"The answer is to try and help others."
Terry Fox
No dia 12 de Abril de 1980, o jovem canadiano Terry Fox deu início àquela que iria ficar conhecida por Maratona da Esperança. A ideia era atravessar o Canadá de uma ponta à outra, correndo todos os dias, como forma de angariar fundos para a investigação do cancro, doença da qual sofria. Infelizmente, Fox acabou por morrer antes de concluir o projecto. No entanto, 36 anos depois da sua morte, milhares de pessoas por todo o mundo ainda se juntam nas provas que têm o seu nome, para poderem continuar a correr os quilómetros que ele iniciou.
Nos últimos anos não tenho podido marcar presença nesta prova por coincidir com outros objectivos, mas este ano estava livre e não pude deixar de ir dar o meu contributo. A inscrição na prova são €10, o que pode ser considerado caro para uma distância de 10 km, mas o valor reverte na íntegra para a investigação em oncologia, logo é muito bem empregue. Este ano, entre participações e donativos, conseguiu-se atingir a quantia de €30.000, que servirá para financiar duas bolsas de investigação.
Continuo a achar que esta é uma prova muito pouco divulgada. Estiveram presentes quase 1500 pessoas, entre corrida e caminhada, mas mesmo assim deviam ser mais. Além disso, e apesar de continuar a ser uma prova não competitiva, ou seja, não há classificações, agora tem um percurso definido de 10 km (ao contrário do último ano em que participei, em que cada um fazia as voltas que queria numa circular), portanto serve também para testar os tempos na distância.
Quanto à minha prova, bom, primeiro tenho de dizer que - e tive de ir confirmar! - a última vez que tinha participado numa prova de 10 km tinha sido em... 2013!!! Mais propriamente, esta. Portanto, vou já fazer o relato da mesma, apesar de ter outras crónicas de provas em atraso, porque são "só" dez mil metros e despacha-se num instantinho. :)
Um das coisas a que já não estava habituada era à Partida. E aí, a diferença para os trails, em especial para as ultras, é marcante. Enquanto no início de um ultra trail uma pessoa passa a linha da partida e provavelmente ainda vai ali a andar, a ajustar a mochila ou a mastigar uma barrinha, dá beijinho na mulher ou filhos que ficaram a assistir, pára para uma foto de última hora abraçado ao colega, manda uma piadola para alguém conhecido do público, etc... Numa prova de 10 km começa-se, vejam bem... a CORRER! Mal soa a partida, desata tudo numa correria desenfreada como se tivessem acabado de anunciar saldos de 90% em calçado desportivo na loja da esquina.
"Quem soltou os cavalos?!!" - pensei eu. Já não estava habituada a isto e dei por mim embalada pelo pelotão. Quando olhei para o relógio e vi o ritmo/km até tive palpitações. O meu gps já não estava habituado a registar aqueles tempos, até transpirava, coitadinho! "Eláaa, tem lá calma contigo, que não tens treinado para isto." Então, optei por não olhar mais para o relógio e fazer a prova conforme as sensações.
O percurso não era nada que eu já não conhecesse de inúmeros treinos. Partimos junto à pala do Pavilhão de Portugal, seguimos para a esquerda na direcção do rio Trancão (4 km), onde fazemos o regresso, continuamos até à Marina do Parque das Nações (8,5 km) e depois é só regressar novamente até ao Pavilhão de Portugal, através do Oceanário. Fui sempre confortável e a sentir-me bem, tentando puxar um pouco nos últimos 3 km, para ver se quebrava. Quase quebrei junto à placa do km 9 que, curiosamente, estava localizada no exacto sítio onde dei uma queda espalhafatosa há dois anos. Mas, ali tão perto da meta, que se lixe, "agora é aguentar"! E lá se fez, com os últimos 400 metros sempre a direito, bem bons para alargar a passada e ficar bem na fotografia. Quem assiste à chegada, de certeza que nem desconfia nada que aquele não é o nosso ritmo natural. :)
Fiz os 10 km confortavelmente em 57:58, o que considerei muito bom, tendo em conta que, como disse, não participo em provas de 10 km DESDE 2013!!! (A sério, como o tempo passa...)
Nesta prova, vem-me sempre à memória aquele homem estrangeiro que, em 2012, e vendo tanta gente com as t-shirts da corrida, me veio perguntar que evento era aquele. Ele próprio estava a enfrentar um cancro na altura, e os slogans chamaram-lhe a atenção. (Falo desta história na crónica desse ano.) Não sei o que será feito dele. Infelizmente, e devido à gravidade do prognóstico, nem sei se ainda estará vivo, mas nunca me irei esquecer do seu "thank you" emocionado...
Embora, confesse, nem sempre tenha muita fé na humanidade, "the answer is to try and help others". Qualquer ajuda, por pouca que seja, vale muito para quem precisa.
Continuo a achar que esta é uma prova muito pouco divulgada. Estiveram presentes quase 1500 pessoas, entre corrida e caminhada, mas mesmo assim deviam ser mais. Além disso, e apesar de continuar a ser uma prova não competitiva, ou seja, não há classificações, agora tem um percurso definido de 10 km (ao contrário do último ano em que participei, em que cada um fazia as voltas que queria numa circular), portanto serve também para testar os tempos na distância.
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| Local da prova. |
Quanto à minha prova, bom, primeiro tenho de dizer que - e tive de ir confirmar! - a última vez que tinha participado numa prova de 10 km tinha sido em... 2013!!! Mais propriamente, esta. Portanto, vou já fazer o relato da mesma, apesar de ter outras crónicas de provas em atraso, porque são "só" dez mil metros e despacha-se num instantinho. :)
Um das coisas a que já não estava habituada era à Partida. E aí, a diferença para os trails, em especial para as ultras, é marcante. Enquanto no início de um ultra trail uma pessoa passa a linha da partida e provavelmente ainda vai ali a andar, a ajustar a mochila ou a mastigar uma barrinha, dá beijinho na mulher ou filhos que ficaram a assistir, pára para uma foto de última hora abraçado ao colega, manda uma piadola para alguém conhecido do público, etc... Numa prova de 10 km começa-se, vejam bem... a CORRER! Mal soa a partida, desata tudo numa correria desenfreada como se tivessem acabado de anunciar saldos de 90% em calçado desportivo na loja da esquina.
"Quem soltou os cavalos?!!" - pensei eu. Já não estava habituada a isto e dei por mim embalada pelo pelotão. Quando olhei para o relógio e vi o ritmo/km até tive palpitações. O meu gps já não estava habituado a registar aqueles tempos, até transpirava, coitadinho! "Eláaa, tem lá calma contigo, que não tens treinado para isto." Então, optei por não olhar mais para o relógio e fazer a prova conforme as sensações.
O percurso não era nada que eu já não conhecesse de inúmeros treinos. Partimos junto à pala do Pavilhão de Portugal, seguimos para a esquerda na direcção do rio Trancão (4 km), onde fazemos o regresso, continuamos até à Marina do Parque das Nações (8,5 km) e depois é só regressar novamente até ao Pavilhão de Portugal, através do Oceanário. Fui sempre confortável e a sentir-me bem, tentando puxar um pouco nos últimos 3 km, para ver se quebrava. Quase quebrei junto à placa do km 9 que, curiosamente, estava localizada no exacto sítio onde dei uma queda espalhafatosa há dois anos. Mas, ali tão perto da meta, que se lixe, "agora é aguentar"! E lá se fez, com os últimos 400 metros sempre a direito, bem bons para alargar a passada e ficar bem na fotografia. Quem assiste à chegada, de certeza que nem desconfia nada que aquele não é o nosso ritmo natural. :)
Fiz os 10 km confortavelmente em 57:58, o que considerei muito bom, tendo em conta que, como disse, não participo em provas de 10 km DESDE 2013!!! (A sério, como o tempo passa...)
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| "CORRER É VIVER" |
Nesta prova, vem-me sempre à memória aquele homem estrangeiro que, em 2012, e vendo tanta gente com as t-shirts da corrida, me veio perguntar que evento era aquele. Ele próprio estava a enfrentar um cancro na altura, e os slogans chamaram-lhe a atenção. (Falo desta história na crónica desse ano.) Não sei o que será feito dele. Infelizmente, e devido à gravidade do prognóstico, nem sei se ainda estará vivo, mas nunca me irei esquecer do seu "thank you" emocionado...
Embora, confesse, nem sempre tenha muita fé na humanidade, "the answer is to try and help others". Qualquer ajuda, por pouca que seja, vale muito para quem precisa.
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| T-shirt 22ª edição (costas). |






