Apesar das várias provas de trail em que já participei e dos inúmeros treinos que faço pelas serras e matas, acho que nunca caí em trilhos. Quando digo, "nunca caí" estou a referir-me a uma queda a sério, espampanante, como gente grande, porque à quantidade de bate-cus e torcer de pés já perdi a conta... Felizmente sem gravidade.
Todas as minhas quedas espampanantes aconteceram sempre nas estradas e caminhos o mais inofensivos possível, que é geralmente quando uma pessoa baixa a guarda.
Desde que comecei a correr lembro-me de ter dado três grandes quedas, sempre em treino. O que perfaz uma média de 0.75 por ano. Não está mal.
Uma dessas quedas aconteceu em Monsanto, quando estava quase parada, depois de ter feito uma pausa para beber água. Acho que até vos falei dela aqui, mas agora estou preguiçosa para ir pesquisar os arquivos.
A outra aconteceu numa das pontes em madeira do Parque das Nações, num dia de chuva. Não é preciso muito para imaginarem como a madeira fica escorregadia quando está molhada... Ora, ia eu toda lançada a fazer uma curva, quando derrapo e aterro direitinha com os costados no chão, parecia uma carpa acabada de ser pescada a bater no fundo do bote (a sério, foi esta a imagem mental que me veio à cabeça na altura). Como estava de chuva havia pouca gente na rua graçasadeus e a minha queda aparatosa apenas foi presenciada por uma outra rapariga que vinha a correr na direcção contrária e que fingiu que não viu, ou para poupar a minha dignidade (obrigada!) ou para não estragar o pace (insensível!).
A última queda foi exactamente este Domingo e as feridas no orgulho ainda estão recentes.
Estando impossibilitada de fazer o habitual longo em trilhos, decidi que também já era boa altura de treinar a mente e tornar a fazer um longuinho em estrada. Para evitar confusões e multidões, escolhi a hora do jogo Benfica-Porto que se disputava nessa tarde. E a verdade é que não havia assim tanta gente nas ruas e eu pude, depois dos primeiros quilómetros que para não variar me custaram bastante, entrar no ritmo, cantarolando as músicas que estava a ouvir nos auriculares. Ia eu toda feliz, o sol, os passarinhos e a música, quando tropeço numa zona sem pedras ou qualquer outra irregularidade aparente e mando um voo à super-homem a rasar o chão que foi assistido por um total de cinco pessoas, que eu tive oportunidade de contar enquanto ia em queda. Tento sentar-me rapidamente mas na boa, simulo um aceno descontraído a três pessoas que ficaram paradas a olhar para mim sem saber se haviam de me ir ajudar ou não, faço pausa no Garmin (já tinha a dignidade em frangalhos não havia necessidade também de dar cabo do pace) e levanto-me a avaliar os estragos, mas sempre com grande naturalidade (espero eu). Na altura senti logo que tinha raspado o braço e que havia de ficar com um hematoma na coxa, mas retomei a corrida como se nada fosse. Pelo menos até sair do campo de visão das testemunhas deste meu momento.
Depois disto, esta informação até acaba por ser um acessório, mas acabei por fazer um treino de 20km a um ritmo bonzinho para mim. A queda serviu, inclusive, para acelerar a velocidade nos quilómetros finais, já que queria ir dali para fora, não fosse dar de caras novamente com as tais pessoas.
Agora é a vossa vez de me contarem as vossas quedas mais aparatosas e/ou cómicas. Nada de quedas estilosas, em que ficam com uns ligeiros arranhões e lama a mostrar dureza na meta. Quedas embaraçosas mesmo! Temos de ser uns para os outros. :)
E antes que façam pouco do meu infortúnio, deixo-vos com uma história:
No início do ano, uma pessoa minha conhecida foi fazer uma travessia de bicicleta. Uma das etapas percorria o Porto. Quando estava a atravessar a Avenida dos Aliados, em plena hora de ponta, atrapalhou-se com uns peões que estavam a circular e caiu, cito: "de forma ridícula"... Mesmo em frente a uma camioneta de excursão cheia de adolescentes que estava parada no sinal vermelho. Quando ela me contou isto eu fartei-me de rir desavergonhadamente na cara dela, de mãos na barriga e quase a ir às lágrimas. Poucos meses depois acontece-me isto.
O tal do Carma é lixado... :)