Este ano não estava nos planos ir ao Grande Trail Serra d'Arga. Tive de ser honesta comigo própria e admitir que, de momento, não tinha treinos para fazer os 53km, mesmo com o desnível encurtado. Acredito que, se fosse e me dispusesse a isso, seria capaz de concluí-la, mas seria com sofrimento desnecessário (mais que o habitual do que já é esperado nestas distâncias, claro) e Arga é uma serra, e prova, que pede preparação à medida. Arrastar-me na sua totalidade seria bastante doloroso (ainda tenho fresca na memória a prestação do ano anterior...) Além disso, tornava-se dispendioso ir lá, apenas para fazer uma das distâncias mais curtas, com outras opções de provas mais próximas.
Entretanto, surgiu a oportunidade de colar uns dias de férias ao fim-de-semana e, dessa forma, aproveitar para conhecer melhor as redondezas. Assim sendo, e porque não participar no Sunset Trail, 17km ao final da tarde de Sábado, num percurso que ainda não conhecia, e juntar-lhe uma das distâncias mais curtas no Domingo? A opção acabou por recair no Trail Longo de 23km, por, na minha opinião, cobrir das zonas mais bonitas do GTSA. Estava decidido! Sabia que, mesmo sendo distâncias mais curtas, iriam custar-me. Mas uma pessoa ilude-se e diz que vai "na desportiva", sem stress. :)
Só faltava decidir a estadia para os dias seguintes. Gerês era uma zona que conhecia muito mal, uma serra que ainda me faltava no currículo e, indo acolher o Campeonato do Mundo de Trail no final deste mês, tive curiosidade em explorar os trilhos que irão ser percorridos por alguns dos melhores atletas mundiais da modalidade. Feito!
Na sexta-feira, à chegada a Caminha, a preparação para as provas feitas "na desportiva" foi feita em conformidade.
E continuou no Sábado, em passeios pela doca e vila. Caminha é um local bonito e pacato, com um "paredão" de mais de dois quilómetros, onde se podem fazer passeios junto ao rio Minho e onde se vêem muitas pessoas a correr e andar de bicicleta. É também no centro da vila que se levantam os dorsais e de onde parte o Sunset Trail.
![]() |
| Vista Espanha. |
Posso já adiantar que a Organização encomendou uma tempestade para o Sunset Trail, que durou a totalidade da prova. Não vimos nenhum pôr-do-sol e acabámos encharcados até aos ossos, mas, tendo em conta as contrariedades, gostei bastante e senti-me quase sempre bem.
![]() |
| Nesta fase ainda se conseguia ver alguma coisa. |
Já no domingo, as pernas acusaram o cansaço e a última subida antes da Meta doeu.
Mas depois farei uma crónica específica para estas duas provas.
Depois do "trabalho", fériaaaaasssss!
![]() |
| Vila do Gerês lá em baixo. |
A vila do Gerês é dos locais mais calmos onde já estive. Quem vai para ali é mesmo para usufruir das suas termas e estar em comunhão com a natureza, sem maiores distracções. E está muito bem assim.
![]() |
| Centro da vila em hora de ponta! |
Sem surpresas, também adorei o Parque Nacional da Peneda-Gerês. É grande, enorme, e dois dias, obviamente, não foram suficientes para o conhecer na totalidade. Porém, ainda deu para conhecer alguns locais icónicos, como a Barragem de Vilarinho das Furnas, a Cascata do Arado, o miradouro da Pedra Bela....
Perdemo-nos a caminho da Cascata do Tahiti (mas descobrimos outras pelo caminho).
Também interagimos com espécies autóctones. A maioria das vaquinhas nem ligava ao facto de estarem ali pessoas ao pé delas
mas houve uma que bufou e levantou-se mal lhe apontámos o telemóvel!
Não devia estar a sentir-se muito fotogénica, compreendo-a, há dias assim, por isso achámos melhor respeitar e
Vislumbrámos também outras quantas espécies, como esquilos, um vulto não identificado durante a noite (será uma raposa, um javali, um lobisomem?) e tivemos cerca de 30 segundos particularmente intensos quando um veado bebé se atravessou à frente do carro e ficou estarrecido, sem saber por onde fugir e eu, de dentro do carro, com ele parado a meio da estrada, suspirava "óooohh", "Bambiiiii" e "que fofinhooooo", sem me lembrar de pedir a máquina fotográfica. Ver os animais em cativeiro é uma coisa, mas surgirem assim à nossa frente no seu habitat natural é quase mágico. (Ainda bem que por cá não temos leões e outros predadores do género, ou lá se ia a "magia"! :))
Por falar em carro, enfiei a minha viatura, velhinha e citadina, mas com alma de todo-o-terreno, por estradas tão sinuosas e apertadas que comecei a hiperventilar e já estava a ver a minha vida a andar para trás. Toda eu tremia com a possibilidade de me aparecer um carro de frente e de ter de fazer manobras à beira do precipício. Suei mais nesses momentos do que nas provas dos dias anteriores! :) Mas correu tudo bem.
![]() |
| Local para recuperar o fôlego, depois de uma aventura ao volante. |
E também houve tempo para percorrer duas PRs assinaladas, uma a (tentar) correr e outra a caminhar.
Uma delas, a PR3 - Trilho dos Currais, tenho a certeza que terá alguns dos seus trilhos percorridos durante o campeonato, devido à sua beleza e alguns dos locais significativos por onde passa.
Inclusive, alguns deles aparecem neste vídeo promocional do Trans Peneda-Gerês World Trail Championship.
Inclusive, alguns deles aparecem neste vídeo promocional do Trans Peneda-Gerês World Trail Championship.
Foram poucos, mas bons, dias, sempre em movimento. As pernas levaram algum tempo a recuperar das provas mas, coitadas, não tiveram outra opção senão mexer-se!




















