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15 de maio de 2017

Longão em Sintra

A primeira semana de Maio foi a maior, em termos de quilometragem, acho que desde o ano passado, quando andava a treinar para o Oh Meu Deus. Começou com os 30 km pelos Trilhos dos Pernetas e terminou com um treino longo pelos trilhos de Sintra, que acabou por ser de cerca de 40 km.

Há alguém, infelizmente não eu, que irá tornar a tentar os 100 km do OMD e precisava de encaixar mais um treino longo em Maio. E eu, que no início do ano estava cheia de esperanças de me internacionalizar numa prova de três dígitos lá para Setembro, na altura, toda confiançuda, inscrevi-me para os 70 km do OMD para serem feitos como "treino"... Ora, a ideia da internacionalização acabou por cair por terra e depois, com isto da anemia, a ideia dos três dígitos, em princípio, também. No entanto, vou voltar à Serra da Estrela. Fazer uma prova na Serra da Estrela é como uma prenda a mim mesma que pretendo oferecer-me todos os anos. Só eu sei o bem que me faz à alma correr por ali... Por isso, ainda não sei bem quantos quilómetros por lá irei fazer, mas vou.

No sábado do treino, o objectivo era recriar o percurso do Monte da Lua, tendo em conta que haveriam partes que atravessam propriedades privadas e não poderiam ser feitas e também um ou ou troço que poderia estar fechado. Além disso, devido à chuva do dia anterior, também iríamos evitar as arribas na parte final. Mesmo assim, estávamos confiantes de que teríamos percurso para uns 40 km.


Começámos o treino na Praia Grande e seguimos na direcção de Colares. Ainda nem 3 km levávamos quando nos deparámos com o primeiro obstáculo.


Depois da ponte, as quintas que a prova atravessava tinham agora uma cerca. À conta disso, tivemos de improvisar um bocado pelo alcatrão, na direcção dos B.V. de Colares, e dali seguir uma parte do percurso do Trail Serra e Mar, até desviarmos para a vila de Sintra e seguir novamente os trilhos do Monte da Lua. Desenrascanço... O que vale é que já são muitos quilómetros percorridos nesta serra!

No entanto, isso não nos impediu de nos enganarmos num cruzamento pouco depois, claro. A este erro, devemos o maior ganho de elevação seguido de todo o treino, portanto acabou por ser por uma boa causa, embora na altura não o tenha apreciado devidamente. :)
O cruzamento irá levar-nos até aos Capuchos, e daí foi a descer (fiquei contente nesta parte) até Monserrate, de onde pretendíamos fazer a ligação à Regaleira.

Parque de Monserrate.

Em Monserrate, fizemos a primeira pausa para abastecimento e tirar umas fotos com os lobos que por lá habitam.


Auuuuuu!

Se me lembro bem, acho que também há por lá um urso, mas não o encontrámos. Depois, passámos pela Quintinha de Monserrate,


antes de fazer os cerca de 2 km de estrada que nos levariam até ao Palácio da Regaleira.


Desta vez, infelizmente, não poderíamos entrar e percorrer os seus túneis, subindo depois o Poço Iniciático (só por esta parte já vale a pena fazerem a prova). Por isso, seguimos a corrida de obstáculos que foi fintar todos os turistas que percorriam as ruas da vila, até fugirmos pelo Parque das Merendas, na direcção do Castelo.

Subimos por aquele que eu intitulo o "Trilho das Fotos Fantasmagóricas",



e continuámos a difícil subida até aos Mouros, onde passámos vários turistas, alguns visivelmente com cara de "devia ter apanhado o bus, f#ck os €5!". :)


Depois, chegando ao estacionamento da Pena - e porque não subir mais um bocadinho? Nesta fase já estou por tudo - fomos até Santa Eufémia.


De Santa Eufémia fizemos a ligação ao estradão do Chalet da Condessa, seguindo depois alguns quilómetros relativamente planos, antes de baixarmos na direcção da Barragem da Mula, através do Torgas. Já é difícil descer por ali a correr, imagino os loucos do downhill.*

Início do trilho Torgas.

(* A partilha dos trilhos de Sintra por parte dos corredores e ciclistas é sempre motivo de alguma polémica, sobretudo trilhos comummente usados para a prática do downhill. Com a utilização responsável acho que todos podemos usufruir dos mesmos, sem riscos. Eu, por exemplo, que a seguir às cobras o meu maior medo é ter um encontro de primeiro grau com uma bicicleta desgovernada, evito certos trilhos em "horas de ponta" - também as há, na serra! - e vou sempre com imensa atenção. Neste dia, por acaso, não vimos nenhum ciclista em todo o treino.)

Nesta fase já levávamos mais de 20 km, portanto estava na altura de pensar no retorno. Embora já não estivéssemos a seguir fielmente o track do Monte da Lua, não podia ficar de parte a famosa subida ao Monge. Embora não tenhamos começado desde cá de baixo do Trilho das Pontes, fomos apanhar a escadaria a seguir ao monumento aos bombeiros junto à estrada


e dali subimos até ao pinoco no alto do monge.


Agora, e já que referi cobras há dois parágrafos, imaginem o que encontrei algures durante a subida... Um esquilo! Ahah, não, foi mesmo uma COBRA! O meu mais temido encontro de primeiro grau nos trilhos.
Para ser exacta, era um fura-mato, que é outra designação para uma espécie de cobra pequena e acobreada. Segundo os Parques de Sintra é muito raro ser avistada por ali... Ãhhh, vejam só a minha sorte!!! Ainda por cima, como foi apanhada de surpresa, fez-se de morta e nem se desviou quando lhe atirei um pequeno galho (sem qualquer intenção de acertar ou magoar, apenas para a afastar). "Olha-mésta! Estou em minha casa, portanto fico aqui refastelada ao sol a fazer de morta se me apetecer e tu que te desvies, se quiseres" - pensou, obviamente, a cobra.
Tive de fazer um desvio de 50 km (eheh ;)) só para não passar POR CIMA dela (ME-DO).


E, depois de tanto subirmos (até então já íamos com mais de 1200m D+), iniciamos a descida de regresso à Praia Grande, na direcção da Praia da Adraga. Foi por esta altura que fiquei sem bateria no gps, portanto os meus dados do treino ficaram incompletos


Chegando à Adraga, um último esforço na subida da duna até ao pinhal (está bem que são só uns 200 metros, mas subir uma parede de areia naquela fase... ufa!), e terminámos o treino com perto de 40 km.

Mas tudo acaba bem quando uma corrida termina na praia, e a maré até colaborou com a formação de uma pequena baía para a crioterapia.

E descer os mais de 300 degraus de acesso ao areal? Também foi bonito. :)

Bons treinos!

31 de maio de 2016

Treinos de Maio e pensamentos a menos de uma semana...

De vez em quando, ultimamente, estou eu muito bem na minha rotina do dia-a-dia e, de repente, sinto uma descarga de adrenalina, um misto de excitação e nervosismo, aparentemente vindo de lado nenhum. Como nas vésperas de uma reunião importante, uma viagem que esperamos há muito ou um primeiro encontro com aquela pessoa por quem estamos apaixonados mas, ao mesmo tempo, achamos que é demasiada areia para o nosso camião. E depois lembro-me. É exactamente isso. Esta sexta-feira, à meia-noite, tenho um encontro com a minha paixão e estou nervosa como há muito não estava, porque ela é linda, de uma beleza selvagem e personalidade implacável e, às vezes, questiono-me se estarei à altura. Por isso, sinto um aperto no peito e borboletas na barriga sempre que baixo a guarda. Ai, Estrela, Estrela...

Fora esses segundos de ansiedade quase diária, Maio tem sido um mês de viagem a ritmo de cruzeiro. Depois de todas as incertezas, este mês foi de consolidação e aceitação. Não vou faltar ao encontro e também não há muito mais a fazer, por isso mais vale aproveitar da melhor maneira o tempo até lá. Foi isso que fiz.

Com o regresso do sol, regressaram também os treinos pelo areal.


A Praia Grande, ainda com pouca gente, dá uma bela pista, seguida de um treino de escadas para ficar logo com o aquecimento para as arribas feito.

350 degraus até ao topo!

Depois segue-se um deslumbre para os sentidos, entre o contraste de cores e cheiro a flores e mar.


Passagem pela Praia da Adraga...


Falésia junto à Praia da Cavala...


E aproximação a uma das minhas praias favoritas....


De acesso complicado, não sei se é pior a subida ou a descida, mas vale sempre a pena.


A Ursa.

E, depois do banho de gelo, é altura de pôr outra vez os músculos a arder!


O treino tem ponto de retorno no ponto mais ocidental da Europa. Atingindo o Cabo da Roca é hora de regressar, desta vez pelo interior para evitar as arribas e terminar o treino de forma mais rolante.


Até à próxima!


Entretanto, num dia menos solarengo, troquei a água do mar pela água do rio e foi feita nova visita às Cascatas de Anços.



Com caudal elevado devido às chuvas, chegar até à principal cascata foi quase um desporto radical.


Apesar disso, estavam lá mais umas quantas pessoas aventureiras a tirar fotografias.



Pena a água não ser muito límpida, senão também dava para uns banhos de gelo. :)


E, quando não se corria, pedalava-se!


Houve um final de tarde em que se alugaram umas BiCas e fomos percorrer a ciclovia que liga Cascais ao Guincho.


Estavam poucos carros na estrada, por isso, não fosse a pressa devido ao horário de encerramento para entrega das bicicletas, teria sido um passeio muito relaxante, sempre a ladear o oceano, com o sol quase a pôr-se.


Maio foi também o mês em que finalmente mandei arranjar a minha Blackie, por isso esperam-se vários passeios em duas rodas em Junho, quando estiver de "férias indeterminadas" da corrida. ;)


Depois, e apesar de não contar para treino, pelo menos físico, fui assistir a várias partidas do Campeonato da Europa de Triatlo, que decorreu no passado fim-de-semana.



É uma grande inspiração assistir a atletas profissionais e pessoas "comuns" a realizarem esta prova de esforço.

Área da natação.

Gostei especialmente de ver a prova dos atletas do Paratriatlo, pois realmente coloca tudo em perspectiva e deixamo-nos (deixo-me) de pieguices. Inspiração, mesmo.

Meta.

E têm sido assim os últimos dias. Uma vida que não pára mas sempre com a expectativa do encontro de dia 4.
Soube há poucos dias, com a actualização do gráfico, que este ano, pela primeira vez, há duas subidas à Torre, em vez de uma. Nem sei o que pensar sobre isso mas, lá está, como é algo que não posso controlar, não vale a pena estar já a sofrer por antecipação. No entanto, confesso que o limite horário, que já me pareceu enorme, me parece cada vez mais apertado. Vamos ver se o meu camião aguenta... :)

Fiel à minha tradição de deixar tudo para a última, ainda não tratei da mala, embora já tenha tudo o que preciso levar (mentira, falta comprar barrinhas). Antes da prova ainda queria ainda escrever uma crónica sobre o material, vamos ver se consigo.

Tiquetaque... Tiquetaque...

20 de maio de 2016

Pelo Caminho, nas Lezírias (ou: correr 40km num dia de tempestade)

Com o tempo que tem estado nos últimos dias já é difícil lembrar mas, há cerca de duas semanas, esteve um enorme temporal. Nesse fim-de-semana tinha combinado um treino longo que não poderia ser adiado, por isso, sábado de manhã, mesmo com a morrinha que já começava a cair, saí de casa o melhor equipada possível, tendo em conta as previsões.
Como a tendência para uma pessoa se perder nos treinos longos tem sido grande, mesmo com gps :), sugeri que se fizesse um trajecto que já andava para fazer há algum tempo: os primeiros quilómetros do Caminho de Santiago (e de Fátima) a partir de Lisboa. Pelo menos sabia que esta "Organização" não engana e o percurso está sempre muito bem assinalado com as habituais setas amarelas, por isso dificilmente haveria preocupações relativamente ao rumo a seguir. A ideia era fazer pelo menos uns 20km para lá, o que nos levaria sensivelmente até Vila Franca de Xira, e regressar, mas indo avaliando as condições ao longo da manhã.

Neste dia estava também a decorrer o Triatlo Internacional de Lisboa e, durante o primeiro quilómetro do treino, ainda deu para acompanhar a passagem dos atletas que já faziam a parte do ciclismo. Se num dia normal já é difícil haver muita gente nas ruas a apoiar os atletas, imaginem numa manhã de chuva! Por isso gostei de ir ali um bocadinho a dar força aos atletas que respondiam sempre com um sorriso ou aceno e, em troca, receber a sua inspiração. Na altura já estavam/estávamos a ser fustigados pelo vento, embora a tendência fosse para piorar ao longo da manhã.

Até sair de Lisboa o Caminho é feito por estrada ou passeio e o piso só altera à passagem da ponte de Sacavém quando, ao virar à esquerda, abandonamos a cidade para subir a foz do Trancão.


O percurso irá seguir junto à margem do rio durante uns três ou quatro quilómetros, ao longo de um trilho já um pouco enlameado, mas nada comparado com o que irá estar umas horas mais tarde. O caudal do rio, que podem ver agora nas fotos, terá duplicado quando regressarmos.



É também neste local que iremos encontrar os primeiros peregrinos. Primeiro, ultrapassamos um casal estrangeiro de terceira idade e, em seguida, um caminhante a solo. Pouco depois, o primeiro obstáculo do dia: temos de sair do trilho onde estamos para subir para outro, por uma pequena parede enlameada. Se, para nós, que estamos habituados a correr com lama em algumas provas e temos ténis adequados, não foi fácil subi-la, pois estava bastante escorregadia, fiquei a pensar como seria para os peregrinos que seguiam atrás, sobretudo para aquele que ia a solo. Sugeri que esperássemos um pouco pelo senhor que seguia sozinho e ainda bem que o fiz porque, segundos depois, começo a ouvir: "Oh, shit! Oh, shit!". Era o caminhante pelo qual tínhamos passado e que caía agora na lama! Formámos um cordão humano para o ajudar a subir, mas mesmo assim foi muito complicado. O calçado do senhor não era o mais adequado e as calças de ganga que trazia não lhe davam a elasticidade necessária para alargar a perna e subir. Escorregou várias vezes e só repetia "oh, shit, oh, shit!". E entretanto já estávamos encharcados e o homem a ficar cada vez mais coberto de lama. Toda a situação teria sido até cómica, se não estivesse a ser tão difícil puxá-lo. Eventualmente lá conseguimos. Se fosse mais crente, diria que Santiago nos cruzou no caminho daquele peregrino exactamente naquela altura para que lhe déssemos umas mãozinha a subir. Ao fim da manhã ainda vamos rir ao recordar a situação do senhor do "Oh, shit!" mas é um facto que, aquele bocado do trajecto, em dias de chuva, não é pêra-doce para quem o percorre, sobretudo se não estiverem com calçado mais aderente.


Passando a zona dos trilhos, entramos em zona de quintas, antes de chegarmos à primeira povoação. Por nós passa um grupo de ciclistas e um deles grita: "É só maluuuucos!" :) A chuva já engrossou e começam a soprar umas rajadas mais fortes. Como já estamos ensopados, chega-se a um ponto em que já nem se dá pela chuva, o pior é o vento, que nos arrefece se pararmos um segundo que seja.


Paramos com cerca de 12km de treino para comer qualquer coisa, meio abrigados debaixo de uma árvore, mas não dá para ficar muito tempo. A chuva está cada vez mais forte, e a lama começa a dar lugar a grandes poças. Nesta altura guardam-se também os telemóveis, pelo que, daqui para a frente, terão de seguir os meus passos apenas através das minhas palavras. Mas já sabem, talvez um dia destes, com melhor tempo, volte para ilustrar o treino.

Depois de termos avançado cerca de 15km rumo ao interior, o Caminho começa agora novamente a regressar à zona ribeirinha. Para tal, temos de atravessar um túnel que passa por debaixo da A1 e nos leva ao Forte da Casa. O problema é que, ao descer do Forte da Casa para as Lezírias do Tejo, o vento começa a ficar mais forte. Percorremos os passadiços junto ao rio, numa zona que sei ser muito bonita, mas não se vê nada devido ao temporal e a chuva magoa como granizo devido às rajadas. Mal consigo abrir os olhos. Concordamos que é melhor não continuar mais naquelas condições e, infelizmente, temos mesmo de tomar a decisão de encurtar a distância e iniciamos o regresso com cerca de 18km percorridos.
O que vale é que, afastando-nos da beira-rio, o vento já não é tanto. Por outro lado, agora iremos volta aos trilhos e quintas já anteriormente percorridos mas que agora estão completamente alagados.
- "Pensava que já tinha tido a minha dose de lama este ano, na Lousã!" - digo.
Esta lama é diferente, mais clara, mais aguada, mas não deixa de ser lama. Já não dá para fugir e atravessamos várias poças com água até meio das canelas. Os peregrinos devem conhecer variantes pela estrada ou então já deram o dia por terminado em algum albergue, porque não tornamos a ver quase nenhum no regresso, apenas o primeiro casal pelo qual tínhamos passado de manhã e que também nos reconhece. Todos encharcados, parecemos uns pintos, mas ao menos eles têm os ponchos impermeáveis. Sorrimos. Pergunto-me o que terá sido feito do senhor do "Oh, shit!" e se já estará a repousar, de banhinho tomado, a pensar que foi bem enganado quando lhe falaram do sol de Portugal. :)

Começamos a aproximarmo-nos novamente das margens do Trancão, o que significa que já não faltam muito mais de 5km até Lisboa. Nesta altura vamos a correr o mais que conseguimos para não arrefecer quando, ao passar junto a uns arbustos, levo com uma vergastada de um cardo. Levo imediatamente a mão à cara e sinto que se espetou um pico no nariz. Um pico e-nor-me no nariz! Tenho os dedos sem sensibilidade nenhuma e não consigo tirá-lo. Tento explicar que tenho um pico no nariz e não consigo tirá-lo porque tenho as mãos geladas, mas não consigo porque não consigo parar de rir com a situação. Quanto mais me tentam ajudar, mais eu me rio! Estão a ver nas provas quando vai alguém a correr à vossa frente e grita "CUIDADO!" quando desvia algum ramo? Bom, a probabilidade é que, se forem demasiado perto, vão levar com o ramo na cara na mesma e, se tiverem a minha sorte, vai ser um cardo com picos enormes. Não sei como é que tenho sobrevivido a estes anos todos de corridas em trilhos, é o que vos digo. :)

Mais à frente, já a faltar apenas 2km para Sacavém, vamos passar a parte mais sensível de todo o treino quando corremos, ou melhor, andamos, junto ao caudal duplicado do Trancão. Lama por todo o lado e, com a chuva a engrossar e a maré a encher, estou a ver que o rio ainda alaga os trilhos e vamos ter de chamar os meios de socorro aéreo (exagero dramático devido ao cansaço). Depois de enfrentar o vento nas Lezírias do Tejo, as poças das quintas e retirar um pico espetado no nariz, já estava a imaginar o rodapé do jornal da noite: "Atletas resgatados na cheia do Trancão".
Felizmente, depois de alguns "Oh, shit!", desta vez da minha parte, esta minha previsão não se veio a concretizar e regressámos ao - e nunca me imaginei a escrever isto - abençoado asfalto, para percorrer os últimos quilómetros do treino.

Apesar de já estarmos com 36km e o tempo estar cada vez pior, por coincidência vamos acabar por encontrar as duas últimas participantes do Triatlo que, nesta altura, estariam a dar a última volta para concluir os 21km de corrida. O vento era tão forte que era quase como estar a correr contra uma parede e havia zonas em que as ondas do Tejo quase galgavam o paredão mas, se aquelas atletas, que já tinham nadado e pedalado antes, conseguiam concluir uma Meia Maratona naquelas condições, eu conseguia fazer mais um esforço e ir até à zona da Meta, dar algum apoio.

Foto da Meta, tirada no dia anterior.

Foi assim que concluí 40km num dos piores dias de treino que me lembre. Acho que só em Arga 2013 é que tinha corrido com um tempo semelhante. Não foi um treino com muito desnível, mas teve imprevistos e dificuldades várias, sempre e testar o espírito de sacrifício e capacidade de desenrascanço. E, o melhor, terminei com a consciência de que conseguia continuar a correr, se o tempo não estivesse tão mau.

Agora, de volta às corridas com calor... Oh shit!...

Bom fim-de-semana!


11 de maio de 2016

Pelos Montes Saloios (agora sim, versão completa!)

No fim-de-semana a seguir ao Montejunto Trail senti necessidade de fazer um treino sem pressões de distância, tempos ou altimetria. Como o dia estava bonito, resolveu-se voltar ao percurso dos trilhos da Costa Saloia que,  da última vez, não tínhamos completado devido ao mau tempo. Dessa vez, também devido ao mau tempo, não se tirou nenhuma foto, portanto hoje levam com uma carrada delas, para compensar. :)

Depois do café da manhã em Colares, segue-se para Mucifal, onde se estaciona o carro, junto ao campo do Mucifalense. Por aí, segue-se o caminho dos pinheiros que se dirige para a zona de quintas, afastando-se da localidade e deixando a serra de Sintra para trás.

Contornos do Palácio da Pena ao fundo, no monte.

Alguns trilhos com alguma pedra a ladear as quintas mas, sobretudo, muito estradão para ir calmamente a rolar e observar as cores da Primavera.


Cerca de 3 ou 4 kms depois, cruza-se a estrada nacional, atravessamos umas quintas onde, da última vez, estava um tractor a lavrar a terra e onde nos deparámos com a cobra e, poucas centenas de metros à frente, estamos no campo.


No campo, mas com umas quantas sanitas (!!!) que por ali pululavam quais cogumelos selvagens no meio da vegetação, não vá algum transeunte dar-lhe a vontade. :) Enfim, curiosidades com que nos deparamos na natureza.

Pode dar jeito nunca se sabe...

Tirando o pinhal ao início, o treino estava a ser muito exposto ao sol, com apenas umas árvores aqui e ali a fazer sombra.


Por volta dos 7km já se começa a vislumbrar uma nesga de mar ao fundo, para onde o trajecto se começa agora a encaminhar.


Entretanto, continuamos a percorrer os montes saloios, com as suas cores, cheiros e animais.




Sempre num percurso muito rolante, com o ocasional carrossel de subidas e descidas.


Aos 11km uma pausa para um ligeiro abastecimento à sombra, junto a uma vinha, enquanto se estudava o restante trajecto a seguir.


Daqui para a frente, até ao mar, iremos sempre a seguir a Ribeira da Mata, que nesta zona ainda não passa de um ribeiro com pouco caudal, mas que começará a alargar na aproximação à praia. Num dia quente, é refrescante seguir a ouvir o barulho da corrente.


Atravessando novamente a nacional, damos com a GR11, que conduz ao Magoito. Seguindo a placa, faltariam apenas 1,5km mas, depois de confirmar no gps, viramos para um trilho à esquerda que se afasta do estradão e segue junto à ribeira.


Era um trilho, em algumas zonas, já um pouco bloqueado devido à vegetação, o que significa que não tem sido muito percorrido, mas que se veio a revelar uma descoberta fantástica. Incrível o que às vezes temos tão perto de casa sem saber.


Este trilho, como já referido, seguirá sempre junto à Ribeira da Mata até à sua foz, na Praia do Magoito e é verde e fresco, com muitas árvores e, viemos a descobrir, até uma pequena cascata!



Pelo que pesquisei depois, penso que se trata da cascata do Magoito, ou cascata da Mata. Não sei se terá muita água nos meses mais secos mas, por agora, e não sendo tão grande e imponente como as cascatas de Anços ou de Fervença, serviu para refrescar as pernas e serviria também para um duche, caso estivesse ainda mais calor. :) Inclusive, esta água, pelo menos à primeira vista, parecia-me mais límpida do que a das cascatas acima referidas.


E continuamos, sempre a cruzar a ribeira e já sem problemas em molhar os ténis.


"Ao passar a ribeirinha pus o pé/ molhei a meia/ pus o pé..." :)

Depois de atravessar uma zona de canavial começamos a apanhar muita areia, o que significava que a praia já não devia estar longe.


E lá estava ela!


Entramos num pinhal que me pareceu que deve ser zona de merendas no Verão, mas que também é muito frequentado pelo pessoal do motocross e moto 4, como dava para perceber pelas autenticas pistas.


Este piso, cheio de areia, era muito escorregadio, pelo que, na foto seguinte, eu não caí nem me estou a rastejar alcoolizada, estou apenas a subir com tracção às quatro rodas. :)


(E eu sei que desta perspectiva não se percebe, mas era uma parede muito inclinada, sim?! Não gozem...)

Nesta área de pinhal perdemos um bocado o gps e não seguimos exactamente o percurso da prova mas, o importante, é que fomos dar à Praia do Magoito na mesma.


Fizemos um pequeno desvio até ao areal, antes de começar a subir até ao marco geodésico que se via lá em cima. Esta foi a parte do treino com a maior subida.


Chegando ao pinoco, estava um vendaval enorme, pelo que não foi possível ficar lá em cima muito tempo e tirar umas fotografias à paisagem, que era muito bonita.


Foi aqui que, devido ao vento, entrou-me areia ou qualquer cisco para um dos olhos e não saía. Como uso lentes tornou-se um caso complicado, porque não podia esfregar ou tirar a lente, e continuar sem ela estava fora de questão pois não queria fazer a zona das arribas, que se aproximava, metade cegueta! Depois de muito choro (do olho esquerdo) e paciência, lá se resolveu, mas serviu de alerta para ter de andar com um frasquinho de colírio na mochila para limpar as lentes. Vai fazer parte do material a levar no OMD. Sempre a aprender.

Imaginem fazer esta descida cheia de pedra com a visão reduzida...


Entretanto, crise ocular resolvida e deixamos para trás a Praia do Magoito,


passando em seguida a Praia da Aguda,


e atravessando as Azenhas do Mar, descendo quase até ao areal para em seguida subir as escadas até à sua saída.

Pouco antes de chegar à Praia das Maçãs o percurso afasta-se da costa para seguir novamente em direcção ao campo, percorrendo o pinhal de Janes até chegar ao Mucifal.


Apesar do pequeno engano no percurso antes de chegar ao Magoito, conclui-se o treino com os 25km da prova oficial.



Foi um bom treino, que incluiu campo e praia, ribeira e mar e a descoberta de novos locais. Soube bem correr pelo prazer de correr, o que estava a precisar para recuperar a moral.

O treino que se seguiu, e último longão, foi igualmente muito bom e incluiu também muita água mas, desta vez, caída do céu... aos potes! 40km feitos num dia de grande temporal. "É só malucos!" Também haverá uma crónica sobre ele.

Bons treinos!