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27 de junho de 2014

Trilhos Loucos da Reixida

- Acho que na rotunda é para sair na primeira saída e seguir pela Rua Assim e Assado.
- Não, é continuar em frente e depois virar na segunda à esquerda, para a Rua Coiso e Tal.
- Tenho a certeza que já passámos pela Rua Coiso e Tal há mais de 2km...
- Isso foi a Avenida Isto e Aquilo, depois da rotunda da Estátua Abstrata mas Altamente Significativa, lembras-te?
- A Estátua Abstrata mas Altamente Significativa??! Mas isso já foi antes de entrar em Fátima.
- Aiii!!! Deixa cá ver o gps!

Conversas a caminho de uma prova, quando o "gps" são meia dúzia de frases rabiscadas na noite anterior, retiradas das indicações de percurso do google maps. Surpreendentemente, nunca me perdi (muito) nem nunca cheguei atrasada a nenhuma prova. Falem mal da orientação feminina nas estradas, falem!

E é assim que às 8h30 da manhã de Domingo se chega à bela localidade de Reixida, com tempo mais do que suficiente para levantar os dorsais, fazer xixi e beber um café.

Nas ruas estreitas do bairro, os cerca de 300 atletas que estão inscritos para o Trail de 20km parecem muitos mais. Estão a ver as ruas de Alfama em noite de Santo António? Era mais ou menos assim, mas sem o cheiro a sardinha assada e copos de cerveja a €1,50. Acho que nem a música pimba faltou, no início da prova!

A caminho do controlo zero.

Alguns minutos depois das 9h30, a partida.

E começa a diversão.
As primeiras centenas de metros são feitas sempre a subir. Depressa entramos numa zona de carreiros  muito peculiar, cheia de curvas, o que nos faz percorrer uns dois ou três quilómetros para chegar a um local que seria a 400 metros se fôssemos sempre a direito. Mas, nesse caso, qual seria a piada, certo? Todos sabemos que pela autoestrada é mais rápido, mas se quisermos um percurso cénico temos de perder tempo nas estradas secundárias da vida.


Devido ao tempo que se perde (ganha) a correr pelos carreiros, sempre que aparece um estradão de terra mais amplo sou incentivada a não parar e a "rolar" nas subidas, pois "só vamos com 4km de prova"...
- Grshsjshh... eu digo-te o rolar... grshpffgrrr... - respondo eu baixinho. Ou se calhar alto, já não me lembro. :)
Perante o desconhecido, prefiro poupar-me. Pode ser uma ilusão, porque uma pessoa cansa-se na mesma, mas gosto sempre de ficar com aquela sensação de que não dei tudo, e terminar em força, do que pôr-me ali a correr à doida, dar o estoiro e depois ficar a penar o resto da prova. Claro que isso também pode acontecer mesmo indo devagarinho, lá está... Nos trilhos é muito difícil fazer essa gestão do esforço, porque nunca sabemos o que vamos encontrar pela frente. Também sentem isso?

De qualquer forma, ainda bem que não comecei logo a "correr à doida", porque antes dos 5km aparece a placa:

Highway to Hell?

E começamos a subir e subir... Mui-to len-ta-men-te...

Não tirei muitas fotos (não queria parar com medo de depois o motor já não arrancar!) por isso aqui ficam apenas algumas, tiradas quando já via a luz ao fundo do túnel.

Visão para a frente. Quase lá...
Visão para trás.

Finalmente! (Visão de quem chegou e olha para trás.)

Claro que vocês vão olhar para estas fotos e pensar: "O quê, essa subidazinha? Isso mete lá medo a alguém!", porque toda a gente sabe que nas fotos nunca se tem noção da verdadeira dimensão do monstro. Por isso, quem tiver curiosidade, pode ter aqui uma visão "aérea" da coisa.

De qualquer forma, foi um desafio engraçado. Até comentei como gostava de ter um local assim perto de casa, para poder ir lá fazer um treino de subidas uma vez por semana (estava ensandecida do esforço, dêem um desconto!)

Durante a subida começou a chuviscar e o corpo arrefeceu um bocadinho, por isso foi aproveitar a descida que se seguiu para acelerar um pouco.



Até que pousei um pé em falso devido a uma pedra e torci de tal forma o tornozelo que pensei logo: "Já te fo...ste!!!" Nunca tinha torcido o pé assim, e fiquei mesmo assustada. Não quis logo parar, porque estava num trilho apertado e tinha algumas pessoas atrás, mas fui ali a passinho curto e a medo. Passado um bocado deixou de doer, achei que quando o pé arrefecesse é que iam ser elas, mas felizmente não passou de um susto. Ufa!!!

Dali para a frente passei a ser muito mais cuidadosa, mas por vezes ir a travar demasiado nas descidas também não é bom, e acabei por, digamos, me "sentar" de forma involuntária e repentina. Não estava mesmo com sorte! Ainda por cima, oiço uma voz atrás de mim: "Oh, logo agora que desliguei a câmara!"... Ihihih... Ufa (2)!!! Bate-cu com ligeira humilhação frente a estranhos tudo bem,  mas ao menos não vai parar ao youtube... :)

Tal como o Trail de Bucelas, esta prova também termina com a passagem num rio.


No entanto, em vez de apenas o atravessarmos, acompanhamos a corrente durante algumas centenas de metros. Gostei muito.


Não estava calor, mas as pernas agradecem sempre o miminho refrescante. (Já os meus Trabuco começam a não achar piada a tanta aventura, acho que está na hora de lhes dar o merecido descanso. Mas isto é como o Governo, sempre a adiar a idade da reforma...)


As fotos tiradas ao longo do rio infelizmente ficaram quase todas desfocadas, mas deixo apenas estas para verem a profundidade que chegou a atingir.


 A mulher que ia à minha frente tinha praticamente a minha altura.


Passada a crioterapia, a meta a 500 metros!

Foram 20km, terminados em cerca de 2h54. É uma prova com um percurso atractivo e original, sobretudo para quem gosta de serpentear por entre caminhos de cabras. Não é fácil, em especial algumas descidas com muita pedra, nas quais há que seguir com atenção. E, claro, é uma prova para quem não tem medo de molhar os pés a cintura! Tragam as bóias! Este ano já houve quem levasse, fato de banho à anos 20 incluído. :) São os Trilhos Loucos!

Por último, uma palavra sobre a Organização, que esteve muito bem. Dos abastecimentos, se não me engano três no total, apenas um foi sólido - bananas e marmelada - fraco, mas penso que era o suficiente. Como para mim o mais importante é sentir o apoio e preocupação com os atletas, com os dois controlos durante a corrida, para além do inicial, e com imensos voluntários ao longo do percurso (brincámos que quase seriam dispensáveis as fitas sinalizadoras) e fotógrafos para documentar a aventura, acho que não houve nada a apontar.
Os chuveiros é que podiam ser mais perto... Ficavam a 3km! Mas houve quem dispensasse uma mangueira para quem quisesse tratar do banho logo ali. :)

A repetir. Soube a pouco!

22 de junho de 2014

Os loucos dos trilhos

 
Show me, show me, show me how  you do that trick.
The one that makes me scream - she said.


The one that makes me laugh - she said.


Show me how you do it, and I promise you, I promise that I'll run away with you.



Um céu um bocadinho cinzento, mas, ainda assim, a merecer destaque.


- "Weeeee!!!" - diz ela, que só está feliz a correr por curvas e contracurvas no meio de carreiros ladeados de árvores e vegetação, que correspondem a cerca de 90% do percurso desta prova.

- "Masoquéquéisto?" - diz ela, quando avista a placa após o km4, que, muito animadoramente, informa que 'O Inferno Começa Aqui', e levanta a cabeça para ver a parede de escalada que a espera.

- "Tão bonita a vista aqui em cima..." - pensa ela depois, sem ar para o proferir em voz alta.

- "Todas as provas deviam terminar com a passagem num rio." - diz ela, que se pudesse dava mergulhos em todos treinos e corridas nos dias mais quentes.

- "Isto até nem custou muito!" - diz ela, segundos depois de terminar a prova, claramente já esquecida daquela subida(zona) ao km5.

- "Gosto taaanto disto!" - repete ela, vezes e vezes sem conta.


Trilhos Loucos da Reixida, 20km, mais uma manhã de Domingo a construir memórias. Crónica em seguida.


Boa semana!