom...
    Beijinhos e boas corridas

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    1. Sim, é isso mesmo! Cheiro de figueira e erva fresca lembram-me sempre o verão na terrinha. :)
      É, penso que chinchada seja regionalismo. Também gosto da sonoridade. :)
      Beijinhos e boas corridas!

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  7. O meu verão foi muito "eu gosto é do verão" ver posta anterior, com tshirt encharcada, calções encharcadas e meias encharcadas de suor, em marginais sem altimetria por causa de uma maratona no país das túlipas... Granda Sorte :)

    Beijinho

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    1. Inscreves-te em Maratonas de Outono depois é assim... :)
      Beijinhos

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  8. Fiquei curiosa com aqueles cogumelos!

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