"Adivinha quem foi hoje fazer um treino às 6h da manhã??!!!!"
Esta foi a sms que enviei, com excesso de sinais exclamativos incluído. Juro que não envio mensagens a avisar de todos os treinos que faço, mas este tinha de ser. E aposto que, se fossem meus amigos, também iam adorar acordar com uma sms de extrema relevância como esta. :) No entanto, estava orgulhosa de mim mesma e senti necessidade de partilhar.
É que, estão a ver, em teoria, tudo na ideia de acordar cedo e começar o dia com um treino antes do trabalho me atrai. Na minha mente formam-se imagens idílicas de acordar antes do despertador com um sorriso e cheia de energia, comer uma peça de fruta, sair para correr com o ar fresco e ruas vazias da madrugada, voltar a casa, tomar um duche, comer o segundo pequeno-almoço e preparar-me para o trabalho, sem ter de me preocupar em organizar o tempo depois de chegar a casa cansada ao fim do dia para ainda ir treinar. Mas na prática...
Na prática, a cama exerce sobre mim um fascínio quase obsessivo e o calor dos seus lençóis, ao acordar, é como o abraço quente da pessoa amada que não nos quer deixar sair da cama. E Deus sabe como certas manhãs já é difícil deixar o ninho para trabalhar, quanto mais adiantar essa partida dolorosa saindo mais cedo desse colinho aconchegante.
Por isso, a maior parte das tentativas que fiz para acordar mais cedo não passaram de uma intenção bonita mas facilmente frustrada.
Porém, desta vez tinha sido mais forte. Desta vez, tinha resistido ao canto da sereia e tinha-me levantado ao primeiro toque do despertador. Ok, segundo. Pronto, terceiro. (Quinto.) Mas depois de carregar no snooze três (cinco) vezes, saltei abruptamente da cama (tem de ser assim, à bruta, senão caímos na tentação de só mais um abraço e depois a malandra é traiçoeira) e fui-me equipar.
Já não havia tempo para um treino muito longo, mas não importava, era hoje que ia ser também eu uma daquelas pessoas madrugadoras e frescas que tanto invejava!
Mas, mal comecei a correr, o meu corpo...
Parece que ninguém o avisou que ele teria de começar a trabalhar mais cedo e ele não gostou. Nadinha. Sempre que metia um pé no chão quase que podia ouvi-lo: "Nope, nope, nope, nope, nope, nope..." (ler ao ritmo de passadas muito lentas) "...não estou a gostar nada disto. Não. Pára. Pára já. A sério. Pára. Não tem graça. Porque é que estamos a fazer isto? O que é que te fiz de mal?" E tive mesmo de parar ao fim de 2km, enquanto tentava alongar um bocadinho e via as pessoas frescas e madrugadoras a passar por mim, todas felizes de estarem ali a correr às 6h30 da manhã, tal como as tinha imaginado... "Parem de ser assim tão frescos e fofos a esta hora da madrugada, não vêem que estou em sofrimento??!!" Ninguém ouviu esta minha súplica silenciosa.
Ainda fiz mais 3km, apenas porque tinha de voltar para trás e já agora também não podia dar a manhã como perdida. Foram 5km e uma visão idílica estilhaçada.
Portanto, esta primeira experiência de 2015 de tentar treinar antes do trabalho não correu bem, mas acredito que seja apenas uma questão de habituação do organismo.
Entretanto, depois deste episódio já se passaram umas duas semanas e ainda não tive coragem de tornar a tentar. Eu sei que, eventualmente, consigo convencer o corpo. O problema é a cama que é muito possessiva em relação à minha presença...
Madrugadores frescos e fofos, contem-me o vosso segredo!
Bom fim-de-semana!
