10 de julho de 2014

5 momentos e pensamentos...

... da última semana de treinos.

3... 2... 1... GO!

1. Como não está muito nítido, passo a explicar: a foto acima é de 6 aspersores de rega ligados em simultâneo. Com o calor que começou a fazer-se sentir dá mesmo vontade de largar a correr por ali fora, mas havia muita gente a ver e senti-me constrangida... Fica para a próxima, num horário menos frequentado!

2. Por falar em calor, e este ano o Almonda que teve chuva?! CHUVA! No Trail do Almonda... Ainda não estou em mim. O Almonda perdeu a sua mística (ihih). Teria sido uma boa oportunidade para voltar e perdoá-lo das agruras do ano passado, quem sabe quando tornará a haver outra oportunidade destas...

3. No passado Domingo, dirigi-me de manhã cedo para Monsanto, para o habitual treino longuinho, e quando chego lá apercebo-me de que NÃO TRAGO O GARMIN COMIGO!!! "O drama, a tragédia, o horror", como diria um conhecido apresentador aqui há uns anos.
A verdade é que uma pessoa habitua-se a estas modernices e depois é difícil passar sem elas. Se fosse ao lado de casa ainda considerava voltar atrás para o buscar, assim sendo, tive de correr sem ele. Como é que eu faço agora? Como é que eu sei quantos kms já corri? Quantos minutos fiz? COMO É QUE DEPOIS ANALISO OS DADOS DO TREINO? E se me perco? E se os bpms estão muito elevados e tenho para aqui uma síncope? Como é que se corre mesmo? Esquerda, direita, levanta os joelhos, será assim?... Tudo problemas e receios que, afinal, não tinham razão de ser. Fiz a voltinha do costume, ainda me lembrava como se corria, e foi um treino agradável. (Mas para a próxima durmo com ele posto de véspera!:) )

4. Depois, no treino seguinte, aconteceu-me algo inédito: senti-me aborrecida ao correr. Obviamente já tive dias em que não me apetece correr e outros em que odeio correr, mas chegar ao fim de dois quilómetros e querer parar, não porque esteja cansada, ou com dores, ou com dificuldades, mas porque estou aborrecida, nunca tinha acontecido. Concluí o treino (muito curto) e fui para casa, com medo de que o romance entre mim e a corrida estivesse a esmorecer. Decidi que, antes de tomar medidas drásticas como "dar um tempo", devia dar uma hipótese. Felizmente no encontro seguinte a paixão estava de volta.

5. Já vos aconteceu irem a correr, em treino, ao vosso ritmo, depois passarem por alguém que vai mais ou menos ao mesmo ritmo e ficam ali a correr lado a lado durante uns tempos e depois tentam acelerar porque começa a tornar-se estranho estarem ali há várias dezenas de metros como se fossem uns siameses da corrida, mas depois parece que essa pessoa acelera também e então vocês mudam de táctica e optam por abrandar mas mesmo assim não resulta, porque parece que tiveram a mesma ideia? Desta vez aconteceu-me isso, não com um, mas com dois outros corredores! E estávamos todos a correr sozinhos. Tudo bem que o paredão era largo, mas não deixou de ser caricato, tanto que ao fim de algum tempo um deles lá resolveu mandar uma piada para quebrar o gelo. Mal apareceu uma oportunidade de cruzamento, cada um seguiu para o seu lado! (Já com os devidos cumprimentos e acenos de despedida, claro, que aquele momento de partilha forçada forjou ali uma amizade para a vida.) :)
É o que dá correr em sítios concorridos durante a semana. Este final de semana volto a Monsanto e aos seus trilhos, em que se passam minutos sem ver ninguém e só há o risco de sermos inesperadamente atropelados por alguma bicicleta a lançar-se desgovernada. Ahhh, o sossego... :)


Bom resto de semana!

6 de julho de 2014

Trail Serra e Mar - B.V. Colares

Eram 17h30 de Sábado, estava na partida, a aguardar o início da prova, no meio de mais de uma centena de atletas que se alinhou para o trail  e sentia-me... nervosa. Uma novidade, já que há muito tempo não ficava nervosa antes de uma prova. Nem nas vésperas da distância até então desconhecida da Maratona de Almourol me senti assim. Entusiasmada, certo. Ansiosa, talvez. Mas nervosa, de sentir o estômago apertado e a adrenalina a pulsar na pele ao ponto de fazer tremer, não.
Neste caso, aparentemente, nem sequer havia razões para isso. A prova era num local conhecido, com grande parte do percurso a cruzar a minha amada Serra de Sintra, a distância era de apenas 20km e o acumulado, não sendo pouco, também não era nada de assustador. Mas vá-se lá saber, o corpo resolveu reagir desta forma e eu só me restou deixar de questionar e aceitar. É bom saber que, depois de tantas provas, ainda podemos ficar assim nos momentos mais simples. Nada é garantido, e é essa incerteza que dá valor às coisas. Obrigada, sistema nervoso, por me recordares.

De qualquer forma, não foi um início fácil. Seriam mais de 5km sempre a subir, e o facto de ter descurado, mais uma vez, o aquecimento, com a premissa de que "oh, eu corro devagarinho, não é preciso aquecer", fez com que os gémeos fossem os mártires da insensatez. Sentia-me perra, não conseguia encontrar nenhum ritmo, e as partes a andar chegavam a custar-me mais do que as subidas que podiam ser feitas a rolar.


As piadas de cauda de pelotão, as "bocas", os risos, os pequenos grupos que se formam inadvertidamente, a paisagem cada vez mais verde e cerrada... Geralmente tudo coisas que me abstraem e dão ânimo quando as forças não são muitas, mas hoje não. Hoje, estou a meio de uma subida num trilho digno de floresta tropical e só consigo pensar como tenho de lá voltar um dia, em treino. Lá voltar porque, naquele momento, não estou a desfrutá-lo como devia. Naquele momento a minha mente perde-se na contagem decrescente até ao topo. "Só faltam 2km até chegar lá acima"... "Só faltam 1,5km"... E o suor cola a pele. "Menos de 1km, vamos lá, tu consegues"... O ar que não corre. "800 metros, só faltam 800 metros"... As mãos sujas dos troncos e rochas onde procuro um apoio que alivie as pernas. "500 metros"... As pessoas à frente que deixam de correr e andam, e eu ando também porque a mente, mais que o corpo, está fraca. "200 metros, du-zen-tos me-tros"... Numa contagem que nem sei bem se está certa, mas à qual me agarro com uma esperança férvida.
"O que é aquilo ali à frente? Um oásis?". É o primeiro abastecimento. "I BELIEVE I CAN FLYYY!" Aahhh a felicidade! Conheço a zona, sei que dali até à Peninha é um instante, e as subidas piores passaram. Como metade de uma banana e sigo. Quando finalmente avisto o topo da Peninha, quase me apetece dar-lhe um beijinho.
Aquecimento feito, sei que dali para a frente, pelo menos mentalmente, custará muito menos. "Foram pouco mais de 5,5km a subir e ficaste neste estado. És mesmo uma menina! Ainda queres tu ---"...


Mais uma vez, a minha mente começa a questionar os meus sonhos. Eu calo-a. "O vento traz o som do mar e eu não te estou a ouviiiiir". Corro em direcção ao Cabo da Roca.


A Serra e o Mar, à luz do pôr-do-sol, são um bálsamo para a alma. Silêncio fora e dentro. Definitivamente, daqui para a frente o espírito já era outro.


Para verem como os gráficos podem ser enganadores e deixam muita história da corrida de fora, ali aquele quilómetro 15, que na figura parece não passar de um pequeno cisco na altimetria:


foi o quilómetro mais lento de toda a prova, com grande inclinação, e a necessitar de maiores cuidados, tanto a descer como a subir.


Claro que, como em quase tudo, as maiores lutas dão as maiores recompensas. Neste caso, com esta linda vista da Praia da Ursa.

Até breve, sim?

Depois desta parte, não sei se devido ao esforço da escalada, mas fiquei esganada de fome! Até então só tinha havido um abastecimento sólido, aquele por volta do km5, onde apenas tinha comido uma peça de fruta. Nunca me tinha sentido assim em nenhuma prova, com o estômago mesmo a reclamar. Ainda bem que o barulho das ondas abafava os roncos e ninguém se apercebeu. :)
Mas, como estava a dizer, tenho de repensar o meu plano de mantimentos (sobretudo pré-prova) para estas corridas de final de tarde. Apenas levava água comigo e, neste ponto, a cada cruzar de árvore ou ao chegar ao topo de cada encosta já só desejava avistar uma mesa bem guarnecida e sonhava com os "Manhazitos" (uns bolinhos fofos com pepitas de chocolate...hmmm...) que tão levianamente tinha ignorado no abastecimento anterior. "Comida, comida, comida..." era o mantra que me impulsionava a avançar. Gostava que fosse algo mais inspirador como: "As pernas não desistem, o teu estômago é que sim", ou "A fome é temporária, a glória é para sempre", mas foi o possível. Quando finalmente avistei o último abastecimento, perto da Praia da Adraga, até levei os braços ao ar e dei uns pequenos saltinhos, como se tivesse acabado de cruzar a meta.

Não há fotos desse momento, mas, para compensar, aqui ficam mais algumas das poucas que se tiraram à paisagem.


Trilhos "fofinhos".


De estômago aconchegado, já foi mais fácil seguir em frente. Houve ali alguma luta durante umas centenas de metros, em que o caminho estava coberto de areia e custava avançar - "Mas estou a correr a UMA, ou quê?!" (a sério, GRANDE respeito por quem faz provas em areia...) - no entanto, daí para a frente, com a aproximação de Colares, os estradões começaram a tornar-se mais corríveis, apanhámos algum alcatrão e foi possível terminar em força, com os quatro quilómetros mais rápidos de toda a prova. No fim, ainda uma tentativa de sprint para terminar abaixo das 3h (aqueles segundinhos do orgulho) e já está!
Uma senhora, claramente cansada de estar a aplaudir quem chega, pergunta se "somos os últimos"... Ãhhhh... NÃO, ainda vem aí muita gente atrás, mas obrigada por perguntar... (Ihihih!)
E é assim que uma velhinha local de ar simpático arrasa com a moral de quem estava toda contente com o seu final sub-3h. Senhoras com ar de avozinha querida, muito cuidado com elas! :)

22km, dois quilómetros de bónus na primeira edição de uma prova que tem muito por onde crescer e atrair mais atletas. Percurso lindíssimo, desafiante q.b., com uma Organização que esteve à altura. Embora considere que possam melhorar em termos de sinalização, já que houve alguns atletas a perderem-se, sobretudo já no quilómetro final dentro da Vila, numa volta que causava alguma confusão.

Mas as praias, a Serra, e a luz do final de tarde foram os grandes cartões de visita desta prova. Vale a pena. Eu, pelo menos, fiquei com vontade de voltar, e não me apetece esperar um ano...

1 de julho de 2014

Kms do mês - Junho

Sem delongas, aqui vai:

Contagens do mês de Junho

- Distância: 214 km (na verdade foram 213.99 km, nem digam nada...)
   . em estrada:102.54
   . em trilhos:111.46
- Horas a correr: 27:41
- Ganho de elevação total: 4520 m

- Quilómetros a pedalar: 20 (1 actividade)

Distância total: 1187.91 km (Janeiro a Junho).

Ultrapassada a barreira dos 1000km a metade do ano... Já corri mais este do que praticamente o ano passado inteiro! Quando penso nisso nem acredito, porque quase nem dei por eles a passar (de certeza que alguns quilómetros custaram muito a passar, eu é que já me "esqueci"!). Só espero continuar a ter a sorte de sentir-me bem, sem lesões, e venham mais 1000!

Este foi um mês muito bom. Desde treinos fantásticos por zonas lindíssimas, à descoberta de novos caminhos no local do costume, passando também pela participação em duas provas, coisa de que já tinha saudades. Tudo isto contribuiu para os 111.46km percorridos em trilhos e para o ganho de elevação total mais significativo deste ano até ao momento.

No constante às provas, já vos falei dos Trilhos Loucos da Reixida aqui, e, no final da tarde deste Sábado, enquanto grande parte de vocês rumou às Fogueiras de Peniche, para não ficar em casa com "inveja", participei no Trail Serra e Mar - B.V. Colares, onde pude aproveitar para correr, em prova, locais que já conheço de treinos, e fazê-lo a uma hora diferente do habitual. Para que não haja dúvidas, Sintra também fica muito bonita à luz do pôr-do-sol...



E vejam que espectáculo de circunferência a Organização desenhou!



Foi uma prova com um início complicado para mim, se calhar por causa disto:



Ou então por ainda estar cansada da Reixida, mas acreditem que aqueles primeiros 5,5km custaram MUITO a passar. Mas foi um bom treino de força (física e mental), era o que repetia para mim mesma em mantra.

Mas depois falamos mais um bocado sobre isso, e sobre a importância que esta prova teve para mim. Assim que puder, volto com a crónica! :)


Bom resto de semana!