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6 de fevereiro de 2017

Janeiro

Em Janeiro não houve provas, mas houve treinos pelos locais do costume e outros.








Também não houve muitos quilómetros (penso que não chegaram a 150 km), mas houve o regresso a um regime de treinos mais regular. Cerca de três treinos durante a semana e um mais longuinho durante o fim-de-semana.

Os "longos" de fim-de-semana não foram assim tão longos. Andaram sempre pelas 2h30 de treino, o que, em trilhos, como vocês sabem, pode não se traduzir em grande quilometragem, ou ser até muito pouca, se o desnível e tecnicidade forem grandes. No entanto, a ideia era reconquistar alguma consistência.

As primeiras semanas foram complicadas porque o corpo estava acostumado à manha e não havia meios de se adaptar ao novo regime mais activo. Revoltava-se mesmo! Havia dias em que era pernas pesadas do início ao fim e uma forma horrível a correr (ainda mais que o normal): toda descompassada, encurvada, os braços a baloiçar à frente do tronco... Era quase como se estivesse a aprender a correr de novo.

Frase motivacional encontrada num dos habituais locais de treino. :)

Apesar de tudo, os treinos semanais, em estrada, foram-se fazendo. Onde noto que perdi mesmo MUITA forma foi nas subidas (daí os longos de fim-de-semana, em trilhos, não serem assim tãooo longos). Qualquer elevação as pernas queixam-se, o rabo queixa-se, as costas queixam-se... E eu calada, porque preciso de respirar todo o ar possível e se falar caio para o lado.

Bom, nada que umas quantas visitas às escadas da Praia Grande não ajudem.


Neste dia em específico foram 3x350 degraus, falésia acima e falésia abaixo (e acho que não deve haver um degrau de igual tamanho naquela escadaria, xiça!). Efeitos secundários: 3 dias com dores nos gémeos. Toma lá! O que vale é que a paisagem é bonita...


E assim tem sido. A parte psicológica de quem "já fez" e "sabe que consegue" ajuda muito nos dias de treino mais difíceis, embora a lenta progressão seja, por vezes. desmotivante. Para Fevereiro esperam-se mais quilómetros. Venham eles!

3 de outubro de 2016

Dias em Arga e visita ao local que irá acolher o VI Campeonato do Mundo de Trail

Este ano não estava nos planos ir ao Grande Trail Serra d'Arga. Tive de ser honesta comigo própria e admitir que, de momento, não tinha treinos para fazer os 53km, mesmo com o desnível encurtado. Acredito que, se fosse e me dispusesse a isso, seria capaz de concluí-la, mas seria com sofrimento desnecessário (mais que o habitual do que já é esperado nestas distâncias, claro) e Arga é uma serra, e prova, que pede preparação à medida. Arrastar-me na sua totalidade seria bastante doloroso (ainda tenho fresca na memória a prestação do ano anterior...) Além disso, tornava-se dispendioso ir lá, apenas para fazer uma das distâncias mais curtas, com outras opções de provas mais próximas.

Entretanto, surgiu a oportunidade de colar uns dias de férias ao fim-de-semana e, dessa forma, aproveitar para conhecer melhor as redondezas. Assim sendo, e porque não participar no Sunset Trail, 17km ao final da tarde de Sábado, num percurso que ainda não conhecia, e juntar-lhe uma das distâncias mais curtas no Domingo? A opção acabou por recair no Trail Longo de 23km, por, na minha opinião, cobrir das zonas mais bonitas do GTSA. Estava decidido! Sabia que, mesmo sendo distâncias mais curtas, iriam custar-me. Mas uma pessoa ilude-se e diz que vai "na desportiva", sem stress. :)

De volta a uma Arga parcialmente queimada, mas sempre especial.

Só faltava decidir a estadia para os dias seguintes. Gerês era uma zona que conhecia muito mal, uma serra que ainda me faltava no currículo e, indo acolher o Campeonato do Mundo de Trail no final deste mês, tive curiosidade em explorar os trilhos que irão ser percorridos por alguns dos melhores atletas mundiais da modalidade. Feito!

Na sexta-feira, à chegada a Caminha, a preparação para as provas feitas "na desportiva" foi feita em conformidade.

Hidratação. :)
Estágio para o "Sunset". SPOILER: O do dia da prova será muiiiito diferente.

E continuou no Sábado, em passeios pela doca e vila. Caminha é um local bonito e pacato, com um "paredão" de mais de dois quilómetros, onde se podem fazer passeios junto ao rio Minho e onde se vêem muitas pessoas a correr e andar de bicicleta. É também no centro da vila que se levantam os dorsais e de onde parte o Sunset Trail.

Vista Espanha.

Posso já adiantar que a Organização encomendou uma tempestade para o Sunset Trail, que durou a totalidade da prova. Não vimos nenhum pôr-do-sol e acabámos encharcados até aos ossos, mas, tendo em conta as contrariedades, gostei bastante e senti-me quase sempre bem.

Nesta fase ainda se conseguia ver alguma coisa.

Já no domingo, as pernas acusaram o cansaço e a última subida antes da Meta doeu.

Aguenta e não chora!

Mas depois farei uma crónica específica para estas duas provas.


Depois do "trabalho", fériaaaaasssss!

Vila do Gerês lá em baixo.

A vila do Gerês é dos locais mais calmos onde já estive. Quem vai para ali é mesmo para usufruir das suas termas e estar em comunhão com a natureza, sem maiores distracções. E está muito bem assim.

Centro da vila em hora de ponta!

Sem surpresas, também adorei o Parque Nacional da Peneda-Gerês. É grande, enorme, e dois dias, obviamente, não foram suficientes para o conhecer na totalidade. Porém, ainda deu para conhecer alguns locais icónicos, como a Barragem de Vilarinho das Furnas, a Cascata do Arado, o miradouro da Pedra Bela....





Perdemo-nos a caminho da Cascata do Tahiti (mas descobrimos outras pelo caminho).



Também interagimos com espécies autóctones. A maioria das vaquinhas nem ligava ao facto de estarem ali pessoas ao pé delas


mas houve uma que bufou e levantou-se mal lhe apontámos o telemóvel!


Não devia estar a sentir-se muito fotogénica, compreendo-a, há dias assim, por isso achámos melhor respeitar e pirarmo-nos rapidamente sair ordeiramente dali para fora. :)

Vislumbrámos também outras quantas espécies, como esquilos, um vulto não identificado durante a noite (será uma raposa, um javali, um lobisomem?) e tivemos cerca de 30 segundos particularmente intensos quando um veado bebé se atravessou à frente do carro e ficou estarrecido, sem saber por onde fugir e eu, de dentro do carro, com ele parado a meio da estrada, suspirava "óooohh", "Bambiiiii" e "que fofinhooooo", sem me lembrar de pedir a máquina fotográfica. Ver os animais em cativeiro é uma coisa, mas surgirem assim à nossa frente no seu habitat natural é quase mágico. (Ainda bem que por cá não temos leões e outros predadores do género, ou lá se ia a "magia"! :))

Por falar em carro, enfiei a minha viatura, velhinha e citadina, mas com alma de todo-o-terreno, por estradas tão sinuosas e apertadas que comecei a hiperventilar e já estava a ver a minha vida a andar para trás. Toda eu tremia com a possibilidade de me aparecer um carro de frente e de ter de fazer manobras à beira do precipício. Suei mais nesses momentos do que nas provas dos dias anteriores!  :) Mas correu tudo bem.

Local para recuperar o fôlego, depois de uma aventura ao volante.

E também houve tempo para percorrer duas PRs assinaladas, uma a (tentar) correr e outra a caminhar. 





Uma delas, a PR3 - Trilho dos Currais, tenho a certeza que terá alguns dos seus trilhos percorridos durante o campeonato, devido à sua beleza e alguns dos locais significativos por onde passa.



Inclusive, alguns deles aparecem neste vídeo promocional do Trans Peneda-Gerês World Trail Championship.


Foram poucos, mas bons, dias, sempre em movimento. As pernas levaram algum tempo a recuperar das provas mas, coitadas, não tiveram outra opção senão mexer-se!

15 de setembro de 2016

Subida ao Cântaro Magro

Na tarde anterior, quando os avistámos, lá estavam eles, desafiantes...

Os Três Cântaros.

Da esquerda para a direita: Cântaro Raso, Cântaro Magro e Cântaro Gordo (este último um pouco encoberto na foto acima, mais visível na foto abaixo). 1916m,  1928m e 1875m, respectivamente.

E eu queria subi-los porque, pronto, "estavam lá"...




Que dizer? É aquela atracção ancestral do ser-humano pelos picos mais altos, sempre a busca do topo, aliada ao desafio que é alcançar um local apenas acessível a pé.

Existe um percurso pedestre circular que une este afloramentos graníticos. A distância não é muita, mas a dificuldade é grande, devido à sua inclinação e tecnicidade. Aliás, este está assinalado como percurso de escalada e é muito procurado para a prática, sobretudo no Inverno, com a neve, e é possível, ao longo da subida, observar vários espigões nas rochas
Por isso, devido ao pouco tempo de que dispúnhamos, este circular teria de ficar para depois, mas, pelo menos, o Cântaro mais alto teria de ser explorado.


Na direcção do Cântaro Magro.

O percurso tem início no Covão d'Ametade. Localizado no sopé do maciço do Cântaro Magro, início do Vale Glaciário do Zêzere, o Covão d'Ametade tem a particularidade de ser uma espécie de "miradouro ao contrário". Uma pessoa chega, senta-se à sombra dos vidoeiros e olha para cima. O horizonte é cortado pelo enorme maciço rochoso, que nos faz sentir pequenos, mas não claustrofóbicos. Pelo contrário...

É também aqui que nasce o Rio Zêzere, nesta altura do ano pouco mais do que um fio de água no leito.


Antigamente, era um dos poucos lugares onde era permitido fazer campismo selvagem em todo o Parque Natural da Serra da Estrela. Tinha assadores, mesas, wcs e, inclusive, um bar de apoio. Hoje em dia está um bocado ao abandono...

Totalmente de acordo! Mas qual contentor?

Nem sequer existe um único contentor ou caixote do lixo neste local, que ainda é muito utilizado para piqueniques familiares. Depois, claro, é ver restos e sacos de lixo empilhados por todo o lado, o que é triste.

Mas bom, falta de civismo e questões burocráticas de autarquias à parte, este local continua a ser mágico. O silêncio que aqui se ouve... têm de experienciá-lo!


Um bocadinho mais tarde do que suposto (férias e tal...), iniciamos a subida.

A admirar o maciço ou à espera de satélites no gps? :)

No final, o gps não quis colaborar, mas não seria isso que ia estragar esta experiência. Seguimos junto ao caudal do Zêzere e depois, mais à frente, por um pequeno trilho que ainda se distinguia pelo meio da vegetação, sempre na direcção do Cântaro.


Depois, a vegetação começa a adensar-se e andamos por meio de arbustos mais altos que nós. Os ramos começam a deixar as suas marcas na pele. Provavelmente, nesta subida será mais recomendável o uso de calças ou corsários, mas estava muito calor e não tinha levado nenhuns comigo.


Este percurso não tem marcação oficial. A única coisa a guiar-nos são as mariolas deixadas pelas outras pessoas. Acontece que, por vezes, existe mais do que uma opção de subida e nem sempre aquela que foi utilizada no início da Primavera pode ser utilizada agora no Verão, devido ao crescimento dos arbustos. Por outro lado, as chuvas e neves também deitam abaixo algumas das pilhas de pedras, de um ano para o outro. Quando demos por nós, nem uns 300 metros devíamos ter feito e já estávamos "perdidos". E estes 300 metros levam váaarios minutos a serem feitos, atenção!


É frustrante ver a direcção que temos de seguir mas não conseguirmos encontrar um trajecto, ou por causa da vegetação, ou por causa das rochas. Felizmente, começámos a ouvir vozes vindas de cima, de alguns caminheiros que estavam a efectuar a descida. Conseguimos perceber o local de onde vinham e dirigimo-nos para lá. Dali para a frente disseram-nos que seria mais fácil seguir as mariolas, e, de facto, foi.


Já avançámos uns 500 metros! :)


É continuar a subir.



Mais ou menos a um terço do percurso, encontramos o primeiro de vários laguinhos formados pela corrente do Rio Zêzere.


Não deu para resistir à agua fresca e límpida! Foi a primeira paragem para um mergulho.


No Inverno deve por aqui passar uma cascata imponente. Agora corria apenas um fiozinho de água, audível.

Chega de ronha, toca a subir!


Já uns metros mais acima.


Aqui começa a inclinação a aumentar, a vegetação a escassear e as rochas para escalar.


Upa!


Já a uma altitude considerável, mas ainda longe do pico.


Depois de mais desnível acumulado, novo mergulho num lago ainda mais convidativo que o primeiro. Não era cansaço, era a água que era irresistível, claro! :) Incrível a quantidade de água que existe neste maciço, mesmo em pleno Verão. Ninguém diria, observando de baixo.

Chegando a um ponto em que o topo parece que é "já ali", a caça às mariolas torna-se cada vez mais complicada. Só resta adivinhar o trajecto, saltando rocha atrás de rocha.


Foi mais ou menos no local acima que avistei uma cobra!!! Sabia que estava a ser uma sorte ainda não ter avistado nenhuma e tentava sempre fazer muito barulho para avisar qualquer bicheza da nossa aproximação, mas esta cobra estava a dormitar ao sol e demorou a esconder-se. Era pequenina e não me ligou nenhuma, mas afastei-me rapidamente, antes que chegasse a mãe dela. :)

Mais uma pausa...


Depois, chegámos a uma encruzilhada em que não víamos forma de alcançar o pico do Cântaro Magro e já nos estávamos a afastar para os lados do Cântaro Gordo. Foi pena chegar tão longe e ficar a pouco metros de chegar mesmo ao cume, abrir os braços e espetar uma bandeira (ok, esta última parte talvez não) para assinalar a nossa conquista, mas sempre é uma razão para voltar.


Foi mais de hora e meia entre subida e descida


De volta à selva.

De regresso ao Covão, decidimos continuar Vale do Zêzere abaixo.


Sabiam que a rota do Zêzere tem 370 km, estendendo-se daqui, desde a sua nascente, até Constância, a sua foz? Desta vez não houve tempo para a percorrer na íntegra, fica para a próxima. :)


Além disso, pouco antes de Manteigas, tivemos alguns obstáculos distractivos....



Fazer estas rotas, a correr ou a caminhar (e a nadar/boiar :)), é uma das melhores formas de aliar o treino à vertente turística. A maior parte está bem assinalada, embora por vezes não tenha a devida manutenção. Tenham isso em conta na hora de fazer uma previsão do tempo que irão demorar a percorrê-las.
Neste caso em específico: Covão d'Ametade, Cântaros e início do Vale Glaciar (até Manteigas, aprox. 10 km), tem a vantagem de ser um percurso com vários pontos de água, para abastecimento e para refrescar nas horas de maior calor, o que é uma grande ajuda, uma vez que a maior parte do percurso é exposto.

E com esta crónica fechamos o capítulo da Serra da Estrela (por enquanto!), até porque se seguem outras montanhas. Entretanto, este fim-de-semana andei pelos "montes" da Ericeira e arredores, no GNR Trail. Como correu depois de tantas semanas na ronhice? Fiquem para ler. :)