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15 de setembro de 2016

Subida ao Cântaro Magro

Na tarde anterior, quando os avistámos, lá estavam eles, desafiantes...

Os Três Cântaros.

Da esquerda para a direita: Cântaro Raso, Cântaro Magro e Cântaro Gordo (este último um pouco encoberto na foto acima, mais visível na foto abaixo). 1916m,  1928m e 1875m, respectivamente.

E eu queria subi-los porque, pronto, "estavam lá"...




Que dizer? É aquela atracção ancestral do ser-humano pelos picos mais altos, sempre a busca do topo, aliada ao desafio que é alcançar um local apenas acessível a pé.

Existe um percurso pedestre circular que une este afloramentos graníticos. A distância não é muita, mas a dificuldade é grande, devido à sua inclinação e tecnicidade. Aliás, este está assinalado como percurso de escalada e é muito procurado para a prática, sobretudo no Inverno, com a neve, e é possível, ao longo da subida, observar vários espigões nas rochas
Por isso, devido ao pouco tempo de que dispúnhamos, este circular teria de ficar para depois, mas, pelo menos, o Cântaro mais alto teria de ser explorado.


Na direcção do Cântaro Magro.

O percurso tem início no Covão d'Ametade. Localizado no sopé do maciço do Cântaro Magro, início do Vale Glaciário do Zêzere, o Covão d'Ametade tem a particularidade de ser uma espécie de "miradouro ao contrário". Uma pessoa chega, senta-se à sombra dos vidoeiros e olha para cima. O horizonte é cortado pelo enorme maciço rochoso, que nos faz sentir pequenos, mas não claustrofóbicos. Pelo contrário...

É também aqui que nasce o Rio Zêzere, nesta altura do ano pouco mais do que um fio de água no leito.


Antigamente, era um dos poucos lugares onde era permitido fazer campismo selvagem em todo o Parque Natural da Serra da Estrela. Tinha assadores, mesas, wcs e, inclusive, um bar de apoio. Hoje em dia está um bocado ao abandono...

Totalmente de acordo! Mas qual contentor?

Nem sequer existe um único contentor ou caixote do lixo neste local, que ainda é muito utilizado para piqueniques familiares. Depois, claro, é ver restos e sacos de lixo empilhados por todo o lado, o que é triste.

Mas bom, falta de civismo e questões burocráticas de autarquias à parte, este local continua a ser mágico. O silêncio que aqui se ouve... têm de experienciá-lo!


Um bocadinho mais tarde do que suposto (férias e tal...), iniciamos a subida.

A admirar o maciço ou à espera de satélites no gps? :)

No final, o gps não quis colaborar, mas não seria isso que ia estragar esta experiência. Seguimos junto ao caudal do Zêzere e depois, mais à frente, por um pequeno trilho que ainda se distinguia pelo meio da vegetação, sempre na direcção do Cântaro.


Depois, a vegetação começa a adensar-se e andamos por meio de arbustos mais altos que nós. Os ramos começam a deixar as suas marcas na pele. Provavelmente, nesta subida será mais recomendável o uso de calças ou corsários, mas estava muito calor e não tinha levado nenhuns comigo.


Este percurso não tem marcação oficial. A única coisa a guiar-nos são as mariolas deixadas pelas outras pessoas. Acontece que, por vezes, existe mais do que uma opção de subida e nem sempre aquela que foi utilizada no início da Primavera pode ser utilizada agora no Verão, devido ao crescimento dos arbustos. Por outro lado, as chuvas e neves também deitam abaixo algumas das pilhas de pedras, de um ano para o outro. Quando demos por nós, nem uns 300 metros devíamos ter feito e já estávamos "perdidos". E estes 300 metros levam váaarios minutos a serem feitos, atenção!


É frustrante ver a direcção que temos de seguir mas não conseguirmos encontrar um trajecto, ou por causa da vegetação, ou por causa das rochas. Felizmente, começámos a ouvir vozes vindas de cima, de alguns caminheiros que estavam a efectuar a descida. Conseguimos perceber o local de onde vinham e dirigimo-nos para lá. Dali para a frente disseram-nos que seria mais fácil seguir as mariolas, e, de facto, foi.


Já avançámos uns 500 metros! :)


É continuar a subir.



Mais ou menos a um terço do percurso, encontramos o primeiro de vários laguinhos formados pela corrente do Rio Zêzere.


Não deu para resistir à agua fresca e límpida! Foi a primeira paragem para um mergulho.


No Inverno deve por aqui passar uma cascata imponente. Agora corria apenas um fiozinho de água, audível.

Chega de ronha, toca a subir!


Já uns metros mais acima.


Aqui começa a inclinação a aumentar, a vegetação a escassear e as rochas para escalar.


Upa!


Já a uma altitude considerável, mas ainda longe do pico.


Depois de mais desnível acumulado, novo mergulho num lago ainda mais convidativo que o primeiro. Não era cansaço, era a água que era irresistível, claro! :) Incrível a quantidade de água que existe neste maciço, mesmo em pleno Verão. Ninguém diria, observando de baixo.

Chegando a um ponto em que o topo parece que é "já ali", a caça às mariolas torna-se cada vez mais complicada. Só resta adivinhar o trajecto, saltando rocha atrás de rocha.


Foi mais ou menos no local acima que avistei uma cobra!!! Sabia que estava a ser uma sorte ainda não ter avistado nenhuma e tentava sempre fazer muito barulho para avisar qualquer bicheza da nossa aproximação, mas esta cobra estava a dormitar ao sol e demorou a esconder-se. Era pequenina e não me ligou nenhuma, mas afastei-me rapidamente, antes que chegasse a mãe dela. :)

Mais uma pausa...


Depois, chegámos a uma encruzilhada em que não víamos forma de alcançar o pico do Cântaro Magro e já nos estávamos a afastar para os lados do Cântaro Gordo. Foi pena chegar tão longe e ficar a pouco metros de chegar mesmo ao cume, abrir os braços e espetar uma bandeira (ok, esta última parte talvez não) para assinalar a nossa conquista, mas sempre é uma razão para voltar.


Foi mais de hora e meia entre subida e descida


De volta à selva.

De regresso ao Covão, decidimos continuar Vale do Zêzere abaixo.


Sabiam que a rota do Zêzere tem 370 km, estendendo-se daqui, desde a sua nascente, até Constância, a sua foz? Desta vez não houve tempo para a percorrer na íntegra, fica para a próxima. :)


Além disso, pouco antes de Manteigas, tivemos alguns obstáculos distractivos....



Fazer estas rotas, a correr ou a caminhar (e a nadar/boiar :)), é uma das melhores formas de aliar o treino à vertente turística. A maior parte está bem assinalada, embora por vezes não tenha a devida manutenção. Tenham isso em conta na hora de fazer uma previsão do tempo que irão demorar a percorrê-las.
Neste caso em específico: Covão d'Ametade, Cântaros e início do Vale Glaciar (até Manteigas, aprox. 10 km), tem a vantagem de ser um percurso com vários pontos de água, para abastecimento e para refrescar nas horas de maior calor, o que é uma grande ajuda, uma vez que a maior parte do percurso é exposto.

E com esta crónica fechamos o capítulo da Serra da Estrela (por enquanto!), até porque se seguem outras montanhas. Entretanto, este fim-de-semana andei pelos "montes" da Ericeira e arredores, no GNR Trail. Como correu depois de tantas semanas na ronhice? Fiquem para ler. :)