A primeira semana de Maio foi a maior, em termos de quilometragem, acho que desde o ano passado, quando andava a treinar para o Oh Meu Deus. Começou com os 30 km pelos Trilhos dos Pernetas e terminou com um treino longo pelos trilhos de Sintra, que acabou por ser de cerca de 40 km.
Há alguém, infelizmente não eu, que irá tornar a tentar os 100 km do OMD e precisava de encaixar mais um treino longo em Maio. E eu, que no início do ano estava cheia de esperanças de me internacionalizar numa prova de três dígitos lá para Setembro, na altura, toda confiançuda, inscrevi-me para os 70 km do OMD para serem feitos como "treino"... Ora, a ideia da internacionalização acabou por cair por terra e depois, com isto da anemia, a ideia dos três dígitos, em princípio, também. No entanto, vou voltar à Serra da Estrela. Fazer uma prova na Serra da Estrela é como uma prenda a mim mesma que pretendo oferecer-me todos os anos. Só eu sei o bem que me faz à alma correr por ali... Por isso, ainda não sei bem quantos quilómetros por lá irei fazer, mas vou.
No sábado do treino, o objectivo era recriar o percurso do Monte da Lua, tendo em conta que haveriam partes que atravessam propriedades privadas e não poderiam ser feitas e também um ou ou troço que poderia estar fechado. Além disso, devido à chuva do dia anterior, também iríamos evitar as arribas na parte final. Mesmo assim, estávamos confiantes de que teríamos percurso para uns 40 km.
Começámos o treino na Praia Grande e seguimos na direcção de Colares. Ainda nem 3 km levávamos quando nos deparámos com o primeiro obstáculo.
Depois da ponte, as quintas que a prova atravessava tinham agora uma cerca. À conta disso, tivemos de improvisar um bocado pelo alcatrão, na direcção dos B.V. de Colares, e dali seguir uma parte do percurso do Trail Serra e Mar, até desviarmos para a vila de Sintra e seguir novamente os trilhos do Monte da Lua. Desenrascanço... O que vale é que já são muitos quilómetros percorridos nesta serra!
No entanto, isso não nos impediu de nos enganarmos num cruzamento pouco depois, claro. A este erro, devemos o maior ganho de elevação seguido de todo o treino, portanto acabou por ser por uma boa causa, embora na altura não o tenha apreciado devidamente. :)
O cruzamento irá levar-nos até aos Capuchos, e daí foi a descer (fiquei contente nesta parte) até Monserrate, de onde pretendíamos fazer a ligação à Regaleira.
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| Parque de Monserrate. |
Em Monserrate, fizemos a primeira pausa para abastecimento e tirar umas fotos com os lobos que por lá habitam.
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| Auuuuuu! |
Se me lembro bem, acho que também há por lá um urso, mas não o encontrámos. Depois, passámos pela Quintinha de Monserrate,
antes de fazer os cerca de 2 km de estrada que nos levariam até ao Palácio da Regaleira.
Desta vez, infelizmente, não poderíamos entrar e percorrer os seus túneis, subindo depois o Poço Iniciático (só por esta parte já vale a pena fazerem a prova). Por isso, seguimos a corrida de obstáculos que foi fintar todos os turistas que percorriam as ruas da vila, até fugirmos pelo Parque das Merendas, na direcção do Castelo.
Subimos por aquele que eu intitulo o "Trilho das Fotos Fantasmagóricas",
e continuámos a difícil subida até aos Mouros, onde passámos vários turistas, alguns visivelmente com cara de "devia ter apanhado o bus, f#ck os €5!". :)
Depois, chegando ao estacionamento da Pena - e porque não subir mais um bocadinho? Nesta fase já estou por tudo - fomos até Santa Eufémia.
De Santa Eufémia fizemos a ligação ao estradão do Chalet da Condessa, seguindo depois alguns quilómetros relativamente planos, antes de baixarmos na direcção da Barragem da Mula, através do Torgas. Já é difícil descer por ali a correr, imagino os loucos do downhill.*
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| Início do trilho Torgas. |
(* A partilha dos trilhos de Sintra por parte dos corredores e ciclistas é sempre motivo de alguma polémica, sobretudo trilhos comummente usados para a prática do downhill. Com a utilização responsável acho que todos podemos usufruir dos mesmos, sem riscos. Eu, por exemplo, que a seguir às cobras o meu maior medo é ter um encontro de primeiro grau com uma bicicleta desgovernada, evito certos trilhos em "horas de ponta" - também as há, na serra! - e vou sempre com imensa atenção. Neste dia, por acaso, não vimos nenhum ciclista em todo o treino.)
Nesta fase já levávamos mais de 20 km, portanto estava na altura de pensar no retorno. Embora já não estivéssemos a seguir fielmente o track do Monte da Lua, não podia ficar de parte a famosa subida ao Monge. Embora não tenhamos começado desde cá de baixo do Trilho das Pontes, fomos apanhar a escadaria a seguir ao monumento aos bombeiros junto à estrada
e dali subimos até ao pinoco no alto do monge.
Agora, e já que referi cobras há dois parágrafos, imaginem o que encontrei algures durante a subida... Um esquilo! Ahah, não, foi mesmo uma COBRA! O meu mais temido encontro de primeiro grau nos trilhos.
Para ser exacta, era um fura-mato, que é outra designação para uma espécie de cobra pequena e acobreada. Segundo os Parques de Sintra é muito raro ser avistada por ali... Ãhhh, vejam só a minha sorte!!! Ainda por cima, como foi apanhada de surpresa, fez-se de morta e nem se desviou quando lhe atirei um pequeno galho (sem qualquer intenção de acertar ou magoar, apenas para a afastar). "Olha-mésta! Estou em minha casa, portanto fico aqui refastelada ao sol a fazer de morta se me apetecer e tu que te desvies, se quiseres" - pensou, obviamente, a cobra.
Tive de fazer um desvio de 50 km (eheh ;)) só para não passar POR CIMA dela (ME-DO).
E, depois de tanto subirmos (até então já íamos com mais de 1200m D+), iniciamos a descida de regresso à Praia Grande, na direcção da Praia da Adraga. Foi por esta altura que fiquei sem bateria no gps, portanto os meus dados do treino ficaram incompletos
Mas tudo acaba bem quando uma corrida termina na praia, e a maré até colaborou com a formação de uma pequena baía para a crioterapia.
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| E descer os mais de 300 degraus de acesso ao areal? Também foi bonito. :) |
Bons treinos!













































